quarta-feira, 10 de junho de 2009

A minha aldeia


A minha aldeia tem cheiro a terra quente.
Coração de pedra.
Alma de gente..
Escrito por Filomena
Chinicato/Lagos/ Faro
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Ouguela, perdida no Alentejo

Ouguela é daquelas terras onde não se passa, vai-se. Localiza-se a Nordeste da sede do concelho, Campo Maior, muito próxima da fronteira com Espanha.


Ouguela vista de Sudeste, pela estrada que lhe dá acesso


Ao aproximarmo-nos da que já foi vila sede de concelho, a primeira visão que temos é de uma elevação coroada por muralhas de um castelo medieval. Subindo a encosta, em breve se vêem as casas do arrabalde, organizadas em três ruas íngremes com vista para a planura que se estende no sopé do monte, fruto do trabalho de deposição dos dois cursos de água que aqui confluem: a Ribeira de Abrilongo e o Rio Xévora.

Uma das ruas do arrabalde, vendo-se ao fundo, a planície aluvial do Abrilongo-Xévora e elevações já em território espanhol.


Estranha-se quando se entra na povoação: o silêncio é apenas cortado pelo canto das aves que se abrigam nas árvores. Dos cerca de 60 moradores, são raros os que se assomam às portas ou janelas, curiosos para ver os visitantes que se aventuram por estas paragens.

Ouguela vista da parte Norte. A muralha é interrompida pela brancura da igreja. Na encosta, à direita, o arrabalde e um pequeno bairro de casas relativamente novas. Também se vê a antiga escola, actualmente desactivada e convertida em centro de dia.


A igreja resplandece de brancura, pintada recentemente por voluntários devotos de Nossa Senhora da Enxara.
Restam ainda muralhas bem conservadas da antiga fortaleza, defesa de uma fronteira que entretanto perdeu importância estratégica.
Subindo às muralhas e percorrendo o caminho da ronda, desfruta-se de uma paisagem impressionante. Para Sul, uma superfície ondulada ocupada com campos de cultura, dos quais se destaca a geometria dos olivais. Para Norte, as planuras com mosaicos de culturas arvenses e de montado só interrompidas pelas elevações em território espanhol. Na encosta íngreme de uma destas elevações, vigiava a fronteira e Ouguela, qual sentinela, a antiga praça forte de Alburquerque.
No interior, a vila velha, com casas modestas muito ao estilo popular alentejano, mas também algumas que sugerem a condição mais abastada dos seus proprietários.





Um recanto da vila velha




Ocupando um espaço importante, a seguir à porta gótica da fortaleza, as ruínas de uma casa a que chamam do governador, com janelas onde ainda resiste alguma decoração em relevo. No vasto recinto, as aberturas da cisterna e o forno comunitário. O forno ainda é utilizado na Páscoa para os tradicionais assados de borrego.





Forno comunitário



Não posso dizer que é a aldeia da minha vida. É uma aldeia que gosto de visitar mas que está a ser progressivamente abandonada por vontade dos homens. Se nada for feito para contrariar o seu destino, com o passar do tempo será um aglomerado de ruínas que irá caindo no esquecimento e nem mesmo as histórias das vidas de quem lá viveu e das peripécias e dramas dos tempos do contrabando, permanecerão na memória das gentes. Porque há quem não aprecie a preservação das marcas e das histórias do passado, como legado fundamental da identidade cultural de uma comunidade.



Escrito por: Júlia Galego
Ouguela; Campo Maior, Alentejo



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Aldeia da minha vida, meu Vidago

A natureza favoreceu, generosamente, Trás-os-Montes não só com as suas belezas, mas também com um tesouro escondido e de precioso valor: as fontes medicinais de Vidago.
Vidago é um ponto de referência do coração de Trás-os-Montes, ocupando uma posição ideal, como lugar óptimo de refúgio para aqueles que procuram o descanso e a cura de certos males. Chamam-lhe, com propriedade, a “Vichy portuguesa”, expressão que a verdade experimental confirma.
Com uma altitude de 350 metros, mas tendo a protegê-la elevadas montanhas pelos lados nascente e poente, nunca é sacudida por ventos fortes. As temperaturas são de uma grande regularidade, não se notando afastamentos consideráveis entre as máximas e as mínimas.
Pela sua situação e condições especiais, Vidago constitui uma capital centro de turismo, As belezas naturais que a envolvem, os meios fáceis de comunicação, a existência de algumas unidades hoteleiras e de novos projectos turísticos, tudo, enfim, se conjuga para tornar as termas de Vidago numa das melhores estâncias termais da Europa.


