segunda-feira, 28 de setembro de 2009

"Na Minha Terra, Come-seBem"


O que define uma terra, além da sua cultura e da sua história? O que todas as pessoas gostam de conhecer quando viajam? Ora bem, a gastronomia local. Penso que todos nós gostamos de comer, de experimentar sabores, de deliciar-nos com petiscos e sobremesas… Pronto, eu confesso-me: eu adoro! A minha fada esqueceu-se de me dar uma colher de pau mágica. Resultado: não tenho jeito para a culinária. Para tal é preciso paciência e sobretudo paixão. Mas acho que tenho uma enorme sensibilidade gustativa e faço questão de provar de tudo quando saio de casa. Daí, decidimos comemorar o Dia Mundial da Alimentação (16 de Outubro). Como tal, a Blogagem do Mês de Outubro vem mesmo a calhar. Até ao dia 8 de Outubro, proponho-vos o desafio de me fazerem sair de casa e ir até às vossas Terras saborear o que de melhor se faz. Podem participar com receitas, falar sobre o vosso restaurante de eleição, divulgar pratos típicos… Enfim, tudo o que desejarem dentro do tema. Vá, estou com água na boca…

Antes que me esqueça: as regras do jogo mudaram um pouco. Ai, pensavam que vos ia facilitar a vida. Sou malandra, por isso aqui vão as pequenas mudanças. Os textos serão postados por ordem de chegada, ao longo dos 18 dias (de 10 a 28), em média 3 por dia. Do dia 28 a 31 de Outubro, irá iniciar-se o período de votação. As distinções de melhor texto, melhor bloguista e melhor comentário mantêm-se, assim como os parâmetros habituais: texto com um máximo de 25 linhas e uma fotografia. No dia 4 de Novembro, serão divulgados os resultados. Prémios aliciantes serão anunciados no dia 10, dia do início da Blogagem.

Participe enviando os textos por email (aminhaldeia@sapo.pt).

Comente e Esteja Atento!
Relembramos que a votação da Blogagem de Setembro "Vinhos e Vindimas" está quase a terminar. Tem apenas um dia para votar! Ah, as garrafas de vinho estão prontas para envio, mas a quem? Queremos oferecê-las, mas ainda estamos à espera de mais comentários. Se ainda não leu, descubra-os aqui.
Dia 30, anunciaremos os resultados.
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Por agora, deixo-vos um pequeno enigma: a propósito de sopas...alguém sabe qual é a aldeia que serviu de cenário para este anúncio? Quem sabe? Quem quer ser o primeiro a arriscar?




Boa Blogagem para todos!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

DEGUSTE MAIS UM CÁLICE DE VINHO

Olá a todos,
hoje apresentamos um interessante texto sobre "O que é o Vinho?". É da autoria do nosso amigo Acácio Moreira. Como o tempo é sempre escasso e intensamente preenchido, o texto chegou-nos após a data limite, mesmo assim editamo-lo. Pois, o nosso amigo queria muito participar e merecia, claro, ver o seu texto na Aldeia. Desfrutem com moderação!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O que é o Vinho?


Do ponto de vista técnico-legal, o vinho é a bebida resultante da fermentação alcoólica, total ou parcial de uvas frescas ou do seu sumo, segundo processos tecnológicos apropriados. Estreitamente ligadas aos vinhos estão as aguardentes de origem vínica, bebidas de mais elevada graduação alcoólica, provenientes, conforme os casos, da destilação dos vinhos ou dos bagaços da uva: como resultado dos diferentes processos tecnológicos empregados no seu fabrico. Os vinhos apresentam por vezes características profundamente diversas, pelo que se podem repartir por vários tipos ou classes. Dentro do mesmo tipo ou classe as características podem também variar, segundo as castas de uva empregadas e a natureza do clima e do solo em que se situem as vinhas. De entre os vários elementos que contribuem para a caracterização e identificação dos produtos vínicos tem lugar de destaque o conjunto misto de factores, naturais e humanos, constituídos por clima, solo, castas, processos de cultura e vinificação, ou seja, aquilo que na essência justifica o reconhecimento internacional de certas denominações de origem por que são conhecidos os principais vinhos e aguardentes de alguns países. As denominações de origem regulamentada estão em Portugal ligadas a regiões legalmente demarcadas. Mas o carácter regional dos produtos vínicos estende-se para além daqueles que beneficiam de uma denominação de origem regulamentada. A indicação de proveniência reveste-se, assim de grande importância, pelo que em muitos países é usualmente indicada nos rótulos dos diversos vinhos engarrafados. As características e o valor dos vinhos podem também variar de ano para ano. Num pequeno país como é Portugal, existe uma extraordinária variedade de climas, solos e castas que dão origem aos mais diversos tipos de vinho. A classificação dos produtos vínicos pode ser feita sob vários aspectos, parecendo-me de interesse, do ponto de vista gastronómico, a que os separa em: vinhos generosos e licorosos, vinhos doces de mesa brancos e roses, vinhos comuns ou de mesa, brancos e tintos, vinhos espumantes e espumosos.

Escrito por: Acácio Moreira, do blogue Carvalhal do Sapo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Mais aventuras na feira...

Regressámos novamente a Idanha no final de semana , desta vez apenas duas "marafonas"... eu  e a Susanita. A Lenita resolveu ficar em Viseu e não sabe o que perdeu...

Num único fim de semana, experimentámos de tudo um pouco. Foram  sabores, saberes e verdadeiras aventuras.

Começámos com um quase pequeno almoço à moda raiana, o chamado "tiborne":  barrando azeite  na tosta, misturado com sal ou açúcar, para sentir o doce do salgado , conforme o gosto de cada um. Hum!  Uma delícia! Tem o gosto suave deixando no final um pico na garganta agradável;  a sua cor é amarelado extra virgem. Enquanto degustavamos, explicaram-nos que se trata de um costume de longa tradição de idanhenes para o seu pequeno almoço, que terão aprendido com os seus vizinhos espanhóis. Ficámos a saber também que é  no Ladoeiro onde se concentra a maior parte da produção, com cerca de 8065 hectares, razão pela qual renasceu há 4 anos a Cooperativa, com o nome de Coopagrol .Com isso descobrimos que afinal não são apenas melancias que se  produzem por lá!

Ficaram com água na boca? Quem quiser experimentar, sempre pode ir , num desses dias em passeio até  à Cooperativa, no Ladoeiro, comprovar se tenho ou não razão!

Foto da Olho de Turista

Depois desse "quase" pequeno almoço à espanhola, iniciámos uma autêntica aventura na feira. Primeiro pregaram-nos um susto ...uns camponeses que andavam por lá a passear  uns burritos. Estavam muito entusiasmados por saber que a nossa rapariguinha cusquinha ia ser cliente deles ( Trilobite aventura),  para aquele passeio de burro que eles amavelmente iam oferecer, lembram-se?...Mas a malandra não apareceu ( acho que assim que os viu  ficou cheia de medo e fugiu...).


Foto da Olho de Turista

 Da freguesia de S.Miguel de Acha, estava um estande com o único vinho que existe no concelho de Idanha. Sem saber quem eramos, logo que nos viu com a máquina fotográfica na mão, o promotor do vinho  quis ser nosso modelo fotográfico para apresentar o seu belissimo vinho Subito. Curiosas como somos, fizemos uma montanha de perguntas, ainda para mais quando a blogagem colectiva deste mês é sobre vinhos e vindimas. Ficámos a saber que é um vinho, da região demarcada da Beira Interior, que tem como conceito, um vinho com regra, daí a empresa chamar-se de Viniregra. Trata-se de uma novidade, porque foi lançado no mercado na presente feira. Sendo um experiente em vinhos, pedimos-lhes uma descrição do mesmo: "o seu aspecto é límpido, a cor violeta profundo, o seu aroma é muito complexo, pois é constituído por o aroma de fruta madura, cereja, e baunilha". Acompanha bem carnes grelhadas ou bem temperadas, bacalhau assado ou grelhado, também acompanha o queijo curado e de meia cura.


Foto da Olho de Turista

Depois dessa conversa, que deu água na boca para o almoço...outras emoções bateram à porta, nunca antes experimentadas.  Emoções reais  num local onde jamais imaginava estar... a tão curta distância...sentindo quase na pele o medo pelo perigo eminente, encarado como um grande desafio. Conjugavam-se, como  uma dança de forças ,entre o Homem e o animal . Uma arte, um legado de longa data , bem enraizada  e muito apreciada entre os idanheneses.  Adivinhem onde estivémos...na tourada.

