Mostrar mensagens com a etiqueta Monsanto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Monsanto. Mostrar todas as mensagens

sábado, 10 de outubro de 2009

Come-se bem em Monsanto "Aldeia Mais Portuguesa" Aldeia Tão Portuguesa!



O cabrito assa demoradamente no forno. O cheiro a gordura estaladiça invade o ar a quem tem a ousadia de entrar na cozinha. Descascam-se batatas pequenas de pele lisa e amarelada, as melhores para assar. Prepara-se o molho, uma pasta apetitosa, bem temperada, que vai cobrir o bicho que continua, lentamente, a assar no forno de lenha.
A Beatriz grita ao marido por lenha. A garotada ri-se e vai ajudar a escolher os troncos mais pequenos e redondos, cortados a preceito e de propósito para que caibam na pequena fornalha.
Rasgam-se as alfaces em pedaços toscos, a cebola em tiras finas, lágrimas escorrem-lhe pelas rugas “olha-me esta que é danada!”.
A mesa é posta com desvelo. Retira-se da pesada arca, a toalha de linho branco, imaculado “bordada pela sua bisavó menina” diz-me a Beatriz todos os anos, os guardanapos são de pano a condizer. Copos de pé alto voltados para baixo, talheres em profusão, o pão casqueiro em lasca fina no cesto forrado com outro bordado.
Assa o cabrito lentamente e saímos todos de casa, bem agasalhados que na Beira o frio é de rocha feito, a caminho da Igreja para a Missa de Graças.
Batem os pés dos homens no adro, como que a espantar o frio, entram mulheres e crianças na Igreja acolhedora, antiga, tectos altos e Figuras Santas que nos impressionam. As janelas de vitral espalham a ténue claridade em cores que alegram as almas.
Assa ainda o cabrito. Devagar. As pequenas cestas do “Pão por Deus” estão prontas, à espera da criançada que vai correr a Vila ainda antes do almoço. Bolos de mel, torrões e pasteis de abóbora encavalitam-se na cesta da mais nova que já não pode com o peso. Há gargalhadas no ar frio que aquecem os corações dos mais velhos “venha cá menina que não lhe dei inda o meu”!

Cheiro a batatas assadas, salada bem temperada de fio de azeite grosso, amarelo.
Cheiro a lareira acesa e a bola de azeite, peganhenta, deliciosa.
“Para a mesa Meninos, para a mesa!”

Cheiros da minha infância. Tão perto .. tão longe.

Escrito por Catarina Price Galvão, do blogue Once

Se acha este texto o melhor, vote nele na barra lateral do dia 28 a 31. Entretanto, aproveite para comentar aqui. Quem sabe, é seleccionado para melhor comentário!

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Monsanto : Festa de Santa Cruz

Foto cedida pela Olho de Turista (2009)
O castelo está ligado à tradição da principal celebração de Monsanto: a Festa da Santa Cruz.


Originalmente uma tradição profana ligada ao ciclo da Primavera, foi cristianizada e associada ao lendário cerco do castelo, segundo algumas versões pelas tropas do pretor Lúcio Emílio Paulo em fins do século II a.C., segundo outras a um ataque dos mouros por volta de 1230, ou até posteriormente durante as lutas com Castela.

Em qualquer hipótese, os inimigos sitiantes procuraram vencer pela fome os defensores do castelo. A tradição refere que o cerco se prolongava já por sete longos anos, quando intramuros restavam apenas uma vitela magra e um alqueire de trigo. Uma das mulheres sugeriu então um estratagema desesperado para iludir o inimigo: alimentaram a vitela com o último trigo, lançando-a com alarde por sobre os muros do castelo, na direcção dos sitiantes.

Despedaçando-se contra as rochas, do ventre da vitela espalhou-se o trigo, abundantemente. Com essa manobra, o inimigo entendeu que os defensores ainda se encontravam milagrosamente providos de alimento, protegidos pela providência divina, levantando o cerco e se retirando da região.

O episódio é atribuído a um dia 3 de Maio (dia da Santa Cruz), razão pela qual nesta data, anualmente, as mulheres do povoado se vestem com as suas melhores roupas e, ao som de adufes e canções populares, agitando marafonas (bonecas coloridas com armação em cruz), algumas com potes caiados de branco, decorados e cheios de flores à cabeça, partem da povoação em direcção ao castelo. No interior do castelo, do alto das muralhas, os potes brancos, simbolizando a vitela, são lançados em direcção ao exterior, revivendo simbolicamente o episódio da salvação da vila.”

Recordo-me de me vestir igualmente de branco, ainda sem saber porquê, de tentar tocar o adufe que a Beatriz criteriosamente nos ensinava, e com o cabelo cheio de flores, miraculosamente equilibradas partir de manhã cedo em direcção ao castelo.

Subida íngreme, muito íngreme, vista de cortar a respiração.

Lá em cima no meio do nada, entre ruínas do que outrora tinha sido o “palco da salvação” assistir comovida à missa do dia e ouvir os cantares em vozes que não voltei a escutar, som que se propaga pela planície logo abaixo e que, jura quem de lá o escuta, se consegue ouvir a quilómetros de distância.

Parte das minhas raízes que acarinho. Pedaços de História. Bem hajam.