Hoje, Vidago e os Vidaguenses esperam ansiosamente por melhores dias, a reabertura de hotéis e de outros complexos turísticos são factores importantes para esta economia local.
Esta vila merece voltar a ter a mesma relevância que teve no séc. XX. Por isso, vamos unir forças, criar ideias e iniciativas como esta para que Vidago, assim como, todas as aldeias e vilas portuguesas não sejam esquecidas.


Obrigado e um bem haja!
Escrito por Júlio Silva
Vidago/ Vila Real

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Aldeia da Pena


Lançado o desafio de escolher e escrever sobre a aldeia da minha vida, diria que não foi uma tarefa fácil, pois parte da minha vida tem sido passada à descoberta das nossas aldeias tradicionais, pelo que muitas já me fascinaram e poderiam ser as escolhidas. De uma lista que poderia incluir as aldeias de Drave, Moimenta, Anta, Monsanto, Monsaraz, Brufe, Macieira de Alcôba, Vilarinho Seco, Cachorro, Piodão, Talasnal e muitas outras, acabei por me decidir e escolher a Pena como a aldeia da minha vida.
Esta é uma das jóias de xisto da Serra de S. Macário. Para lá chegar, saia de S. Pedro do Sul em direcção a Castro Daire e pouco depois corte à direita para Sul e para o S. Macário. Na base deste monte de 1052 m de altitude, fica a depressão na qual está encravada esta aldeia. A visão que se tem antes de iniciar a descida é extraordinária e digna de ser contemplada. Recordo a primeira vez que aqui cheguei, nos inícios dos anos 90, de como esta paisagem me emocionou e de como esta aldeia me marcou para sempre.
Desça com precaução pela estrada aberta não há muitos anos. Antes de ela existir, esta aldeia estava completamente isolada. Desse isolamento nasceu a lenda do morto que matou o vivo. Esta história pode ser resumida da seguinte maneira: devido à inexistência de acessos rodoviários, os mortos da aldeia da Pena eram transportados num esquife até ao cemitério de Covas do Rio. O caminho entre estas aldeias é bastante difícil e o caixão teria de ser transportado em ombros. Numa dessas viagens, o infeliz que carregava a parte de trás do caixão terá escorregado e este caiu-lhe na cabeça, matando-o. Foi assim que o morto matou o vivo.
Mas deixemos a lenda e falemos da aldeia que a alimenta. Toda a aldeia merece um passeio a pé e uma visita demorada. Depois de percorrer os seus caminhos estreitos, admirar as suas construções de xisto e lousa, desça o caminho que o levará até aos campos de cultivo. Atravesse-os e siga na direcção dos enormes afloramentos rochosos para onde corre o ribeiro da Pena. Suba a pequena elevação e prepare-se para uma visão surpreendente. Para lá da pequena passagem surge-nos um Vale Encantado. Ao longe o maciço de Montemuro. A paisagem é arrebatadora. Foi neste vale encaixado por onde corre o ribeiro da Pena, que fiz muitos passeios a pé a caminho de Covas do Rio, por entre vegetação luxuriante e fragas impressionantes. Aventure-se algumas centenas de metros, com cuidado por causa da descida íngreme e algo escorregadia, até chegar a um pequeno pontão que atravessa o ribeiro. Pelo caminho vai passar por ruínas de velhos moinhos e sentir-se num mundo à parte, com espécies únicas na flora desta região e uma sensação de estar num lugar especial e quase mágico.
Regresse à aldeia pelo mesmo caminho e contemple uma nova perspectiva do seu casario. Dê um salto à loja de artesanato, repare nos espigueiros e na pequena capela. Tente saber do Sr. Agostinho, ancião da aldeia e em tempos o anfitrião das minhas primeiras visitas. Peça para ver o velho tear da sua esposa e prepare-se para escutar as suas histórias sobre este lugar.
Hoje em dia a aldeia da Pena está quase despovoada. A meia dúzia de habitantes que possui foi alguns anos atrás reforçada pela chegada de um jovem casal, com raízes na aldeia, o qual explora um pequeno restaurante que acolhe os visitantes desta aldeia. O sorriso e a presença das suas duas filhas, Mariana e Margarida, já nascidas e criadas neste lugar, são um sinal de esperança de que esta aldeia se poderá manter viva durante os próximos anos.
Esperemos que esta aldeia possa ser cada vez mais valorizada, permitindo a visita ou a permanência de quem o queira fazer, sem contudo perder as suas características tão especiais. Despovoadas e abandonadas por quem lá nasceu, viveu e morreu, muitas das nossas aldeias tradicionais caminham irremediavelmente para a ruína e para o esquecimento. São as pessoas e os seus laços à terra que pisam e arroteiam, às árvores e às fragas, às nascentes e aos rios, ao vizinho do lado e ao da frente, às memórias e lendas ou aos saberes e tradições, que fazem de um grupo de pessoas uma comunidade e de um conjunto de casas uma aldeia. É a perda desses laços que está a levar à profunda descaracterização ou à lenta agonia de muitas das nossas aldeias.
Temos consciência que hoje em dia os tempos são outros, pelo que os desafios são imensos se ainda queremos ir a tempo de salvar as nossas aldeias. O que está em causa pode ser mais que a mera preservação de algumas casas tradicionais ou certas tradições. O que nos arriscamos a perder é uma grande parte da nossa identidade colectiva e um património cultural e natural cuja grande riqueza está a caminhar para a completa descaracterização e até mesmo extinção. É urgente reinventar laços, criar incentivos e atractivos, despertar vontades e consciências, para que se encare o nosso mundo rural como parte integrante da nossa riqueza como povo, assumindo sem complexos que o seu legado nos pode tornar únicos num mundo que caminha rapidamente na direcção da estandardização. Saibamos criar as condições necessárias para fazermos das nossas aldeias uma fonte de desenvolvimento local e sustentado, de aproveitamento dos valores e das marcas que nos afirmem e distingam. Se nada se fizer, daqui a muito poucas décadas, teremos um país litoral de subúrbios e de gente desenraizada, e um interior com uma paisagem feita de eucaliptos, acácias e silvados a cobrir o que resta das aldeias das nossas vidas.

