terça-feira, 24 de Novembro de 2009

O MEU MAGUSTO



Estamos a chegar ao São Martinho, época de castanhas e prova de vinho.

Nesta altura, é vulgar complementar algumas refeições com castanhas. Em minha casa não fugimos à regra, mas olhando o meu assador, passam-me pela lembrança tempos passados na minha juventude, na aldeia natal da minha mãe, o Sobral Magro.
Fecho os olhos.

Vejo os divertidos magustos da aldeia. Grupos de rapazes e raparigas juntam-se num dos largos da povoação, num ambiente de grande alegria e animação. Para ali levam molhos de caruma que juntam num monte. Colocam-lhe por cima uma camada de castanhas que cobrem com uma outra camada de caruma. Por fim, ateiam-lhe o fogo.
De vez em quando, revolvem tudo com um pau, para que as castanhas se assem por igual, sem se queimarem.
Enquanto isso, alguns rapazes mais atrevidos, aproveitam para “deitar o olho” às raparigas que, envergonhadas, soltam risinhos nervosos.
Assadas as castanhas, todos se juntam em redor da fogueira já extinta e comem-nas em amena e alegre cavaqueira, intervalando com um copo de jeropiga ou de vinho. De cada vez que apanham castanhas da fogueira, ficam com as mãos enfarruscadas e alguns mais divertidos fazem festinhas nos outros, provocando grande algazarra, ao verem as caras sujas uns dos outros.
Quase sempre, um ou outro rapaz com dotes musicais mais apurados, traz consigo uma harmónica vocal ou uma concertina e começa o bailarico animado aqui e além pelas vozes afinadas dos cantadores da aldeia.

É este o meu magusto. Mas, ao abrir os olhos, acordo para a realidade. Na minha frente, continua o assador. Não há fogueira, nem rapazes, nem raparigas e, o único som que ouço, é a música da publicidade que passa na televisão.

Escrito por Lourdes Martinho, do blogue O Açor

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O MAGUSTO EM CASA DA BISAVÓ ANGELINA



A perna de borrego assa no forno a lenha enquanto o gato, preto como a noite, se aquece, praticamente encostado à panela da sopa de couves verdes segadas durante a manhã no quintal, para ser comida como entrada, com um garfo na mão direita – com as couves enroladas como spaghetti – e um naco de pão de milho com chouriço na mão esquerda, a acompanhar e dar “substância”. As castanhas que irão guarnecer a carne estão a ser cozinhadas num molho que até hoje nunca consegui imitar, porque a receita morreu junto com a bisavó. O pêlo do gato começa a arder. Parece as bruxas, condenadas antigamente à fogueira, pelo Santo Ofício. Quando o lume lhe chega à pele, desata a correr pela cozinha de terra batida, soltando miados aterrorizantes, capazes de acordar todos os mortos do cemitério. A bisavó atira-lhe uma bacia cheia de água gelada e o animal esconde-se, ensopado, debaixo de um dos compridos bancos de madeira da mesa da cozinha. Mais tarde, voltará a postar-se junto das panelas para secar o pêlo, para não ficar com bronquite. A bisavó recorda o tempo em que preparava carne de javali - naquele tempo os porcos selvagens abundavam na região e a bisavó chegou a domesticar alguns, criando-os de pequenos para matar e fazer chouriços, que tratava no fumeiro – com castanhas por altura do São Martinho, altura em que se encontrava grávida de gémeos. Lembra-se como se fosse hoje da queda que deu enquanto transportava o cesto do pão que distribuía pela aldeia. A gravidez ia no sétimo mês e não chegou a completar o tempo previsto. Um dos gémeos nasceu morto. Mesmo assim, conseguiu aguentar quase dois meses com um filho morto na barriga. Quando nasceram, o mais pequenino e mirrado foi quem sobreviveu. Chamaram-lhe Mário. O outro, gordo e lindo, nasceu sem vida com uma evidente contusão na cabeça, de onde já saíam vermes. A bisavó Angelina recorda as febres que se seguiram ao nascimento, as lavagens e as mezinhas feitas e elaboradas pela parteira. Sobreviveu. A bisavó suspira, enquanto vai buscar o vinho tinto verde, feito com as uvas da ramada do quintal, à adega. A bisavó não gosta de jeropiga. A Tia Lucinda, irmã mais velha do gémeo sobrevivente, chegará, vinda do Porto, com a sobremesa: pudim de castanhas e marrom glacê, receitas aprendidas em casa do Douto, onde trabalha como criada de servir lá para os lados da Sra. da Hora. Está na hora de pôr a mesa. A mãe, a trisavó Ludovina, do alto dos seus 102 anos, abre subitamente os olhos míopes, por detrás das lentes encavalitadas na ponta do nariz adunco e indaga, varada pela fome e pela gulodice: "Então, Lininha? As rabanadas já estão prontas? Já deve estar quase na hora da missa do Galo…”

Memórias de Black Desert Rose

Escrito por Claudia Sousa Dias, do blogue Rendez-vous
 
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domingo, 22 de Novembro de 2009

MAGUSTO

Poucas palavras!!! Estas Mãos e os seus 99 anos!!!
Quantas castanhas já foram descascadas por elas?
Umas mãos, Uma vida

Escrito por Vítor Brito, do blogue Vila Cova no seu Melhor

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O MEU PRIMEIRO MAGUSTO



A primeira vez que eu participei num Magusto foi no início dos anos setenta quando cheguei aqui ao Oeste.
No Alentejo, pelo menos na minha zona, não havia essa tradição. Comiam-se frutos secos, vindos do Algarve: as galinhas e os galos de pasta de figo, as amêndoas, as nozes… até há a feira de Castro Verde, cantada pela Mariza, onde se compram os frutos secos, em finais de Outubro.
Aqui chegada, logo os meus alunos começaram a falar de magusto, perguntando com alguma ansiedade, se este ano não havia.
Ficaram atónitos com o meu desconhecimento, mas esclareceram-me e o magusto foi aprazado para o dia de S. Martinho, tendo eles tomado a responsabilidade da organização do mesmo.
No dia de S. Martinho, a azáfama no pátio da escola era muita e a vozearia da garotada ensurdecedora!
Os meninos fizeram a fogueira com a lenha que eles próprios apanharam e lá dentro deitaram as castanhas depois de devidamente cortadas.
A partir daí foi o delírio total… os miúdos tiravam as castanhas assadas da fogueira, comiam-nas, voltavam a deitar mais castanhas na fogueira e, sobretudo enfarruscavam-se todos uns aos outros, no meio de grandes corridas, gritarias e brincadeiras.
A alegria reinava naquele pátio de recreio….cantavam-se cantigas alusivas ao S. Martinho...
Eu, nos meus verdes anos e perante o desconhecido estava também encantada, desconfio mesmo que também enfarrusquei algumas carinhas…comi muitas castanhas e diverti-me imenso.
Nem me lembro de mais alguma vez comer castanhas assadas como aquelas do meu primeiro magusto!
Eram mesmo “quentes e boas, quentinhas, a estalarem cinzentas na brasa”
Com o decorrer dos anos, os magustos nas escolas foram perdendo as suas características, por razões práticas e de segurança. Mantém-se o convívio, comem-se castanhas mas aquela fogueira no chão, as castanhas a assar lá dentro e os miúdos a retirarem-nas com um pauzinho pertence ao passado.

