quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O CARNAVAL E AS SUAS TRADIÇÕES


Adivinhem lá qual vai ser o disfarce da Aldeia este ano? Hum…não podemos revelar antecipadamente… Foliões, já estão preparados? Aqui, também iremos ter um desfile. No dia 10, teremos o cortejo de textos da Blogagem de Fevereiro. Tudo cheio de cor e folia, música e alegria. A diversão está prometida. O Entrudo anda escondido. Vamos sambar, vamos dançar o Vira. Ninguém levará a mal, pois é Carnaval!

Apesar de não ser grande apreciadora do Carnaval, decidi investigar os seus segredos. Sabiam que este período de festas era marcado pelo "adeus à carne", daí o nome "Carnaval". E nesse momento, juntavam-se vários festejos populares. Cada cidade tinha costumes e brincadeiras diferentes. No entanto, o Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, resulta do século XIX, através da sociedade vitoriana. E mais, fiquei espantada quando li que a cidade de Paris “foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo” e que cidades como Nice, Nova Orléans, Toronto e Rio de Janeiro nela se inspiraram. Actualmente, nada resta disso na capital francesa. E nas vossas cidades, vilas e aldeias? O que subsiste da quadra carnavalesca? Vamos fazer do Desfile da Aldeia, o maior do Mundo! De pluma na mão, venham daí mascarados para a melhor Parada de histórias e contos de “Carnaval e as suas tradições”!

Recordo: o texto tem um limite de 25 linhas e deve ser acompanhado de foto, título e link do respectivo blog. Pode sempre incluir um vídeo no lugar da foto ou dar o link do mesmo. Não se esqueça de enviar tudo direitinho para o mail aminhaldeia@sapo.pt até dia 8 de Fevereiro!
*
Entretanto, aproveite para comentar os textos da Blogagem de Janeiro e neles votar. Pois, estamos ansiosas por descobrir os nomes dos 3 felizardos que irão pernoitar no Hotel Mira Serra e degustar um óptimo pequeno-almoço com vista para a Serra da Estrela!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

AS JANEIRAS DOS “BAZÓFIAS”




Vale de Azares, 1 de Janeiro de 2010. Já o sol ia alto e mais uma vez a aldeia entra em festa para o novo ano! O estandarte abre caminho - Alto! Que lá vem a nossa banda de música - diz quem passa. As tubas definem o alinhamento das filas marchando, os bombardinos com um timbre maravilhoso completam a harmonia enquanto os trombones marcam a contratempo. Atrás, o coro, também ele constituído por membros da Banda Filarmónica, iam andando.

As pessoas aplaudiram, deitaram flores das janelas e deram-nos momentos fantásticos. a todas as casas que íamos, o coro passava para a dianteira da banda e cantavamse as janeiras e em todas as casas fomos bem recebidos. Os senhores iam à adega buscar um "tintinho" ou uma "aguinha ardente", as senhoras traziam filhós e rissóis enquanto que o cheiro a lenha queimada que ainda permanecia da fogueira de Natal nos trazia as lembranças da semana anterior. Outros preferiam dar dinheiro para a Associação o que também dá para aliviar as despesas.

São mais de 200 anos ao serviço da música e da cultura honrando o povo e a freguesia de Vale de Azares é assim que se pode definir aquela que é a única banda do concelho de Celorico da Beira, a Banda Filarmónica da Associação Juvenil "Os Bazófias" de Vale de Azares que todos os anos, assim como este, sai à rua para cantar as janeiras e desejar um bom ano ao seu povo. Na nossa associação só "trabalhamos" com um fim: o de divulgar a música fazendo o que mais gostamos e as janeiras não são excepção.

Escrito por Carla Santos, do blog Banda Filarmónica “Os Bazófias” de Vale de Azares e membro da Banda

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domingo, 24 de janeiro de 2010

PÁROCO DA ALDEIA, AS ABÓBORAS E O PORCO


(Imagem tirada da Internet)

Eu nunca fui boa peça e, desde muito cedo gostei de fazer brincadeiras, embora algumas para certas pessoas fossem de mau gosto.

