quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O meu castelo preferido...Óbidos



(…) Decidi levantar-me. Abri o postigo da janela e espreitei. Que linda paisagem. Parecia tirada de um postal. No meio do verde da natureza e de abundantes flores lilazes, avistava-se ao longe uma das muitas muralhas desse castelo medieval. Os turistas já tiravam fotos lá de cima, e eu aqui, a esta hora, ainda em pijama. Decidi juntar-me a eles, para não ficar em casa a pensar demais.

(…) Passei primeiro pela Praça da Igreja Matriz de Santa Maria. É curioso que esta igreja já "teve" duas religiões diferentes, pois embora a tradição faça remontar a sua fundação ao período visigótico, foi transformada em mesquita no período muçulmano e novamente sagrada por D. Afonso Henriques, logo após a conquista da vila em 1148.

Subo as escadas junto ao Telheiro e vou dar ao pelourinho, lindamente esculpido numa coluna de pedra, que apresenta as marcas de uma argola de metal onde, provavelmente, os condenados seriam expostos para humilhação pública.

Contém também as Armas Reais e as armas pessoais da rainha D. Leonor de Lencastre (mulher de D. João II), onde se observa uma rede. Estas armas de D. Leonor foram, durante muito tempo, o brasão da Vila de Óbidos e representam as redes que recolheram o corpo, já sem vida, do Príncipe D. Afonso, único filho varão herdeiro de D. João II, morto por afogamento no rio Tejo, junto à cidade de Santarém.

O pelourinho encontra-se por cima do bonito Chafariz da Praça de Santa Maria.

Ou seja: por todo o lado há monumentos, arduamente esculpidos, por mãos hábeis do passado... E que belas obras de arte nos deixaram...

Por todo o lado turistas enchem a vila, procurando visitar todos os históricos recantos e encantos da mesma. Os vários dialectos escutados, misturam-se aos nossos ouvidos; até parece que estou na Torre de Babel, com tanta diversidade linguística espalhada pelas ruas.

(…) Parece que tudo aqui tem magia...

(…) Ora se está fora, ora se está dentro do castelo, (…) monumento nacional e uma das sete maravilhas de Portugal...

(…) E então ao subir todas estas escadas que levam ao cimo da muralha, imagino como seria a vida no tempo da rainha D. Leonor, que chegou a residir neste castelo. Cá em cima, quase que dá vertigens olhar lá para baixo, pois há muitos caminhos estreitos, irregulares, sem protecção e onde sopra um vento forte. Com os vestidos rodados e rendados que usavam antigamente, decerto não viriam cá para cima, vou eu pensando, à medida que caminho mesmo encostada à ameia, não vá o vento levar esta "pena" pelo ar, lol... Com certeza o cimo das muralhas apenas pertencia aos vigias, sempre atentos aos inimigos...

Se este castelo falasse, tanto que teria para contar...

Ele foi originariamente edificado pelos árabes, no local que já tinha sido ocupado por lusitanos, romanos e visigodos, e no contexto da expansão do território português e reconquista cristã da Península Ibérica.

D. Afonso Henriques tomou este castelo por volta de 1148.

No reinado de D. Sancho I, foram executadas obras neste castelo, que resistiu aos ataques e se manteve fiel ao rei D. Sancho II, durante a crise que levaria à sua deposição e subida ao trono de D. Afonso III.

Uma particularidade deste castelo é que depois de ter sido entregue pelo rei D. Dinis, como dote, à Rainha Santa Isabel, viria a fazer parte do dote das rainhas seguintes, chegando a ser residência da rainha D. Leonor, esposa de D. João II.

D. Manuel I, é responsável por importantes melhoramentos no castelo e na vila, sendo dessa época a reconstrução dos Paços do Alcaide. O terramoto de 1755 causou muitos danos ao castelo, mas ainda viria a desempenhar a sua função durante as invasões francesas, contribuindo para a derrota do exército francês.

Este foi e continua a ser até hoje um importante e glorioso castelo, que mantém suas muralhas imponentes e nos dá tantas, e tão belas fotos...

Quem entre em Óbidos, parece entrar num portal do tempo da nossa História; parece entrar num local mágico que nos reporta ao passado glorioso que tivémos...

As suas ruas são estreitas e limpas, as casas mantêm a traça tradicional, caiadas de branco com barras ora azuis, ora amarelas e com a maior parte das varandas floridas e coloridas.

Muitas são as lojas dedicadas à famosa e tradicional ginjinha, que graças à influência do Festival Internacional de Chocolate, passou a ser servida em copos ou pequenas chávenas de chocolate.