Agora imaginem, uma tourada em versão infantil, em que em vez da Branca de Neve, estava  "El Chino torero  e os  seus anoezinhos forcados"; uma largada de touros na Manga; uma corrida de touros e outra com forcão incluído.Saimos umas verdadeiras "experts"...

E mais não vos contamos. Se quiserem, vejam a segunda parte do filme que fizémos e , daqui a dois anos, quando se realizar a feira raiana, estão convidados a conhecer, pessoalmente.





Não se esquçam de ler, comentar e votar os textos da blogagem colectiva dedicada aos vinhos e vindimas.
Para ler clique aqui

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Veja como foi esta semana a Feira Raiana em Idanha





Até domingo, sempre pode ir dar um saltinho a Idanha a Nova conhecer esta imperdível feira!
Nós vamos estar lá, outra vez! Conto convosco, também!

Para ver o programa da feira, clique aqui.

Um bom fim de semana para todos!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

NATUREZA E ARTESANATO NA FEIRA RAIANA

Exposição Ano Internacional do Planeta Terra
Foto da Olho de Turista
Desde há alguns dias, a pacata vila de Idanha-a-nova estava num intenso estado de alvoroço. Os seus cerca de 2500 habitantes preparavam-se para serem os anfitriães da 8ª Conferência Europeia de Geoparques, e simultaneamente, os organizadores da XIV Feira Raiana. E não só. Incansáveis, tinham outra surpresa na manga: a 1ª Idanha Film and Internet Festival. As três mosqueteiras, Susana, Susanita e Lena quiseram testemunhar este acontecimento e partiram a aventura. Caros amigos bloguistas, sigam-nos nesta viagem ao mundo da Natureza, da História e da Confraternização de dois povos.
Solar do Marquês da Graciosa
                                                           Foto da Olho de Turista



Na manhã do dia 14, bem cedinho, Idanha-a-Nova torna-se uma vila cosmopolita. Estamos na presença de representantes de 25 geoparques internacionais, vindos de vários países da Europa e do resto do Mundo. Juntos, admiramos a exposição cujo tema é o “Ano Internacional do Planeta Terra – Ciências da Terra para a Sociedade. Entretanto, deambulamos pela vila, entusiasmadas com a paisagem e a amabilidade dos idanhenses. Uma bela casa solarenga com uma janela mainelada e varandas de ferro forjado intriga-nos. É o Solar do Marquês da Graciosa, onde ainda vive um descendente. Situada na praça da república, a habitação tem traços medievais com os 3 corpos, sendo o central mais elevado. Cercada de merlões, tem também um balcão de granito trabalhado, que se apoia em colunas toscanas dos séculos XVII e XVIII. De seguida, visitamos o Castelo de Idanha-a-Nova, pedaços sobreviventes da nossa História.
Castelo de Idanha-a-Nova
Foto da Olho de Turista

Um geólogo, amante da Natureza e da Região, surge no nosso caminho e inicia-se uma interessante conversa a propósito da importância de Geoparques. Quem de melhor para nos elucidar sobre o assunto já que está directamente ligado ao Geopark Naturtejo da Meseta Meridional (zona que une os municípios de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Nisa, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão). Explica-nos que um Geoparque é uma área rica em biodiversidade, com limites territoriais bem definidos, interesses geológicos, históricos e culturais. Aprendemos que temos de conservar e proteger o Património natural e enfatizar a sua utilidade nacional e internacional. Trata-se de um trabalho árduo, mas compensativo, pois contribui para o apoio sócio-económico local, a criação de emprego e a promoção dos produtos regionais de qualidade. Trocamos todos ideias e percebemos a forte vontade que existe em melhorar a vida de quem vive nestes locais e a união existente entre a natureza e as pessoas. Daí, entendemos que o tema da Feira Raiana “Desenvolvimento Local e Cooperação Transfronteiriça – Turismo de Natureza” estava interligado. Antes de se despedir de nós, incentiva-nos a visitar no dia seguinte a 1ª Feira Europeia de Geoparques inserida no recinto da Feira Raiana. Claro que fomos e espreitamos cada stand como se de uma volta ao mundo se tratasse: Noruega, Brasil, Itália, Espanha… e em Portugal, além do Geoparque Naturtejo, destacamos uma novidade: a recente criação do Geoparque de Arouca.
Vista e Caminho para o Castelo de Penha Garcia
Foto da Olho de Turista

Deixamos Idanha por breves instantes e demos um saltinho até Penha Garcia. Percorremos as ruas estreitas compostas por pequenas casas de xisto e de gorrão até chegarmos a umas escadinhas que dão acesso a um miradouro. Estamos nos fragmentos das muralhas do Castelo. O vento sopra, uma águia voa livremente. E no calmo silêncio da tarde, contemplamos a vista ao nosso redor: a barragem, a Serra de Malcata, a Serra da Gata (em Espanha), a planura interrompida pela imponente colina de Monsanto... Contudo a tranquilidade é quebrada por um sublime jantar medieval recheado de bobos, damas e cavaleiros. Assistimos a ceia e as encenações e rimo-nos tanto. Já de noite, aproximamo-nos da barragem para assistir ao filme “Baraka” de Ron Fricke (USA) que lá ia ser projectado. O espectáculo foi de tirar o fôlego. Absolutamente deslumbrante! Avistamos o deslumbrante vale encaixado do rio Pônsul, com o seu famoso conjunto de antigos moinhos.
Vista da Barragem de Penha Garcia, Vale e antigos moinhos
Foto da olho de Turista

Não é à toa que Penha Garcia é chamado o “presépio” da Beira. A barragem, as fragas, os fósseis, a encosta da Serra, tudo se conjuga de forma tão harmoniosa. A ideia do visionamento de um filme só veio enaltecer a grandiosidade do local. E soubemos que será certamente uma experiência a repetir nos próximos tempos. Se voltar a perder esta ocasião, não terá desculpa.
No dia seguinte, parecíamos umas pulguinhas, ansiosas pela inauguração da XIV edição da Feira Raiana de Idanha-a-Nova. Então, tínhamos muita curiosidade em percorrer o recinto e ver os 200 expositores. Pois, é um evento que se realiza anualmente, de um lado e doutro da fronteira, alternadamente. Queríamos sentir essa aproximação entre os povos, conhecer os seus produtos e as suas actividades da zona raiana, e os diferentes sectores, entre eles: o Agro-Industrial, Cinegético, Artesanal, Comercial/Industrial e Cultural. E foi isso mesmo que aconteceu.
Artesão de Torres de Lucano 
Foto da Olho de Turista

Ficámos maravilhadas com dois artesãos que esculpem a madeira: um faz torres de Lucano (Monsanto) e o outro cria imagens religiosas. Ambos usam a memória visual.
Artesão de imagens e objectos religiosos
Foto da Olho de Turista

Estes dois senhores são de louvar, pois fazem um trabalho genuíno e minucioso, valorizando sempre a região. Noutro expositor, ficamos abismadas com os trabalhos de uma artesã: os bordados de Castelo Branco.
Artesã de Bordados de castelo Branco
Foto da Olho de Turista

Ainda temos a imagem gravada na memória do fabuloso vestido de noiva e da colcha, tudo cuidadosamente bordado. Um momento engraçado foi quando não resistimos e tiramos fotografias junto das Marafonas e dos Adufes.
As famosas Marafonas e os Adufes
Foto da Olho de Turista

Gostou desse pequeno apanhado da Feira? Voltamos hoje de propósito a Viseu para vos contar tudo. Amanhã, já estaremos de volta a Idanha e não arredaremos pé de lá até Domingo. Não hesite, venha ter connosco. O fim-de-semana promete muito mais. Pode vir conhecer em pessoa os artesãos e suas obras, assistir as largadas e corridas de toiros ou a actuação dos ranchos folclóricos e das adufeiras. A música estará em foco com concertos de artistas idanhenses como a Celine ou a Ciranda, da banda da terra Moços do Adro…Mas o destaque vai para duas famosas bandas rock – La Frontera (espanhola) e os Blind Zero. Imperdíveis!
Um, dois, três…contamos os minutos…Estamos à sua espera…

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A propósito da Feira Raiana...


Já foi à Feira Raiana em Idanha-a-Nova? Caso nunca tenha ido, não se preocupe, tem tempo de preencher essa lacuna. Desta vez, o Clube das Mulheres Beirãs apresenta-lhe Maria José da Silva, uma idanhense genuína. Qual é a ligação com a Feira? Descubra lendo a nossa entrevista de hoje, aqui.

Já me esquecia! Antes de irem lá, sirvam-se ! São iguarias directamente da Feira Raiana de Idanha . Estamos a adorar estar cá! Quem quiser juntar-se a nós ainda vai a tempo até ao próximo Domingo (dia 20 de Setembro)! Quando voltarmos para Viseu, prometemos contar tudo.

