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segunda-feira, 10 de maio de 2010

MUSEUS AO AR LIVRE NO BRASIL E EM PORTUGAL

OURO PRETO FOI A PRIMEIRA CIDADE BRASILEIRA E UMA DAS PRIMEIRAS DO MUNDO, A SER DECLARADA PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE PELA UNESCO.

Isto orgulha-nos a todos nós – Portugueses e Brasileiros – porque, aliando a riqueza aurífera local à sabedoria dos colonizadores e ao trabalho árduo dos nativos e à inteligência de todos, construiu-se, ali, em OURO PRETO, junto às minas de ouro, o melhor e maior Museu do Brasil e de Portugal.

Os primeiros Mestres d´Arte partiram da Região de Braga e foi ali que iniciaram um dos mais importantes artistas brasileiros de todos os tempos, o célebre “Aleijadinho “, cuja obra impressiona a cidade pela beleza dos seus museus e igrejas. Passear pelas ruas centenárias é como viajar no tempo pela história de Minas Gerais. A Igreja de São Francisco de Assis e outras, o Museu da Inconfidência, do Oratório e a Casa dos Contos são algumas das muitas atracções. Todo o Estado de Minas Gerais tem um reflexo histórico directo de Portugal, tudo muito bem conservado e encantador. Está ali um testemunho vivo de que os Portugueses não estiveram lá só para rapinar o ouro.

MARIANA, primeira cidade de Minas Gerais revela aspectos característicos do Barroco. Essa arquitectura está representada na Praça Minas Gerais, onde estão lado a lado as Igrejas de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora do Carmo. Uma das atracções é o órgão Arp Schnitger, que está na catedral de Nossa Senhora da Assunção. Construído em 1701, na Alemanha, chegou a Mariana em 1753, como presente da Coroa Portuguesa. Hoje, é o único exemplar, dos trinta fabricados, existente fora da Europa.

A Cidade de CONGONHAS guarda um dos mais relevantes conjuntos religiosos do Brasil colonial: o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Ali se destacam as estátuas dos doze apóstolos do escultor “Aleijadinho”, obra que em 1985, recebeu o título de Património da Humanidade, pela Unesco. Aqui está um verdadeiro Centro de Arte.

Há uma relação muito próxima entre Museus brasileiros e portugueses, sob os mais variados pontos de vista, que não vamos enumerar. Direi apenas que o de Arqueologia está instalado no Mosteiro dos Jerónimos, e o museu dos Coches, ricamente construídos e dourados, são um testemunho desse Ouro proveniente do Brasil.

Um jovem estudante de Ouro Preto, Bruno Figueiredo, quando num fim de tarde chuvoso e escuro, teve a gentileza de me acompanhar ao hotel, porque estava perdido, me disse que estava a fazer um “Curso de Museologia e Preservação do Património numa Universidade Norueguesa” porque queria elaborar um projecto de museu invulgar que correspondesse a todas as valências mineiras auríferas, históricas e patrimoniais existentes na sua terra natal. Espero que esse sonho se transforme rapidamente em realidade e que o exemplo dele seja seguido por outros Estados. Será um privilégio para Portugueses e Brasileiros demonstrar aos Estados Modernos que é em paz e fraternidade que se honram as origens e se constrói o futuro. As bombas, guerras e guerrilhas só servem para destruir e alimentar ódios e invejas.

Aqui deixamos um aceno de simpatia a todos os Brasileiros e lhes damos os parabéns pela maneira como preservam os seus Monumentos e se preocupam com o Ambiente. Testemunhei tudo isto há muito pouco tempo.
Visite os Museus e os Monumentos Nacionais. E não se esqueça que muitas das igrejas e capelas das nossas aldeias e cidades foram construídas com o patrocínio de emigrantes residentes ou vindos do Brasil.

Escrito por Artur Monteiro do Couto, do blog Beleza Serrana

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quarta-feira, 14 de abril de 2010

A PÁSCOA NUMA ALDEIA TRANSMONTANA

CALVÁRIO NA ALDEIA DE SAPIÃOS, concelho de Boticas

Segundo a tradição Cristã, na Semana Santa, os fiéis costumam recordar a Via Sacra de Jesus Cristo, numa espécie de solidariedade com ele pelo sofrimento que teve, para benefício espiritual e material da Humanidade.

A fé, a devoção e o reconhecimento foram publicamente manifestadas neste monumento que se prolonga desde a Igreja Paroquial até aqui, e este percurso é feito a pé, cantando e rezando junto de cada cruz, utilizando textos (bíblicos e populares) alusivos à Paixão. Os cânticos são uma mensagem sentida que mexe com a sensibilidade mais profunda dos participantes. Destacamos o “Bendito da Paixão”, que faz parte de uma recolha nacional de música etnográfica portuguesa feita pelo musicólogo e advogado Dr. José Alberto Sardinha, estando publicado no CD/Portugal Raízes Musicais (Trás-os-Montes), editado em15 de Fevereiro de 1997 pelo Jornal de Notícias do Porto.