Escrito por: Armando Ferreira

Aldeia da Pena, Distrito Viseu

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Caros Leitores:
Estou a ver que estão estão tão entusiasmados a comentar todos os textos, que é impossível resistir à regra: um voto= um comentário.

Para não perderem este entusiasmo, vamos então reformular um pouco as regras e combinar o seguinte:

Vou aceitar todos os comentários feitos, como é próprio de uma blogagem.

Mas só vou contabilizar os votos deixados nos respectivos espaços de comentário de cada post, se apresentar a seguinte frase:
Eu voto no texto chamado (...) da autoria de (...). assinado (Identificação do votante: Nome / Blogue/ ou e-mail)

Atenção! Continua a ser apenas a ser um voto para o melhor texto!
Quem deixar mais que um voto, ou não apresentar essa frase, este será considerado nulo.


Continuação de uma boa blogagem!

Eu vou continuar a postar os posts que faltam!

Quando acabar, prometo responder a todos os comentários amáveis que me fizeram.

Um abraço a todos e Feliz Dia de Portugal!

Estimados amigos leitores!

Tenho estado a postar todos os textos...mas não posso mais!
São Três da manhã e ainda faltam tantos para postar!!!

Peço a vossa compreensão, mas vou dormir. daqui a umas horinhas vou continuar, para que ninguém falte! Até lá, tenham amabilidade de visitar os blogues (da lista colocada na barra lateral) que ainda não têm os posts aqui publicados, ainda.

Aproveitem para pensarem bem qual o melhor post! Têm tempo para votar até 28 de Junho!

Atenção aos comentários!!!
Os comentários feitos aqui são unicamente para votar.
quem quiser fazer comentários terá que os fazer nos textos de origem.

Até já!

Susana

Aldeia de Santa Margarida




E, aldeia engalanada, sai a procissão para a rua, que se faz tarde. Veste-se o melhor fato, passa-se a escova pelos sapatos, camisa nova, vestido a estrear, cabelo arranjado e ala que está na hora. O dia é de festa, a aldeia vê chegar os seus filhos "estrangeiros" e, por momentos, parece que naquelas ruas se voltou ao antigamente. Não fora a quantidade imensa de carros, de matrículas portuguesas, francesas, luxemburguesas e até alemãs, e parecia ter-se voltado 50 anos atrás. Bandos de crianças correm pelas ruas, a alegria dos petizes ecoam pela calçada... Que alegria. As velhotas com suas doces rugas bem vincadas no rosto e um sorriso de orelha a orelha... "'lher lá, aquele ali é mê neto mai novo". E o petiz, célere, corre para o regaço da avó, escondendo-se tímido, enquanto espreita, olho matreiro, por detrás da mãozinha pequenina, para aquela senhora vestida de negro que conversa com a avozinha.

