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domingo, 16 de maio de 2010

VISITA AO MUSEU DO BRINQUEDO


O Museu do Brinquedo está situado em Sintra, tem uma bela colecção internacional de brinquedos. A colecção foi crescendo, e conta actualmente, com cerca de 20 mil peças. Os brinquedos variam desde modelos de aviões, carros e comboios, incluindo conjuntos Hornby de 1930, a batalhões de soldados de brincar, bonecas e casas de boneca, brinquedos de folha e curiosos carros e soldados de corda, mas também há lugar para os brinquedos da última geração, como é o caso dos que estão relacionados com o filme Guerra das Estrelas.

Lembro-me dos poucos brinquedos que tive na minha infância, bonecas de trapos feitas por mim, de plástico, fazendo eu os vestidos, de um alguidar velho fazia a cama para as minhas bonecas e pouco mais.
Para mim os brinquedos ajudaram a crescer e a perceber o mundo, tornando-se essencial a sua ligação à História da Humanidade. Eles falam sempre de uma pessoa, de uma vida, de uma época. A intimidade, as modas, as guerras, as ideias, a política, a economia ligam-se eternamente ao que cada brinquedo traz dentro de si. Como se brincava e como se brinca? Como era o menino ou a menina que se encantou com aquele boneco ou soldado? O que se imitava ou se pretendia influenciar? A guerra ou a paz? Questões que neste Museu se partilha com todos os que o visitam, enriquecendo os seus conhecimentos.

Às vezes pensamos que levar os nossos filhos pequenos a um museu é quase uma loucura que será uma visita difícil tanto para ele como para nós. Não precisa de ser assim. Em primeiro lugar, se queremos começar a introduzir os nossos filhos no mundo dos museus, não deveremos agir como se eles fossem adultos. Trata-se de despertar o interesse da criança, não de incomodá-lo, devemos deixá-los ver e explorar, sem pressa cada peça. Assim, eu e o meu marido decidimos que o primeiro museu a visitar com as nossas filhas, fosse o Museu do Brinquedo em Sintra.

Neste dia estava patente uma exposição de bonecas a Bárbie. Aproveitamos esta exposição para que o primeiro impacto com o museu fosse uma recordação maravilhosa e neste contexto poder explicar -lhes o que era um museu. Aproveitámos para mais uma vez explicar as nossas filhas que nem todos os meninos tinham direito ao brinquedo, que nem sempre ouve bonecas como elas tinham e têm, uma vez que neste museu se encontram brinquedos fabricados deste os tempos mais remotos, como, por exemplo as bonecas de trapos e carros de madeira como a que nós tivemos na infância. Deve-se ir passo a passo, apresentando a actividade cultural como um espaço lúdico no qual a imaginação da criança e a vontade de participar tenha grande importância. Visitar museus ou monumentos faz parte dos nossos passeios em família.

Aproveito para informar que está patente no Museu do Brinquedo de Sintra uma nova exposição até 25 de Maio, intitulada "Brinquedos Artesanais e Pintura de Pedro Afonso". Além de outras exposições ao longo do ano.

Escrito por Eugénia Santa Cruz, do blog Cortecega - Notícias da Minha Terra
 
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sexta-feira, 16 de abril de 2010

A PÁSCOA NA MINHA ALDEIA

 
No domingo que antecede a Páscoa é o Domingo de Ramos, celebra-se uma missa com a bênção dos ramos, Na minha vila há uma procissão da igreja da Misericórdia no pombal até à igreja Matriz, esta é acompanhada pela Banda Filarmónica Goiense.
Durante a semana fazem-se algumas cerimónias tais como: a última Ceia de Jesus com os Apóstolos, na quinta-feira, e na sexta, há a procissão do Senhor dos passos que dá a volta à vila e a adoração da Cruz. No sábado à noite há a missa da Ressurreição.

