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sábado, 12 de junho de 2010

Aldeia da Minha Vida

Era uma manhã de domingo, a uma semana da euforia do Carnaval. Finalmente veio o céu azul e o sol brilhava com toda a força. No ar pairava o cheiro das mimosas e o canto dos pássaros pareciam anunciar uma Primavera antecipada. No mesmo instante, assaltou-me a memória, com vivências de meninice, há muito esquecidas. Senti uma vontade enorme de as reviver novamente, na companhia da minha família. Foi o suficiente para anunciar lá em casa que nesta mesma manhã iríamos procurar um tesouro escondido na terra dos avós.


A expectativa era tão grande, que os meus pequenitos não paravam de fazer perguntas, durante toda a viagem. “Que tesouro é esse que a mãe nos quer mostrar? Está enterrado, como naquelas histórias que nos contas, dos piratas? A mãe tem algum mapa do tesouro para descobrir onde está?” Eu só lhes dizia: “ Tenham calma! Quando lá chegarmos, vocês vão ser os primeiros descobri-lo. Mas na realidade estava tanto ou mais ansiosa do que eles. À medida que nos aproximávamos do destino e apreciava a beleza das montanhas verdes e floridas, o meu pensamento recuava no tempo. Eram momentos felizes do “faz-de-conta”alheios às preocupações e responsabilidades da vida adulta.

Quando estávamos quase a chegar, um deles pergunta eufórico, apontando da janela :” Ó mãe, aquilo ali em cima é um castelo? Vamos encontrar um tesouro num castelo?” Apenas acenei, com um grande sorriso.

Estacionámos o carro em frente ao café da aldeia. Uma senhora pequenina vestida de preto, da cabeça aos pés, deixava a descoberto um pouco da brancura do cabelo, das mãos e da cara enrugada. Estava sentada ao sol, num banquinho a fazer renda. Saudou-nos, assim que nos viu. Depressa os meus pequenos perguntaram-lhe se tinha ouvido falar de um tesouro. Para o nosso espanto, deu-nos um livro castanho. Disse-nos que bastava seguir as pistas do livro, passo e passo, e encontraríamos o dito tesouro. Quase sem palavras para agradecer, comecei a esfolhear as primeiras páginas. Tínhamos acabado de fazer uma descoberta empolgante: a aldeia, onde nos encontrávamos, fazia parte da Rota das 12 Aldeias Históricas de Portugal. Impacientes para saber mais, todos queriam pegar no livro. Só depois de se acalmarem li em voz alta:

“Em 1994 foram distinguidas 10 aldeias [Almeida, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Piódão e Sortelha], sendo acrescentadas ,em 2003, mais 2 [Belmonte e Trancoso]. A escolha destas aldeias regeu-se pela “diversidade da sua matriz cultural, a riqueza do seu património e a força das suas vivências e tradições singulares (1)”. Visitando uma a uma consegue sentir a emoção do lugar e retirar uma verdadeira lição de História. Nelas encontramos uma parte da alma portuguesa, cujo sentimento patriótico falou mais alto, em vários momentos da História de Portugal. Cada aldeia é, simultaneamente, única e fiel a si própria e ao conjunto das 12 conferindo, assim um conceito de rede. O que as une é seu o ambiente rural, com um cunho tipicamente beirão, pouco corrompido pelos tempos modernos. “

Aqui começa a redescoberta , ou se preferir , a reconquista das nossas raízes, onde praticamente tudo começou há cerca de 800 anos atrás.

Já em casa, o mais velho antes de dormir, sussurrou baixinho , quando lhe dei um beijo de boa noite : … “ mãe, este foi o melhor dia que passei contigo, com o pai e o mano. Amanhã podemos voltar , outra vez?”

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A minha aldeia sou eu


Eu não tenho aldeia. A minha aldeia sou eu. Trago dentro de mim todas as aldeias. Aldeias que são. Aldeias que foram. Aldeias que nunca serão. Eu sou a minha aldeia. Aldeias são ideais. Paraísos perdidos. Bucólicas passagens do tempo. Saudosos espaços ancestrais. Eu não tenho aldeia. Olho os prédios que crescem nas cearas. As estradas que cortaram vinhedos. Olho os campos que já não são. Oliveiras seculares que fugiram de horror. Pomares frondosos que perderam a Primavera. Malmequeres bravios que deixaram a alma na beira da estrada. Papoilas cercadas no alcatrão corrosivo. Eu sou a minha aldeia. Uma aldeia que resiste a tudo. Já não existo nela. É ela que existe em mim. A minha aldeia mora dentro de mim. É o futuro e o passado. Ontem vida. Hoje deserto. Amanhã ideia. A minha aldeia são todas. E eu sou todas e nenhuma. Todas elas vivem em mim. Porque nenhuma são todas. E todas elas existem nas pedras escorregadias das margens do caminho. Nos pés descalços que me percorrem nas noites de insónia. Nos telhados beirados que as andorinhas teimam em visitar. Nas vielas estreitas e tortuosas que sobem até ao largo da igreja. Nos estendais brancos pendentes nas sacadas de granito. Nos chocalhos dos rebanhos que retornam plácidos ao estábulo vicinal. Nos excrementos das cabras que se escondem na palha sazonal. No ladrar longínquo dos cães ecoando no silêncio morno da tarde. Nos galos matinais que despertam o dia na loja dos fundos. No murmurejar límpido da água chamando pelos cântaros quebrados. Nas crianças que brincam risonhas naquele Verão que não aconteceu. Nas casas velhas em que velhos aguardam as noites tristes que o tempo corrompe. Nas panelas tripeças no lume frio da madrugada geada. Cheiros que se entornam da vida para sempre. Recordações perenes de saudade eterna. Aldeias são ideais. Eu não tenho aldeia. A minha aldeia sou eu!
Escrito por: Jorge Pinheiro

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A minha aldeia


A minha aldeia tem cheiro a terra quente.
Coração de pedra.
Alma de gente..
Escrito por Filomena
Chinicato/Lagos/ Faro
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