(Cabo da Roca - Farol)
Confesso que não sou muito “chegado” a museus. Não porque não goste de ver o que neles se expõe, tanto mais que é a hipótese (quase única) de ver obras e peças que de outro modo jamais teria possibilidades de apreciar. Não é nada disso. Uns há que têm vindo a melhorar exibindo algum dinamismo, mas outros lembram-me velórios onde quadros e estátuas parecem definhar num ambiente às vezes sombrio e cheirando a mofo. E também porque tal como o conto, por mais dourada que seja, gaiola é sempre gaiola...
Porque nasci junto ao mar e me acostumei a “ter praias ao pé da porta” prefiro naturalmente locais exteriores, abertos, solarengos …!
Lugares onde a linha do horizonte “esteja lá longe”, deixando por isso abundante espaço por onde passear a vista.
Não admira, pois, que na falta de uma fotografia (um dos requisitos) do promontório de Sagres, escolha o cabo da Roca que visitei (mais uma vez) neste último fim-de-semana.
Em qualquer época do ano é um dos lugares mais agrestes e ao mesmo tempo mais belo e espectacular de Portugal.
Tanto nos dias de sol e calor, sem vento, como nos dias em que o vento sopra, às vezes com violência, mas também nos sombrios dias chuvosos quando até parece que as nuvens estão (mesmo) sobre as nossas cabeças, o vento rugindo parecendo querer levar-nos com ele.
Tudo isto pode ser representado num quadro; eu sei que pode!
Mas, por mais perfeito que esse quadro seja, não se pode sentir.
(Não sei como explicar porque é que é no Outono/Inverno que mais aprecio estes lugares, inóspitos! Precisamente quando mais ninguém (?) os visita).
Escrito por José da Luz, do blog Bagos de Milho
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