Chegou o domingo de Páscoa! Na minha aldeia no Domingo de Páscoa, todas as pessoas se levantam cedo, fazem alguns bolos como: pão-de-ló, algumas sobremesas como: aletria, arroz doce e filhós, deitam o cabrito ao forno com as batatas assadas e preparam a mesa da sala com uma toalha branca e sobre ela colocam os pratos talheres e copos. Vão à missa com a sua roupa nova. Quando regressam já o cabrito está pronto, a mesa posta, é só reunir a família e ir para a mesa. Depois do almoço toca a preparar a mesa com toalhas de renda ou linho bordadas à mão. “Põe-se a mesa para o padre”. Pão-de-ló, amêndoas, filhós, queijo fresco e vinho, para tudo estar pronto para receber a compasso.

À tarde, esperamos em nossa casa ou junto à primeira casa que vai ser visitada pelo senhor padre e os seus ajudantes, que percorrem todas as casas para beijar a Cruz (o chamado compasso). Para anunciarem que estão a chegar à aldeia as crianças tocam o sino da capela.

As portas das casas estão enfeitadas com ramos de alecrim e Loureiro nas portas e paredes, tapetes de alecrim e louro folhas de camélias para o Sr. Padre saber que ali se entra. No compasso vai o Sr. Padre e um grupo de crianças e adultos. Uma pessoa leva um crucifixo florido, outra leva a água benta, outra leva a sineta e outra vai com um saco para meter o dinheiro, Todos a cantar a canção: “Jesus ressuscitou (…)!

O Sr. Padre entra e com água benta, benze a casa dizendo “hoje é o dia em que o Sr. Ressuscitou aleluia, aleluia, aleluia”. Cumprimenta os donos da casa e família directa. A pessoa que leva a cruz eleva-a à família e aos presentes para todos darem um beijinho no Jesus.

Um dos ajudantes recolhe o dinheiro para o saco, outros as amêndoas, que no final distribui pelas criancinhas. Em seguida, vamos também para a casa dos vizinhos e familiares beijar o Jesus. Depois, na última casa os donos dessa casa oferecem o lanche a todos. Na minha aldeia é quase sempre em casa da Beatriz, que a todos brinda com as suas iguarias. O dia termina com confraternização com as pessoas juntas a festejar a ressurreição do senhor.

No Domingo de Pascoa também se dá o folar aos afilhados, na minha aldeia os afilhados oferecem aos padrinhos o ramo que foi benzido Domingo de Ramos, e os padrinhos dão aos afilhados, roupa de vestir, ou para o enxoval, dinheiro e o chamado folar (bolo doce com um ovo).

E é assim a pascoa na minha aldeia.

Escrito por Eugénia Santa Cruz, do blog Cortecega - Notícias da minha Terra
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domingo, 14 de março de 2010

"ALDEIA ONDE NASCEU O MEU PAI."


Escrever algo sobre a aldeia onde o meu pai nasceu não é difícil, pois é das aldeias mais bonitas de Portugal, é a minha aldeia. Mas antes quero falar do maravilhoso ser que era o meu Pai de nome Arlindo Santa Cruz. Nasceu a 17 de Março de 1932, um dos mais novos de sete irmãos. Homem de estatura baixa, lindos olhos azuis, amigo de todos. Para o meu pai tudo estava bem, de um coração do tamanho do mundo, estava sempre pronto a ajudar o próximo, um grande pai.

O meu pai morreu muito novo, mas deixou-me muitas mensagens (valores) que ainda hoje regem a minha vida, uma delas tem a ver com o dia em que saiu de casa para honrar um compromisso e não mais voltou. No dia anterior tinha se comprometido após muita existência por parte de o antigo patrão em o ir desenrascar e acabar umas janelas que só ele sabia fazer, pois era um excelente marceneiro. No dia seguinte, acordou muito doente e a minha mãe disse-lhe:
-Arlindo não vás trabalhar, estás tão doente! Nós cá nos arranjamos sem esse dinheiro.
Ele respondeu: - Mulher, eu comprometi-me e já o meu pai dizia que vale mais a palavra que o dinheiro e eu quero honrar o meu compromisso. Foi ao nosso quarto despediu-se dos filhos e prometeu trazer (chaços) rebuçados. Morreu nesse dia, atropelado por uma mota ao regressar do trabalho.

