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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O que é o Vinho?


Do ponto de vista técnico-legal, o vinho é a bebida resultante da fermentação alcoólica, total ou parcial de uvas frescas ou do seu sumo, segundo processos tecnológicos apropriados. Estreitamente ligadas aos vinhos estão as aguardentes de origem vínica, bebidas de mais elevada graduação alcoólica, provenientes, conforme os casos, da destilação dos vinhos ou dos bagaços da uva: como resultado dos diferentes processos tecnológicos empregados no seu fabrico. Os vinhos apresentam por vezes características profundamente diversas, pelo que se podem repartir por vários tipos ou classes. Dentro do mesmo tipo ou classe as características podem também variar, segundo as castas de uva empregadas e a natureza do clima e do solo em que se situem as vinhas. De entre os vários elementos que contribuem para a caracterização e identificação dos produtos vínicos tem lugar de destaque o conjunto misto de factores, naturais e humanos, constituídos por clima, solo, castas, processos de cultura e vinificação, ou seja, aquilo que na essência justifica o reconhecimento internacional de certas denominações de origem por que são conhecidos os principais vinhos e aguardentes de alguns países. As denominações de origem regulamentada estão em Portugal ligadas a regiões legalmente demarcadas. Mas o carácter regional dos produtos vínicos estende-se para além daqueles que beneficiam de uma denominação de origem regulamentada. A indicação de proveniência reveste-se, assim de grande importância, pelo que em muitos países é usualmente indicada nos rótulos dos diversos vinhos engarrafados. As características e o valor dos vinhos podem também variar de ano para ano. Num pequeno país como é Portugal, existe uma extraordinária variedade de climas, solos e castas que dão origem aos mais diversos tipos de vinho. A classificação dos produtos vínicos pode ser feita sob vários aspectos, parecendo-me de interesse, do ponto de vista gastronómico, a que os separa em: vinhos generosos e licorosos, vinhos doces de mesa brancos e roses, vinhos comuns ou de mesa, brancos e tintos, vinhos espumantes e espumosos.

Escrito por: Acácio Moreira, do blogue Carvalhal do Sapo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A brincadeira que acabou mal...





Boas lembranças tenho das vindimas. Todos os anos, ia contente com a minha prima, companheira de muitas brincadeiras à volta das uvas. Lembro-me das vezes em que jogávamos para ver quem conseguia encher o balde mais depressa! Mas é claro que entrava mais na barriguinha, do que propriamente no balde...


A parte pior era quando o calor apertava... as abelhas e as vespas insistiam voar à nossa volta sempre que iamos atrás do tractor, com as suas enormes tinas alaranjadas, prontinhas a serem levadas para a adega, assim que estivessem cheias de uva. Ainda tenho na memória a música de fundo que elas faziam, enquanto o tractor se movimentava.




A parte que achava mais piada era quando chegávamos ao fim do dia, todas pintadas com o tinto e iamos para o lagar do meu tio ver os homens a pisar as uvas, enquanto cantarolavam. Com muita pena minha foram muitas as tentativas fracassadas para nos juntarmos ao grupo. " Isto é para homens" diziam eles... coisas de machismo, foi o que sempre achei, assim como nessa altura, as mulheres, que acabavam por fazer a parte mais dura, a de colher as uvas ganhavam menos do que os homens, na hora de receber. Penso que ainda hoje funciona assim... a igualdade salarial ainda não chegou ao campo...




Agora não me esqueço o dia em que estávamos cansadas e resolvemos esconder-nos lá no meio de uma vinha. O pessoal colheu as uvas, continuou pela vinha fora e não deu pela nossa falta. Passaram uma, duas, três horas e deixámos de os ouvir e ali continuámos deitadas debaixo da sombra da parra. Sempre pensámos que alguém iria chamar-nos, à nossa procura, mas tal não aconteceu... até que apareceu um lacrau a passear à nossa beira. Quando vimos o bicho ficámos de tal maneira histéricas, que assustámos o bicho... mas de nada adiantou... acabou a dar uma picadela à minha prima. Ela gritou tanto de dor que os que estavam na outra ponta da vinha ouviram e foram acudir a minha prima. A brincadeira acabou no Hospital, a soro e com um grande sermão dos nossos pais...




Ai do bicho que se meta na minha frente, outra vez!


Escrito por Joana, do Blogue Diario de Joana

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As minhas vindimas na minha garotice




Quando falo da minha terra, há sempre alguém que recorda que é a terra do bom vinho. Atrás disso vem à baila também a lembrança dos momentos de garotice vividos nas vindimas.
O mês de Setembro sempre foi um mês bem marcante: o início da escola e da grande agitação das vindimas. Às cinco da manhã lá estava eu, com a roupa mais velha que tinha, um balde, uma tesoura e um chapéu, pronta para seguir viagem. Sentada no atrelado da antiga carrinha azul dos meus pais, juntamente com mulheres de várias idades alí íamos sorridentes para mais um ano de vindima. O tema de conversa batia sempre no mesmo:"vamos ver se este ano vamos ter muita uva". Íamos para as pequenas quintas dos meus avós paternos e maternos colher uva branca e preta. Grande parte se concentrava na Vila Fria da Quinta de Falhas, ao longo do vale da Quinta da Veiga e no monte da "Cornalheira". Essas quintas faziam parte da freguesia de Longroiva e da Fontelonga, e estavam contempladas na região demarcada do Douro. Dava gozo ver a parra colorida de variadas cores quentes, especialmente quando as avistávamos lá no alto do monte da Cornalheira. Desde que o sol nascia, até às cinco horas da tarde, a tarefa era sempre a mesma: colher a uva, deitar para o balde, até encher. Esvaziá-lo e voltar a colher. Nada podia falhar: branco para um lado e preto para o outro. Não havia lugar para paragem, pois tinhamos muito trabalho para largos dias. Para tornar a tarefa mais agradável, muitas histórias e mexericos eram contados e a alegria reinava nesses convívios.
Confesso que participava nessas vindimas, porque assim me obrigavam. Aos fim de semana não havia escapatória... e lá íamos, eu e a minha irmã às vindimas. Não era o trabalho que mais gostava de fazer... pois nesses dias preferia limpar a casa de cima a baixo várias vezes ao dia, que ir à vindima. Isso porque sei que para fazer o vinho tão apreciado, muito suor e sacrifício se mistura nesse processo, que começa muito antes da vindima, com a poda, a empa, o esladroamento, a desparra, a escava, a cava, a fertilização e as curas. As vindimas são o resultado de um ano de trabalho, quantas vezes não correspondentes ao trabalho feito por causa dos caprichos do tempo...
Dos meus avós apenas restam as vinhas, que o meu pai tomou o gosto e faz questão de manter e aumentar, para produzir o seu vinho caseiro e para vender as uvas a grandes produtores de vinho.