Escrito por Alcinda Leal, do blogue Soma dos Dias

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sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

O meu primeiro magusto




Tinha acabado de fazer 6 anitos quando participei no meu primeiro magusto. Foi um dia para esquecer…pelo menos para mim… Nessa altura andava na Escola Primária do Chãos, uma aldeia próxima da Mêda, onde a minha mãe ensinava as primeiras letras aos 16 meninos que lá havia, incluindo a mim.


No dia marcado saímos todos da escola rumando para o pinhal que havia lá perto, ao encontro de outro grupo da Escola de Casteição. Pelo caminho cantámos, alegres com mil e uma canções na ponta da língua.

Assim que chegámos ao local combinado, a euforia aumentou de tom, com as brincadeiras de miúdos. Mas foi sol de pouca dura…alguém disse que era preciso procurar muita caruma e lenha para ascender a fogueira…

Até aqui achei tudo muito engraçado e divertido, incluindo a parte em que se acendeu a fogueira e ficámos em redor a cantar, à espera que as castanhas dessem os primeiros “estalos”.

Mas na hora de retirar as castanhas da caruma, tudo mudou!

Queriam agarrar-me para borrar a minha cara com a caruma…quase parecia uma cena de outro mundo… Só chamava pela minha mãe, pois não queria, nem por nada, ficar toda “suja” com aquelas coisas pretas.

Todos se riam, com a minha aflição… ninguém me levavam a sério. O que é certo é que fiz de tudo para ninguém me borrar, embora fosse apanhada,no meio de tantos maiores que eu… Vezes sem conta perguntava à minha mãe se tinha a cara suja.

Se naquele dia tivesse um espelho à frente não sei se iria chorar mais por estar suja ou por não reconhecer a minha triste figura …

No regresso a casa, jurei que aquele dia seria o meu primeiro e último magusto da minha vida!

A promessa cumpriu-se. Nunca mais voltei a ter um magusto como aquele.

Hoje olho para os meus filhos e penso que não terão a mesma oportunidade participar no magusto tradicional, como aquele que vivi. A nova geração não participa no processo do magusto. A castanha é , simplesmente, assada no forno eléctrico da escola e distribuída aos meninos na sala.

A tradição já não é o que era, não acham?


Escrito por Joana, do blogue Diário de Joana

O MEU MAGUSTO NA ESCOLA PRIMÁRIA

(Imagem retirada da Internet)

Era aluno do primeiro ano. Tinha completado 6 anos há poucos dias. Tudo era novo para mim: a escola, os colegas e novos amigos, o professor que até era meu vizinho, enfim tudo.
Naquela semana mandaram um papel para casa a informar os pais de que havia um magusto no final da semana, na sexta-feira. Era a primeira vez que ouvi a palavra “magusto” e logo perguntei a minha mãe o seu significado. Foi então que comecei a imaginar que aquilo seria uma festa divertida.
No tal dia marcado, levei um saco de castanhas já com uma racha no fundo de cada, para facilitar a assadura das mesmas e uma garrafa de sumo para partilhar com os outros.
Na hora do recreio, tudo começou. As auxiliares trouxeram primeiro a caruma e acenderam o lume, depois colocaram a lenha a arder para criar as brasas. Ainda demorou um pouco. Só depois se colocaram as castanhas a assar.
Entretanto o tempo estava ameno naquele dia. Nem frio nem calor e o sol brilhava. Era um óptimo dia para uma festa na escola, a minha primeira festa lá.
Quando as castanhas estavam assadas, foi um corrupio a distribuí-las por todos os meninos e professores, com as mãos todas pretas, enfarruscadas das brasas e da borralha e até de algumas castanhas torradas.
Confesso que adorei o sabor das castanhas, adocicado e quente ao mesmo tempo, ou não fossem castanhas da região da Beira Interior.
Mas qual quê, quem era o míudo que depois de se satisfazer não começou a sujar as mãos ainda mais para a seguir ir pintar a cara do vizinho do lado? Foi um regabofe! Era só míudos a correr. Uns a fugir para não os sujarem mais e outros para enfarruscar os outros que ainda estavam branquinhos e ilesos.
Adorei esta brincadeira na escola. Nunca mais a esqueci e já passaram mais de 30 anos desde então.
Hoje os meus filhos não sabem o que isso é. O mais velho, já no primeiro ciclo do ensino básico, tem os seus magustos. Mas, as castanhas são assadas em forno eléctrico num qualquer restaurante ou padaria e eles nem sabem o prazer que dá sujar as mãos para comer e depois poder brincar a enfarruscar os outros ou ser enfarruscado e ninguém nos conhecer depois.


Escrito por Mestre.


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terça-feira, 17 de Novembro de 2009

NÃO GOSTO DE ASSAR CASTANHAS


Não gosto de assar castanhas. Queimo sempre as minhas mãos e nada fica em condições: umas estão mal assadas, outras parecem carvões! No entanto, adoro participar em magustos. Tenho amigos que são mestres, mas nenhum como o Armando quando escolhe a velha casa do Malhadoiro. Ele põe tudo a trabalhar! Primeiro, golpeamos as castanhas. Metemo-las, depois, num balde de água fria para não ficarem rijas e aguardamos meia hora.

É desta pausa que eu gosto. Por norma, comemos um queijo da serra bem fresco com broa caseira e bebemos um tintinho da pipa do Armando. Ele dá o vinho, o resto levamos nós. É sempre assim!

À hora certa, grita ele: - “Alto e pára o baile! Vamos escoar as castanhas”. Num ápice, despeja a água do balde. Nisto, mete a manápula na salgadeira do porco (ele ainda a usa, como antigamente), apanha um punhado de sal amarelado, bem rançoso, e atira-o sobre as castanhas. Agita, depois, o balde várias vezes, para que as castanhas fiquem babadas de sal e deixa tudo a marinar por meia hora. Comemos, então, o resto do queijo, bebemos mais um tinto, contamos umas histórias, discutimos futebol e sei lá que mais!

Chegada a hora, o Armando pendura o assador nas correntes enferrujadas da lareira, onde o lume já crepita. A partir daqui, só ele manda nas castanhas. Ele é que chocalha o assador, põe lenha, retira um tanganho, compõe o lume, sobe as correntes… eu sei lá! Tanta coisa! Tudo na altura certa! As castanhas ficam sempre alouradas, salgadinhas e tenras. Uma delícia! Nunca ficam queimadas como as minhas. No fim, o Armando atira-nos sempre esta, com vaidade: “ Vocês não percebem nada de castanhas! Isto tem os seus truques.”

Normalmente, acompanhamos as castanhas com água-pé. Sempre dá para beber mais um golito. Temos medo da jeropiga por ser muito saborosa, mas também muito matreira! Se não houvesse Polícia….

Escrito por José Pinto, do Blogue Cabeça Web

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A PROPÓSITO DE CASTANHAS

"Castanhas da Serra de S. Mamede"

O magusto, para mim, é uma não tradição. Claro que, vivendo na minha infância e juventude próximo da Serra de S. Mamede, única área do Alentejo onde o castanheiro aparece, é natural que, em casa, no Outono, se cozessem e assassem castanhas. Mas isso não correspondia a nenhuma celebração especial.
É verdade que as castanhas assadas eram muito apreciadas. Mas, para mim, nada se comparava às deliciosas bolotas, assadas na cinza da lareira, as quais eram apanhadas em azinheiras seleccionadas, estando assim garantida a sua qualidade e doçura.
Em magustos dignos desse nome, só comecei a participar nos que se faziam na escola onde dei aulas, no concelho de Loures. No dia de S. Martinho, não falhava a castanha assada ou cozida e o alcoólico acompanhamento líquido. Claro que, como era para muita gente, nem sempre a qualidade estava presente. Castanhas frias, às vezes demasiado assadas, não eram propriamente um petisco convidativo.
No entanto, na minha memória ainda persiste uma história relacionada com castanhas. Uma tia paterna vivia no concelho do Montijo, numa altura em que as comunicações eram difíceis e os produtos não viajavam como actualmente. Acontece que a tia gostava muito de castanhas e elas não apareciam à venda naquela região. Então, o irmão, meu pai, encarregava-se de lhe enviar todos os anos uma encomenda de castanhas que ia despachar nas camionetas que asseguravam o transporte de pessoas e produtos entre as várias regiões, demorando, por vezes vários dias.
À laia de compensação, a tia todos os anos nos mandava um caixote de odoríferas maçãs que perfumavam a casa durante o tempo que levavam a ser consumidas. Há muito tempo que não encontro estas maçãs à venda e tenho sobretudo saudades do seu intenso cheiro.