Até lá, beijinhos para todos !

Susana, Helena e Susana

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

História do vinho

Hoje estou por terras de Idanha, conhecer a famosa Feira Raiana, que tanto falámos aqui. Por isso esta semana, venho visitar a Aldeia, no final do dia (se assim for possível). Quando voltar para Viseu, prometo contar-vos como foi, se não conseguir postar lá, é claro!.
Entretanto, para os meus leitores não terem nada que fazer, para além de lerem e comentarem e votarem no melhor texto sobre os vinhos, convido-os a fazerem uma pequena viagem comigo pela História, sobre o mundo fantástico dos vinhos:
Imagem retirada da internet

Não se sabe quem o inventou e onde apareceu, mas sabe-se que o vinho foi muito apreciado na Antuguidade, pelas primeiras grandes civilizações da Humanidade, como um verdadeiro néctar dos Deuses. Os egípcios, entre os 1000 a.c. e 3000anos a.c. foram os primeiros a registar, em pinturas tumulares, as principais etapas do ciclo da vida do vinho. Encaravam-o como uma riqueza tão importante como o ouro , para acompanhar o faraó na vida além da morte .


Já entre os gregos, o vinho não só era consumido, como era um dos ingredientes usado para a preparação de medicamentos, cosméticos e confecção de molhos. O grande Homero fez questão de fazer referência, na Ilíada, ao vinho e à colheita das uvas durante o Outono.

Baco: Imagem retirada de internet
O vinho na antiguidade esteve ligado à mitologia grega e romana: celebravam festas em honra do Deus Dionisus e do Deus Baco, respectivamente. A sua colheita era associada ao culto de Júpiter, como fonte do bem e a Vénus, deusa do amor e da alegria.


O prazer era vivido intensamente em todos os aspectos da vida social. Incentivavam o seu consumo até ao limite: ficou conhecido o Dauso, filho do Imperador Tibério, como o maior bêbado do império romano; o Plotino, filósofo grego recomendava bebedeira a cada 14 dias.


Passagem das bodas de Canã : a transformação da água em vinho por Jesus Cristo
Imagem retirada da internet

Já na Bíblia o vinho era enaltecido como um licor escolhido por Deus para simbolizar o amor, sendo por isso citado cerca de 521 vezes em várias passagens. A Igreja Católica e, em especial, o monarquismo tiveram um papel fundamental para a implementação e desenvolvimento da cultura vinícola na Idade Média. Tornando-se a maior proprietária de vinhedos, deu a conhecer na época a técnica do fabrico do vinho à Europa.


Na cultura judaica, também teve uma presença importante: cedo produzia o vinho "Kacher", feito sob a orientação de um rabino (ainda hoje se produz, por exemplo na Beira Interior, em Belmonte).
Imagem retirada da internet

No séc. XVII surgem os conhecidos espumantes franceses que se tornaram num dos vinhos mais importantes da época, até ao séc. XVIII, momento em que o Vinho do Porto começou a ser muito apreciado pelos Ingleses, graças ao Tratado de Methuen. Um acordo comercial entre Portugal e Inglaterra feito em 1703, em que se comprometiam os portugueses a comprar os têxteis aos ingleses e estes compravam vinho português.



Graças a esse Tratado, o vinho do Porto e da Madeira tornaram-se os vinhos mais apreciados pela Europa, criando todas as condicões para o seu florescimento económico. A oportunidade de negócio foi tão grande, que começaram a surgir as primeiras falsificações do vinho. Para combater a crise, entretanto instalada, e as falsificações, em 1756 o Marquês de Pombal criou a primeira região demarcada em Portugal, na região do Douro, onde se produz o vinho do Porto.


(Mas isso não significa que o Vinho do Porto apenas se produzia por esta altura. Há referências arqueológicas, com a existência de pequenas lagaretas e lagares familiares espalhados pela região, que demonstram que já se produzia vinho pelos séculos III/IV).


Actualmente existem no total 33 denominações de origem , enquanto vinhos de qualidade produzida numa região demarcada ligada à respectiva região ( VQPRD), de forma a controlar e certificar rigorosamente todo o processo, desde a vinha até ao consumidor, de uma forma credível:

  • Denominação de Origem controlada (D.O.C);

  • Indicação de Proveniência Regulamentada (IPR);


As regiões demarcadas actualmente são as que pode visualizar no mapa que se segue:

Retirada da internet




Temos actualmente uma grande variedade de vinhos, para todos os gostos e todas as bolsas.
Se já na Idade Média, ter vinho era um privilégio exclusivo de uma pequena elite, hoje qualquer pessoa pode comprar um bom vinho a preços muito acessívéis. Seja numa loja especialista em vinhos, numa Quinta ou Adega produtora de vinhos, em qualquer supermercado, ou até mesmo num simples clique on-line, é possível ter acesso a ele, sem desculpas (mas só para maiores de 18 anos, e com moderação, é claro!): para não falar nos prémios que temos para oferecer aqui para o melhor bloguista e melhor comentário feito aqui na Aldeia da Minha Vida até dia 28!

Agora digam lá, caros amigos gostaram desta pequena viagem à História do Vinho (embora muito simplificada...pois havia ainda muito para dizer...)?


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Observações:
Fontes:
Stuart Walton, "Manual enciclopédico do vinho", Editorial Estampa.
Thierry Desseauve "Livro dos vinhos", Chaves Ferreira Publicações.
Graça Medelin "O vinho das ilhas"




sábado, 12 de setembro de 2009

E o óscar vai para...






Tal como ficou prometido, chegou o momento de divulgar a decisão do júri, relativa à Blogagem Colectiva de Agosto, intituldada "Festas e tradições na minha terra".


Os leitores da Aldeia da Minha Vida , das vinte participações a concurso, escolheram as cinco melhores festas e tradições:

  • Paradela em festa ,Senhora das Neves :dos blogue Fidalgos da Paradela, com 48 votos= 24%
  • Seguirei,uma aldeia transmontana, do blogue Seguirei, da Tânia, com 38 votos= 19%
  • Festa no Barreiro, da autoria da Elvira do Blogue Coisas minhas, com 27 votos=13%
  • Culto à Srª da Nazaré, da autoria da Pascoalita, com 22 votos= 11%
  • Rituais de Inverno, da autoria do Artesão Amável Antão , com 21 votos= 10%
Para a melhor postagem, o júri esteve num grande dilema, dada a qualidade das participações, que defenderam muito bem as festas e tradições das suas terras.

Curiosamente, nesta blogagem estiveram em peso participações de amigos de terras transmontanas, que demonstram nos seus blogues um grande amor pelas suas raizes. Estejam a viver ou não lá, estão permanentemente com a alma nas suas terras, para mostrar o que de melhor existe por lá para conhecer e informar sobre tudo o que passa aos quatro cantos do mundo. São pessoas assim que essas terras precisam, para valorizar a sua cultura, o seu património, para ir ao encontro dos problemas reais e em busca de soluções para as suas gentes.

Entre elas destacaram-se duas participações, ás quais o júri não podia ficar indiferente.

Aos Fidalgos da Paradela, a Olho de Turista felicita-os pelo empenho em participar e divulgar esta blogagem junto dos seus leitores. A prova está no apoio demonstrado nos resultados da votação. É um blogue dedicado à aldeia da Paradela, pertencente ao concelho de Chaves, da autoria de Paulo Ferreira, Márcio Santos, J. Carvalho e de Amélia Marinheiro. O orgulho pela terra está bem presente, em cada postagem. Exemplo disso, foi o anúncio da bandeira, do Brasão e heráldica da Junta de Freguesia de Paradela, editada e tornada pública este ano corrente. Para ver o brasão, clique aqui
Outro transmontano se destacou, não tanto pelos resultados obtidos por parte dos leitores, mas pelo conteúdo e contexto da sua participação:

Um simples artesão utiliza o último grito, que são as redes sociais, para divulgar a sua arte e o seu gosto pelas tradições da sua região, únicas no país. Um verdadeiro achado, em que certamente serão poucos os artesãos, com o seu perfil, que sabe das maravilhas que um simples blogue pode proporcionar às pessoas.

Estamos a falar do blogue Arte e artesanato nas máscaras de Amável Antão:
Na terra de Miguel Torga, vive um grande artista artesão, que procura manter viva a tradição e os rituais da terra, transformando pedaços de madeira em caretos únicos. Peças mágicas que transformam qualquer um que se esconda por trás delas, como se uma nova personalidade acabasse de nascer com elas.