Este ano ainda não começou, mas promete ser mais um ano bem agitado. Numa terra, onde se sabe bem o significado e o valor do trabalho no campo e da vinha, que produz o célebre vinho do Porto, o ouro sobre o azul dessa gente.
Escrito por Carina
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O Barão de Nelas e a sua Quinta


A Quinta de Santo António do Serrado está situada em Vilar Seco, Nelas, no coração da Região Demarcada do Dão, na região Norte-Centro de Portugal, onde a tradição vinícola é uma forma de vida há séculos. A Quinta do Serrado está nas mãos das mesma família desde o final do Século XVII, e a sua adega data de 1741.


A família

O Barão de Nelas, da família Barahona Paes de Brito continua a envelhecer o seu vinho utilizando o método tradicional Francês, em pipas de carvalho, mas o método de produção e engarrafamento foi completamente modernizado, produzindo um vinho que, embora mantendo as suas características únicas, sobe aos mais altos padrões de qualidade reconhecíveis por todos os apreciadores de vinho.

A vinha

As vinhas crescem lentamente nas solarengas encostas viradas a Sul desta quinta de sete hectares, e produzem um vinho opulento e aveludado que ganhou o seu primeiro prémio internacional de qualidade em 1876 na Exposição Mundial de Filadélfia. Mais recentemente, o Touriga Nacional 2000 recebeu a Medalha de Ouro na Quarta “Wine Expo” em Portugal.

A vinha, que foi renovada em 1991 pelo actual dono da quinta e descendente do primeiro Barão de Nelas, oferece uma combinação da variedade de uvas locais: Touriga Nacional, Jaén, Alfrocheiro e Tinta Roriz.

O vinho

São engarrafados na Quinta dois tipos de vinho: uma mistura de quatro castas, e um exclusivamente feito de uvas Touriga Nacional. O Touriga Nacional é um vinho tinto Português de alta qualidade altamente premiado na região do Dão. A Quinta produz aproximadamente 30.000 garrafas por ano.

A Comissão Vinicultural da Região do Dão controla a qualidade dos vinhos, que são certificados pelo seu selo de garantia. A Comissão também classifica os vinhos superiores com diferentes denominações, conforme a sua qualidade.

Escrito por: Carlos Barahona Pais de Brito da Quinta do Santo António do Serrado,
Patrocinador da Blogagem de Vinhos e vindimas

Memórias ligadas à vinha


As vindimas de que tenho lembrança remontam aos últimos anos da década de 60 do século passado, quando eu era ainda criança com 10 ou 11 anos de idade e já integrava um grupo de trabalhadores da aldeia, e durante um dia inteiro, colhia os cachos e carregava à cabeça enormes cestos de vime cheios de uvas. Na minha aldeia, no Concelho de Trancoso, na Beira Alta, as vindimas tinham início em Setembro e por vezes prolongavam-se até Outubro.

Lembro-me do Sr Alberto, um respeitável feitor que tinha a seu cargo a tarefa de cuidar das vinhas, cujos donos moravam e exerciam a sua actividade profissional na capital, apenas se deslocando esporadicamente à aldeia onde permaneciam pouco tempo e raramente eram vistos.


O pessoal contratado, na maioria mulheres, juntava-se no adro da igreja, ou junto ao cruzeiro da aldeia e partiam em grupo, umas vezes a pé, outras numa carrinha de caixa aberta quando a vinha era mais distante, levando cada um o seu próprio farnel. A tarefa era desempenhada ao som de alegres canções populares e o tempo passava sem quase nos darmos conta.

Retrocedendo a essa época, acabo por constatar que aquilo que é hoje considerado "exploração infantil", constituía para mim, e disso tinha plena consciência na altura, um dos poucos factores de alegria e realização pessoal. E bem me lembro da sensação de orgulho que sentia quando ao fim do dia me cruzava com meninas da minha idade que, por protecção paternal ou por terem sido preteridas pelo contratante, ficavam a brincar nas ruas da aldeia. E hoje, por mais estranho que possa parecer, sou capaz de afirmar que me sentia privilegiada por trabalhar. O pisar das uvas e a prova do vinho mosto são lembranças que associo à casa de família quando os meus avós maternos ainda eram vivos, mas isso numa época tão longínqua que já quase se confunde com um sonho.

Muito mudou na minha vida desde então, mas as vindimas continuam a atrair gente às aldeias, o processo será menos artesanal, o ritual mais familiar, mas os actos de colher e pisar as uvas ainda são desempenhados em FESTA!