Escrito por Júlia Galego, do Blogue Gambozino

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domingo, 15 de Novembro de 2009

MAGUSTO NO DIA DE SÃO MARTINHO

Diz o POVO:
“No dia de S. Martinho, vai à adega, incerta o pipo e prova o vinho.”
- E como o vinho é “generoso”, convidou as castanhas para se associarem à festa em honra do Santo, patrono dos pobres.

As Castanhas a saírem do ventre materno
***
Em determinadas regiões de Trás-os-Montes, as castanhas são rainhas da gastronomia festiva no mês de Novembro e viajam, mesmo, de Vinhais e de Carrazedo de Montenegro, concelho de Valpaços, para o Brasil, para a Europa e outras zonas do globo. Umas assadas, outras cozidas, lá vão sendo comidas; avinhadas e bem saboreadas, alimentam e inebriam os pares para dançar ao som das músicas populares cantadas e tocadas.
A Lenda de São Martinho contada pela Lena, à guisa de introdução, é uma lição de amor e fraternidade para as sociedades modernas que estão a educar as novas gerações para o egoísmo e para as melhores técnicas de marketing visando ludibriar incautos e chuparem-lhes o sangue como as famosas sanguessugas da medicina pré-científica. O exemplo de S. Martinho merece ser celebrado, cada ano que passa, com mais entusiasmo para que o pensamento filosófico do ser humano se preocupe mais com a justiça criativa e distributiva, ensinando uns a “pescar”, a resguardarem-se das tempestades, do granizo e do frio das nevadas, pelas suas capacidades de trabalho e poupança – e socorrer os mendigos, os pobres de espírito e de haveres. Com este comportamento social, todos os seres humanos poderão, um dia, celebrar a festa de S. Martinho, comer as castanhas, provar o vinho e sentir o calor do Verão de São Martinho com um sorriso nos lábios e uma nova esperança. Os bons exemplos são para imitar.
Pessoalmente, vou participar na festa organizada pela Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa, no Externato Marista de Benfica, Rua de S. Neutel, nº11. É uma festa a valer. Há castanhas assadas, transformadas em doces, alheiras, pão centeio, vinho do bom e à farta, bandas de música, o conjunto MARANUS e outras surpresas. Aqui, não há distinção de classes. Há apenas amigos e conterrâneos a continuar as festas a que se habituaram a celebrar humildemente a 500kms de distância, nos tempos de meninos.

Escrito por Artur Monteiro do Couto, do blogue Beleza Serrana
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O "TRADICIONAL" MAGUSTO


Aproxima-se o dia de S. Martinho e como não podia deixar de ser, na Aldeia da Minha Vida fala-se sobre o tradicional "Magusto"...


Falar de castanhas é recordar o Padre Eduardo, o melhor cristão que já conheci, pároco da aldeia beirã do Concelho de Trancoso, onde nasci e vivi a infância.
Das tias herdou um grande soito, situado no cimo de um monte, contíguo ao campo de futebol, cujo terreno ele cedera, proporcionando enorme alegria à rapaziada local.


Mal os ouriços começavam a sorrir, o Toninho, seu protegido desde que ficara órfão em criança, montava guarda ao soito e por lá passava os dias apanhando a castanha. Por altura do S. Martinho, o padre Eduardo reunia um grupo de crianças e em conjunto faziam a caminhada enquanto iam, rezavam o terço, monte acima. Lá chegados, enquanto alguns ajudavam na apanha da castanha, os outros juntavam caruma em pequenos troncos que recolhiam no pinhal próximo e em grande animação acendiam a fogueira para o magusto. No fim do dia, os voluntários carregavam o saco com as castanhas que sobravam e fazia-se o caminho de regresso ao som de mais umas "Avé Marias".


No Departamento onde trabalho comemoramos o S. Martinho com um magusto reforçado, que inclui: Castanhas vindas directamente do produtor da zona da Guarda ou Viseu; jeropiga caseira da Beira Alta e Minho; presunto de Chaves ou da Mêda; chouriço de Arouca ou Alentejo; queijo de ovelha de Celorico da Beira e Castelo Branco; Água-pé clandestina oriunda de um tasco, cujo nome não revelo nem à lei da bala e uma ou duas sobremesas (receita das ninas do grupo pascoalita e africana).
Mas agora me lembro que temos o S. Martinho à porta … vou deitar o olho ao saco e ver o que temos para o magusto deste ano eheheh




Escrito por Pascoalita
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sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

MAGUSTO À BÊBADO

Respondendo ao pedido das meninas da Aldeia mais popular da Blogosfera, partilho com todos um magusto que recordo.

(Imagem retirada da Internet)
A Cusca Endiabrada cresceu no seio de uma família rural, retendo hoje apenas vagas lembranças dos rituais inerentes a cada época do ano, como a apanha da castanha, o magusto ao ar livre com a obrigatória prova do vinho novo no dia de S. Martinho que o Senhor José Gago, seu avô materno, se orgulhava de produzir e nesse dia servia aos vizinhos com tanta generosidade quanto o empenho com que restringia a bebida ao genro, mantendo uma cuidadosa vigilância ao tonel, devido à evidente incompatibilidade entre este e o precioso néctar.
A mãe lamentava-se que o pai nem o vinho devia cheirar, levando-a a supor que sofria de alergia ao natural corante tinto, só depois se apercebendo que a cor era irrelevante e que o branco exercia nele o mesmo efeito, mas o pai teimava em afirmar que o vinho lhe conferia inteligência, o que parecia ser verdade, dado que mal empinava um copito logo surgiam sinais de genialidade e começava o espectáculo que variava em número e duração conforme a dose ingerida, começando por ser ocasionais e por fim a ter lugar "dia sim, dia sim".