Certo dia, eu e um grupinho da minha idade, passamos junto à casa do pároco da aldeia. Isto já lá vão muitos anos e, verificamos que sobre a casa do pároco existiam muitas abóboras. Certa ocasião perguntámos ao pároco, porque tinha tantas abóboras e, nós não tínhamos nenhumas. Estávamos em pleno tempo de miséria, pois isto reporta-se aos anos 40 princípios de 50. A fome grassava, havia senhas de racionamento, enfim fome é que não faltava. O pároco todo solícito, respondeu-nos que as ditas abóboras eram para alimentar o porco que estava a criar para ser morto no Natal. Muito bem, pensamos nós, daí resolvemos dar uma pequena lição ao pároco. Certa noite, aproveitando a escuridão reunimo-nos em grupo daqueles que não faziam mal a quem quer que fosse e, dirigimo-nos a casa do pároco, resgatamos todas as abóboras, levando também o porco. Manhã cedo o pároco levantou-se para dar umas abóboras ao porco, mas qual porco qual abóboras? Tudo tinha desaparecido num ápice. Todo o mundo procurou o porco, mas nada. Até que se chegou ao Natal. Todos nós contribuímos para tratar do referido bicho. Estava mesmo gordo, um de nós foi convidar o pároco para a matança. O porco comia de tudo, mas abóboras não gostava...Todos nós sabíamos que se fossemos descobertos, passaríamos um mau bocado. Preparamos o porco, fizemos o que toda a gente fazia numa matança, comemos e bebemos (vinho trazido pelo pároco). O referido pároco nunca tinha sido convidado para uma matança, mas lá acedeu e, toca a entrar na festa. Não sei o que me deu na cabeça, depois de bem comido e bebido volto-me para um comparsa que estava junto do reverendo, perguntei-lhe: Olha lá , não achas que este porco sabe a padre? O Pároco, olha para mim de soslaio e, responde-me como quem não quer a coisa; olha menino, padre sou eu, mas não cheiro pior do que tu. Gargalhada geral, pois acabamos por confessar que quem tinha retirado o porco e as abóboras tínhamos sido nós. Claro que tivemos que tratar do porco alguns meses até chegar ao Natal. O certo é que o porco foi dividido por todos os intervenientes tendo um final feliz. Feliz para nós que comemos do porco e as abóboras. Feliz para o pároco que entendeu que os bens em tempo de crise deveriam ser divididos por todos.

Escrito por João Sousa.
 
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

AS JANEIRAS EM ALMEIDA



“Vamos todos juntos,
Todos reunidos
Dar as Boas Festas
Aos nossos amigos”

Almeida, vila única em Portugal, diferente também nas tradições. Em Almeida, não se cantam as Janeiras… antes do Natal, e durante um par de semanas, os elementos, cerca de quarenta, do Coro Etnográfico de Almeida, visitam todas as casas da freguesia e oferecem a quem lhes abre a porta, as “Festinhas do Natal”.

“Boas Festas, Boas Festas
Tenha a vossa senhoria
E Boas entradas de ano
Com prazer e alegria”

O Sr. Basílio encarrega-se do bandolim, o Sr. Ramalhete toca o acordeão, a Sr.ª Maria e eu abanamos as pandeiretas, o menino Toninho (menino de quase 80 anos) tilinta os ferrinhos e o Zé Fernando bate com força no bombo…. E todos juntos sempre sob a batuta do nosso maestro Paulinho cantarolamos alegremente as Festinhas do Natal, sempre com muito frio, ora debaixo de chuva, ora salpicados de branco da neve, acautelados com gorros, luvas, cachecóis e afins…. Mas permanentemente com boa disposição para partilhar com quem nos espera atrás da porta, sentado no quentinho do lume a arder.

“ Inda agora aqui cheguei
Já pus o pé na escada
Logo meu coração disse
Que aqui mora gente honrada”

“Tome lá menina, é o que tenho, dinheiro não posso dar”, “Olha que já levam a bolsa pesada….”, “Eu só cá tenho uns figuinhos... mas bebam uma ginginha caseira, logo aquecem a garganta!” E por hoje já chega que os instrumentos já pesam e as senhoras batem os dentes com tanto frio. “Até amanhã, a ver se o são Pedro é mais amigo da gente”.

“São festinhas de Natal
São festinhas de alegria
Que as manda o Rei do Céu
Filho da Virgem Maria

Na noite seguinte encontramo-nos num café para avançarmos mais uma rua todos juntos e logo aí fazemos o aquecimento vocal cantando para os donos e clientes presentes. “Falta a dona Adelaide” “É capaz de não vir, ontem já estava constipada”. Na primeira casa do segundo dia é sempre a mesma a saudação inicial, mal os primeiros acordes são tocados e as primeiras sílabas trauteadas, abre-se a porta, como que se já estivessem esperando em jubilosa esperança e: “ah, eu já sabia que aí andavam, já me tinha dito fulana tal que já tinham ido à casa dela. Tomem lá uma notinha, que é para não irem já carregados. (...)