A última "vindima" em que participei foi há mais de 10 anos, quando troquei a cidade pelo campo e adquiri uma moradia com quintal onde moro actualmente. Nesse ano, por graça, o meu "aprendiz de hortelão" aventurou-se na experiência e um dia de "trabalho intenso" de 2 adultos e 2 crianças, rendeu:


- 15 litros de vinho tinto
- 10 litros de vinho branco
- 5 litros de jeropiga

(tudo de excelente qualidade eheheh)

Escrito por Pascoalita
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Aprenda a escolher o vinho ideal para acompanhar uma refeição com os seus amigos!

Os vinhos tintos são os mais indicados para os pratos bem condimentados, massas, risotos e carnes vermelhas. Para as carnes mais fortes sugiro um vinho mais leve, para as massas ou carnes mais leves sugiro um tinto mais encorpado. Com peixe estufado ou em caldeirada, convém apresentar vinhos tintos ligeiros (ou mesmo encorpados, se a caldeirada for picante). As carnes vermelhas e a caça, assadas ou guisadas ou em pasta (tortas recheadas, empadas), devem ser acompanhadas por vinho tinto encorpado. As carnes assadas também combinam com vinhos espumosos secos, mas com carnes grelhadas ou assadas (desde que sem molho) aconselho vinho tinto leve. Com queijos fermentados (crus) servem-se vinhos tintos fortes. Queijos de pastas cozidas (tipo gruyére) pedem vinhos tintos mais leves. Os vinhos tintos são os mais indicados para os dias frios, pois em relação á temperatura a que deve ser servido não necessitamos de ser muito rigorosos, mas contudo devemos manter o vinho longe do sol ou de locais muito quentes pois pode alterar o sabor do vinho.

Os vinhos brancos são os ideais para acompanhar os pratos de peixe, carnes brancas, com alguns queijos e com saladas. O vinho branco seco é o mais indicado para acompanhar as refeições, por outro lado o vinho branco doce é mais indicado para sobremesas com fruta e doces. Com as entradas deve ser servido vinho branco seco, vinho verde branco, vinhos generosos secos ou ainda vinhos espumosos secos. Os mariscos e peixe servem-se, normalmente, com o mesmo vinho servido para os aperitivos (vinho branco seco ou verde) ou, se forem acompanhados por molhos picantes, com vinho branco suave, adamado. Com doces não alcoolizados servem-se vinhos doces brancos, espumosos doces ou ainda generosos doces e meio-doces. Com os doces confeccionados com licores ou aguardentes, só devem servir-se as bebidas utilizadas na sua preparação. Com queijos frescos servem-se vinhos brancos suaves. Este tipo de vinho deve ser servido muito gelado.

O vinho Rosé é o indicado para alimentos leves e saladas, podendo também ser tomado como aperitivo. Este vinho deve ser servido bem gelado.

Todo o vinho deve ser servido em taças, o vinho tinto em taças maiores, o vinho branco e rosé em taças menores. Um aspecto muito importante é que qualquer tipo de vinho deve ser sempre servido em taça transparente, para que assim se veja e aprece a cor da bebida.

Escrito por Susana Amaro
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AS VINDIMAS NO TEMPO CERTO


Setembro, mês em que a canseira das colheitas maior azáfama traz aos agricultores. Época de colher os frutos do trabalho de mais um ano agrícola.
O ponto alto das colheitas é sempre o das vindimas nas regiões vinhateiras.

Uva, aquele fruto que o Sol fez brutar da cepa na Primavera, com o seu calor o fez florir e crescer durante o Verão, sempre sob a vigilância e dos cuidados do agricultor, que tem que tratar os míldios, os oídios e outras pragas de insectos, e que o Astro Rei agora doirou, convida à colheita para extracção da maravilhosa bebida que regularmente nos acompanha às refeições.

Chegou a hora da sua colheita que impõe que exércitos, de tesoura em punho, se desloquem para as vinhas e, de carreira em carreira, recolham aqueles frutos maravilhosos.

Longe vão os tempos em que a mão humana manipulava tudo, desde o corte da uva, o transporte às costas ou à cabeça, para as tinas ou dornas levadas em carros de bois, para vazar nos lagares. Aí, quando o lagar estivesse cheio, um compasso de espera dois ou três dias para fermentar, grupos de homens saltavam para dentro, durante quatro horas, percorriam inúmeras vezes aquele enorme tanque, de canteiro (*) a canteiro, cantando e rindo com as anedotas que iam saindo de cada boca, para atenuar o cansaço, calcavam os cachos a pés. "Calcar o vinho". Agora, aproveitando as novas tecnologias, que vieram auxiliar o homem em muitas tarefas, ele deixa que as máquinas, depois de se colherem as uvas para as tinas, façam o resto sob a sua orientação e devido acompanhamento, esmagando as uvas e mergulhando o vinho com o engaço, durante alguns dias, para afinar a cor ruiva.
Daqui por algum tempo, depois de exigentes análises laboratoriais quase permanentes, vão franquear - nos a prova desse nectar delicioso produzido em cada época, que irá ser consumido através dos tempos, durante muitos anos, por todo o Mundo.

É assim que, cada ano, depois das podas e do preparação dos vinhedos, se obtem o produto final que vem animar quem o produz e levar a alegria e satisfação a quem o consome.

A Terra o deu, o homem se regala.


* «Canteiro» - Nome que, em certas regiões, se dá ao bordo em pedra dos lagares do vinho.