O meu pai, rumou a Lisboa nos anos 40 para trabalhar numa carpintaria no alto de S. João: “CARPINTARIA MELÃO”. Entretanto, como gostava da minha mãe regressou a aldeia para casar. Mais tarde a minha mãe e a minha irmã mais velha vieram ter com meu pai a Lisboa, mas um ano depois regressaram novamente à aldeia. Foi trabalhar para a oficina que se mudou de Lisboa para Góis e ali viveu até dia 30 de Setembro de 1976 dia em que faleceu. Tiveram 6 filhos, quatro rapazes e duas raparigas.

Falar da aldeia de Cortecega, é dizer que é uma aldeia pequenina, situada no interior de Portugal a 4 km da linda vila de Gois, seu concelho, a 40 km da Cidade dos (Doutores) Coimbra, seu Distrito. Tem o privilégio de estar rodeada de vales e montes verdejantes, casas de Xisto, pintadas de branco, amarelo e azul, ruas e caminhos limpos. O Rio Ceira passa a seus pés com suas águas límpidas e cintilantes.
Recebe bem quem a visita, agora com poucos habitantes. Mas, já teve muita gente, chegou a haver um grupo folclórico com cerca de 30 elementos todos desta aldeia, éramos todos família, porque todos os irmãos/ãs do meu pai casaram com irmãos/ãs da minha mãe, outros casaram com pessoas da terra, assim, mais tarde os seus descendentes era quase tudo família. (…)


Escrito por Eugénia Santa Cruz, do blog Cortecega – Notícias da Minha Terra
A versão completa deste texto encontra-se no respectivo blog.

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

O CARNAVAL E AS SUAS TRADIÇÕES‏



Na minha aldeia o Entrudo ou Carnaval como hoje é chamado vivia-se de forma simples. Procurava-se roupa e objectos velhos, algo que escondesse o rosto e de seguida brincava-se… Reuníamo-nos todos uns dias antes para combinar-mos de que maneira nos íamos mascarar. Tudo nos servia para fantasiar. Então, decidida qual a fantasia de cada um, começava o "assalto" à arca da roupa dos familiares, em busca dos adereços adequados, e cada qual se revestia da personagem escolhida. Uma era a noiva, outra a velhinha, os meninos vestiam-se de pedintes, velhos, coxos, marrecos, barrigudos… cada um se fantasiava nas suas personagens favoritas e conforme a roupa e a ocasião assim o inspirassem. Também fazíamos espantalhos em tecido e palha para colocar na porta das pessoas na noite de Carnaval.
De manhã ao abrir a porta, o espantalho caía e as pessoas assustavam-se e gritavam. Outra das brincadeiras era prender as portas das casas dos vizinhos umas às outras com cordas. De manhã cedo lá estávamos nós a espreitar a reacção de cada um. Gerava-se logo ali um alvoroço tremendo:

- Ò tia Maria, ò comadre, valha-me Deus, venha-me abrir a porta, ai aqueles malandros prenderam-ma. - Não posso! A minha está presa também. E lá ia um de nós abrir a porta, sem que ninguém nos visse. Na rua mais abaixo ouvia-se o grito da comadre Aiiiiii -Tinha sido o espantalho que caiu em cima da tia Antónia.

Em cortejo pelas ruas da aldeia e das aldeias próximas, lá ia-mos nós visitando casa a casa onde tudo era permitido: Cantar quadras espirituosas sobre os habitantes dessas aldeias, atormentar as velhas e seduzir as novas!

Viva o António e a MariaPois,
a ninguém fazem mal
A bebedeira é só uma
De Carnaval a Carnaval

Ó Manuel tu és jeitoso
Cortejas uma bota feia
A tua mãe é marreca
O teu pai namora toda a aldeia

A identificação de cada um, era um dos segredos mais bem guardados, e os comentários dos vizinhos provocavam as mais engraçadas gargalhadas, ao nos confundirem uns com os outros. Então, como recompensa pela diversão proporcionada, todos nos ofereciam algum presente, geralmente coisas para comer, ou dinheiro, podiam ser ovos, chouriço, frutas, ou outros. E o desfile findava no largo da aldeia, onde se fazia um lanche geral, com os presentes ganhos, no qual todos ríamos e contávamos vezes sem conta, as peripécias da tarde. No largo era colocado um pau envolvido com muita palha, na ponta tinha um boneco de uma velha. Este era incendiado há meia-noite e fazia-se o enterro da velha. E assim chegava a hora da má-língua, todos tinham a liberdade de dizer o que não diziam ao longo do ano fosse mal do vizinho ou do governo.