Escrito por Ana Paula Simões Ferreira, do blog A Vida é Bela...em Almeida
O final do texto encontra-se no respectivo blog.

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VAMOS CO/ANTAR AS JO/ANEIRAS!!!



(Imagem retirada da Internet)

Tinha prometido não participar na blogagem deste mês mas, a pedido de várias famílias, das quais não digo o nome, por ainda estar em segredo de justiça, e aproveitando o indulto dado pela Presidência da Aldeia, prorrogando o prazo, aqui estou eu, para o melhor e para o pior! Como em muitos outros, também não sou especialmente versado no tema das Janeiras. Serão cantadas, principalmente nas Beiras e norte do país, do Natal até ao dia de Reis. Grupos de amigos, folgazões, vão de porta em porta tocando e cantando versos cujo maior interesse é o de obter das pessoa a quem os dedicam a benesse de algo para comer ou beber. Os versos serão de agradecimento e louvor a quem abrir os "cordões à bolsa" e de zombaria a quem for "unhas de fome". Nada de novo, pois sempre foi e há-de ser assim! Também não vou pedir a chouriça a ninguém, era o que faltava, a rima também ia ser difícil e há que manter o nível de decência cá da Aldeia. Apenas vou pedir uma certa garrafinha que por ser do Sobral, não sobrou nada! Assim, vou contar as Joaneiras (em vez das Janeiras). Pensei acompanhá-las com música do Vivaldi (As quatro estações) mas, como o Inverno está rigoroso, ponham-lhe música do Quim Barreiros ou do Zé Cabra e divirtam-se, se conseguirem!

Boas festas, boas festas,
eu as venho aqui deixar.
Boas festas, boas festas,
a quem as queira apanhar!
Esta Aldeia é das finas
e nela nada se enleia,
boas festas às meninas
mais bonitas da Aldeia!

Boas festas, boas festas,
é o meu desejo, pessoal!
Tenham tido boas festas,
e um Santo e Feliz Natal!
Boas festas, boas festas,
boas festas meu bom povo.
Tenham tido boas festas,
e também um Bom Ano Novo

Boas festas, boas festas
mas, triste sina a minha!
Poderei ter boas festas?
Onde estará a garrafinha?
Boas festas, boas festas,
com uva branca ou tinta.
Essa garrafa, boas festas!
Nunca mais sai da Quinta!

Boas festas, boas festas,
é o meu desejo nesta hora
pois mesmo sem boas festas,
o Barão, já se foi embora!
Boas festas, boas festas,
e ainda não estou zangado.
Boas festas, boas festas,
estou é algo “entornado”!

Boas festas, boas festas,
era o que eu mais queria.
Que tivessem, boas festas,
e um Ano cheio de alegria!
Ouça bem, ó minha vizinha,
agora é que já não imploro!
Se não vier a garrafinha,
juro, juro, que até choro!

Mas se a garrafa chegar
e aparecer nalgum dia,
eu juro que vou chorar.
Chorar, mas de alegria!

Escrito por João Celorico, do blog Salvaterra e Eu
 
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

CANTAR AS JANEIRAS POR ESSES CONDOMÍNIOS ADENTRO




Tenho que confessar que não há em mim um único osso, músculo ou célula… que me faça não gostar do Natal, das suas envolvências e arredores. Gosto de luzes brilhantes tanto como qualquer invisual; admiro a falsidade de muita gente que se declara solidária apenas na 2ª quinzena do décimo-segundo mês de cada ano; gosto de oferecer peúgas e bibelots inúteis, tanto como qualquer mortal possa gostar e gosto de os receber; gosto de repetir a mesma música irritante durante dias a fio, apenas porque a ouvi numa rua qualquer de qualquer cidade ou vila. Repetida até ao “desespero dos simples”, através de colunas ”fanhosas” colocadas no alto de candeeiros ou em lojas do pequeno comércio que ainda usam “leitores de cartuchos” como aparelhagem e caixas registadoras com manivelas.