Beijós, Região Vinicola da Dão, 08 de Setembro de 2009
Por > Zacarias Pais do Amaral

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Memórias e preocupações da vinha e do vinho

Tive a sorte de acompanhar de perto, quando não na primeira pessoa, algumas das principais transformações ocorridas nas últimas décadas na vinha e nos processos de vinificação, assim como ao nível da comercialização das uvas ou do vinho. Refiro-me, naturalmente, à forma mais tradicional de produzir vinho e de vinificar, identificada com pequena parcelas, onde cada videira tinha a sua casta; e identificada igualmente com lagares de pedra, cubas de cimento e sobretudo com as famosas pipas (ou pipos), responsáveis por um intenso labor nas tanoarias, das quais aliás vinham também as dornas.

A minha juventude foi marcada por algumas mudanças, aparentemente de pouca monta mas com profundas influências no tecido social e nas vivências comunitárias. Recordo-me que gradualmente as uvas deixaram de ser transportadas em dornas, o que implicava a existência de uma junta de bois, para serem transportadas em gamelas e posteriormente no seu sucedâneo em plástico, os poceiros como o povo lhe chama. Se é um facto que a vinha deixou de ser central na economia familiar de base rural, também se perdeu uma importante dimensão imaterial ligada à vinha e ao vinho. Estas e outras pequenas transformações alteraram, nomeadamente, o ritual das vindimas, que outrora como que sacralizava os laços familiares e de vizinhança, à semelhança da casca do milho festejada na desfolhada. Em cada cantiga sobravam uvas, mas em cada cesta ou cesto não ia apenas o som, ia também o sentido e o tom de uma comunidade. Na última dorna não ia apenas um desígnio de dever cumprido, ia a celebração das colheitas e da vida de quem nela participava, que no dia seguinte se repetiria na vindima de um familiar, vizinho ou compadre.

Actualmente tenho o privilégio de ver de perto o esforço levado a cabo por dezenas de viticultores nas últimas décadas: o momento de viragem, as dificuldades, a paixão pela vinha, o ainda tímido contributo para a criação de uma imagem da região do Dão e do vinho da região, indissociada do queijo, das serras, dos rios, das pessoas. É um facto, que a realização do projecto Património do Vinho e da Vinha da Região Demarcada do Dão, que no âmbito da APARDÃO execute com o Jorge Esteves, me permite conhecer de perto uma nova realidade. ainda assim, não por mera nostalgia, mas por preocupação social, não deixo de olhar para o lado. Da campanha passada reservo a imagem de vários tractores agrícolas à espera junto às cooperativas para deixarem as uvas, creio que com menos romantismo e mais dramatismo. É do conhecimento público, por um lado, o envelhecimento da população e, por outro lado, o facto dos custos de produção não trazerem benefícios a ninguém. Sem me querer meter da discussão dos apoios que o Estado possa dar, nem na questão do pagamento atempado ou não por parte de quem adquire as uvas, não deixo de me preocupar com o futuro da região como um todo. Sou adepto da tese segundo a qual é necessário ter vinhos de gama média para daí sobressaírem vinhos muitos bons. E do ponto de vista estritamente sócio-económico é no mínimo incompreensível fechar os olhos ao abandono dos campos, dá ideia que vamos todos trabalhar no sector dos Serviços.

Escrito por : José Gomes Ferreira do blogue Associação para a Promoção da Região do Dão
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O néctar do Alentejo que me caiu no goto …

Imagem retirada da internet

Estávamos no ano de 2002, em Setembro, num dos primeiros sábados do mês. Fomos convidados para um casamento de uma grande amiga do e no Entroncamento: a Xana Roxo.


Estou acompanhado da minha esposa que, não bebe muito vinho, apenas o faz socialmente e em certas ocasiões. De resto prefere o vinho caseiro de seus pais …
No restaurante, acabam de servir as entradas: salgados diversos, de onde prefiro os pastéis de bacalhau caseirinhos … nada melhor para os acompanhar do que um bom vinho branco e fresco. O que é que me serviram? Um famoso “Porta da Ravessa Branco de 2001”. Já bebi um “Porta da Ravessa Tinto” de 2000 e gostei muito. Era forte, encorpado, de cor rubi e com um paladar a frutos vermelhos silvestres. Naturalmente que o bebi a acompanhar um bom lombo de porco assado, com batatas e salada mista. Gostei tanto que agora no casamento dos meus amigos não hesitei em provar o vinho da mesma casa mas branco.
Foi um verdadeiro sumo de uva, maravilhosamente fresco e perfumado. Fiquei de tal forma encantado que, comecei a caracterizar o dito vinho em voz alta para todos os que me rodeavam. Lembro-me de ter dito algo do género: “uma boa lágrima que marca o carácter do vinho. Cor branca ,ligeiramente dourada. Aroma frutado, com reminiscências de pêra e de maçã. É um vinho redondo! Agradável e leve que acompanha bem pratos de peixe.”
Para meu espanto o noivo estava com uma garrafa na mão a ler o rótulo enquanto eu falava. Quando eu terminei ele disse: “acertaste em cheio! Ou será que já tinhas lido o rótulo?”
A verdade é que foi a primeira vez que provei “Porta da Ravessa Branco de 2001” e fiquei deliciado com o mesmo!
Como já gostava da versão de tinto, tornei-me um fã a partir daí, de “Porta da Ravessa”. Atrás desse, posteriormente tenho degustado e bebido outros vinhos do Alentejo, como o “Borba”.
A partir daí, tenho sempre uma preferência, pelos vinhos do Alentejo …
Escrito por Mestre
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Dou-me bem com ele

Antunes Ferreira

Uma confidência: comecei a pisar uvas no lagar da minha tia-avó Etelvina, tinha eu oito anitos. No Vale de Santarém, onde a augusta Senhora era a segunda pessoa mais importante, além de… solteira. Até aos 82, quando faleceu. E dizia-se – eu ainda não entendia de tais coisas, mas ouvia – que era virgem, por razão de um desgosto de amor na sua juventude. Vidas.