O comércio da vila é também marcado pelas lojas de artesanato tradicional e contemporâneo, produtos regionais, bordados, mantas, doces e compotas, vinhos, entre muitos outros produtos...

(…) Por altura do Festival medieval (…) Óbidos ganha ainda mais beleza e alegria, pois vivem-se ilustrações vivas do modo de viver no Passado.(…) Começa a cair a noite e nem dei pelo passar do tempo, pois por aqui vagueei sem destino, e me "perdi" com gosto…(…)

Escrito por Cristina R. do Blogue Brisa do alto da serra


Nota: Nota: porque quando me ponho a escrever me deixo ir, a Susana pediu-me que cortasse algumas partes do texto, porque estava muito grande, e com razão. Daí que quem tiver paciência e quiser ler o texto na íntegra, pode visitar-me em: http://brisadoaltodaserra.blogspot.com/. Bem haja!

O castelo de Óbidos é sem dúvida o meu castelo preferido. Seria impossível falar do castelo, e não falar da vila que dentro dele nasceu...

6 comentários:

  1. Olá, Cristina!
    Como já conhecia a estória, estava à espera para ver como se ia desenvencilhar perante os "regulamentos" cá da Aldeia. Eu também sofro da mesma "doença" e tem sido o cabo dos trabalhos para encolher os textos.
    Pois bem, lá se desenvencilhou!
    É uma estória e "peras"... loooonga mas bonita!
    O castelo podia ser outro que a descrição não variaria muito...
    No entanto, como conheço a parte "auto-censurada", é mesmo essa que vou comentar. Perdoe-me a inconveniência!

    Ao olhar para um castelo,
    faça sol ou quando chove,
    será ele sempre mais belo
    se estivermos “in love”!

    Castelo bem construído,
    muralha alta, poderosa
    nunca ele será vencido.
    É um castelo… cor de rosa!

    Em cada grande batalha
    não fica ninguém ferido!
    O arqueiro nunca falha.
    As setas são do Cupido!

    Abraço,
    João Celorico

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  2. Olá João,
    Há muito tempo que não concorria a estes passatempos da Aldeia. Como não vi limite de linhas, pensei: “olha, desta vez não há restrições”, e vai de escrever…
    Quando dei por mim, já tinha 3 páginas e achei melhor parar.
    Claro que na “censura” não passou tudo, lol. E a muito custo, acabei por cortar 1 página.
    É assim, quando nos deixamos “embalar”…
    Só é de admirar, é a pachorra de quem me conseguiu ler até ao fim, lol…
    É verdade, neste castelo “cor-de-rosa” fui apanhada em cheio pelo Cupido, por isso até podia falar de qualquer outro castelo, mas a verdade, é que foi este que me encantou…

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  3. Bem Amiga,que corte!!! mas quem quiser vai ler ao teu blog.E ora aqui estão,dois escritores natos,que quando começam a escrever,ninguem os para.Mas neste tipo de situações lá terá que ser não é?
    Que vença o melhor,pois o mais importante é o que damos a conhecer de nós... e do que é nosso.
    Esperei que fosse colocada aqui a história (ou será estória)do teu castelo preferido para o comentar.
    E que bela declaração de amor que recebeste!!!!
    Beijinho Cris e ao João Celorico um abraço
    Ana Bernardo

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  4. Oi, Cristina:
    Que castelo magnífico é o seu !

    Tentei ler seu blog, mas não consegui. Aliás, não é a primeira vez que tento, mas, o fundo fica escuro e não consigo ler o conteúdo.
    Que pena...

    Beijo

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  5. OLá!!!
    Estou passando aqui para dizer que estou sorteado uma linda caixinha de boneca de biscuit.

    Participe!!!

    http://robertaasouza.blogspot.com/


    Beijoss

    Roberta Souza

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  6. Estou a visitar alguns blogs, e tive o privilégio de encontrar o seu, vi na pagina inicial o que escreveu, e como gostei folheei mais algumas páginas e fiquei maravilhado pelo que vi e li.
    Dou-lhe os parabéns, mas queria deixar um apelo continue assim dando sempre o melhor, boas mensagens, bons temas. Gosto de escrever, mas também gosto de ler bons temas, por isso é que parei aqui.
    Meu nome é: António Batalha.
    Sou um servo de Deus,e deixo aqui a minha bênção,que haja paz,amor na sua vida, muita saúde e felicidade.
    PS. Se desejar seguir o meu humilde blog, Peregrino E Servo, fique á vontade, eu vou retribuir, se encontrar seu blog.

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