No Domingo de Páscoa, celebra-se a Ressurreição e dá-se testemunho da mesma, visitando todas as famílias da comunidade, iniciando-se a saudação com a palavra Aleluia, Aleluia, Aleluia – o Senhor ressuscitou !... Boas festas… e os visitados repetem: Aleluia; beijam a Cruz adornada com flores, trocam-se umas breves palavras de amizade familiar e os donos da casa oferecem folar, pão-de-ló e vinho fino (Porto). Geralmente, não aceitam com receio de toldar o equilíbrio dos bebedores…

E, de porta em porta, ao som do tilintar da campainha, o Compasso presidido pelo Pároco, vai levando uma mensagem de amor, de solidariedade, de festa e de convívio fraterno.

Ao almoço, come-se o tradicional cordeiro ou cabrito, seguindo-se as recomendações narradas no livro bíblico «Êxodo», que relata a libertação do Povo Judaico do domínio dos Egípcios, - passagem da escravatura à liberdade =Páscoa.

Desejamos boa Páscoa a todas as Famílias e a paz e felicidade, subjacentes a este acontecimento, aos que, na celebração deste aniversário 2010, estão a sentir, na carne, as dificuldades económicas e desilusões que milhões de portugueses.

Escrito por Artur Monteiro do Couto, do blog Beleza Serrana

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sexta-feira, 12 de março de 2010

A REALIDADE DE ALGUNS PAIS

(Imagem retirada da Internet)

A história que vou contar tem personagens reais e os Pais estão presentes.
Ei-la: uns camponeses pobres saíram da aldeia e rumaram à região da Grande Lisboa à procura de trabalho que lhes melhorasse o presente e garantisse o futuro.

Instalados numa barraca simples dos arredores da capital, chegaram a arrepender-se por terem trocado o casebre de granito e telhas por umas paredes de esferovite cobertas de plástico. Mas a esperança é a última a morrer, assim aprenderam com os simples da aldeia. E começaram a sonhar que um dia poderiam ter uma vivenda com flores e uma garagem para o carro… Vamos ao trabalho que a nossa vida tem de dar uma volta.
Por sugestão de uns vizinhos, ela começou a trabalhar a dias e ele em serviços de limpeza. Eram fortes e saudáveis. Podiam trabalhar o dobro das horas daqueles que nasceram embalados pela moleza da cidade. E trabalharam, trabalharam e pouparam, que os vizinhos pobres ficaram admirados com eles e iam comentando: estes montanheses, a trabalhar e a poupar assim, qualquer dia saem daqui. E saíram. Foram viver para uma casa decente, com água, esgotos e electricidade. O sorriso voltou aos seus rostos e a ideia de um dia ter uma vivenda não lhes saiu da cabeça. Com algumas poupanças amealhadas, compraram um lote de terreno onde ainda pastavam as cabras e as ovelhas. Este, ficou intacto e imutável durante algum tempo. A conta no banco foi crescendo e quando, passados anos, puderam realizar o seu sonho, começaram a fazer muros em volta, a plantar árvores e roseiras. A seguir, nasce a vivenda dos seus sonhos. Tinha acabado de fazer anos uma filha, fruto do amor do casal. Foi uma festa bonita. Como era filha única, pensaram: e se puséssemos a casa em nome da nossa filha para ela não vir a ter problemas depois de nós morrermos… Assim fizeram; a jovem passava a ter aquilo que os pais nunca tiveram na vida, a não ser o sonho.

Entretanto, a filha era já uma jovem senhora e os Pais estavam mais velhos e cansados. Como já tinham casa, emprego e umas magras poupanças para irem à festa da «Terra», disseram à menina dos olhos deles: nós vamos à aldeia e voltamos na terça-feira. Tens tudo o que te faz falta no frigorífico e dinheiro no lugar do costume. E partiram felizes. No domingo, a procissão saiu à rua, como era habitual, e à noite dançaram no arraial. Na segunda-feira, com saudades da filha, voltaram um dia antes do combinado.
A viagem correu bem mas ao chegarem a casa encontraram uma surpresa: ao entrarem no quarto da sua prendada menina, encontraram-na deitada, nos lençóis de linho, abraçada ao namorado, despida e desgrenhada. O coração da mãe ficou mais negro do que as vestes do luto das viúvas; e o do Pai, mais gelado do que as pistas de gelo da Serra da Estrela. Uma desilusão total, mas o pior ainda estava para vir. (…)

Escrito por Artur Monteiro do Couto, do blog Beleza Serrana
A versão completa do texto encontra-se no respectivo blog.

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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

CANTAR DAS JANEIRAS EM TRÁS-OS-MONTES


II
Quem diremos nós que viva,
Ora viva, viva quem?
Vivam os Senhores desta Casa
E mais quem lhes quiser bem.

III
'Inda agora cá chegámos,
E não queremos ficar mal:
Vivam os Senhores e os Filhos.
Vivam todos em geral.

IV
Se nos querem dar os Reis,
Não estejam a demorar:
Somos peregrinos de longe,
Temos muito para andar!...

Refrão

Somos de longe,
Do fim do Mundo;
Dai-nos bom vinho
E bom presunto.
Somos de longe,
De além Marão...
P'ra acompanhar,
Dai-nos bom pão.

Nota: No mundo rural transmontano, as Janeiras, propriamente ditas, surgem como nós poderíamos dizer, sorrindo, uma inovação burguesa... Basta analisar o sentido dos textos que vão ser transcritos na blogagem colectiva (Festa dos Reis que foram adorar o Menino).


Escrito por Artur Monteiro do Couto, do blog Beleza Serrana
com a coordenação de Marcelo Brandão e da Casa de Trás-Os-Montes e Alto Douro de Lisboa.

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