O meu pai era do Cartaxo, mas podia ter nascido em Almeirim, na Chamusca, em Santarém, na Póvoa da Isente, ou em Vila Chã de Ourique, já que o meu avô era comerciante de vinhos. O que quer dizer que a inclinação para a boa pinga vem-me acompanhando pela vida fora desde a… mais tenra idade. Alto e pára o baile: não sou um bebedor militante, mas sei apreciar o vinho. Néctar de que gosto, sem chegar à embriaguez. Resumindo linearmente: não me embebedo; dou-me bem com o vinho.

No DN onde fui chefe da Redacção, criei um suplemento semanal intitulado prosaicamente «Jornal dos Vinhos», cuja alma mater foi o meu camarada de trabalho José Estêvão Santos Jorge, que organizava os «Jantares Vinícolas» com imenso sucesso. Eu acolitava-o com imenso prazer, não só pela companhia – de uma forma geral excelentes cidadãos, apreciadores e conhecedores – mas também pela qualidade dos néctares apresentados e… consumidos.

Posso, pois, dizer que os vinhos e as vinhas fizeram parte da minha vida, pois a Dona Etelvina Ferreira era proprietária de ambos. Hoje, sou mais vinhos, as videiras só de passagem, quando circulo nas estradas. A vida é assim: tem-se aquilo que se pode ter. E como a trabalhar não se enriquece – não tenho vides, nem adegas, nem rótulos, nem sequer rolhas. Mas, palavra que gostava de ter. Por puro prazer.

Escrito por Antunes Ferreira, do blogue A minha travessa do Ferreira
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Vinho do Caxias, Brasil

PARTICIPANDO DA BLOGAGEM COLETIVA PROMOVIDA PELA SUSANA DO BLOG. Aldeia da Minha Vida .


TRAZENDO O TEMA Vinhos e vindimas.
PENA QUE O TEMPO É CURTO E O ESPAÇO TAMBÉM!!!
RESUMINDO VAMOS ENTÃO...
ENTÃO VENHA COMIGO NESTA VIAGEM...

Não vou falar do Vinho de Portugal, vou falar do Vinho do caxias, do qual fui conhecer.


Fica no Rio Grande do Sul
Bem, não sou uma amante dos vinhos.


Mas, experimento. Até tomo lá de vez enquanto alguns goles, ou uma taça.

Quando adolescente, nas festinhas bebia uns golezinhos e passava muito mal. Até mesmo em casa com meus pais. Sempre passava mal e acabava chorando muito, ou rindo muito.

Por que??? Porque passava mal.

Não posso beber nada que contém álccol.



"Para os amantes e/ou profissionais, saber apreciar e saborear um bom copo de vinho, envolve um jogo de sensibildade gustativa, um prazer, que passa por um ritual, à descoberta de sabores e aromas frutados, que quase parece uma entrada ao Paraíso, pela boca".

Concordo com esta explicação. Mas não posso me exceder muito.

Por isso não sou uma amante.

Meu marido ama Vinhos. Conhece muito.

Existem vários tipos de vinhos: são Tintos, Brancos, Rosés, Verdes e Espumantes.

Sei que tomado com moderação, são benéfico a saúde. Tenho um compadre, que toma todo os dias antes do almoço um cálice de vinho.

Diz, que é para manter a Saúde do Corpo.

Vamos então brindar este encontro com uma bela taça de vinho.
imagem retirada de http://www.osvigaristas.com.br/

CAXIAS DO SUL. CONHEÇA UM POUQUINHO DESTA B ELEZA DO RS. clicando aqui


Texto escrito por Sandra, do Blogue Uma Interacção de amigos.
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Barca Velha




O Vinho, especialmente o «generoso» ou «fino» como é chamado na região Duriense, e mais conhecido por «do Porto» ou ainda mundialmente por «Port Wine», será um dos temas que abordarei com regularidade neste Blogue. Tinha já pensado fazê-lo, era um projecto em estudo para outro dos meus Blogues, mas porque não aqui??? Só espero conseguir que se apaixonem pelo tema e o vivam tão intensamente quanto eu.

Começo por explicar porquê o Barca Velha como primeira opção. Não sendo um vinho do Porto, é contudo um vinho da região demarcada do Douro, região pródiga para a produção de vinhos de altíssima qualidade. Este vinho é indubitavelmente o melhor vinho de mesa do país, reconhecido mundialmente como tal, ocupando sempre um lugar cimeiro na cotação mundial dos “Wine Experts”.

Gostaria que soubessem antes de mais, que tive a imensa honra de trabalhar na Empresa que o produz, mas muito especialmente de ter tido o privilégio de ter contactado de perto e aprendido a amar o vinho, com o célebre criador do primeiro Barca Velha, que foi lançado no mercado em 1952, o Sr. Fernando Nicolau de Almeida, figura emblemática da A.A. Ferreira, um ser único, um perfeito gentleman. Lembro-me que inventava perguntas para poder ir ao laboratório ouvi-lo explicar-mas, a linguagem do vinho só por si é lindíssima, ouvir ou ler a descrição de um vinho é uma coisa do outro mundo, mas não há ninguém capaz de o fazer como ele, ninguém mesmo.
Apesar de ser o Sr. Director Técnico, de ter verdadeiro “sangue azul” nas veias, ele próprio conduzia o seu lindíssimo Jaguar azul-marinho, sempre rejeitou chauffeurs e foi sempre a pessoa mais carinhosa que conheci na Porto Ferreira. Com ele trabalhava o Sr. Engº. José Maria Soares Franco (de quem falarei seguramente muito noutros textos), que lá ficou após a morte do Sr. Nicolau de Almeida até muito recentemente, o Sr. Eng.º Luis Vieira, bem como mais dois ou três jovens enólogos, dos quais destaco o actual responsável técnico do Barca Velha, o Eng.º Luís Sottomayor, sendo este o terceiro que o Barca Velha tem como “pai” desde que foi criado.
Transcrevo extracto de entrevista ao “terceiro pai do Barca Velha”, quando perguntado se haveriam diferenças no vinho desde a sua criação; “Algumas, mas muito pequenas. Resumidamente, diria que o Sr. Nicolau de Almeida gostava de Barcas Velhas mais robustos, o José Maria Soares Franco privilegiava a harmonia e eu, a elegância.”

