Vista Parcial de Longroiva
Mas é da aldeia de Longroiva onde encontro mais afinidades, pela sua História, pela qual me apaixonei . Em cada dia que passa, não pára de me surpreender, com as descobertas feitas na região, cuja passagem humana remonta desde os tempos da Idade do Ferro, passando pelos tempos romanos, seguidos dos tempos da emergência da nacionalidade portuguesa. Foi com os Templários que esta terra teve o seu papel fulcral na defesa portuguesa, contra mouros e castelhanos. No entanto, pouco resta daquilo que foi outrora, senão a torre de menagem e a Igreja Matriz que continuam intactos, ao longo de 8 séculos de História. Esta parece ter ficado cada vez mais esquecida e desvalorizada, a cada geração que passa.
Da aldeia tenho algumas pequenas histórias para contar, pois foi o elo de ligação entre a família dos meus avós paternos e maternos. Longroiva é uma freguesia, onde fazem parte pequenas quintas e lugares como a Pestana, terra da minha mãe, e a Quinta dos Falhas, terra do meu pai. Foi em Longroiva que os meus avós e os meus pais se casaram e nós (eu e a minha irmã) fomos baptizadas pelo Padre António, que já faleceu há alguns anos.
Foi na Escola Primária de Longroiva onde os meus tios aprenderam as primeiras letras e números, assim como eu estive, desde a segunda à quarta-classe, enquanto a minha mãe leccionava, noutra sala ao lado. Os primeiros companheiros tive-os nessa escola, como a Raquel ou o Jean Louis, a Luísa, a Sónia, que na maioria deles perdi o contacto. Já foi uma escola cheia de miúdos, com as duas salas e um Jardim de Infância. Hoje está fechada, por falta deles…
Momentos festivos, como o Natal, o Ano Novo, a Páscoa ou a Festa da Nossa Senhora do Torrão em Setembro (anual: 7, 8 e 9 de Setembro) eram vividos intensamente pela família, que aproveitava esses dias para se encontrarem. Dessas festas, vêm à memória momentos das tradições: não me esquece a forma como as senhoras cantavam os cânticos na Igreja, que não deixava ninguém indiferente...pois entravam e ficavam bem impregnadas no ouvido…mesmo que não quiséssemos… como aquela em que o pastor coloca um rebanho de ovelhas a correrem em volta da capela vezes sem conta; aquelas bandas da fanfarra que passavam pelas ruas a tocar e os foguetes a arrebentar, logo de manhã, para acordar o povo ou aquele meu tio Eurico que, com aquela voz capaz de ser audível bem longe dali, aproveitava para ajudar os mordomos da festa na arrematação das prendas, enquanto bebia o seu sagrado vinho tinto.
Longroiva é uma região importante pelo facto de ter as Termas de Longroiva, especialista em tratamentos para os ossos e de pertencer à Região Demarcada do Douro.
Vale da Veiga
É no Vale da Veiga que começa a região do famoso Vinho do Porto, onde os meus avós foram produtores e os meus pais continuam a actividade. Infelizmente o Vale da Veiga parece ter os seus dias contados…o governo pretende destruir o que de melhor existe nesta região para aí construir a famosa IP2. Quando isso acontecer, grande parte da produção vinícola de Longroiva ficará irremediavelmente perdida.
É triste sabermos que, neste momento, não é só o património construído, o único ameaçado de esquecimento e de desvalorização, o património paisagístico que compõe a região pela sua beleza ímpar protagonizada pelas Videiras, Oliveiras e Amendoeiras, enfrenta também este problema. É um problema que irá contribuir para que a desertificação tenha um impacto ainda maior e mais negativo para esta região.
Esperemos que até lá ainda haja tempo para voltar atrás para repensar nas estratégias que possam beneficiar as populações, e não prejudicá-las. Para que os jovens que escolheram ficar a viver e apostar na sua terra não se sintam traídos.
Esses jovens, como eu escolheram ficar, com muita coragem.
Com muita coragem eu resolvi sair.
Com muita coragem eu resolvi sair.
De lá levo recordações, mas espero um dia voltar, para fazer aí a minha vida com a minha família, que entretanto formei.
Até lá ficam apenas a intenção e as recordações.
Escrito por Susana Falhas*
Longroiva/ Mêda/ Guarda
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*Sócia da Olho de Turista Lda
Não se preocupem , que eu não vou concorrer ao prémio!
Não podia deixar de participar e dar a conhecer a todos a minha aldeia.