Gosto de cantar e canto o melhor que posso num Grupo Coral em que admiro a toda a gente a dedicação enorme e as vozes (todas elas bem melhores do que a minha). Mas a minha experiência com cantorias de “Janeiras” é limitada. Tão limitada que apenas uma única vez participei num tão arriscado evento.
Na freguesia/paróquia onde vivia, o Presidente da Junta, à falta de ideias melhores, decidiu (literalmente) cravar uma série de voluntários para retomar a antiga tradição das “Janeiras” que nunca existira naquela localidade.

De salientar que aquele de todos nós melhor voz apresentava era o Ferreira, mecânico-auto prendado que tocara Tuba numa banda filarmónica da sua terra e que não lia uma nota de pauta melhor do que uma frase com mais que três palavras.
Havia a Tininha, uma empenhada catequista solteiríssima (por razões óbvias à vista e ao ouvido) que não perdia uma ocasião para esganiçar a voz na missa dominical e não entendia mais de música do que “pedir discos” na rádio local.
O Senhor Cabral, capitão reformado que em vez de cantar gritava ordens em forma de palavras com música de fundo mas que tocava acordeão como podia e era abstémio militante.
Depois e sem ensaio algum havia também mais cinco homens, a quem não conheci por se terem embebedado nas duas primeiras casas que nos abriram as portas e nos ofereceram Vinho do Porto. E duas beatas de ocasião que chegaram com adufes nas mãos e as mãos neles.

Chovia que “Deus a dava” e lá fomos todos com uma Tuba, um acordeão, adufes, ferrinhos e fotocópias ensopadas na mão. (…)

Escrito por Rui Veleda, do blog In-Provável
Veja o final da história no respectivo blog.

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AS JANEIRAS NO MINHO LITORAL



- Cantar as Janeiras? O que é isso?

Assim reagiram os meus alunos quando lhes perguntei se iam cantar as Janeiras. Aqui, no Minho Litoral, as tradições já não são o que eram. Se queremos reviver sensações de tempos que já lá vão, temos de nos meter a caminho e procurar uma aldeia ou vila do interior de Portugal. Por aqui adopta-se tudo o que vem de fora, tudo o que se passa na cidade grande. As tradições das gerações passadas são ignoradas e desprezadas. “Fixe” mesmo, é festejar o Halloween!

- Vamos almoçar um arroz “pica no chão”?
- O quê? Frango caseiro com sangue? Isso nem pensar! Vamos comer uma pizza.
- Vai um cálice de Vinho do Porto?
- Vinho do Porto? Não há whisky ou vodka para fazer um shot?

Eu sei que os meus progenitores também se lamentavam pelas opções que eu e os meus irmãos íamos fazendo. Eu sei disso, e tento lembrar-me disso, quando me transponho para a geração de agora e esta sensação de perda de identidade se abate sobre mim. Porém, penso que a dimensão do afastamento é bem mais alargada.

Por mais que lhes fale da alegria, da festa associada às Janeiras, a mensagem não passa!
Eles não se organizam. Não saltam para a rua.
Que não sabem cantar. Que têm vergonha. Que não tem jeito nenhum, isso de juntar um grupo de amigos e ir cantar para a porta de vizinhos e conhecidos. Assim argumentam!

- Bacalhau cozido?
- Um copo de vinho?
- Uma fatia de bolo-rei?
- Oh professora, pelo amor de Deus. Eu vou ao Mc comer um hambúrguer, beber uma cola e rematar com um Sundae!
- Cantar as Janeiras?
- Está bem, está bem! Só se for de manhãzinha quando regressar da Disco!!!!!!!!!!!!!!!!

Escrito por CarpedieMaria

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

AS MINHAS JANEIRAS COM BOLO-REI…




(Imagem da Internet)

Na cidade onde nasci, não havia essa tradição, por isso nunca participei num grupo de cantares de Janeiras. A minha voz também espanta mais do que encanta. Ehehe… Quando me mudei para o Interior de Portugal, deparei-me com grupos a cantarem de porta em porta e a darem as Boas Vindas ao Ano. Achei muito bonito e desde então, faço sempre questão de ir até a minha porta ouvi-los.