Ambos os blogues destacados têm um trabalho admirável, que não podia deixar em branco na Aldeia da Minha Vida, e que merece o nosso reconhecimento. Como o prémio é apenas um... (que gostariamos muito que se desdobrasse...) depois de muito discutida (...daí o seu atraso...) a decisão do júri foi a seguinte:

Tendo em conta de que 49% incide na escolha dos leitores e 51% incide no júri da Olho de Turista, a balança pesou mais para o lado... para o lado... dos Fidalgos da Paradela, grandes embaixadores da sua terra, por este mundo fora. Os nossos amigos transmontanos vão ter a oportunidade de ir conhecer a Cidade de Trancoso para desfrutar de uma excelente refeição para duas pessoas à moda da Beira Alta no prestigiado restaurante da cidade , o Área Benta, numa data à escolha até dezembro deste ano ( uma oferta do Restaurante Área Benta).
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Para melhor bloguista do mês de Agosto, o júri esteve indeciso entre várias pessoas, que marcaram a sua presença desde o início da blogagem, com o verdadeiro espírito do mundo dos bloggers:
São elas a Pascoalita, a Elvira e o João Celorico. Dado que só há um prémio para esta categoria, o júri decidiu que para o mês de Agosto o prémio vai, desta vez para a Elvira. Uma boa oportunidade para conhecer mais sobre a História e cultura da cidade da Mêda, com o livro " O Concelho de Mêda de 1838-1999", edição da Câmara Municipal de Mêda , uma oferta do autor Jorge Saraiva.
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Para o melhor comentário, sem margem de dúvida, o prémio será atribuído, pela segunda vez consecutiva ao João Celorico. Novamente inundou o mês de Agosto com comentários em forma de poesia dirigidos a cada um dos participantes que postaram aqui. Para além de ficar a conhecer a aldeia da "Prova" pertencente ao concelho de Mêda, assim que receber em sua casa um belo livro, uma oferta do autor Jorge Saraiva, temos uma surpresa :
Como é conhecimento de todos, na blogagem de Julho levantou-se a questão do facto do João Celorico não ter nenhum blogue para os seus e nossos leitores e amigos poderem desfrutar cada palavra poética sua. Ele respondeu que tal se devia à falta de tempo e pouca experiência para lidar com postagens. A Olho de Turista propôs tornar a Aldeia da Minha Vida, como um espaço disponível para as suas postagens. Como reconhecimento da sua lealdade e grande amizade para com a Aldeia da Minha Vida, a Olho de Turista decidiu abrir um espaço exclusivo para os seus poemas e postagens:

Vamos inaugurar esse espaço e surpreender o nosso amigo, como ele surpreendeu cada um de nós!
Antes que ele venha à Aldeia, vamos entrar, espreitar, acomodar-nos nos seu coração! Vamos encher a sua casa, comentando o que ele comentou a cada um de vocês! Prontos para o desafio?

"Salvaterra no coração"


Para terminar em beleza, falta anunciar os vencedores do Passatempo de Idanha, que irão à Feira Raiana desfrutar de uma saborosa refeição para duas pessoas,entre 14 a 20 de Setembro:

1) Pena
2) Henrique Ferreira

Quem vai passear de burro por terras de Idanha:

- Cusca Endiabrada (pela originalidade da sua participação)

Os vencedores contemplados, quer da blogagem colectica de Agosto, quer do Passatempo de Idanha, é favor de enviarem , o mais rápido possível via email, para : aminhaldeia@sapo.pt , os seguintes dados:

- nome completo (do vencedor)
- contactos directos(telemóvel ou telefone)
- dia que pretendem ir defrutar do prémio
- morada ( para o envio dos livros)

Parabéns a todos!


Nota: não se esqueçam que a blogagem de Setembro está agora a decorrer sobre vinhos e vindimas!
Leiam, votem e comentem!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Duas blogagens numa só!

Hoje começam duas blogagens colectivas: - uma é dinamizada pela nossa amiga Sandra, do Blogue Curiosa a propósito do seu primeiro aniversário, com o tema "Porque criou o seu blogue". Achei interessante o tema, pois vem mesmo a propósito para dar a conhecer a minha motivação para dinamizar este blogue, da Aldeia da Minha Vida.



Este blogue começou a sua aventura em Maio como um livro virtual, com o objectivo de formar uma colectânea de textos da autoria de bloguistas e não bloguistas convidados, a propósito de vivências, paixões, curiosidades à volta das aldeias portuguesas. Sentimos que as nossas aldeias bem como as suas tradições, saberes e culturas peculiares estão a ficar esquecidas e desvalorizadas, assim como grande parte do seu património construído e paisagístico. Doi saber que corremos o risco de perder todo um legado, que passou séculos de boca em boca, de pais para filhos, quando agora temos uma tecnologia de informação que nem passava pelos sonhos dos nossos avós alguma vez existir, mais rápida que o próprio sismo, mas que quase nada sabe dessas aldeias perdidas no monte. É precisamente para não perder esse saber popular das nossas aldeias, que nós estamos aqui todos os meses com um tema diferente, mas sempre ligado a essa cultura popular.

***
Cada mês propomos temas diferentes:

Tem sido uma experiência fantástica , pois superou de todos todas as nossas expectativas, pela forma com que muitos de vocês entregaram, de coração aberto, o amor e a paixão pela aldeia das suas raizes ou dos seus sonhos, que um dia encantou, num belo passeio de domingo. A prova disso foi o vencedor de Junho, com a terra de Ouguela, de Jorge Reis e o vencedor de Julho, com a Aldeia da Cabeça, do José Pinto.*




Com o mês de setembro começa uma nova blogagem, aqui na Aldeia da minha vida, a propósito de Vinhos e Vindimas. Um tema que achámos pertinente dedicar, numa época em que muitas regiões do país de Portugal começam as famosas vindimas. Como os vinhos fazem parte da nossa cultura, pensámos convidar pessoas ligadas ao tema, desde profissionais do ramo, a amadores ou curiosos que quisessem partilhar ideias, experiências sobre o mundo dos vinhos, com todos nós. São variadas as participações à volta desta temática , desde simples e singulares histórias vividas na primeira pessoa sobre a realidade dos trabalhos vinícolas; a dicas de como seleccionar o vinho, na hora de se sentar à mesa; a relatos e descrições de vinhos de apreciadores de vinhos, quase do outro mundo; à história do próprio vinho.



Queremos desde já agradecer a todos, que aceitaram o nosso convite para participar e dar um pouco da sua paixão. Esperamos que todos, que por aqui passam, gostem dos textos e retirem algum valor acrescentado dos mesmos. Peço a todos a amabilidade de votar o melhor que entendam, comentar e divulgar junto dos vossos amigos, para virem participar também, levando consigo um selo para o vosso blogue.






Tal como as edições anteriores, a blogagem de Setembro também tem prémios para oferecer**:







  1. Prémio Melhor Post: **
  • 1 garrafa da Quinta do Sobral (Dão, DOC, Touriga Nacional 2006)
  • 1 garrafa de Monte Aljão (Dão, Doc Vinho Tinto de 2004)
  • 1 garrafa de Barrão de Nelas (Dão. Doc. Vinho Tinto de 2005)


2. Prémio Melhor Comentário:**
  • 1 garrafa da Quinta do Sobral (Dão, DOC, Touriga Nacional 2006)
  • 1 garrafa de Monte Aljão (Dão, Doc Vinho Branco de 2008)
  • 1 garrafa de Barrão de Nelas (Dão. Doc. Vinho Tinto de 2005)


3. Prémio Melhor Blogueiro:**

  • 1 garrafa da Quinta do Sobral (Dão, DOC, Touriga Nacional 2006)
  • 1 garrafa de Barrão de Nelas (Dão. Doc. Vinho Tinto de 2005)

Dito tudo isso, gostaria que os leitores pensassem e comentassem esta filosofia da Aldeia da Minha Vida, considerando alguns pontos, como:
  • O trabalho desenvolvido;
  • O concurso; modo de votações, prémios;
  • Sugestões de melhoramento do blogue.

Quero ainda relembrar que :
-ainda está em curso o passatempo "Descobre lugares e sensações de Idanha"(2ºparte), que termina hoje à meia-noite. Participem!

*Pedimos desculpa aos participantes da Blogagem de Agosto, pelo facto de ainda não publicarmos os resultados, pelo facto de o júri apenas se reunir hoje, sobre este assunto.

Amanhã, dia 11 de Setembro, iremos publicar a decisão do júri relativa à blogagem de Agosto, bem como do passatempo de Idanha a Nova.