Num dia de S. Martinho, cujo ano já não recordo, o pai chegou a casa animado, prometendo aos filhos um fantástico Magusto! A mãe murmurava baixinho que ele já vinha com a "cadela" levando-os a olhar na sua direcção na esperança de verem surgir um “cachorro”. Acende-se a fogueira, castanhas no alguidar, as crianças ansiosas vêem o pai fazer malabarismos à volta do lume ensaiando um novo número que diz ser infalível que faz questão de exibir ainda antes de assar as castanhas! A mãe prevendo que dali nada de bom resultará, tenta distraí-lo, demove-lo da ideia, ralha, chora e lastima a sua vida, mas em vão. Do bolso do pai sai um maço de notas que enfia no borralho cobrindo-o com cinza, enquanto afirma:

- Não arde! Querem uma aposta como não arde? Garanto-vos que não arde! E a seguir assamos as castanhas e vão ver como hoje ficam mais gostosas que nunca!
Não que não ardeu! À excepção de 2 notas de 20$ chamuscadas que a mãe conseguiu salvar, o fruto de uma semana de trabalho ficou reduzido a cinzas.
E foi assim, especial e inesquecível, o Magusto desse ano. Em vez de castanhas e água-pé, engoliram-se lágrimas e a família foi dormir sem ceia, dando graças a Deus por nessa noite o espectáculo não ter incluído umas “cinturadas”.
Escrito por Cusca Endiabrada.
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O MAGUSTO NA MINHA INFÂNCIA

O Magusto é sempre uma festa popular, Cujas maneiras de o celebrar variam um pouco consoante as tradições regionais. É tradição juntarem-se grupos de amigos e famílias à volta de uma fogueira normalmente ao ar livre onde se vai assando castanhas para comer, bebe-se água -pé, vinho novo e jeropiga, cantam-se cantigas , as pessoas enfarruscam-secom as cinzas, fazem-se brincadeiras, tudo na maior alegria. Quando aparece uma castanha "parida", é oferecida uma das partes a outra pessoa ficando assim a ser compadres. Uma tradição na minha aldeia ainda sendo hoje usada pelos mais velhos.Embora o magusto seja normalmente realizado em dias festivos, é tradição em dia de todos os santos e São Martinho haver magusto colectivos e familiares em todo o nosso Portugal. Antigamente na minha aldeia era motivo de pretexto para os mais jovens nas tardes de domingo em época de castanhas fazerem o magusto para se poderem reunir e divertir à volta do lume feito com caruma dos pinheiros, com que assavam as castanhas. Uns ocupavam-se de ir apanhar a caruma , outros ofereciam castanhas e outros levavam a água-pé ou a jeropiga, e assim se passava uma bela tarde de domingo que muitas vezes terminava com um bailarico pela noite dentro.Reza a lenda que, em dia tempestuoso ia São Martinho, soldado romano, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de frio, que lhe estendia a mão suplicante, São Martinho não hesitou: Apeou-se do cavalo com a sua espada cortou ao meio a sua capa de militar e de imediato deu metade ao mendigo. E apesar de mal agasalhado sob chuva intensa, preparava-se para continuar o seu caminho cheio de felicidade. Mas subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido um sol brilhante inundou a terra de luz e calor. Para que não se apaga-se da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, quis Deus que todos os anos nessa mesma época, e por alguns dias, o tempo frio para-se, e que o Céu e a terra sorrissem com a benção dum sol quente e miraculoso. É o chamado Verão de São Martinho. E que eu como já é costume deslocarme-ei a Góis minha terra natal para participar nas festas do dia de Todos os santos e celebrar a tradição de estar presente com a família no tradicional magusto colectivo, uma simpatia da Camara Municipal de Góis e produtores locais de castanha.

Escrito por Acácio Moreira, do blogue Carvalhal do Sapo


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terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Blogagem com sabor a castanha e a mel beirão!

Este Fim de semana estive na Minha terra, na Expo-Mêda!


Para quem ainda não sabe, eu sou natural da cidade de Mêda, mais precisamente de uma pequena aldeia chamada Longroiva, localizada no Distrito da Guarda. Neste momento não resido lá, mas mantenho uma ligação com essa terra, por vários motivos. Um deles , como é obvio, são as minhas raízes: aí residem os meus pais e grande parte da minha família.

O outro está relacionado com uma grande paixão que tenho pela História. Desde cedo descobri que a Mêda guarda dentro de si uma grande riqueza patrimonial e cultural à espera do ser reconhecida por todos nós!

Aqui é possível conhecer as suas gentes e viajar por outros tempos.



Quem ainda não ouviu falar da Dama dos pés de Cabra, do Marquês de Marialva, da mais recente descoberta villa romana da Coriscada, ou do famoso Albaninho, o Homem Macaco que deu origem à lenda de Tarzan, ou do castelo de Longroiva, um dos mais antigos dos Templários, ou das Termas de Longroiva recentemente inauguradas?

Certamente muita gente.

Quem ainda não ouviu falar da Mêda, aquela terra fria com gente calorosa, capaz de conquistar qualquer um que aí passe, com o bom vinho do Douro, o azeite finíssimo e o mel de rosmaninho?

Da Expo-Mêda, a grande festa do Munícipio, se não ouviram, pelo menos leram aqui, na semana passada como uma das nossas sugestões de fim de semana.

Quem não foi…não sabe o que perdeu… Como vos tinha dito, eu fui e por acaso coincidiu com o meu aniversário ( não sei como, a nossa amiga Elvira descobriu que eu fazia anos).

Foi um fim de semana muito bem passado: os meus filhotes( sim tenho dois pequenitos, um de 2 e outro 6 anos) divertiram-se à brava nos insufláveis que lá havia; eu e o meu marido assistimos ao espectáculo do João Pedro Pais (há muito que não saámos à noite).


Mas a parte melhor foi rever algumas caras de outros tempos, tendo como pano de fundo o S.Martinho. Numa tarde redescobri as principais actividades económicas da região em exposição . Não faltaram à chamada os produtores de vinho, de azeite, de enchidos, de doces e compotas, de castanhas ,o artesanato, …E é claro que numa quadra destas não podia faltar o tradicional magusto, acompanhado com uma boa fêvera e vinho e muita música de tradicional.


E mais não conto…porque para o ano há mais e por lá espero vir a encontrar caras conhecidas do mundo das blogagens, para conferirem, que não estou a exagerar. Porque quem ainda não conhece a Mêda, aqui está uma boa sugestão .

Bem não quero ser mais chata, porque hoje, dia 10 começa uma nova blogagem a propósito do Magusto e , como já é hábito, costumamos anunciar os prémios a que se habilitam a ganhar.

A Olho de Turista tem um novo desafio , com sabor a mel . Desta vez é o senhor Heroíno da cidade de Mêda que faz questão de oferecer Mel de Rosmaninho aos melhores desta blogagem (melhor texto, bloguista e comentário), com uma condição: quem ganhar, terá um ano para ir buscá-lo à Mêda, com uma surpresa à sua espera.

Entretanto desejamos uma boa blogagem para todos, começando pela Manuela e pela Dina, nos posts que se seguem. Ainda deixamos o convite a todos vocês , ganhem ou não, a pegar no carro para vir conhecer este pedaço de Portugal Português, onde acaba a Beira e começa o Alto Douro!

Um abraço a todos da Susana
( tenho andado desaparecida ...mas sempre que posso, acompanho-vos de perto...tratem da bem da Lena, que é como se fosse comigo...é por uma boa causa...vocês vão descobrir brevemente!).


PS: Informamos que a Elvira Carvalho, premiada na categoria de melhor Bloguista do mês de Outubro,por razões pessoais, cedeu o seu prémio à pessoa que ficou em segundo lugar. O prémio será atribuído à Alcinda Leal. Parabéns !