Este ano, já passaram pela minha casa 3 grupos: um de rapazes, um misto de senhores e senhoras de todas as idades com guitarras e acordeões, e o último com 3 rapazes e 3 raparigas entre os 16-18 anos com uma viola portuguesa. Uns tocam a campainha e começam, outros apenas encetam o canto e o tocar, aguardando pela nossa presença no exterior. Depois, há sempre um tempinho para dois dedos de conversa…
Para essas ocasiões, faço como na Páscoa, tenho sempre na mesa: bolo-rei, chocolates e enchidos para oferecer. Claro, um cálice de licor ou de água-pé também não falta. Pois com o cair da noite, mesmo com gorros, luvas e cachecóis de lã, nem sempre se conseguem aquecer… É assim que recebo esse bonito costume que perdura no meu bairro.

A tradição do bolo-rei mantém-se, acrescido do bolo rainha. Como iria reinar um Rei sem companhia, não é verdade? Este ano, vamos lá ver a quem vai calhar o brinde e a fava… Uma dica: sabem que o Bolo-Rei é uma delícia torrado com um pouco de manteiga? Experimentem!

Escrito por Deolinda Viana

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AS JANEIRINHAS


Associo a prática de cantar as janeiras ou "janeirinhas", como se dizia na minha aldeia beirã, a um passado longínquo já quase esfumado na memória, uma vez que em Lisboa onde cheguei, ainda menina, no fim dos anos 60, e morei desde então, não se usava a tradição.
No meio rural, longe da civilização, onde os brinquedos eram raros, o entretenimento passava muito pela imaginação e criatividade das crianças.
Motivava-nos bem mais o prazer de competição entre grupos, ou o simples gozo de ver as críticas e reacções negativas de alguns habitantes do que esperança de sermos recompensados com uma côdea de pão ou um biscoito rijo.
Apesar do frio, saíamos de casa, enrolados no grosso cachecol de lã tricotado pela nossa mãe, mãos aconchegadas nas luvas e gorro enfiado na cabeça ficando apenas o nariz de fora, e calcorreávamos as ruas da aldeia nas frias manhãs de Janeiro, no dia 1 de Janeiro e no dia de Reis, cantarolando os tradicionais versos que iam passando de geração em geração:

Ainda agora aqui cheguei
Já pus o pé na escada
Já o meu coração disse
Aqui mora gente honrada

Levante-se lá Senhora
Do seu banco de cortiça
Venha-nos dar as janeiras
Ou morcela, ou chouriça

Pastores, pastores
Venham todos a Belém
Adorar o Deus menino
Que Nossa Senhora tem

Escrito por Pascoalita,

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sábado, 16 de janeiro de 2010

AS JANEIRAS DA MANUELA



Ainda agora aqui cheguei,
logo pus o pé na escada,
logo o meu coração disse,
Aqui mora gente Honrada.

Menina que está sentada,
num banquinho de cortiça,
Deia-nos lá as Janeiras,
ou morcela ou chouriça.

Refrão:
Cantemos todos,
Cantemos todos com alegria,
Adorar o Deus menino,
Filho da Virgem Maria.

Ora viva a Minha Aldeia,
Lindo blog de toda a gente,
Sempre faz muitos amigos,
Do Nascer até ao Poente.

Refrão......
A Helena e a Susana,
Fazem parte com alegria,
Desde o Brasil a Portugal,
Fica tudo em Sintonia.

Refrão...
E agora para acabar,
Estas quadras com alegria,
Boas festas meus amigos.
Até sempre ou qualquer dia

Escrito por Manuela Cardoso, do blog Simplesmente Manuela

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BOLO-REI E JANEIRAS




Nascida e criada em Lisboa e filha de pasteleiro, esta é uma época que me traz muitas recordações, pois na pastelaria do meu pai, nesta quadra, fazia-se muito bolo-rei.

Lembro-me de, passar serões a embrulhar brindes, que eram pequenos objectos metálicos que se enrolavam em pedacinhos de papel vegetal, para mais tarde serem colocados juntamente com a fava, na massa do bolo. Quando se partia o bolo-rei, as crianças tentavam espreitar todas as fatias, para ver se descobriam onde se encontrava o brinde. Já a fava ninguém a queria, pois aquele a quem ela saísse, teria que pagar o bolo-rei seguinte.