Até lá uma boa blogagem para todos!
___________

** Os prémios são uma oferta de produtores do vinho do Dão:

Quinta do Sobral, Santar (Nelas);
Carlos Barahona de Brito (Barão de Nelas), Vilar Seco (Nelas);
Casa do Monte Aljão, Cativelos (Gouveia).

A brincadeira que acabou mal...





Boas lembranças tenho das vindimas. Todos os anos, ia contente com a minha prima, companheira de muitas brincadeiras à volta das uvas. Lembro-me das vezes em que jogávamos para ver quem conseguia encher o balde mais depressa! Mas é claro que entrava mais na barriguinha, do que propriamente no balde...


A parte pior era quando o calor apertava... as abelhas e as vespas insistiam voar à nossa volta sempre que iamos atrás do tractor, com as suas enormes tinas alaranjadas, prontinhas a serem levadas para a adega, assim que estivessem cheias de uva. Ainda tenho na memória a música de fundo que elas faziam, enquanto o tractor se movimentava.




A parte que achava mais piada era quando chegávamos ao fim do dia, todas pintadas com o tinto e iamos para o lagar do meu tio ver os homens a pisar as uvas, enquanto cantarolavam. Com muita pena minha foram muitas as tentativas fracassadas para nos juntarmos ao grupo. " Isto é para homens" diziam eles... coisas de machismo, foi o que sempre achei, assim como nessa altura, as mulheres, que acabavam por fazer a parte mais dura, a de colher as uvas ganhavam menos do que os homens, na hora de receber. Penso que ainda hoje funciona assim... a igualdade salarial ainda não chegou ao campo...




Agora não me esqueço o dia em que estávamos cansadas e resolvemos esconder-nos lá no meio de uma vinha. O pessoal colheu as uvas, continuou pela vinha fora e não deu pela nossa falta. Passaram uma, duas, três horas e deixámos de os ouvir e ali continuámos deitadas debaixo da sombra da parra. Sempre pensámos que alguém iria chamar-nos, à nossa procura, mas tal não aconteceu... até que apareceu um lacrau a passear à nossa beira. Quando vimos o bicho ficámos de tal maneira histéricas, que assustámos o bicho... mas de nada adiantou... acabou a dar uma picadela à minha prima. Ela gritou tanto de dor que os que estavam na outra ponta da vinha ouviram e foram acudir a minha prima. A brincadeira acabou no Hospital, a soro e com um grande sermão dos nossos pais...




Ai do bicho que se meta na minha frente, outra vez!


Escrito por Joana, do Blogue Diario de Joana

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As minhas vindimas na minha garotice




Quando falo da minha terra, há sempre alguém que recorda que é a terra do bom vinho. Atrás disso vem à baila também a lembrança dos momentos de garotice vividos nas vindimas.
O mês de Setembro sempre foi um mês bem marcante: o início da escola e da grande agitação das vindimas. Às cinco da manhã lá estava eu, com a roupa mais velha que tinha, um balde, uma tesoura e um chapéu, pronta para seguir viagem. Sentada no atrelado da antiga carrinha azul dos meus pais, juntamente com mulheres de várias idades alí íamos sorridentes para mais um ano de vindima. O tema de conversa batia sempre no mesmo:"vamos ver se este ano vamos ter muita uva". Íamos para as pequenas quintas dos meus avós paternos e maternos colher uva branca e preta. Grande parte se concentrava na Vila Fria da Quinta de Falhas, ao longo do vale da Quinta da Veiga e no monte da "Cornalheira". Essas quintas faziam parte da freguesia de Longroiva e da Fontelonga, e estavam contempladas na região demarcada do Douro. Dava gozo ver a parra colorida de variadas cores quentes, especialmente quando as avistávamos lá no alto do monte da Cornalheira. Desde que o sol nascia, até às cinco horas da tarde, a tarefa era sempre a mesma: colher a uva, deitar para o balde, até encher. Esvaziá-lo e voltar a colher. Nada podia falhar: branco para um lado e preto para o outro. Não havia lugar para paragem, pois tinhamos muito trabalho para largos dias. Para tornar a tarefa mais agradável, muitas histórias e mexericos eram contados e a alegria reinava nesses convívios.
Confesso que participava nessas vindimas, porque assim me obrigavam. Aos fim de semana não havia escapatória... e lá íamos, eu e a minha irmã às vindimas. Não era o trabalho que mais gostava de fazer... pois nesses dias preferia limpar a casa de cima a baixo várias vezes ao dia, que ir à vindima. Isso porque sei que para fazer o vinho tão apreciado, muito suor e sacrifício se mistura nesse processo, que começa muito antes da vindima, com a poda, a empa, o esladroamento, a desparra, a escava, a cava, a fertilização e as curas. As vindimas são o resultado de um ano de trabalho, quantas vezes não correspondentes ao trabalho feito por causa dos caprichos do tempo...
Dos meus avós apenas restam as vinhas, que o meu pai tomou o gosto e faz questão de manter e aumentar, para produzir o seu vinho caseiro e para vender as uvas a grandes produtores de vinho.

Este ano ainda não começou, mas promete ser mais um ano bem agitado. Numa terra, onde se sabe bem o significado e o valor do trabalho no campo e da vinha, que produz o célebre vinho do Porto, o ouro sobre o azul dessa gente.
Escrito por Carina
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O Barão de Nelas e a sua Quinta


A Quinta de Santo António do Serrado está situada em Vilar Seco, Nelas, no coração da Região Demarcada do Dão, na região Norte-Centro de Portugal, onde a tradição vinícola é uma forma de vida há séculos. A Quinta do Serrado está nas mãos das mesma família desde o final do Século XVII, e a sua adega data de 1741.


A família

O Barão de Nelas, da família Barahona Paes de Brito continua a envelhecer o seu vinho utilizando o método tradicional Francês, em pipas de carvalho, mas o método de produção e engarrafamento foi completamente modernizado, produzindo um vinho que, embora mantendo as suas características únicas, sobe aos mais altos padrões de qualidade reconhecíveis por todos os apreciadores de vinho.

A vinha

As vinhas crescem lentamente nas solarengas encostas viradas a Sul desta quinta de sete hectares, e produzem um vinho opulento e aveludado que ganhou o seu primeiro prémio internacional de qualidade em 1876 na Exposição Mundial de Filadélfia. Mais recentemente, o Touriga Nacional 2000 recebeu a Medalha de Ouro na Quarta “Wine Expo” em Portugal.

A vinha, que foi renovada em 1991 pelo actual dono da quinta e descendente do primeiro Barão de Nelas, oferece uma combinação da variedade de uvas locais: Touriga Nacional, Jaén, Alfrocheiro e Tinta Roriz.

O vinho

São engarrafados na Quinta dois tipos de vinho: uma mistura de quatro castas, e um exclusivamente feito de uvas Touriga Nacional. O Touriga Nacional é um vinho tinto Português de alta qualidade altamente premiado na região do Dão. A Quinta produz aproximadamente 30.000 garrafas por ano.

A Comissão Vinicultural da Região do Dão controla a qualidade dos vinhos, que são certificados pelo seu selo de garantia. A Comissão também classifica os vinhos superiores com diferentes denominações, conforme a sua qualidade.

Escrito por: Carlos Barahona Pais de Brito da Quinta do Santo António do Serrado,
Patrocinador da Blogagem de Vinhos e vindimas

Memórias ligadas à vinha


As vindimas de que tenho lembrança remontam aos últimos anos da década de 60 do século passado, quando eu era ainda criança com 10 ou 11 anos de idade e já integrava um grupo de trabalhadores da aldeia, e durante um dia inteiro, colhia os cachos e carregava à cabeça enormes cestos de vime cheios de uvas. Na minha aldeia, no Concelho de Trancoso, na Beira Alta, as vindimas tinham início em Setembro e por vezes prolongavam-se até Outubro.

Lembro-me do Sr Alberto, um respeitável feitor que tinha a seu cargo a tarefa de cuidar das vinhas, cujos donos moravam e exerciam a sua actividade profissional na capital, apenas se deslocando esporadicamente à aldeia onde permaneciam pouco tempo e raramente eram vistos.


O pessoal contratado, na maioria mulheres, juntava-se no adro da igreja, ou junto ao cruzeiro da aldeia e partiam em grupo, umas vezes a pé, outras numa carrinha de caixa aberta quando a vinha era mais distante, levando cada um o seu próprio farnel. A tarefa era desempenhada ao som de alegres canções populares e o tempo passava sem quase nos darmos conta.

