Nas minhas férias, não vou de férias. Estarei por aqui, junto às lajes da ribeira, onde passa alguma gente do tempo da minha mãe, a correr atrás do gado, empunhando um cajado, à moda de antigamente.
- Olha lá. Não é por precisão. É um vício entranhado no fundo do coração. Eu só tenho seis cabritas. Gosto de ter um gádito. Escusas de ficar aflito.
À tarde deixo a ribeira e subo ao povoado. As ruas da minha terra são todas muito estreitinhas, desde a entrada até ao cabo. Os carros ficam ao largo, as pessoas estão lá dentro. Vive tudo sossegado. Ali, o povo convive. Não discute. Sobrevive. Bebe um copo e cruza a perna à porta duma taberna.
- Ó pá, assa aí umas sardinhas.
Olhem bem, isto só visto! Ao que a gente se habitua! Jogar cartas em plena rua, juntinho às casas de xisto e sem carros a passar! E a água do regadio? Passa junto ao casario, bem limpinha, ali no rego. Isto aqui é um sossego!
A não ser que algo aconteça, vou passar as minhas férias na aldeia de Cabeça. Fica em Seia, Serra da Estrela. Gente da cidade, aqui…nem vê-la!
Escrito por José pinto, do Blogue Cabeça Web
Terra: Cabeça, Concelho de Seia, Distrito de Guarda, Portugal
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