Ao fundo já se ouvem os primeiros acordes da banda, o bombo e os pratos, o trombone e o clarinete... É dia de festa e a aldeia está engalanada, flores espalhadas pelo chão das ruas onde, daqui pouco, há-de passar a procissão. Lá dentro, na igreja, os lugares são cada vez menos. "Olha, a filha de fulana este ano também veio", sussurra-se numa audível conversa. Adeus daqui para acolá, um beijo atirada com enormes dificuldades em voar até duas filas atrás tal o peso da saudade que leva nas asas. E o padre que entra, o bandolim que começa a ecoar pela igreja, o coro, com o seu tão tradicional sotaque beirão, "Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"... Aqui e ali um bichanar um bocado mais alto, um pigarrear a ver a conversa acaba, um "Santo, Santo, Santo" que se canta e uma hóstia que se vai tomar. E o aviso do costume: "pede-se a todos os que queiram colaborar com os andores o favor de chegarem ao altar". "Oh Manel, anda cá que falta um p'ra levar o Santo António"... E começa a disputa do costume. A canalha, implacável, e esperta, luta para levar a sua bandeirinha. Que bandeirinha carregada na procissão é garantia de mimos extra e atenção redobrada dos avós, babados, orgulhosos dos seus meninos. "Já viste o calor que estava e ele portou-se sempre tão direitinho?". Malandros estes petizes...

O almoço, esse, é sempre reforçado. Junta-se a família, os primos e tios com quem se está uma duas vezes por ano, contam-se estórias, discutem-se problemas e, mais cedo ou mais tarde, adoça-se o repasto com as estórias do antigamente, de quando a mãe e o pai e o tio eram pequenos. Estórias que, é garantido, dão direito a gargalhadas bem audíveis!No café já não há espaço para mais ninguém. Está cheio, como de costume. No "domingo da festa" é sempre assim. Parece que toda a gente se junta ali e que não há mais cafés na aldeia. Abraços apertados de amigos de longa data. Alguns já não se viam há mais de dez anos. "Sabes como é, desde que morreram os meus pais a vontade de cá vir é pouca... Mas agora, como arranjamos a casita, é sempre mais fácil..." E as horas passam, velozes, quase sem se dar por elas... E, quando se dá por conta, já é hora de ir embora, voltar a fazer as malas, guardar as recordações e aconchegar as saudades que já se começam a sentir. Uma lágrima no olho, matreira, que se tenta esconder para que ninguém veja... e um adeus difícil. Sempre difícil dizer adeus...

Quando é que é Agosto outra vez?



Escrito por Helder Robalo
Aldeia da Santa Margarida/ Idanha-a Nova/ Castelo Branco

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Vimeiro,

Passei lá momentos muito agradáveis e relaxantes. Durante o dia tinha o movimento próprio de uma Terra do litoral, à noite era um sossego fantástico que até o cantar de um grilo era motivo para despertar a atenção e desfrutar desse pequeno prazer tão próprio de uma pacata Aldeia.

A Aldeia do Vimeiro e freguesia com o mesmo nome, pertence ao concelho da Lourinhã do distrito de Lisboa, em plena região oeste de grande beleza natural. A sua toponímica advém do facto dos arbustos serem muito abundantes na linda margem do rio Alcabrichel. Esta é uma região de grande beleza natural, ainda rural, mas com um grande desenvolvimento turístico devido às suas ricas águas minerais, termas, mar, golfe, equitação e piscinas.





Quem visita o Vimeiro pode repousar nos magníficos recantos bucólicos da sua imensa área florestal ou no dourado macio dos seus areais, desfrutar das comodidades oferecidas pelos excelentes equipamentos hoteleiros, ou dedicar-se a actividades mais radicais.

Devido à privilegiada localização geográfica do Vimeiro, onde acresce as características por mim já referidas tem centro hípico, campo de golfe, um kartódromo, um aeródromo, escolas de surf e vela, centros de mergulho, ecomuseus, aeroclubes e embarcações marítimo-turísticas completam um leque de opções difíceis de igualar.

A gastronomia da Região Oeste é igualmente rica e muito variada. A riqueza da sua zona costeira, aliada à maior concentração de viveiros de marisco do Pais em Porto de Barcas, permite a perfeita confecção dos mais variados pratos de peixe e de outros frutos do Mar, destacando-se o pargo, o robalo, a caldeirada de peixes variados, o arroz de marisco e de tamboril, e a lagosta suada.