Vamos agora ao vinho em si.

Chama-se Barca Velha por ser produto da Quinta do Vale Meão, no Douro Superior (Pocinho – V.N. Foz Côa). A única Quinta inteiramente implantada por D. Antónia Adelaide Ferreira, (1811 – 1896) a célebre e ilustre “Ferreirinha”. Junto à quinta ancoravam os “rabelos”, que podiam ser maiores ou menores e daí chamarem-se “barcas” ou “barcos”. A mais velha Barca, a que já não transportava pipas rio abaixo até ao entreposto, no cais de Gaia, acabou por dar o nome ao vinho. Em 2000 a produção do Barca Velha passou para a Quinta da Leda, após a aquisição da Ferreirinha pela Sogrape, sendo actualmente a Quinta do Meão pertença do Sr. Dr. Francisco de Olazabal, genro do Sr. Fernando Nicolau de Almeida, de quem seguramente escreverei muitíssimo e dos seus fabulosos vinhos, assim eu vos consiga cativar para este tema.

Este vinho foi criado à imagem e semelhança de um Porto Vintage (mais tarde explicarei melhor, mas que é basicamente o vinho do Porto de eleição) cumprindo-se assim o sonho do Sr. Nicolau de Almeida, o de criar um tinto de mesa que se assemelhasse em tudo ao que um Vintage tem de melhor. Ao ser engarrafado jovem, corpulento, robusto e sem tratamentos, (tal qual um Vintage) fica preparado para evoluir na garrafa e atingir o auge com o tempo e com a idade., fazendo com que seja o único vinho que ousa desafiar o tempo. Todos os outros vinhos, mesmos os actuais grandes tintos do Douro, são comercializados muito jovens, com apenas dois ou três anos. Por seu lado, o Barca Velha só é comercializado oito a nove anos após a vindima, e só nos anos excepcionais e conforme a sua evolução na garrafa é que é declarado como tal ou não, assim o último colocado no mercado é do ano de 2000, e curiosamente o anterior foi 1999, mas é raríssimo acontecerem dois anos consecutivos.

Vamos agora a uma prova de um Barca Velha de 1985.
Esta foi efectuada em Novembro de 2002 por Tiago Teles.

“É sempre um desafio beber um Barca Velha. Este já tinha 17 anos e foi bebido em prova cega. O nariz começou por ser doce, com aromas a marmelo, evoluindo depois para um nariz vinoso. Ligeiro caramelo. A boca é elegante. A acidez é agradável e os aromas equilibram com a boa concentração de sabor. Os taninos estão presentes, mas envolvidos no conjunto, contribuindo para um final moderado/longo.”

Castas: Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Nacional e Touriga Francesa

Curiosidade - Na CASA FERREIRINHA existe apenas uma garrafa da primeira colheita do Barca Velha – uma magnum de 1952, cujo valor é, hoje, incalculável.
Curiosidade - Destaque especial para o Barca Velha 2000, que ganhou o prémio de melhor vinho do ano.

http://www.nicolaudealmeida.com/Historias.htm - Não percam as histórias do Sr. Nicolau de Almeida e as imagens.

Escrito por Fernanda Ferreira, do blogue Sempre jovens

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Bebida ingesta


Não haverá certamente ninguém que pelo menos uma vez não tenha participado ou assistido à azáfama das vindimas. Nos meses de Setembro e Outubro, as vinhas enchem-se de gente e em grande animação, as uvas são colhidas e transportadas para os lagares, onde são esmagadas e após fermentação, é recolhido aquele precioso líquido, tão apreciado pelos portugueses e não só.

Sempre estranhei tanta alegria no trabalho, e como cusca que sou, já em criança questionava os mais velhos sobre o assunto. Teriam as uvas um poder mágico que o simples exalar do seu odor nos deixava estonteados duma felicidade contagiante? Ou seria necessário mastigar primeiro alguns bagos?
- Não, diziam-me. É uma espécie de gozo por antecipação ... o melhor vem depois de beber o seu suco!
Lembro-me de assistir impaciente às vindimas, tendo inclusive tentado dar uma ajuda e de, movida pela impaciência própria duma gaiata que segundo o meu avô nascera com o diabo no corpo, ter confundido o meu dedo mindinho com o pé dum cacho, valendo-me ser excluída da Festa.
Dias depois, eu e a Luisa, minha companheira de brincadeiras, observamos grande azáfama no pátio. O meu avô e os nossos pais, carregavam um enorme pote dourado a que ouvi chamar alambique e percebemos que algo de muito extraordinário se iria passar nessa noite.
Aquilo era fantástico! Escondidas no escuro, víamos os homens em grande algazarra, colocar um copo sob um tubo de onde lentamente escorria um "fio prateado" e um após outro bebiam e riam, riam, riam. Sem hesitar, decidimos provar o milagroso suco!