Texto escrito por Catarina, do blogue Once
Festas e Tradições de Monsanto, Idanha-a-Nova, Castelo Branco

Se acha que este texto é o melhor, vote nele na caixa de votos da barra lateral e aproveite para comentar. Quem sabe sai daqui o melhor comentário do Mês.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Monsanto, a aldeia da Catarina

Foto cedida por Pedro Pais

As vindimas na Beira eram uma aventura como poucas, grandes cestas de vime que ainda hoje sei entrançar, verdes ou negras do sumo da uva colhida, eram colocadas nos carreiros das videiras para que as mulheres, de lenço negro à cabeça e canto cristalino na voz, cumprissem um trabalho que de pesado se fazia leve. Nós, os garotos da cidade misturados sem diferenças com os garotos da terra, amigos até aos dias de hoje, percorríamos as veredas em equilíbrio tentando ganhar a corrida do cacho mais gordo ou da uva mais doce. Acreditávamos que ajudávamos à lide, sei hoje que atrapalhávamos mais que qualquer outra coisa, ainda escuto as gargalhadas do mulherio trabalhador quando ostentávamos um ar orgulhoso por termos conseguido arrastar um cesto cheio até ao reboque do tractor que subiria até ao lagar. O lagar, com um cheiro adocicado e enjoativo, fazia as delícias da pequenada, aguardávamos na chamada fila indiana que nos deixassem rodar a manivela responsável pela primeira espremidela às uvas que eram atiradas dentro. Manivela responsável por uma ferida feia no nariz quando achei que conseguia, ainda de pouca altura, acompanhar-lhe o impulso. Ao fim do dia homens, mulheres e crianças de calças arregaçadas, abraçados e cantando os cantares da terra, pisavam a uva, sem parar. As unhas vermelhas e as pernas salpicadas de vinho. Gargalhadas noite dentro por cada desistência, nós, os pequenos, os primeiros a desistir, cansados do sono e dos vapores nauseados.Era um outro Setembro. Feito de pão casqueiro e fatia de queijo de cabra com casca, feito de figos e dióspiros em quantidades abissais, da apanha da castanha e da seara dourada e colhida, a aguardar na eira o descasque da espiga. Feito de levantares madrugadores ao relinchar da minha égua, a Estrela, que me acordava cedo na certeza do passeio. Era um Setembro de camisola já vestida por essa altura, calça curta e pé descalço, para apreensão da Mãe que nos inspeccionava no banho à procura da carracita do campo ou de algum lanho feio e a precisar de desinfectante.Era o juntar da lenha que aqueceria o cacau escuro e a água do banho quando regressássemos todos em Dezembro, toros enormes que crepitariam no lar franco e bem estruturado de uma lareira que era o orgulho do Pai. “Nem uma réstia de fumo dentro de casa! Aprendam, meninos, aprendam!”Setembro, que não queríamos acabasse, mesmo desejosos que pudéssemos estar na viagem de regresso à cidade para voltar à escola, aos amigos, ao “que fizeste nas férias?” certos de tanta aventura para contar. De outra tanta para ouvir.
Era o meu Setembro, há anos largos, quando ainda criança, quando ainda adolescente.O meu Setembro em Monsanto, aldeia tão portuguesa, Aldeia mais Portuguesa.
Escrito por Catarina
Monsanto, Idanha-a-Nova / Castelo Branco
Para comentar, vá ao blogue de origem: Para votar este post, deixe aqui o seu voto na caixa de comentários

terça-feira, 26 de maio de 2009

Um olhar pela Pousada de Monsanto...



Para Reservas e Informações:
Telefone: 277 314 071 /277 314 471
E-mail: pousadamonsanto@hotmail.com



Prémio Blogagem Colectiva "Aldeia da minha vida":

O texto mais votado pelo júri* e pelos leitores deste blogue ganha um fantástico fim-de semana para duas pessoas na Pousada de Monsanto **.

Os textos de todos os participantes serão postados no dia 10 de Junho neste blogue.

Será aberta a votação a todos os leitores, entre 10 e 28 de Junho. Para votar basta deixar um comentário no texto preferido, devidamente identificado, juntamente com o respectivo e-mail*** , para quem não tenha blogue. Os resultados serão publicados neste blogue no dia 30 de Junho.

A avaliação dos textos terá em conta os seguintes critérios:

- Os textos deverão ser originais, com limite máximo de uma página A4;

- Deverão ser anexados de uma até 3 fotografias, ou de um filme ou de um conjunto de slides originais;

- Indicar a localização da aldeia : Freguesia, Concelho e Distrito;

A avaliação dos leitores terá um peso de 49% e a do Júri de 51% e incidirá sobre o conjunto - texto e imagens ou outro(slides, filme) originais.

E não se esqueça de :

se inscrever e enviar o seu texto, via e-mail( aminhaldeia@sapo.pt) até dia 8 de Junho; postar o seu texto no seu blogue dia 9 de Junho; e convidar os seus amigos a passar por aqui para escolher e comentar o melhor texto, entre o dia 10 e 28 de Junho (para mais informações, consulte o post anterior ou envie um e-mail).

Participe e que vença o melhor!

Boa sorte a todos!


Veja a lista dos participantes já inscritos no post anterior.

____________________

Observações

* Juri composto por 3 elementos:

- 1 representante da Olho de Turista;

- 1 representante da "Divino Monsanto", a Pousada de Monsanto;

- 1 representante da Associação para o Desenvolvimento Turístico das Aldeias Históricas de Portugal (aguarda-se confirmação).

**Oferta da "Divino Monsanto", a Pousada de Monsanto: Alojamento e pequeno almoço, de Sexta-feira a Domingo para duas pessoas. Reserva sujeita à disponibilidade das datas pretendidas.

***A fim de validar a votação e evitar fraudes, é solicitada a indicação de um e-mail válido. Este não será divulgado, nem publicado