Oiça lá minha senhora
Se não anda com homem casado
Porque vai fora d`horas
Para o lado do adro…

E era assim o Entrudo (Carnaval) dos meus tempos de juventude. Hoje é vivido de maneira bem diferente.

Escrito por Eugénia Santa Cruz, do blog Cortecega-Notícias da Minha Terra
 
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

VAMOS CANTAR AS JANEIRAS EM CORTECEGA


Rancho Folclórico de Cortecega

Janeiras são uma tradição muito antiga que vai passando de geração em geração. Na minha aldeia essa tradição manteve-se até há alguns anos atrás, mas em muitas aldeias de Portugal esta tradição está viva, felizmente!

Bem, vou contar como era no tempo em que vivia na aldeia onde nasci (Cortecega). Existia um grupo folclórico do qual eu fazia parte e por altura dos Reis lá ia-mos nós pedir as Janeiras. Na noite de Reis, formavam-se dois grupos de pessoas. Um grupo percorria as ruas da aldeia e o outro ia à povoação mais perto (neste caso a Cabreira) indo de casa em casa, cantando e tocando alguns instrumentos, como pandeireta, ferrinhos, tambor, concertina, desejando, assim, um bom ano aos seus vizinhos cantando quadras como estas.

Boas noites, meus senhores
Boas noites vimos dar
Vimos pedir as Janeiras
Se no-las quiserem dar
***
Aqui vimos, aqui vimos
Aqui vimos bem sabeis
Vimos dar as boas festas
E também cantar os Reis
Mas como a porta tarda em abrir-se…
Levante-se daí Senhora
Do seu banco de cortiça
Venha-nos dar as janeiras
Ou de carne ou de chouriça
***
Viva lá o Senhor António
Raminho de bem-querer
Traga lá a chave da adega
Venha-nos dar de beber
De uma maneira geral as gentes da casa acediam, e então tinham direito a agradecimento:
As janeiras que nos deram
Deus será o pagador
Queira Deus que para o ano
Nos faça o mesmo favor
Mas também podia acontecer “não haver nada para ninguém”. Então…
Cantemos e recontemos
Tornemos a recontar
Esta barba de farelos
Não tem nada para nos dar

Terminada a canção numa casa, esperava-se que os donos nos dessem as janeiras (castanhas, nozes, maçãs, batatas, carne de porco chouriço, morcela, porque tinha sido altura das “matanças”, etc.). Dinheiro não se dava, mas caso alguém o fizesse era para ajudar a comprar o que faltava paro o almoço de dia de Reis.
No dia de Reis o povo juntava-se no largo da aldeia. Preparava-se a lenha que tinha estado a arder no largo desde a noite de Natal, onde eram colocadas as panelas de ferros onde se cozia a batatas, a carne, as chouriças, dadas na noite anterior. Preparava-se as couves que ainda de noite tínhamos sido (desviadas da horta do vizinho) e em festa todos, bebiam e cantavam. No caso de alguém da terra não ter dado nada aquando do peditório, nós íamos ao galinheiro e (desviava-mos uma galinha), quem pagava as favas era a raposa, pois tinha sido ela que tinha ido a capoeira. A pessoa era convidada para a festa e só tempos mais tarde lhe era dito quem foi à capoeira (era uma risada).
Era uma confraternização que unia as pessoas e que hoje recordo com saudades. Muitas vezes são tema de conversa quando nos encontramos e revivemos o passado, principalmente no verão, altura de férias.

Escrito por Eugénia Santa Cruz, do blog Cortecega – Notícias da Minha Terra

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