Exposição Ano Internacional do Planeta Terra
Foto da Olho de Turista
Desde há alguns dias, a pacata vila de Idanha-a-nova estava num intenso estado de alvoroço. Os seus cerca de 2500 habitantes preparavam-se para serem os anfitriães da 8ª Conferência Europeia de Geoparques, e simultaneamente, os organizadores da XIV Feira Raiana. E não só. Incansáveis, tinham outra surpresa na manga: a 1ª Idanha Film and Internet Festival. As três mosqueteiras, Susana, Susanita e Lena quiseram testemunhar este acontecimento e partiram a aventura. Caros amigos bloguistas, sigam-nos nesta viagem ao mundo da Natureza, da História e da Confraternização de dois povos.
Solar do Marquês da Graciosa
Foto da Olho de Turista
Na manhã do dia 14, bem cedinho, Idanha-a-Nova torna-se uma vila cosmopolita. Estamos na presença de representantes de 25 geoparques internacionais, vindos de vários países da Europa e do resto do Mundo. Juntos, admiramos a exposição cujo tema é o “Ano Internacional do Planeta Terra – Ciências da Terra para a Sociedade. Entretanto, deambulamos pela vila, entusiasmadas com a paisagem e a amabilidade dos idanhenses. Uma bela casa solarenga com uma janela mainelada e varandas de ferro forjado intriga-nos. É o Solar do Marquês da Graciosa, onde ainda vive um descendente. Situada na praça da república, a habitação tem traços medievais com os 3 corpos, sendo o central mais elevado. Cercada de merlões, tem também um balcão de granito trabalhado, que se apoia em colunas toscanas dos séculos XVII e XVIII. De seguida, visitamos o Castelo de Idanha-a-Nova, pedaços sobreviventes da nossa História.
Castelo de Idanha-a-Nova
Foto da Olho de Turista
Um geólogo, amante da Natureza e da Região, surge no nosso caminho e inicia-se uma interessante conversa a propósito da importância de Geoparques. Quem de melhor para nos elucidar sobre o assunto já que está directamente ligado ao Geopark Naturtejo da Meseta Meridional (zona que une os municípios de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Nisa, Oleiros, Proença-a-Nova e Vila Velha de Ródão). Explica-nos que um Geoparque é uma área rica em biodiversidade, com limites territoriais bem definidos, interesses geológicos, históricos e culturais. Aprendemos que temos de conservar e proteger o Património natural e enfatizar a sua utilidade nacional e internacional. Trata-se de um trabalho árduo, mas compensativo, pois contribui para o apoio sócio-económico local, a criação de emprego e a promoção dos produtos regionais de qualidade. Trocamos todos ideias e percebemos a forte vontade que existe em melhorar a vida de quem vive nestes locais e a união existente entre a natureza e as pessoas. Daí, entendemos que o tema da Feira Raiana “Desenvolvimento Local e Cooperação Transfronteiriça – Turismo de Natureza” estava interligado. Antes de se despedir de nós, incentiva-nos a visitar no dia seguinte a 1ª Feira Europeia de Geoparques inserida no recinto da Feira Raiana. Claro que fomos e espreitamos cada stand como se de uma volta ao mundo se tratasse: Noruega, Brasil, Itália, Espanha… e em Portugal, além do Geoparque Naturtejo, destacamos uma novidade: a recente criação do Geoparque de Arouca.

Vista e Caminho para o Castelo de Penha Garcia
Foto da Olho de Turista
Deixamos Idanha por breves instantes e demos um saltinho até Penha Garcia. Percorremos as ruas estreitas compostas por pequenas casas de xisto e de gorrão até chegarmos a umas escadinhas que dão acesso a um miradouro. Estamos nos fragmentos das muralhas do Castelo. O vento sopra, uma águia voa livremente. E no calmo silêncio da tarde, contemplamos a vista ao nosso redor: a barragem, a Serra de Malcata, a Serra da Gata (em Espanha), a planura interrompida pela imponente colina de Monsanto... Contudo a tranquilidade é quebrada por um sublime jantar medieval recheado de bobos, damas e cavaleiros. Assistimos a ceia e as encenações e rimo-nos tanto. Já de noite, aproximamo-nos da barragem para assistir ao filme “Baraka” de Ron Fricke (USA) que lá ia ser projectado. O espectáculo foi de tirar o fôlego. Absolutamente deslumbrante! Avistamos o deslumbrante vale encaixado do rio Pônsul, com o seu famoso conjunto de antigos moinhos.
Vista da Barragem de Penha Garcia, Vale e antigos moinhos
Foto da olho de Turista
Não é à toa que Penha Garcia é chamado o “presépio” da Beira. A barragem, as fragas, os fósseis, a encosta da Serra, tudo se conjuga de forma tão harmoniosa. A ideia do visionamento de um filme só veio enaltecer a grandiosidade do local. E soubemos que será certamente uma experiência a repetir nos próximos tempos. Se voltar a perder esta ocasião, não terá desculpa.
No dia seguinte, parecíamos umas pulguinhas, ansiosas pela inauguração da XIV edição da Feira Raiana de Idanha-a-Nova. Então, tínhamos muita curiosidade em percorrer o recinto e ver os 200 expositores. Pois, é um evento que se realiza anualmente, de um lado e doutro da fronteira, alternadamente. Queríamos sentir essa aproximação entre os povos, conhecer os seus produtos e as suas actividades da zona raiana, e os diferentes sectores, entre eles: o Agro-Industrial, Cinegético, Artesanal, Comercial/Industrial e Cultural. E foi isso mesmo que aconteceu.
Artesão de Torres de Lucano
Foto da Olho de Turista
Ficámos maravilhadas com dois artesãos que esculpem a madeira: um faz torres de Lucano (Monsanto) e o outro cria imagens religiosas. Ambos usam a memória visual.
Artesão de imagens e objectos religiosos
Foto da Olho de Turista
Estes dois senhores são de louvar, pois fazem um trabalho genuíno e minucioso, valorizando sempre a região. Noutro expositor, ficamos abismadas com os trabalhos de uma artesã: os bordados de Castelo Branco.
Artesã de Bordados de castelo Branco
Foto da Olho de Turista
Ainda temos a imagem gravada na memória do fabuloso vestido de noiva e da colcha, tudo cuidadosamente bordado. Um momento engraçado foi quando não resistimos e tiramos fotografias junto das Marafonas e dos Adufes.
As famosas Marafonas e os Adufes
Gostou desse pequeno apanhado da Feira? Voltamos hoje de propósito a Viseu para vos contar tudo. Amanhã, já estaremos de volta a Idanha e não arredaremos pé de lá até Domingo. Não hesite, venha ter connosco. O fim-de-semana promete muito mais. Pode vir conhecer em pessoa os artesãos e suas obras, assistir as largadas e corridas de toiros ou a actuação dos ranchos folclóricos e das adufeiras. A música estará em foco com concertos de artistas idanhenses como a Celine ou a Ciranda, da banda da terra Moços do Adro…Mas o destaque vai para duas famosas bandas rock – La Frontera (espanhola) e os Blind Zero. Imperdíveis!
Um, dois, três…contamos os minutos…Estamos à sua espera…