Muitas vezes, enquanto fazíamos este trabalho, os meus pais contavam-me os seus costumes de infância, durante esta época, onde nem sequer sonhavam com a existência deste bolo. Contavam eles que, era costume juntarem-se as crianças e percorrerem a aldeia, pedindo as Janeiras. Por vezes, juntavam-se jovens, alguns com a sua concertina, e lá iam de porta em porta, tocando e cantando alegremente.
Nessa altura, na povoação a vida era dura e de alguma pobreza. No entanto, os agricultores mais abastados, tinham nas suas terras algumas árvores de fruto e uma simples peça de fruta era muito bem recebida por qualquer jovem ou criança. Assim, eram as castanhas, nozes, laranjas, e às vezes um pão de trigo que faziam a alegria da miudagem. Tudo o que fosse diferente, do que se consumia no dia a dia, era sempre muito apreciado e dava-se muito mais valor às mais pequeninas coisas.
No final, dividiam-se os produtos recebidos pelos elementos do grupo, que os ingeriam como se de uma iguaria se tratasse.

E eu, que sempre fui muito interessada pelas vivências da aldeia natal dos meus pais, deliciava-me com os conhecimentos que eles me transmitiam e, quando dávamos conta já os brindes estavam embrulhados.

Estas são duas tradições que fazem parte do meu imaginário, ambas já extintas, o que me dá pena. Os brindes no bolo-rei foram proibidos e, na aldeia dos meus pais já não se pedem as Janeiras, pois a população está envelhecida.

Escrito por Lourdes Martinho, do blog O Açor

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

VAMOS CANTAR AS JANEIRAS EM CORTECEGA


Rancho Folclórico de Cortecega

Janeiras são uma tradição muito antiga que vai passando de geração em geração. Na minha aldeia essa tradição manteve-se até há alguns anos atrás, mas em muitas aldeias de Portugal esta tradição está viva, felizmente!

Bem, vou contar como era no tempo em que vivia na aldeia onde nasci (Cortecega). Existia um grupo folclórico do qual eu fazia parte e por altura dos Reis lá ia-mos nós pedir as Janeiras. Na noite de Reis, formavam-se dois grupos de pessoas. Um grupo percorria as ruas da aldeia e o outro ia à povoação mais perto (neste caso a Cabreira) indo de casa em casa, cantando e tocando alguns instrumentos, como pandeireta, ferrinhos, tambor, concertina, desejando, assim, um bom ano aos seus vizinhos cantando quadras como estas.

Boas noites, meus senhores
Boas noites vimos dar
Vimos pedir as Janeiras
Se no-las quiserem dar
***
Aqui vimos, aqui vimos
Aqui vimos bem sabeis
Vimos dar as boas festas
E também cantar os Reis
Mas como a porta tarda em abrir-se…
Levante-se daí Senhora
Do seu banco de cortiça
Venha-nos dar as janeiras
Ou de carne ou de chouriça
***
Viva lá o Senhor António
Raminho de bem-querer
Traga lá a chave da adega
Venha-nos dar de beber
De uma maneira geral as gentes da casa acediam, e então tinham direito a agradecimento:
As janeiras que nos deram
Deus será o pagador
Queira Deus que para o ano
Nos faça o mesmo favor
Mas também podia acontecer “não haver nada para ninguém”. Então…
Cantemos e recontemos
Tornemos a recontar
Esta barba de farelos
Não tem nada para nos dar

Terminada a canção numa casa, esperava-se que os donos nos dessem as janeiras (castanhas, nozes, maçãs, batatas, carne de porco chouriço, morcela, porque tinha sido altura das “matanças”, etc.). Dinheiro não se dava, mas caso alguém o fizesse era para ajudar a comprar o que faltava paro o almoço de dia de Reis.
No dia de Reis o povo juntava-se no largo da aldeia. Preparava-se a lenha que tinha estado a arder no largo desde a noite de Natal, onde eram colocadas as panelas de ferros onde se cozia a batatas, a carne, as chouriças, dadas na noite anterior. Preparava-se as couves que ainda de noite tínhamos sido (desviadas da horta do vizinho) e em festa todos, bebiam e cantavam. No caso de alguém da terra não ter dado nada aquando do peditório, nós íamos ao galinheiro e (desviava-mos uma galinha), quem pagava as favas era a raposa, pois tinha sido ela que tinha ido a capoeira. A pessoa era convidada para a festa e só tempos mais tarde lhe era dito quem foi à capoeira (era uma risada).
Era uma confraternização que unia as pessoas e que hoje recordo com saudades. Muitas vezes são tema de conversa quando nos encontramos e revivemos o passado, principalmente no verão, altura de férias.

Escrito por Eugénia Santa Cruz, do blog Cortecega – Notícias da Minha Terra

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