Esta Aldeia dispõe de boas acessibilidades às principais cidades de Portugal, como é o caso de Lisboa cuja distância é cerca de 60 quilómetros. É limitada a norte pelos concelhos de Lourinhã, Peniche e Óbidos, a sul pelo concelho de Torres Vedras, a este pelos concelhos do Bombarral e do Cadaval e a oeste pelo Oceano Atlântico. Tem aproximadamente 375 anos, embora os mais antigos documentos históricos alusivos ao Vimeiro se reportem a uma carta de foral, datada do séc. XII.

Consta que no Vimeiro viveu a Rainha Santa Isabel que descobriu o valor das águas das Termas da Maceira, ao lhe terem curado um mal de pele que tardava a sarar. As Termas da Maceira estão situadas frente ao mar, numa zona verdejante de grande beleza, indicadas para tratamento de problemas das vias respiratórias, do aparelho digestivo e do aparelho circulatório, doenças de pele e patologias dermatológicas.



O Vimeiro ficou na história devido à Batalha que lá se travou, entre as tropas portuguesas aliadas às inglesas, contra as numerosas tropas napoleónicas, comandadas por Junot. A Batalha do Vimeiro travou-se a 21 de Agosto de 1808 entre as tropas da aliança luso-britãnica de Arthur Wellesley e Bernardino Freire e as tropas Francesas.

Após a derrota Francesa na Batalha da Roliça dois dias antes, as tropas luso-britânicas seguiram rumo a Lisboa, sendo confrontadas pelas tropas de Junot, junto ao Vimeiro, saindo de novo vitoriosas. Esta Batalha abriu caminho para às negociações que culminaram na Convenção de Sintra, que permitiu às tropas Francesas a retirada da Península Ibérica com toda a sua bagagem e pilhagem em navios Ingleses.


É desta Aldeia que guardo boas recordações pela sua beleza natural, onde se passa umas óptimas férias devido ao facto de reunir características já por mim referidas.Por isso, considero o Vimeiro A ALDEIA DA MINHA VIDA, embora resida no Norte do País, mais propriamente em Braga, a uma distância de aproximadamente 420 km.

Escrito por Carlos Alberto Leite Borges de Araújo
Vimeiro/ Lourinhã/ Lisboa
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Impressões






Sei que era suposto eu falar de verdes campos, de suados e infindáveis trabalhos agrícolas, das velhinhas de amargurado e saudoso negro, dos omnipresentes animais e de toda a panóplia de sons, cores e sabores de uma qualquer aldeia portuguesa. Não o irei fazer… Lamento, mas não é possível moldar recordações para que correspondam a um padrão ou às expectativas alheias. As recordações mais marcantes que guardo das “idas à terra”, do tempo passado numa aldeia, ocultam-se dentro de uma pétrea construção do ido ano de 1934, casa principal da quinta da minha família materna e situada nas Termas de S. Pedro Sul. Correndo o risco de causar ainda mais estranheza aos leitores, sigo directamente por um corredor e afasto-me ainda mais dos espaços abertos e verdejantes. Rodo novamente a velha maçaneta de vidro verde e latão e fecho-me numa só divisão dessa casa. Sozinho. Ali estava a grande mesa de madeira, sempre majestosa e impondo-se de forma arrogante, apesar de eu saber como era trémulo o seu tampo, ao qual faltava a devida manutenção. Sobre ela repousava um jarrão de loiça tradicional, que eu considerava feio, apesar de eu naquela época viver numa década bastante flamboyant… Do lado esquerdo da mesa, um cadeirão de dois lugares de aspecto frágil, com as molas já a surgirem através do coçado veludo, parecendo que o conjunto se iria desmembrar espalhafatosamente a qualquer momento. Ao lado, um móvel sempre fechado à chave, sobre o qual estava um grande rádio Telefunken, uma obra de arte vinda de tempos menos uniformizados. Eu gostava de o ligar só para ver a sua impressionante iluminação. E, apesar de tudo parecer funcionar na perfeição, ele nunca abandonava a sua mudez. Porquê? Aquilo parecia quase teimosia do vetusto aparelho… Ter-se-ia cansado? Será que não gostava das ríspidas melodias daquela altura? Ou seria… pura solidão e saudade?... As paredes estavam repletas de quadros sem cor com pessoas muito sisudas que eu não conhecia. Por vezes era assustador… Parecia que me iam repreender a qualquer momento! Valiam-me os rostos que eu reconhecia e um grande quadro com a derradeira Família Real portuguesa. Ainda estava longe de conhecer a sua tragédia e achava-os simpáticos com os seus engraçados bigodes. Do outro lado da sala, o verdadeiro tesouro! Pelo menos para mim… Uma antiga secretária embutida num conjunto de estantes que cobriam toda aquela parede. Haviam ali centenas de livros de várias épocas, alguns já degustados pelos incultos bichos do papel, essa raça perversa e covarde. Mas o que eu realmente gostava era de me sentar na secretária e de remexer cuidadosamente nas várias gavetas. Eu até já sabia o que lá estava, mas era sempre como se fosse a primeira vez… Tudo permanecia como alguém havia deixado à muitos anos. Era estranho… Ali estava a fotografia do homem a quem tudo aquilo pertencera, o meu bisavô. Duas canetas de aparo permaneciam sobre um pequeno suporte de mármore, ao lado do mata-borrão e dos tinteiros já secos. As gavetas estavam cheias de recibos, postais, dinheiro, cartas por enviar e muitas fotografias, entre outras coisas mais banais. Não havia ali nada recente, nada que revelasse a existência das últimas décadas. Porquê? Porquê aquela descontinuidade, aquele abandono? Porque se abstivera a vida de, a partir de um determinado dia, entrar naquela divisão? Qual seria o segredo silenciosamente guardado entre aquelas paredes? Eu não tinha a coragem de perguntar a ninguém… Além do mais, queria ser eu a descobrir sozinho! Seria isso? Teria o passado conspirado para que eu descobrisse esse enigma? Mas eu era apenas um miúdo…
Naquela casa havia uma porta que dava acesso a uma máquina do tempo, a um mistério que me fascinava. Seria esse mistério apenas curiosidade exacerbada pela imaginação infantil? Talvez! Ou talvez não…