O MEU PRIMEIRO MAGUSTO

Nasci numa zona (Serra de S. Mamede-Portalegre) onde há muitas castanhas talvez por isso adoro castanhas de todas as maneiras possíveis e imaginárias.As castanhas assadas fazem parte do dia-a-dia cá de casa desde que se acende a lareira pela primeira vez até que as castanhas desaparecem do mercado.Noite que não termine com umas castanhas assadas na lareira não é noite.Até a minha cadelita adora castanhas assadas, aliás ela adora tudo o que eu como!!O engraçado é que não tenho memórias nem histórias ligadas a magustos, nunca fui a nenhum. Por essa razão este ano estou a pensar seriamente ir até Marvão onde no fim de semana de 14 e 15 de Novembro decorre mais uma Festa do Castanheiro/Feira da Castanha.Junto o útil ao agradável, revejo uma das vilas mais bonitas deste país e finalmente participo num magusto.Para quem não conhece Marvão aqui fica o desafio. Centenas de artistas de animação nas ruas; quatro magustos colocados em sítios estratégicos da vila com excelente castanha assada e vinho da região; mais de 80 postos de artesanato do mais autêntico e português, área de enchidos e queijos; Concurso de Doçaria com castanha na Casa da Cultura; área de compotas, licores, doces caseiros e a tenda dos produtores locais, são, segundo a organização, motivos mais que suficientes para que não falte a esta chamada irresistível.Encontramo-nos por lá?



Escrito por Dina, do blogue Coisas Simples...
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MAGUSTO

Na minha família sempre se fez este "ritual" já secular de se reunir á volta da fogueira, comer as castanhas, carne de porco grelhada, chouriço assado e beber Jeropiga.Como a minha familia materna reside na Beira Alta, mais própriamente em Figueira de Castelo Rodrigo, sempre tive castanhas por esta altura.Mesmo morando em Lisboa desde pequena fazemos o Magusto, só que agora não se faz à volta da fogueira, cozo castanhas e asso no forno ou num recipiente próprio, mas era muito mais engraçado quando eu era menina, estarmos todos reunidos em frente das lareiras ou mesmo no campo, vendo o lume a arder e depois num tacho ou panela velha furada, colocáva-mos as castanhas, ou metiam-se no meio das brasas, quando não se tinha tacho.Ainda me recordo muito bem de fazermos isso em Lisboa num lugar que no passado parecia ser muito longe, pois era um pouco fora da cidade e que hoje já nem percebemos onde fica, pois são tantas as casas e prédios feitos á volta de Lisboa que os terrenos de campo e de trigo com o seu cheiro a terra húmida, já nem existem.Na Vila de Figueira de Castelo Rodrigo ainda se pode fazer um Magusto como manda a tradição, mas como tenho de acompanhar os filhos na escola e o marido tem de trabalhar, nunca vou por esta altura a Figueira, por muito que gostásse.Quem sabe quando formos mais velhos e os filhos já não precisarem de nós.Só que já não será a mesma coisa porque muitos já não existirão e a dita Família que se reunia á fogueira, não passará de 2 ou 3 pessoas.Mas é assim a vida uns partem no Outono da vida, outros ficam para o Inverno.

Bons Magustos.




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segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

AGENDA DA BLOGAGEM DE NOVEMBRO

Prontos? Já preparamos a fogueira. As castanhas crepitam no lume. A jeropiga está no ponto. Estendam o copinho que as meninas servem. As vozes estão afinadas? Amanhã, começa a Blogagem de Novembro. Vamos poder sentir o cheiro das bolinhas castanhas e descobrir os tradicionais magustos dentro de Portugal. Este tema tem dois propósitos: comemorar o Dia de São Martinho (11 de Outubro) e mostrar como cada um passa o magusto e/ou lida com a nossa amiga Castanha. Pois, ela é assada, cozida, frita, crua, unida a outros alimentos.... E ela combina sempre muito bem com jeropiga, vinho novo ou licores. Se não apreciar castanhas, é também permitido comer nozes, amêndoas e avelãs…

Atenção! Não se esqueçam: os textos são postados por ordem de chegada. A postagem continua a ser feita por grupos de 2 para dar maior visibilidade aos vossos textos e permitir uma leitura calma e fluente a todos os bloguistas. Relembramos que comentar também pode dar prémio. De 28 a 30 de Novembro, decorre a votação. Comente e Vote! A agenda da Aldeia é a seguinte:
***
10 de Novembro
Manuela
Dina
***
13 de Novembro
Acácio Moreira
Cusca Endiabrada
***
15 de Novembro
Pascoalita
Artur Monteiro do Couto
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17 de Novembro
Júlia Galego
José Pinto
***
20 de Novembro
Joana
Mestre
***
22 de Novembro
Alcinda Leal
Vitor Brito
***
24 de Novembro
Claudia Sousa Dias
Lurdes Martinho
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26 de Novembro
Fátima Camilo
Rui Veleda
***
27 de Novembro
Henrique Antunes Ferreira
***
Duas Notas Importantes:
1 - Tenham a amabilidade de colocar o Selo da Blogagem de Novembro nos vossos blogues com o respectivo link da Aldeia. Assim, os vossos amigos poderão ver, comentar e votar nos vossos textos. Cuidado! Continuamos a ter em conta não só a qualidade dos comentários, mas também a quantidade.
2 – Prepare-se, amanhã, os prémios deverão ser anunciados!

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

PASSEIE POR PORTUGAL COM A NOSSA CASTANHA

(Imagem tirada da Internet)
***
Entre no mundo das feiras e festivais! Aproxime-se do forno. Sinta o cheiro do pão caseiro a levedar, das castanhas a crepitar, dos pratos e bolos acabados de fazer… Deixe-se envolver por um Portugal tradicional, repleto de sabores e saberes ancestrais. Para que reviva (ou conheça) alguns costumes, aconselhamos estas festividades provenientes dos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu. Apenas um evento diverge de todos: o da Covilhã. Quisemos ajudar os nubentes da Beira Interior a prepararem o grande Dia. Ora, leia…

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

OS PREMIADOS DA BLOGAGEM DE OUTUBRO

O que foi apetitosa, calorosa e animada? O que transmitiu convivência, camaradagem e até fomentou amizades? O que permitiu trocas de receitas, de dicas, de histórias e memórias? O que moveu simpatizantes, amigos e familiares, tudo num só lugar? Uma única resposta para todas essas perguntas:

A Aldeia e a Blogagem de Outubro!

E a quem devemos isso? A vós todos que participaram em todos os aspectos, a quem veio espreitar e dizer olá, a quem veio observar e decidiu ficar. Todos vós, amigos bloguistas, fazeis oficialmente parte da casa e tendes o pleno direito de se sentirem como tal. Pois, um total de 420 comentários é obra e só foi possível por mérito de todos.

Hoje, encontramo-nos aqui reunidos à volta da mesa para anunciar os vencedores. Começando então pelo prémio de melhor Bloguista: 3 meninas conhecidas da nossa Aldeia tiveram sempre juntinhas no pódio. No entanto, uma delas destacou-se pelo seu espírito zen, pela sua interacção junto dos outros bloguistas, pela sua presença em todos os textos sem excepção. A menina vencedora do Prémio de Melhor Bloguista é: Elvira Carvalho! Prepare as malas, amiga Elvira, pois vem até Viseu almoçar ou jantar no Restaurante Chef China.

Agora, falamos de um duelo de titãs entre uma grande mulher “habituée” da Aldeia e um admirável homem “membro” há pouco tempo. A organização teve muitas dificuldades em atirar a luva branca e parar essa disputa, tendo ela própria entrado em discórdia várias vezes. Qual dos dois seria o eleito? O júri acabou por pegar na espada do Rei Artur e trinchou a escolha sem dó nem piedade. O comentário escolhido resume na perfeição o tema da Blogagem e o propósito constante da própria Aldeia – que é a divulgação do nosso recôndito Portugal. O Prémio de Melhor Comentário vai para: Acácio Moreira! Não hesite, amigo Acácio, deixe algumas horas Carvalhal do Sapo, e suba até Viseu, ao Restaurante Greens.