Esperámos que os homens dormissem e pé ante pé avançámos e, de um só trago, bebemos um copo cheio cada uma. As minhas lembranças do alambique e do tão almejado "líquido prateado" terminam aqui. Só me lembro de acordar com uma forte dor de cabeça, numa cama empestada de vomitado e outros fluídos desagradáveis, com a Luísa ao lado gemendo, em idêntico estado deplorável eheheheh

Escrito por Cusca Endiabrada
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Vinho de Mêda ou sumo de Uva?

imagem retirada da internet

Não bebo muito vinho. Gosto mais de o apreciar com calma e em pequenas quantidades. Procuro sempre descobrir o que está por detrás de cada vinho. É um jogo muito interessante, quase uma “Paciência”, ou melhor um “Solitário”, descobrir as características do vinho. De seguida o que me dá prazer é poder partilhar essas características com outras pessoas e trocar opiniões com elas. Afinal bebo moderadamente, de preferência, às refeições e socialmente ….

Ainda antes de casar comecei a frequentar a casa dos meus sogros, em Mêda, Distrito da Guarda e na Região Demarcada do Douro. Confesso a minha ignorância de então, em termos dos vinhos do Douro, com excepção para o vinho do Porto que claro, está, já conheço desde adolescente.

A primeira vez que bebi vinho tinto produzido pelo Sr. Heroíno Falhas, fiquei espantado: Não me parece vinho. É tão suave. Não é amargo, devido a um estágio demasiadamente longo em pipas de madeira de carvalho. Não parece conter sulfitos nem nenhum aditivo. Trata-se de um verdadeiro sumo de uva!

Até então eu era um aficcionado dos vinhos do Alentejo e do Dão. A partir daí comecei a apreciar e a beber cada vez mais o vinho do meu sogro, caseiro, produzido da forma mais tradicional e absolutamente saboroso, sem igual! Outros vinhos do Douro DOC se seguiram e bebo com gosto.

O vinho tinto do Sr. Heroíno, produzido a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinta Roriz, estagia 6 meses em pipas de carvalho francês e depois é transferido para cubas em inox. Tem uma boa cor vermelho violeta, aroma a frutos maduros e a baunilha. Na boca é redondo com tâminos suaves e um final com alguma classe.
Acompanha bem carne de vaca, caça e queijos. Também já o experimentei com outras carnes e mesmo com peixe assado, dado que é redondo e suave, com muita satisfação.

Para quem quiser experimentar este néctar, verdadeiro sumo de uva, o Sr. Heroíno Falhas, vende ao público, nas suas instalações, em Mêda. O vinho é óptimo e o preço é um convite a levar para si e para os amigos!

Escrito por Paulo Antunes


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Eu e os vinhos


Confesso que não percebo nada de vinhos. E faço já esta declaração, para que me seja perdoado algum disparate ou imprecisão que eu possa cometer. Porque isto dos vinhos é uma ciência exacta, ou pelo menos muito complexa, só para iniciados. Basta ver a expressão e os trejeitos de quem vai a um restaurante, se senta a uma mesa e escolhe um vinho, de uma lista às vezes maior do que o próprio menu. Chega o criado com a garrafa, verte um pouco de vinho no copo e, nesse momento, todo o simples mortal se transforma num verdadeiro enólogo: agita um pouco o copo, cheira, observa o líquido contra a luz, prova um pouco, até dizer finalmente, com ar de entendido, ao pobre criado que espera pacientemente “Pode servir!”

O próprio vocabulário ligado ao vinho é hermético. Há vinhos de grande afinação, ou de personalidade vincada, seja lá isso o que for. Pode dizer-se de um vinho que é agressivo, ou que as arestas foram polidas, ou que tem boa prestação na boca. Pode-se verificar que os taninos ainda estão espigados, ou que a madeira está bem integrada. Fala-se da complexidade aromática e das notas licoradas. E de muitas outras coisas incompreensíveis para um leigo.
Por isso, vou apenas destacar um vinho da região onde habito e de que gosto particularmente: o Moscatel de Setúbal. Não sabia se podia incluí-lo nos vinhos, mas descobri que se integra nos vinhos generosos. Escolhi uma garrafa que tinha em casa e fiz uma busca no Guia de Vinhos do meu marido, porque não quero fazer má figura. Apresentam-no como “carregado na cor, com um aroma muito rico e de grande impacte inicial, trazendo abundantes notas de laranja em farripa e mel, alperce e algum fruto seco. Na boca, ao contrário do que o peso aromático poderia fazer supor, tem uma boa frescura, um corpo de veludo e um final macio e muito longo.”
Não sei avaliar se tem corpo de veludo nem distinguir as notas de laranja em farripa. Mas sei que me sabe muito bem, num copo alto com gelo, servido como aperitivo ou bebido com amigos, na esplanada, numa noite de Verão.
(Referências retiradas de “Vinhos de Portugal” de João Paulo Martins, Ed. Dom Quixote)
Escrito por Teresa, do Blogue Óculos do mundo
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Gastronomia e Vinhos: enogastronomia



Sem dúvida que o vinho e a comida estão intimamente ligados há milhares deanos: O Sr. Vinho é o acompanhante de excelência da Sra. Comida. Casados fazem o “par” ideal. No entanto, como todos os casais, que se tornam um só após o casamento, também têm as suas brigas e os seus momentos brilhantes:nem todos os vinhos serão adequados para todas as comidas,naturalmente.
Gastronomia, por definição,respeita à culinária e às bebidas em geral mas a enogastromonia
junta duas artes e ciências numa só conjugação: a arte de fazer vinhos e a arte fazer comida.


Se quisermos objectivar poderemos dizer que a forma mais visível da enogastronomia será juntar os gastrónomos e os enófilos na apreciação conjunta e na combinação das várias criações das duas artes atrás referidas.