Escrito por Pedro Ventura
S.Pedro do Sul/ Viseu
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Sapiãos, uma aldeia da Boticas


Nasci no sopé de uma serra que,segundo rezam as crónicas, por ter muitos leirões,(ratos grandes), se chama Serra do Leiranco, com 1134 metros de altitude.
SAPIÃOS, concelho de Boticas, distrito de Vila Real, não foi um nome imutável ao longo dos séculos e, o que a tornou célebre pelas belezas naturais, economia agrária, água em abundância e situação estratégica, entre Bracara Augusta e Aquae Flaviae, foi “SIPIÕES” por ser a partir dali que nasceu o apelido “Barroso” de um fidalgo, senhor das Terras do Barroso que ali tinha uma Torre. Foi ele D.EGAS GOMES GUEDEÃO, no século XIII, que preferiu substituir Guedeão por Barroso. (Consultar Armorial Lusitano).
Na aldeia da minha vida, cresci a ouvir cantar os rouxinóis, o cuco, os galos,ao som do tilintar das campainhas das vacas, do chocalhar de cabras e ovelhas, de passear nos tradicionais carros dos bois e a cavalo dos dóceis burros e imponentes cavalos.
À medida que fui crescendo, ia-me deliciando a ouvir histórias de mouras encantadas que teriam vivido no Castro do Muro e que distribuíam amor aos homens valentes que ali habitaram, a que umas vezes chamavam “Mouros”, outras vezes “Romanos”, e só mais tarde admiti que também tivessem sido “Celtas”, “Calaicos”,
“Ibéricos” e não sei que mais…