Retrocedendo a essa época, acabo por constatar que aquilo que é hoje considerado "exploração infantil", constituía para mim, e disso tinha plena consciência na altura, um dos poucos factores de alegria e realização pessoal. E bem me lembro da sensação de orgulho que sentia quando ao fim do dia me cruzava com meninas da minha idade que, por protecção paternal ou por terem sido preteridas pelo contratante, ficavam a brincar nas ruas da aldeia. E hoje, por mais estranho que possa parecer, sou capaz de afirmar que me sentia privilegiada por trabalhar. O pisar das uvas e a prova do vinho mosto são lembranças que associo à casa de família quando os meus avós maternos ainda eram vivos, mas isso numa época tão longínqua que já quase se confunde com um sonho.

Muito mudou na minha vida desde então, mas as vindimas continuam a atrair gente às aldeias, o processo será menos artesanal, o ritual mais familiar, mas os actos de colher e pisar as uvas ainda são desempenhados em FESTA!


A última "vindima" em que participei foi há mais de 10 anos, quando troquei a cidade pelo campo e adquiri uma moradia com quintal onde moro actualmente. Nesse ano, por graça, o meu "aprendiz de hortelão" aventurou-se na experiência e um dia de "trabalho intenso" de 2 adultos e 2 crianças, rendeu:


- 15 litros de vinho tinto
- 10 litros de vinho branco
- 5 litros de jeropiga

(tudo de excelente qualidade eheheh)

Escrito por Pascoalita
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Aprenda a escolher o vinho ideal para acompanhar uma refeição com os seus amigos!

Os vinhos tintos são os mais indicados para os pratos bem condimentados, massas, risotos e carnes vermelhas. Para as carnes mais fortes sugiro um vinho mais leve, para as massas ou carnes mais leves sugiro um tinto mais encorpado. Com peixe estufado ou em caldeirada, convém apresentar vinhos tintos ligeiros (ou mesmo encorpados, se a caldeirada for picante). As carnes vermelhas e a caça, assadas ou guisadas ou em pasta (tortas recheadas, empadas), devem ser acompanhadas por vinho tinto encorpado. As carnes assadas também combinam com vinhos espumosos secos, mas com carnes grelhadas ou assadas (desde que sem molho) aconselho vinho tinto leve. Com queijos fermentados (crus) servem-se vinhos tintos fortes. Queijos de pastas cozidas (tipo gruyére) pedem vinhos tintos mais leves. Os vinhos tintos são os mais indicados para os dias frios, pois em relação á temperatura a que deve ser servido não necessitamos de ser muito rigorosos, mas contudo devemos manter o vinho longe do sol ou de locais muito quentes pois pode alterar o sabor do vinho.

Os vinhos brancos são os ideais para acompanhar os pratos de peixe, carnes brancas, com alguns queijos e com saladas. O vinho branco seco é o mais indicado para acompanhar as refeições, por outro lado o vinho branco doce é mais indicado para sobremesas com fruta e doces. Com as entradas deve ser servido vinho branco seco, vinho verde branco, vinhos generosos secos ou ainda vinhos espumosos secos. Os mariscos e peixe servem-se, normalmente, com o mesmo vinho servido para os aperitivos (vinho branco seco ou verde) ou, se forem acompanhados por molhos picantes, com vinho branco suave, adamado. Com doces não alcoolizados servem-se vinhos doces brancos, espumosos doces ou ainda generosos doces e meio-doces. Com os doces confeccionados com licores ou aguardentes, só devem servir-se as bebidas utilizadas na sua preparação. Com queijos frescos servem-se vinhos brancos suaves. Este tipo de vinho deve ser servido muito gelado.

O vinho Rosé é o indicado para alimentos leves e saladas, podendo também ser tomado como aperitivo. Este vinho deve ser servido bem gelado.

Todo o vinho deve ser servido em taças, o vinho tinto em taças maiores, o vinho branco e rosé em taças menores. Um aspecto muito importante é que qualquer tipo de vinho deve ser sempre servido em taça transparente, para que assim se veja e aprece a cor da bebida.

Escrito por Susana Amaro
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AS VINDIMAS NO TEMPO CERTO


Setembro, mês em que a canseira das colheitas maior azáfama traz aos agricultores. Época de colher os frutos do trabalho de mais um ano agrícola.
O ponto alto das colheitas é sempre o das vindimas nas regiões vinhateiras.

Uva, aquele fruto que o Sol fez brutar da cepa na Primavera, com o seu calor o fez florir e crescer durante o Verão, sempre sob a vigilância e dos cuidados do agricultor, que tem que tratar os míldios, os oídios e outras pragas de insectos, e que o Astro Rei agora doirou, convida à colheita para extracção da maravilhosa bebida que regularmente nos acompanha às refeições.

Chegou a hora da sua colheita que impõe que exércitos, de tesoura em punho, se desloquem para as vinhas e, de carreira em carreira, recolham aqueles frutos maravilhosos.

Longe vão os tempos em que a mão humana manipulava tudo, desde o corte da uva, o transporte às costas ou à cabeça, para as tinas ou dornas levadas em carros de bois, para vazar nos lagares. Aí, quando o lagar estivesse cheio, um compasso de espera dois ou três dias para fermentar, grupos de homens saltavam para dentro, durante quatro horas, percorriam inúmeras vezes aquele enorme tanque, de canteiro (*) a canteiro, cantando e rindo com as anedotas que iam saindo de cada boca, para atenuar o cansaço, calcavam os cachos a pés. "Calcar o vinho". Agora, aproveitando as novas tecnologias, que vieram auxiliar o homem em muitas tarefas, ele deixa que as máquinas, depois de se colherem as uvas para as tinas, façam o resto sob a sua orientação e devido acompanhamento, esmagando as uvas e mergulhando o vinho com o engaço, durante alguns dias, para afinar a cor ruiva.
Daqui por algum tempo, depois de exigentes análises laboratoriais quase permanentes, vão franquear - nos a prova desse nectar delicioso produzido em cada época, que irá ser consumido através dos tempos, durante muitos anos, por todo o Mundo.

É assim que, cada ano, depois das podas e do preparação dos vinhedos, se obtem o produto final que vem animar quem o produz e levar a alegria e satisfação a quem o consome.

A Terra o deu, o homem se regala.


* «Canteiro» - Nome que, em certas regiões, se dá ao bordo em pedra dos lagares do vinho.



Beijós, Região Vinicola da Dão, 08 de Setembro de 2009
Por > Zacarias Pais do Amaral

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Memórias e preocupações da vinha e do vinho

Tive a sorte de acompanhar de perto, quando não na primeira pessoa, algumas das principais transformações ocorridas nas últimas décadas na vinha e nos processos de vinificação, assim como ao nível da comercialização das uvas ou do vinho. Refiro-me, naturalmente, à forma mais tradicional de produzir vinho e de vinificar, identificada com pequena parcelas, onde cada videira tinha a sua casta; e identificada igualmente com lagares de pedra, cubas de cimento e sobretudo com as famosas pipas (ou pipos), responsáveis por um intenso labor nas tanoarias, das quais aliás vinham também as dornas.

A minha juventude foi marcada por algumas mudanças, aparentemente de pouca monta mas com profundas influências no tecido social e nas vivências comunitárias. Recordo-me que gradualmente as uvas deixaram de ser transportadas em dornas, o que implicava a existência de uma junta de bois, para serem transportadas em gamelas e posteriormente no seu sucedâneo em plástico, os poceiros como o povo lhe chama. Se é um facto que a vinha deixou de ser central na economia familiar de base rural, também se perdeu uma importante dimensão imaterial ligada à vinha e ao vinho. Estas e outras pequenas transformações alteraram, nomeadamente, o ritual das vindimas, que outrora como que sacralizava os laços familiares e de vizinhança, à semelhança da casca do milho festejada na desfolhada. Em cada cantiga sobravam uvas, mas em cada cesta ou cesto não ia apenas o som, ia também o sentido e o tom de uma comunidade. Na última dorna não ia apenas um desígnio de dever cumprido, ia a celebração das colheitas e da vida de quem nela participava, que no dia seguinte se repetiria na vindima de um familiar, vizinho ou compadre.