Visualizamos então o premiado comentário:

Acácio Moreira disse...
Convenceu-me, não só pelos sabores deliciosos de que nos fala, como também pela sorte de poder dizer tenho três terras, que maravilha é tão bom poder viajar dentro deste nosso querido Portugal. Assim com a particularidade de poder conhecer, e apreciar com mais facilidade a tão variada e rica culinária desta nosso cantinho à beira-mar plantado.Parabéns pelo bom gosto, nos sabores com que nos presenteou. Começando pelo Alentejo com uma gastronomia tão rica de sabores tão variados, aos bons mariscos e peixes da Ericeira, tudo muito bom.Quanto aos Açores, não conheço, mas adoro os queijos que nos chegam de lá.Gostei do texto... para além de bem conseguido, cheio de lembranças, que bem gostamos de recordar. Um abraço.

Queremos louvar também a participação a todos os níveis das bloguistas: Dina, Alcinda Leal, Manuela e Pascoalita. Assim como realçar os escritos de “recém-habitantes” da Aldeia: Vítor Chuva, Maria Besuga e A.J. Soares.

Agora, o momento pelo qual todos anseiam. Votação considerada, comentários contados (os das colaboradoras da Aldeia e os dos autores dos textos nos seus respectivos não contavam, claro) e qualidade estudada, o júri avaliou e proclamou para o Prémio de Melhor Texto – com 84 votos (46%) e 53 comentários apurados:


DEBULHO DE SÁVEL
de Fernanda Ferreira

Amiga Fernanda, o Minho sentir-se-á só por uma noite, por a cidade de Viseu terá o prazer de a receber no Restaurante Torre Di Pizza.

A Olho de Turista felicita os premiados e agradece a todos pela participação e partilha de experiências, seja como autores, comentadores e/ou votantes.
Pedimos aos premiados que enviem os seus dados (nome e BI) para o mail aminhaldeia@sapo.pt por causa dos respectivos prémios.
Desejamos a todos Felicidades!

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

COM A MINHA FAMÍLIA, FUI A...

Este fim-de-semana, estive em................................................. SERNANCELHE!!!


É uma vila portuguesa do Distrito de Viseu, muito conhecida pela sua Castanha. Daí, terem-lhe dedicado uma Festa. Este evento realiza-se todos os anos, por esta altura. Por isso, no Outono de 2010, não podem perder. Estão desde já convidados!

Por enquanto, é só pegar na sua caneca e….



…servir-se neste pipo!




terça-feira, 27 de Outubro de 2009

BLOGAGEM DE NOVEMBRO: O MEU MAGUSTO



Quem quer castanhas assadas? Quentes e boas, quem quer? Aproxime-se que elas estão gordinhas e quentinhas! Venha, oferecemos-lhe um cartuchinho. Elas são tão crocantes e apetitosas. Não gosta? Não faz mal, prove a jeropiga ou o vinho novo. Vamos brindar e conviver à volta da fogueira.
Estamos quase em Novembro, é o mês do Magusto com as suas tradições regionais. É permitido: cantar cantigas, brincar e enfarruscar-se nas cinzas. Sabia que a celebração não é feita só no dia 11 de Novembro, dia de São Martinho? Também se comemora no dia de São Simão (29/10) e no dia de Todos os Santos (dia 01/11). Mais, já reparou que costuma fazer sol e temperaturas amenas? Pois, é o chamado “Verão de São Martinho”. Reza a lenda que um soldado romano, de nome Martinho de Tours, ao andar a cavalo, passou por um mendigo quase nu. O magala parou, cortou a sua capa ao meio com a sua espada e enrolou-a à volta do pobre homem. O dia estava chuvoso, mas nesse preciso momento, deixou de chover e apareceu o Sol.

A Aldeia da Minha Vida também se junta à festa com mais uma blogagem colectiva. O tema é obviamente: O meu Magusto! Dê largas a sua imaginação: conte-nos como festeja, se gosta de castanhas ou apenas prova a jeropiga, se aconteceu um episódio engraçado ou marcante nesse dia…
Para se inspirar, deixamos-lhe uma curiosidade. O etnógrafo português, José Leite de Vasconcelos considerava o magusto como o vestígio de um antigo sacrifício em honra dos mortos e refere que em Barqueiros era tradição preparar, à meia-noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer; ninguém mais tocava nas castanhas porque se dizia que estavam “babadas dos defuntos”. Leite de Vasconcelos tinha sentido de humor, não acham?
Antes de nos despedir e voltarmos na 2ª, recapitulamos as regras do jogo:

1º Passo: envie um texto com o máximo de 25 linhas e uma fotografia até dia 8 de Novembro, para o e-mail aminhaldeia@sapo.pt
2º Passo: a postagem dos textos permanece com o sistema por ordem de chegada e em pequenos grupos. Pois, verificamos uma maior visibilidade dos mesmos e uma leitura mais aprofundada.
3º Passo: não se esqueçam de manter vivo o espírito da blogagem, comentando. Pois, a quantidade e qualidade dos comentários contam. Daí, continuaremos sempre a prendar os nossos caros bloguistas com 3 prémios: melhor texto, melhor comentário e melhor bloguista; (serão anunciados dia 10)
4º e último Passo: Votar de 28 a 30 de Novembro.

Relembramos que a votação da Blogagem de Outubro "Na Minha Terra, come-se bem" está quase a começar. A partir de amanhã até dia 31, VOTE no seu texto predilecto! Quem virá até Viseu almoçar ou jantar? Se ainda não leu os textos, descubra-os aqui. Dia 03, anunciaremos os felizes contemplados.

Água-pé, castanhas e vinho faz-se uma boa festa no dia de São Martinho! Venha fazer a festa com a Aldeia!
***
Nota: Para vos inspirar, descubram o post que se segue. Vejam onde estivemos este fim-de-semana...

Ainda propósito de comer bem... vai um doce de castanha?


No Domingo passado decidimos ir passear, em família (eu, o meu marido, os meus filhotes e os meus sogros). Fomos empurrados pela vontade de saborear as primeiras castanhas, imaginem por "Terras do Demo", segundo Aquilino Ribeiro. O sol parecia um pouco traiçoeiro para viajar, mas decidiu sorrir para nós. Entre as Serras da Lapa e da Zebreira, a presença de castanheiros é uma constante e marca profundamente a paisagem natural da região. Mesmo ao longe e em viagem, é possível distinguir os seus ouriços. Embora um pouco envergonhados, conseguem dar um ar da sua graça, anunciando a quem lá passa, a chegada de S. Martinho, para breve.



Assim que chegámos à encantadora terra, sentimos logo o ambiente de festa, que prometia ser bem animada: já ao longe ouviam-se concertinas a anunciar bailarico e pairava pelo ar um cheirinho a castanha assada.


E não nos enganámos! Para quem adora castanha, a festa era um pequeno "paraíso". Havia castanhas para todos os gostos. No meu caso, que gosto de castanha crua, não podia deixar de experimentar a maior castanha da terra, que até ganhou o primeiro prémio. Mas para quem gosta dela transformada, sempre podia degustar uma mão cheia delas assada.



Para quem diz que não gosta (como o meu primogénito), mas que não se importa de comer doces, as senhoras da terra confeccionaram uma série de sobremesas diferentes, para entrar no concurso. Eram tantos que ele não sabia o que escolher...


Era mousse, doces de ovos, Bolos, pudins, bombons, entre outros, tudo com sabor a castanha.
E para quem gosta de um bom lanchinho, nada como barrar o pão com doce de castanha...

Ora digam lá se não dá água na boca!