Quando comecei a ir ao cemitério, disseram-me que dentro da elegante capela românica, em volta da qual foram aumentando o número de campas dos mortos, inicialmente, eram enterradas as pessoas mais importantes do “Povoado”. E mostraram--me essas sepulturas separadas por pedaços de rochas graníticas, cobertas de madeira e que sobre elas se ajoelhavam, ou estavam de pé, os fiéis que participavam nas cerimónias religiosas. Fiquei impressionado com o que estava a ver e a ouvir e tive a sensação de medo. Mais tarde, já homem feito e estudado, em conversa com populares, disseram-me que no lugar dos Pássaros havia umas pedras parecidas com as pias dos porcos e também parecidas com uma fotografia que tinha no manual de História de Portugal. Pedi ao José da Silva para mas mostrar e lá fui eu encontrar as “ Sepulturas Antropomórficas”, ainda maiores do que a do livro. Eram uma espécie de mausoléus da era moderna feitos directamente nas rochas, bastante perto do “castro do muro”. Agora, passei eu a ser o professor das sepulturas antropomórficas para a população local e não só. Descrevi-as no jornal “A VOZ DE CHAVES”; convidei a Dr.ª Isabel Viçoso, amante de antiguidades, a visitá-las, e pouco tempo depois, por iniciativa da Câmara Municipal de Boticas, foram resguardadas e passaram a ser um cartaz turístico da minha aldeia, já com o nome de SAPIÃOS.
Mas a minha aldeia é, sem fantasias, a que possui o Património Histórico mais valioso do concelho. Tem uma capela românica do século XIII onde se celebraram os actos de culto até ao século XVIII, século em que graças ao dinheiro vindo dos emigrantes do Brasil, se construíram duas elegantes capelas particulares e a actual Igreja Paroquial, com bela e artística talha dourada, estilo Barroco. Até ao século XX, consumíamos a água das fontes de mergulho e comíamos os frutos da terra, terra, no sentido próprio.
Tratavam-se as doenças com plantas do campo, sopas de burro cansado,(malgas de vinho com pão e açúcar), bagaço e mel.
A morte foi roubando os mais fracos; e os que resistiram aos inimigos da saúde, nesses tempos não distantes, alguns, chegam a viver quase cem anos.
Hoje, no dia 9 de Junho do ano 2009, a minha aldeia é de longe, a mais bonita e progressiva do Concelho de Boticas. Utiliza as tecnologias confortáveis das grandes urbes e enfeita-se com belos jardins das casas dos emigrantes no centro do grande jardim colectivo formado pelos campos, montes e vales que se vão ajustando aos nove meses de Inverno e três de Inferno, no dizer de alguns que só estão habituados a viver num espaço mal cheiroso, de meia dúzia de metros quadrados, com ar condicionado. Na minha aldeia faz-se História e vive-se a História dos antepassados com amor e alegria.



A música popular foi recolhida, em Sapiãos, pelo musicólogo Dr. José Alberto Sardinha e sua irmã, Drª. Olinda, Técnica Superior do Museu de Arqueologia de Lisboa (Mosteiro dos Jerónimos) no dia 01-09-1991.
Foi editada em disco pelo Jornal de Notícias do Porto. O Romance foi representado por jovens artistas "prata da casa" e as vestes que envergam foram emprestadas pela Direcção do Teatro Nacional de São Carlos. Este facto, por imprevisto e inédito, criou uma mais-valia importante na população local, nos emigrantes em férias, vendo nós um deles, licenciado em Direito, no Brasil, a manifestar toda a sua surpresa por ter deixado, aos teze anos de idade, os seus conterrâneos apenas educados com a quarta classe, (actual 4º ano), e agora assistir, na companhia do Presidente da Câmara Municipal e outros emigrantes brasileiros, directores do Clube de futebol Vasco da Gama e da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro do Rio de Janeiro, a um espectáculo de cariz histórico, cantado, fazendo o o poema parte do Romanceiro de Almeida Garrett. Aquilo foi um luxo no interior serrano pobre e abandonado pelo Portugal banhado pelo Atlântico.
Na Aldeia da Minha Vida interiorizou-se o princípio de que nem só de pão vive o homem. A Associação Cultural Serra do Leiranco justifica a sua existência. Preserva as tradições, as danças e cantares regionais.
Mas no forno comunitário continua a cozer-se o pão centeio ou de mistura, folares de carne ou sem ela, a assar cabritos, frangos, pimentos e outros petiscos que nos fazem crescer água na boca.
A minha aldeia, que é A Aldeia da Minha Vida, está de braços abertos para Vos acolher. Oferece-vos o perfume das flores campestres, o delicioso paladar das iguarias e o abraço da amizade transmontana, consagrada na célebre expressão: «Entre quem é …»
Consulte http://flickr.com/photos/arturcouto
onde poderá ver mais documentos fotográficos da Aldeia da Minha Vida.
Escrito por: Artur Monteiro do Couto
Sapiãos, Boticas, Vila Real
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Da Madeira, Porto Moniz

Não é fácil eleger a “Nossa Aldeia”, a aldeia da nossa preferência, quando conhecemos e guardamos boas recordações de várias aldeias de norte a sul do Continente, dos Açores e da Madeira, assim como do estrangeiro, nomeadamente da Europa e África.
São muitas as imagens e o pulsar de vida que nos ficam na retina e guardamos na memória. Mas tenho que optar e deixo-me levar pelo impulso contemplativo do ilhéu, mas também pela paixão que tenho pelo mar, pela natureza e pela tranquilidade do lugar.
A vila do Porto Moniz, na ilha da Madeira, é um desses pequenos paraísos na terra para quem aprecia as belezas peculiares e espontâneas. É onde estão as únicas piscinas naturais da Europa constantemente abastecidas pelo vaivém das marés. É o único lugar da ilha onde há um centro de ciência viva, um planetário, bem como um património que, aqui e ali, remonta à época da criação da freguesia em 1835, com a torre/casa do vigia das baleias a permanecer intacta na meia encosta sobranceira ao Atlântico.