Actualmente tenho o privilégio de ver de perto o esforço levado a cabo por dezenas de viticultores nas últimas décadas: o momento de viragem, as dificuldades, a paixão pela vinha, o ainda tímido contributo para a criação de uma imagem da região do Dão e do vinho da região, indissociada do queijo, das serras, dos rios, das pessoas. É um facto, que a realização do projecto Património do Vinho e da Vinha da Região Demarcada do Dão, que no âmbito da APARDÃO execute com o Jorge Esteves, me permite conhecer de perto uma nova realidade. ainda assim, não por mera nostalgia, mas por preocupação social, não deixo de olhar para o lado. Da campanha passada reservo a imagem de vários tractores agrícolas à espera junto às cooperativas para deixarem as uvas, creio que com menos romantismo e mais dramatismo. É do conhecimento público, por um lado, o envelhecimento da população e, por outro lado, o facto dos custos de produção não trazerem benefícios a ninguém. Sem me querer meter da discussão dos apoios que o Estado possa dar, nem na questão do pagamento atempado ou não por parte de quem adquire as uvas, não deixo de me preocupar com o futuro da região como um todo. Sou adepto da tese segundo a qual é necessário ter vinhos de gama média para daí sobressaírem vinhos muitos bons. E do ponto de vista estritamente sócio-económico é no mínimo incompreensível fechar os olhos ao abandono dos campos, dá ideia que vamos todos trabalhar no sector dos Serviços.

Escrito por : José Gomes Ferreira do blogue Associação para a Promoção da Região do Dão
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O néctar do Alentejo que me caiu no goto …

Imagem retirada da internet

Estávamos no ano de 2002, em Setembro, num dos primeiros sábados do mês. Fomos convidados para um casamento de uma grande amiga do e no Entroncamento: a Xana Roxo.


Estou acompanhado da minha esposa que, não bebe muito vinho, apenas o faz socialmente e em certas ocasiões. De resto prefere o vinho caseiro de seus pais …
No restaurante, acabam de servir as entradas: salgados diversos, de onde prefiro os pastéis de bacalhau caseirinhos … nada melhor para os acompanhar do que um bom vinho branco e fresco. O que é que me serviram? Um famoso “Porta da Ravessa Branco de 2001”. Já bebi um “Porta da Ravessa Tinto” de 2000 e gostei muito. Era forte, encorpado, de cor rubi e com um paladar a frutos vermelhos silvestres. Naturalmente que o bebi a acompanhar um bom lombo de porco assado, com batatas e salada mista. Gostei tanto que agora no casamento dos meus amigos não hesitei em provar o vinho da mesma casa mas branco.
Foi um verdadeiro sumo de uva, maravilhosamente fresco e perfumado. Fiquei de tal forma encantado que, comecei a caracterizar o dito vinho em voz alta para todos os que me rodeavam. Lembro-me de ter dito algo do género: “uma boa lágrima que marca o carácter do vinho. Cor branca ,ligeiramente dourada. Aroma frutado, com reminiscências de pêra e de maçã. É um vinho redondo! Agradável e leve que acompanha bem pratos de peixe.”
Para meu espanto o noivo estava com uma garrafa na mão a ler o rótulo enquanto eu falava. Quando eu terminei ele disse: “acertaste em cheio! Ou será que já tinhas lido o rótulo?”
A verdade é que foi a primeira vez que provei “Porta da Ravessa Branco de 2001” e fiquei deliciado com o mesmo!
Como já gostava da versão de tinto, tornei-me um fã a partir daí, de “Porta da Ravessa”. Atrás desse, posteriormente tenho degustado e bebido outros vinhos do Alentejo, como o “Borba”.
A partir daí, tenho sempre uma preferência, pelos vinhos do Alentejo …
Escrito por Mestre
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Dou-me bem com ele

Antunes Ferreira

Uma confidência: comecei a pisar uvas no lagar da minha tia-avó Etelvina, tinha eu oito anitos. No Vale de Santarém, onde a augusta Senhora era a segunda pessoa mais importante, além de… solteira. Até aos 82, quando faleceu. E dizia-se – eu ainda não entendia de tais coisas, mas ouvia – que era virgem, por razão de um desgosto de amor na sua juventude. Vidas.

O meu pai era do Cartaxo, mas podia ter nascido em Almeirim, na Chamusca, em Santarém, na Póvoa da Isente, ou em Vila Chã de Ourique, já que o meu avô era comerciante de vinhos. O que quer dizer que a inclinação para a boa pinga vem-me acompanhando pela vida fora desde a… mais tenra idade. Alto e pára o baile: não sou um bebedor militante, mas sei apreciar o vinho. Néctar de que gosto, sem chegar à embriaguez. Resumindo linearmente: não me embebedo; dou-me bem com o vinho.

No DN onde fui chefe da Redacção, criei um suplemento semanal intitulado prosaicamente «Jornal dos Vinhos», cuja alma mater foi o meu camarada de trabalho José Estêvão Santos Jorge, que organizava os «Jantares Vinícolas» com imenso sucesso. Eu acolitava-o com imenso prazer, não só pela companhia – de uma forma geral excelentes cidadãos, apreciadores e conhecedores – mas também pela qualidade dos néctares apresentados e… consumidos.

Posso, pois, dizer que os vinhos e as vinhas fizeram parte da minha vida, pois a Dona Etelvina Ferreira era proprietária de ambos. Hoje, sou mais vinhos, as videiras só de passagem, quando circulo nas estradas. A vida é assim: tem-se aquilo que se pode ter. E como a trabalhar não se enriquece – não tenho vides, nem adegas, nem rótulos, nem sequer rolhas. Mas, palavra que gostava de ter. Por puro prazer.

Escrito por Antunes Ferreira, do blogue A minha travessa do Ferreira
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Vinho do Caxias, Brasil

PARTICIPANDO DA BLOGAGEM COLETIVA PROMOVIDA PELA SUSANA DO BLOG. Aldeia da Minha Vida .


TRAZENDO O TEMA Vinhos e vindimas.
PENA QUE O TEMPO É CURTO E O ESPAÇO TAMBÉM!!!
RESUMINDO VAMOS ENTÃO...
ENTÃO VENHA COMIGO NESTA VIAGEM...

Não vou falar do Vinho de Portugal, vou falar do Vinho do caxias, do qual fui conhecer.


Fica no Rio Grande do Sul
Bem, não sou uma amante dos vinhos.


Mas, experimento. Até tomo lá de vez enquanto alguns goles, ou uma taça.

Quando adolescente, nas festinhas bebia uns golezinhos e passava muito mal. Até mesmo em casa com meus pais. Sempre passava mal e acabava chorando muito, ou rindo muito.

Por que??? Porque passava mal.

Não posso beber nada que contém álccol.



"Para os amantes e/ou profissionais, saber apreciar e saborear um bom copo de vinho, envolve um jogo de sensibildade gustativa, um prazer, que passa por um ritual, à descoberta de sabores e aromas frutados, que quase parece uma entrada ao Paraíso, pela boca".

Concordo com esta explicação. Mas não posso me exceder muito.

Por isso não sou uma amante.

Meu marido ama Vinhos. Conhece muito.

Existem vários tipos de vinhos: são Tintos, Brancos, Rosés, Verdes e Espumantes.

Sei que tomado com moderação, são benéfico a saúde. Tenho um compadre, que toma todo os dias antes do almoço um cálice de vinho.

Diz, que é para manter a Saúde do Corpo.

Vamos então brindar este encontro com uma bela taça de vinho.
imagem retirada de http://www.osvigaristas.com.br/

CAXIAS DO SUL. CONHEÇA UM POUQUINHO DESTA B ELEZA DO RS. clicando aqui


Texto escrito por Sandra, do Blogue Uma Interacção de amigos.
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Barca Velha




O Vinho, especialmente o «generoso» ou «fino» como é chamado na região Duriense, e mais conhecido por «do Porto» ou ainda mundialmente por «Port Wine», será um dos temas que abordarei com regularidade neste Blogue. Tinha já pensado fazê-lo, era um projecto em estudo para outro dos meus Blogues, mas porque não aqui??? Só espero conseguir que se apaixonem pelo tema e o vivam tão intensamente quanto eu.

Começo por explicar porquê o Barca Velha como primeira opção. Não sendo um vinho do Porto, é contudo um vinho da região demarcada do Douro, região pródiga para a produção de vinhos de altíssima qualidade. Este vinho é indubitavelmente o melhor vinho de mesa do país, reconhecido mundialmente como tal, ocupando sempre um lugar cimeiro na cotação mundial dos “Wine Experts”.