Nesta festa, quem não podia faltar, era mesmo a Confraria da Castanha, a primeira no país desde 2006. Tem como principal objectivo preservar, divulgar e promover a castanha, assim como toda a cultura, a gastronomia e a tradição relacionada.

Acompanhada de uma "pinga" de jeropiga directamente do pipo, de música tradicional e de uma boa conversa com os amigos, a festa não podia ser melhor!
Pena não ter conseguido arrancar nenhuma receita para partilhar convosco...parece que vai ficar no segredo dos deuses...quem sabe numa próxima!


AH! Já me esquecia! Conseguem adivinhar onde fui, com a minha família? Quem é o primeiro?

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

VITELA À LAFÕES À MODA DA MINHA MÃE (2ª parte)

(imagem retirada da Internet)

Esta não é a maneira correcta de fazer este prato típico da minha terra, mas tenho que dizer que é a mais saborosa de todas, pelo menos para mim!
A minha Mãe começa por estufar a vitela, mas tem que ser um bom pedaço de carne, num tacho com muita cebola cortada às lascas, tomate e um fio de azeite, de preferência caseiro, pois é este que dá um sabor magnífico à carne, com sal q.b.
Entretanto, mete as batatas no forno para assar, sempre com muita cebola, pois ela diz que assim fica um molho mais grosso, e eu acredito nela claro!!!! É uma óptima cozinheira.
Quando a vitela já estiver mais ou menos estufada, ela retira-a do tacho e mete-a em cima das batatas no forno para poder ficar com cor. O molho que está no tacho é passado pela varinha mágica. Este é um passo muito importante para a receita.

No momento em que a carne está com aquela cor maravilhosa que nos diz que está pronta a ser comida, ela retira-a do forno, corta-a em fatias e coloca-a no tacho com o molho; deixa ferver para a carne ganhar um sabor que posso dizer, melhor afirmar que é dos Deuses, e também para não ficar “seca”. Depois de as batatas e a carne estarem prontas, aconselho um arroz seco para acompanhar!

Deixe que vos diga que este é um manjar digno dos Deuses, pois deliciamo-nos com esta vitela à Lafões, alterada com os truques especiais da minha Mãe…

Escrito por Susana Amaro, do blogue Aldeia da Minha Vida.

P.S: este texto foi apenas postado num âmbito de camaradagem. Não entra no concurso da Blogagem, por isso não se encontra em votação.

NAS NOSSAS TERRAS, TAMBÉM SE COME BEM (1ª parte)

Hum, que delícia! Tantos pratos, petiscos e restaurantes! Um dia, convidaremos todos para uma jantarada na Aldeia. Que tal?
Entretanto, no espírito desta Blogagem e para satisfazer a curiosidade dos nossos leitores, as colaboradoras da Aldeia, a Susanita e eu decidimos mostrar-vos o quanto se come bem nas nossas terras.
***
(imagem retirada da Internet)
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OS MEUS DESVANEIOS GASTRONÓMICOS

Como já tinha revelado há dias, não sou uma cozinheira de mão cheia. No entanto, adoro comer: bons dentinhos e óptimas pupilas gustativas. Matutei sobre o tema “Na minha terra, come-se bem”. Escolha difícil, terra natal, temos de pegar numa avioneta e voar até Paris. Começo por aqueles bichinhos lentíssimos, os “Escargots” (caracóis) de Paris, hummm…só gosto dos grandes, preparados com um molho verde, pela minha mãe. “Paté de Foie gras”, barrado em tostas, uma delícia, até como isso ao pequeno-almoço no Natal. Vejam lá o quanto eu sou chique. Eheheh! Sobremesa: Farófias! Adoro, mas de novo, só feitas pela minha mãe, que não usa maïzena na receita, nem doce de ovos por cima; faz uma espécie de creme inglês e por cima leva amêndoas laminadas. Sou capaz de comer isso como almoço.
Agora, regressando num calhambeque às minhas terras maternas e paternas: vamos da Beira (Viseu) ao Minho (Viana do Castelo). Em Viseu, tenho um petisco óptimo ao lanche: um pedaço de bolo de noz com queijo da Serra. Em Viana, adoro beber chocolate quente, aquele grosso e cremoso. Na cidade do Monte Santa Luzia, tenho dois restaurantes favoritos: o Darque Vila (Darque) mais ou menos acessível a todos os bolsos e o Camelo (Santa Marta de Portuzelo) onde se come bem, mas aí o rombo nas finanças é maior… Na cidade de Viriato, aprecio um restaurante típico e pequenino com um nome engraçado: “A Budêga”. Apesar de escondido numa viela, o estabelecimento é, a meu ver, um cantinho típico e especialista em grelhados e assados.
Bom, e agora vou fazer o jantar que já se faz tarde: Frango à Chucuca!

Escrito por Lena, do blogue da Aldeia da Minha Vida.

P.S: este texto foi apenas postado num âmbito de camaradagem. Não entra no concurso da Blogagem, por isso não se encontra em votação.

sábado, 24 de Outubro de 2009

O MARAVILHOSO PARQUE DE JARAGUÁ DO SUL




Como temos um espaço somente de 25 linhas, para expressar o tema na "Minha Terra Como se Bem", vou falar um pouquinho de um dos nossos restaurantes, localizado dentro de um Parque maravilhoso, pelo qual, não vou citar nomes, para não gerar problemas e nem divulgação de marketing, mas que tem sabores maravilhosos na sua culinária.
Além desse restaurante, temos vários. Mas, não será possível de registrar. Então como temos que limitar, escolho este Parque aqui de minha Cidade de Jaraguá do Sul, SC, Brasil, até pelas suas belezas, que lá estão. Após um belo almoço, podemos fazer lindas caminhadas, para fazer uma excelente digestão, curtindo os cânticos dos pássaros e a beleza de suas paisagens e lago.

Localizado dentro do Parque, o restaurante trabalha com bufê de comida alemã. Entre os destaques, marreco recheado, joelho de porco (eisbein) cozido, à pururuca, com molho de vinho, ervas e cerveja.

Acompanha o bufê sete tipos de carne (aos domingos, são dez tipos), struddel, filés de frango e peixe, saladas e guarnições, que variam desde arroz e feijão ao tradicional spaetcil, macarrão caseiro alemão.
Sobremesas estão incluídas no bufê. Entre as bebidas, o restaurante serve cervejas premium nacionais e importadas, com uma ampla carta de cervejas alemãs.

A casa trabalha com chopes da Opa Bier, Eisenbahn Erdinger e Warsteiner, as duas últimas importadas da Alemanha. Junto ao Parque, o restaurante que também é da associação da Empresa, apresenta um cardápio de carnes, aves e frutos do mar. No almoço, serve bufê composto por dez pratos quentes, saladas, opções de cortes de carne, além de sobremesas.

Entre os destaques do restaurante estão os leitões assado, marreco recheado, eisbein (joelho de porco), além dos frutos do mar (peixes, camarão, mariscos, lulas e polvo).

Para beber, chopes da Zehn Bier, cervejas premium, sucos naturais, refrigerantes, coquetéis, caipirinhas, entre outros.

Escrito por Sandra Andrade, do blogue Interação de Amigos
(pode ver a versão completa e mais fotografias no respectivo blogue)
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Eu e as panelas

Comer por obrigação era um grande frete. Ter que comer aquelas coisas verdes esquisitas que chamavam de sopa, gramar o sabor da carne, com aqueles nervos que insistiam em prender-se nos dentes ou aquelas espinhas minúsculas das sardinhas, não era comigo, especialmente quando era obrigada pelas freiras do externato… Sempre que podia fugir à refeição consolava-me com o meu pãozinho com manteiga e não dispensava uma boa gulodice (e quem não fez em criança?). Lembro até de pensar que queria ser como os anjos, pois contavam que eles não precisavam de comer, como nós. Por isso quando fui para a escola, era a “Trinca espinhas “, com apenas 14 Kg.