Porto Moniz é “A Minha Aldeia” de eleição. Há ali um misto do passado-presente, do antigo-moderno, sem colisões com a atmosfera dos anos que vão passando mas sempre guardando nacos de histórias vivenciais, cultura e tradições, hábitos e costumes.
Há um lado marcantemente rural, mais a norte, desde as levadas ao arvoredo, da horta ao casario, a um lado mais intrometido com o dito cosmopolitismo, mais a sul, com uma comedida oferta hoteleira (um hotel, estalagem e residenciais) assim como uma restauração que privilegia a gastronomia típica com variedade de peixe e a famosa espetada de carne acompanhada de bolo do caco e milho frito.



Porto Moniz, a cerca de 90 kms da capital madeirense (Funchal), tem uma população da ordem dos três mil habitantes e estende-se à floresta laurissilva, Património Mundial da UNESCO. É também o único lugar da Ilha onde decorre, desde 1955, a Feira do Gado, no sítio da Santa, com leilão de bovinos, a fazer lembrar as antigas “praças” da idade média onde havia permutas, troca e venda de animais. Tudo se interliga harmoniosamente entre a beira-mar e o alto da montanha.
Porto Moniz, um primado da natureza, uma imagem realista que se vive e se capta para não mais olvidar. Um lugar único!
Escrito por Joáo Godim
Porto Moniz/ Madeira
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Monsanto, a aldeia da Catarina

Foto cedida por Pedro Pais

As vindimas na Beira eram uma aventura como poucas, grandes cestas de vime que ainda hoje sei entrançar, verdes ou negras do sumo da uva colhida, eram colocadas nos carreiros das videiras para que as mulheres, de lenço negro à cabeça e canto cristalino na voz, cumprissem um trabalho que de pesado se fazia leve. Nós, os garotos da cidade misturados sem diferenças com os garotos da terra, amigos até aos dias de hoje, percorríamos as veredas em equilíbrio tentando ganhar a corrida do cacho mais gordo ou da uva mais doce. Acreditávamos que ajudávamos à lide, sei hoje que atrapalhávamos mais que qualquer outra coisa, ainda escuto as gargalhadas do mulherio trabalhador quando ostentávamos um ar orgulhoso por termos conseguido arrastar um cesto cheio até ao reboque do tractor que subiria até ao lagar. O lagar, com um cheiro adocicado e enjoativo, fazia as delícias da pequenada, aguardávamos na chamada fila indiana que nos deixassem rodar a manivela responsável pela primeira espremidela às uvas que eram atiradas dentro. Manivela responsável por uma ferida feia no nariz quando achei que conseguia, ainda de pouca altura, acompanhar-lhe o impulso. Ao fim do dia homens, mulheres e crianças de calças arregaçadas, abraçados e cantando os cantares da terra, pisavam a uva, sem parar. As unhas vermelhas e as pernas salpicadas de vinho. Gargalhadas noite dentro por cada desistência, nós, os pequenos, os primeiros a desistir, cansados do sono e dos vapores nauseados.Era um outro Setembro. Feito de pão casqueiro e fatia de queijo de cabra com casca, feito de figos e dióspiros em quantidades abissais, da apanha da castanha e da seara dourada e colhida, a aguardar na eira o descasque da espiga. Feito de levantares madrugadores ao relinchar da minha égua, a Estrela, que me acordava cedo na certeza do passeio. Era um Setembro de camisola já vestida por essa altura, calça curta e pé descalço, para apreensão da Mãe que nos inspeccionava no banho à procura da carracita do campo ou de algum lanho feio e a precisar de desinfectante.Era o juntar da lenha que aqueceria o cacau escuro e a água do banho quando regressássemos todos em Dezembro, toros enormes que crepitariam no lar franco e bem estruturado de uma lareira que era o orgulho do Pai. “Nem uma réstia de fumo dentro de casa! Aprendam, meninos, aprendam!”Setembro, que não queríamos acabasse, mesmo desejosos que pudéssemos estar na viagem de regresso à cidade para voltar à escola, aos amigos, ao “que fizeste nas férias?” certos de tanta aventura para contar. De outra tanta para ouvir.
Era o meu Setembro, há anos largos, quando ainda criança, quando ainda adolescente.O meu Setembro em Monsanto, aldeia tão portuguesa, Aldeia mais Portuguesa.
Escrito por Catarina
Monsanto, Idanha-a-Nova / Castelo Branco
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