No restaurante, o que é que se escolhe primeiro? Normalmente é a comida e em seguida escolhe-se o vinho. Mas não tem que ser assim. Poderemos escolher um vinho que tenhamos curiosidade em provar e só depois pedir a comida que melhor combine com aquele
vinho. Isto porque as tais brigas atrás referidas poderão ser de tal ordem que ficarão os dois a perder: o bom vinho poderá ser aniquilado pela escolha do prato e vice-versa.


As combinações entre pratos de comida e vinhos não são rígidas pois as regras são apenas básicas.Também a forma como se cozinham os ingredientes condicionama escolha do vinho, não sendo apenas o facto de se tratar de um bacalhau (assado, cozido, com azeite, com puré, etc). O melhor para se combinar é conhecer o mais possível tanto o vinho com acomida e saber que os pratos não são estáticos. “O vinho… afasta as nossas preocupações e fornece-nosnovos motivos para acompanhar as refeições”, pois ele é parte integrante dela.
E o vinho do Dão? Da análise de vários factores intrínsecos aoseu terroir como os solos, os climas,
as castas, etc, os vinhos resultantes são frescos, frutados, de aromas finos e bocas delicadas e
persistentes sendo, por isso, provavelmente, os vinhos mais gastronómicos do mundo!
Não pare de experimentar, pois ao combinar pratos com diferentes vinhos terá dois mundos de surpresasbastante surpreendentes.


Não se esqueça de ter atenção às temperaturas do serviço, dos copos, e, claro, de boa companhia…


Já tentou ver o que diz o dicionário da língua portuguesa sobre enogastronomia?

João Paulo Gouveia – Docente de Viticultura
da Escola Superior Agrária de Viseu
e Grão-mestre da Confraria dos Enófilos do Dão



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Moscatel, feito pelo pai do Zé em 1944

Já várias vezes referi no meu blogue que o meu pai era vinhateiro. Tinha quintas, pessoal, tinha o João Pião que deu motivo ao meu conto sobre o jerico.
Recordo com saudades, a grandiosidade das Adegas, dos lagares, dos toneis, das pipas, dos barris, dos funis de madeira, das prensas de pedra para espremer os engaços, os chapéus dos trabalhadores sujos com o mosto, de uns anos para os outros, por transportarem à cabeça as uvas das camionetas para os lagares e a pisa cadenciada, sem cantares nem concertina (isso eram coisas do Norte), mas em alternativa havia sempre uma anedota mais picante que ás vezes roçava o ordinário.

O pai António, era um homem organizado e quando chegava os últimos dias de Julho pegava na sua pasteleira e ia visitar às Cabanas, povoação do Concelho de Palmela, onde um amigo de longa data era o seu representante na região para lhe dar dicas das propriedades onde as cepas estavam mais compostas e com perspectivas de bons cachos para fazerem vinho.
É que, para a quantidade que necessitava para fazer o precioso liquido, as uvas das suas propriedades não chegavam, tendo por isso de negociar com outros agricultores.
O Zé vivia habituado a tudo aquilo e ano pós ano o ritual repetia-se. Como eu recordo as uvas comprada na Barra Cheia, concelho do Barreiro a uma senhora solteira já a entrar na casa dos 60 anos, mulher do campo, que só uma vez sonhou em namorar, e até esse pretendente, não passava do Stº. Hilário, imaginário que a aguardaria num dos corredores do céu, no sentido de lhe pedir contas pelo facto de não ter arranjado marido para a ajudar nas lidas do campo.
O negócio foi de vulto, e a Senhora, convidada do meu pai, teve honras de embaixadora em representação da Barra Cheia para comer e ficar em nossa casa com a sobrinhita a um fim de semana, depois de receber o valor das arrobas de uvas que a sua quinta tinha produzido.
Já depois de deitadas, não recordo porquê, a mãe Julia teve necessidade de entrar no quatro. Bate, entra e depara com a Dnª Cesaltina com as suas próprias cuecas (tipo clótes) enfiada na cabeça, onde no sitio da “parrachita” aparecia uma mancha amarelada, fruto de uma mijadinha menos controlada. O Zé que tinha sido admoestado para não entrar, mas não fugiu à tentação de dar uma olhadela e como seria de esperar desatei a rir à gargalhada, pois as pernas da peça em causa não deixavam ver as orelhas.
Prometi a mim mesmo não contar a ninguém o que tinha visto, coisa digna de um filme-comédia italiano dos anos 60. Podem calcular que cumpri escrupulosamente e no outro dia não contei a ninguém , mas em conta partida não houve gato nem cão que não ouvisse da minha boca, a historia das cuecas enfiadas na cabeça.
Quantas vezes fui ao Efem Rodrigues, à rua da Prata em Lisboa, buscar as analise que com toda a regularidade o meu pai mandava fazer ao vinho e comprar produtos de correcção de forma a manter inalterável a qualidade do precioso néctar.
E até a mãe Júlia, aproveitada bem a ocasião para fazer um doce de uva, coisa que jamais comi de paladar tão requintado. Nada igual ao que já provei recentemente e adquirido em super mercado.
Em Monsaraz , quando numa extensão da visita que fiz a Alqueva, para apreciar a barragem que originou o maior lago artificial da Europa e que num futuro muito próximo se tornará no maior lago conspurcado do Mundo, tais são as imundices que por
ele flutuam, adquiri um frasco de doce de uva branca, que comprei imediatamente para fazer comparação com o que as minhas glândulas gustativas acusam, fiquei mais uma vez decepcionado.
Em traços gerais, estas são recordações que tenho das azáfamas do Vinho e dos meus tempos de menino.


Escrito por Zé do Cão.

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