No dia em que a minha madrinha veio a casa fazer uma demonstração com umas panelas italianas, a minha relação com a comida mudou. Não sei se foi por ser a minha madrinha, que eu adorava , mas o cheirinho do bifinho grelhado directamente na panela se entranhou em mim de uma forma inexplicável. O “clique” do apetite ficou activado. A minha satisfação em saborear o belo bife com arroz branco, cozido em pouca água, foi o suficiente para a minha mãe comprar as benditas panelas, bem caras por sinal… A partir desse dia, toda a comida que a minha mãe fazia com as panelinhas, era bem vinda e devorada, num abrir e fechar de olhos. Fosse um Botelho, um Esparguete com coelho e míscaros, uma boa feijoada à transmontana, um Bacalhau à Brás ou um bom borreguito estufado ou umas lulinhas recheadas com puré, bastava ter prato para comer. Agora as farinheiras…as morcelas, o cozido à portuguesa, os espargados, ou o arroz de cabidela tiveram que ter paciência e aguardar por melhores tempos…

Já no tempo de faculdade, o contacto com a panela mais pequena da minha mãe tornou-se mais profundo e  transformou-se num prazer, começando por inventar pratos malucos, que nem sempre corriam muito bem… Quando casei, a minha madrinha, que sabia bem a minha adoração por aquelas panelas, decidiu oferecer-me um conjunto , como prenda. Com o nascimento dos meus filhotes, tornou-se uma prioridade  transmitir-lhes o meu gosto pela comida. Tinha um medo que eles fossem como eu, em criança... Procurando criar ementas  variadas e ricas, porque comer bem não significa quantidade, mas qualidade e equilíbrio. Uma responsabilidade que se transformou num dilema, com o acumular e a sobreposição de vários papéis, a que uma mulher moderna se submete no dia-a-dia, com o trabalho, a casa, os filhos e o marido. Só com uma boa gestão de tarefas e uma boa dose de inspiração e vontade, é possível ir para a cozinha transformar e reinventar pratos. No meio disto tudo, o que me motiva é o facto de eles não terem pretensões de serem anjos... e quando me apanham bem disposta, sou capaz de fazer banquetes de família dignos de rei: ora vejam a minha ementa predilecta:
Sopa de azedas da Madeira; Lombo assado com arroz de passas e pinhão e puré de castanha; acompanhado do vinho do Porto do tio Eurico (e sumo de laranja natural para as crianças); sobremesa: Serradura.

São servidos?

Escrito por Joana , do Blogue Diário de Joana


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quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

"MEXILHÕES MACHOS"


Ao contrário do que se pensa, ainda há jovens que não trocam uma boa feijoada, ou um arroz de grelos malandrinho a fugir prá fonte, acompanhado de "jakinzinhos" fritos, por "pizza" ou outra "comida plástica", o que não significa que conheçam os ingredientes duma vulgar receita. Isso é tarefa de mães, avós, tias e irmãs mais velhas eheheh
Espevitada e abelhuda, algumas vezes caí nas "armadilhas" que o padrinho, um homem com sentido de humor e divertido de idade avançada mas sempre criança, estava sempre a engendrar.
Estávamos de férias em Sesimbra e fui incumbida de ir ao mercado comprar mexilhões, petisco que ele próprio fazia questão de preparar e com o qual eu me deliciava lambendo até os dedos. Ao sair, o maroto fez-me a recomendação que era hábito fazer em relação aos "crustáceos:
- Ó garota, lembra-te do que te ensinei. olha que os "machos" têm mais que comer e são mais gostosos!
Obediente, a Cusca Endiabrada que na altura era uma menina ingénua e bem intencionada (para anjinha só lhe faltavam as asas eheheh), correu a praça de um lado ao outro, à procura de mexilhões machos, olhando disfarçadamente em todas as bancas, mas estranhamente os moluscos pareciam todos iguais e quanto mais observava mais convencida ficava de que naquele dia, no mercado, só havia "mexilhões fêmeas"!!!
Sem se dar por vencida, nem querer passar por ignorante, apontou para aquilo que em termos anatómicos lhe pareceu ter forma masculina, pediu ao peixeiro 1 kg bem aviado e senhora de si chegou a casa com 1 saco de "canivetes" ahahah
Quando abriu o saco, ouviu-se uma sonora gargalhada, mas o padrinho não se atrapalhou, enfiou-se na cozinha e posso garantir que os "mexilhões machos" são de comer e chorar mais.
Confesso que continua a intrigar-me o facto dos moluscos serem todos fêmeas. Já repararam bem? eheheh

Escrito por Cusca Endiabrada.

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NA MINHA TERRA, COME-SE...


Preparando o almoço do Bodo da Festa de Nossa Senhora da Consolação
(Com a devida vénia, foto retirada de http://seraiana.blogs.sapo.pt/)

Claro que podia aqui falar de “Laburdo”, “Miolos com rins”, “Ensopado de borrego”, “Jantar da Matança”, “Chanfana” e outras iguarias.

Na minha terra come-se bem? Eu diria que nem bem, nem mal! Come-se!
Mas, posso dizer como se comia antigamente. Comia-se o que a terra dava, que era bem pouco. À base de pão, principalmente de trigo. Pão entrava (entra) em tudo! Nas “migas” de alho, de batata, de pão tostado ou no “gaspacho”. Os legumes, grão e feijão; poucos vegetais, couves e feijão “carrapato”; batatas e algum arroz.
Carne, só de ovino, caprino e porco. Umas “pitas”, quase só para ovos. Bovino, pouco, era só para trabalhar ou para dar leitinho. Cabrinhas, ovelhas e uns “bácoros” quase todos tinham.
Do Erges, bogas, bordalos e pouco mais, pequenos e fartos de espinhas.
Pão com, queijo, azeitonas, chouriço ou toucinho. Pratos cozinhados, à base de grão, feijão, batatas e cabrito, borrego ou porco.

Gulodices, para os “lambinos”, só em dias de festa. Nos outros dias, uma fatia de pão, molhada e barrada com açúcar, ou quente e pingada de azeite. Crianças, de peito, tinham chupetas feitas dum trapinho enrolado, molhado, e embebido em açúcar, para sossegar as rabugices.
Nas festas, “arroz doce”, artisticamente polvilhado com canela, fazendo cruzes ou desenhando as iniciais do artista e a “aletria”.
Alegrias da pequenada, eram o “coalho” e a espuma do leite, acabado de ordenhar, sujando só os “beiços” e fazendo-lhes uns “bigodes”!

Fruta, quase só melancia, melão, figos, laranjas, uvas, pêssegos (“malacatões”) e “marguedas” (romãs). Extras, “bolêtas”, cruas ou assadas e “figos tchumbos”, apanhados com tenaz, metidos em água, para amolecer os picos, cortados e pelados, com muitas grainhas, provocavam grandes dores de barriga e prisão de ventre a quem deles abusava.
E era com esta frugal alimentação que viviam as mulheres e homens que trabalhavam de sol a sol, abençoando a terra e causando a admiração de quem, hoje, tem mesa farta e variada! Bom apetite!!!

Escrito por João Celorico, do blogue Salvaterra no Coração (onde pode ver a versão completa do texto)

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