Gostaria que soubessem antes de mais, que tive a imensa honra de trabalhar na Empresa que o produz, mas muito especialmente de ter tido o privilégio de ter contactado de perto e aprendido a amar o vinho, com o célebre criador do primeiro Barca Velha, que foi lançado no mercado em 1952, o Sr. Fernando Nicolau de Almeida, figura emblemática da A.A. Ferreira, um ser único, um perfeito gentleman. Lembro-me que inventava perguntas para poder ir ao laboratório ouvi-lo explicar-mas, a linguagem do vinho só por si é lindíssima, ouvir ou ler a descrição de um vinho é uma coisa do outro mundo, mas não há ninguém capaz de o fazer como ele, ninguém mesmo.
Apesar de ser o Sr. Director Técnico, de ter verdadeiro “sangue azul” nas veias, ele próprio conduzia o seu lindíssimo Jaguar azul-marinho, sempre rejeitou chauffeurs e foi sempre a pessoa mais carinhosa que conheci na Porto Ferreira. Com ele trabalhava o Sr. Engº. José Maria Soares Franco (de quem falarei seguramente muito noutros textos), que lá ficou após a morte do Sr. Nicolau de Almeida até muito recentemente, o Sr. Eng.º Luis Vieira, bem como mais dois ou três jovens enólogos, dos quais destaco o actual responsável técnico do Barca Velha, o Eng.º Luís Sottomayor, sendo este o terceiro que o Barca Velha tem como “pai” desde que foi criado.
Transcrevo extracto de entrevista ao “terceiro pai do Barca Velha”, quando perguntado se haveriam diferenças no vinho desde a sua criação; “Algumas, mas muito pequenas. Resumidamente, diria que o Sr. Nicolau de Almeida gostava de Barcas Velhas mais robustos, o José Maria Soares Franco privilegiava a harmonia e eu, a elegância.”

Vamos agora ao vinho em si.

Chama-se Barca Velha por ser produto da Quinta do Vale Meão, no Douro Superior (Pocinho – V.N. Foz Côa). A única Quinta inteiramente implantada por D. Antónia Adelaide Ferreira, (1811 – 1896) a célebre e ilustre “Ferreirinha”. Junto à quinta ancoravam os “rabelos”, que podiam ser maiores ou menores e daí chamarem-se “barcas” ou “barcos”. A mais velha Barca, a que já não transportava pipas rio abaixo até ao entreposto, no cais de Gaia, acabou por dar o nome ao vinho. Em 2000 a produção do Barca Velha passou para a Quinta da Leda, após a aquisição da Ferreirinha pela Sogrape, sendo actualmente a Quinta do Meão pertença do Sr. Dr. Francisco de Olazabal, genro do Sr. Fernando Nicolau de Almeida, de quem seguramente escreverei muitíssimo e dos seus fabulosos vinhos, assim eu vos consiga cativar para este tema.

Este vinho foi criado à imagem e semelhança de um Porto Vintage (mais tarde explicarei melhor, mas que é basicamente o vinho do Porto de eleição) cumprindo-se assim o sonho do Sr. Nicolau de Almeida, o de criar um tinto de mesa que se assemelhasse em tudo ao que um Vintage tem de melhor. Ao ser engarrafado jovem, corpulento, robusto e sem tratamentos, (tal qual um Vintage) fica preparado para evoluir na garrafa e atingir o auge com o tempo e com a idade., fazendo com que seja o único vinho que ousa desafiar o tempo. Todos os outros vinhos, mesmos os actuais grandes tintos do Douro, são comercializados muito jovens, com apenas dois ou três anos. Por seu lado, o Barca Velha só é comercializado oito a nove anos após a vindima, e só nos anos excepcionais e conforme a sua evolução na garrafa é que é declarado como tal ou não, assim o último colocado no mercado é do ano de 2000, e curiosamente o anterior foi 1999, mas é raríssimo acontecerem dois anos consecutivos.

Vamos agora a uma prova de um Barca Velha de 1985.
Esta foi efectuada em Novembro de 2002 por Tiago Teles.

“É sempre um desafio beber um Barca Velha. Este já tinha 17 anos e foi bebido em prova cega. O nariz começou por ser doce, com aromas a marmelo, evoluindo depois para um nariz vinoso. Ligeiro caramelo. A boca é elegante. A acidez é agradável e os aromas equilibram com a boa concentração de sabor. Os taninos estão presentes, mas envolvidos no conjunto, contribuindo para um final moderado/longo.”

Castas: Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Nacional e Touriga Francesa

Curiosidade - Na CASA FERREIRINHA existe apenas uma garrafa da primeira colheita do Barca Velha – uma magnum de 1952, cujo valor é, hoje, incalculável.
Curiosidade - Destaque especial para o Barca Velha 2000, que ganhou o prémio de melhor vinho do ano.

http://www.nicolaudealmeida.com/Historias.htm - Não percam as histórias do Sr. Nicolau de Almeida e as imagens.

Escrito por Fernanda Ferreira, do blogue Sempre jovens

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Bebida ingesta


Não haverá certamente ninguém que pelo menos uma vez não tenha participado ou assistido à azáfama das vindimas. Nos meses de Setembro e Outubro, as vinhas enchem-se de gente e em grande animação, as uvas são colhidas e transportadas para os lagares, onde são esmagadas e após fermentação, é recolhido aquele precioso líquido, tão apreciado pelos portugueses e não só.

Sempre estranhei tanta alegria no trabalho, e como cusca que sou, já em criança questionava os mais velhos sobre o assunto. Teriam as uvas um poder mágico que o simples exalar do seu odor nos deixava estonteados duma felicidade contagiante? Ou seria necessário mastigar primeiro alguns bagos?
- Não, diziam-me. É uma espécie de gozo por antecipação ... o melhor vem depois de beber o seu suco!
Lembro-me de assistir impaciente às vindimas, tendo inclusive tentado dar uma ajuda e de, movida pela impaciência própria duma gaiata que segundo o meu avô nascera com o diabo no corpo, ter confundido o meu dedo mindinho com o pé dum cacho, valendo-me ser excluída da Festa.
Dias depois, eu e a Luisa, minha companheira de brincadeiras, observamos grande azáfama no pátio. O meu avô e os nossos pais, carregavam um enorme pote dourado a que ouvi chamar alambique e percebemos que algo de muito extraordinário se iria passar nessa noite.
Aquilo era fantástico! Escondidas no escuro, víamos os homens em grande algazarra, colocar um copo sob um tubo de onde lentamente escorria um "fio prateado" e um após outro bebiam e riam, riam, riam. Sem hesitar, decidimos provar o milagroso suco!

Esperámos que os homens dormissem e pé ante pé avançámos e, de um só trago, bebemos um copo cheio cada uma. As minhas lembranças do alambique e do tão almejado "líquido prateado" terminam aqui. Só me lembro de acordar com uma forte dor de cabeça, numa cama empestada de vomitado e outros fluídos desagradáveis, com a Luísa ao lado gemendo, em idêntico estado deplorável eheheheh

Escrito por Cusca Endiabrada
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Vinho de Mêda ou sumo de Uva?

imagem retirada da internet

Não bebo muito vinho. Gosto mais de o apreciar com calma e em pequenas quantidades. Procuro sempre descobrir o que está por detrás de cada vinho. É um jogo muito interessante, quase uma “Paciência”, ou melhor um “Solitário”, descobrir as características do vinho. De seguida o que me dá prazer é poder partilhar essas características com outras pessoas e trocar opiniões com elas. Afinal bebo moderadamente, de preferência, às refeições e socialmente ….

Ainda antes de casar comecei a frequentar a casa dos meus sogros, em Mêda, Distrito da Guarda e na Região Demarcada do Douro. Confesso a minha ignorância de então, em termos dos vinhos do Douro, com excepção para o vinho do Porto que claro, está, já conheço desde adolescente.

A primeira vez que bebi vinho tinto produzido pelo Sr. Heroíno Falhas, fiquei espantado: Não me parece vinho. É tão suave. Não é amargo, devido a um estágio demasiadamente longo em pipas de madeira de carvalho. Não parece conter sulfitos nem nenhum aditivo. Trata-se de um verdadeiro sumo de uva!

Até então eu era um aficcionado dos vinhos do Alentejo e do Dão. A partir daí comecei a apreciar e a beber cada vez mais o vinho do meu sogro, caseiro, produzido da forma mais tradicional e absolutamente saboroso, sem igual! Outros vinhos do Douro DOC se seguiram e bebo com gosto.

O vinho tinto do Sr. Heroíno, produzido a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinta Roriz, estagia 6 meses em pipas de carvalho francês e depois é transferido para cubas em inox. Tem uma boa cor vermelho violeta, aroma a frutos maduros e a baunilha. Na boca é redondo com tâminos suaves e um final com alguma classe.
Acompanha bem carne de vaca, caça e queijos. Também já o experimentei com outras carnes e mesmo com peixe assado, dado que é redondo e suave, com muita satisfação.

Para quem quiser experimentar este néctar, verdadeiro sumo de uva, o Sr. Heroíno Falhas, vende ao público, nas suas instalações, em Mêda. O vinho é óptimo e o preço é um convite a levar para si e para os amigos!

Escrito por Paulo Antunes


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