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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

LEMBRO-ME QUE GOSTAVA DO CARNAVAL.


Gostava da “quadra”, da animação, obviamente das férias escolares.

Gostava das máscaras feitas em casa com a ajuda da avó, da preparação dos doces e das partidas para pregar em casa dos amigos dos Pais na noite do “assalto”, das pinturas e até do puxar de cabelos no penteado mais complicado ou daquele ar solto quando naquele ano decidimos todos ir à hippie!

Gostava de sair de casa mascarada e rir-me na rua de mim e dos outros.

De mostrar o fato, de ajeitar o lenço da mana que tinha caído ou o chapéu de cowboy do irmão que pendia já pelas costas. Na altura em que gostava do Carnaval não havia praxes de ovos, pasta dos dentes, espuma de barbear ou outras. As comemorações da quadra passavam por um desfile na rua e uma festa em casa de amigos com todos os amigos. Eram tempos talvez mais simples, mas ainda assim cheios de um convívio que pautava o ano inteiro.

Gostava do Carnaval porque significava festa, férias sem direito a trabalhos, brincadeiras no parque em frente casa, papelinhos com fartura e concursos de serpentinas, risos, muitos risos e folias até à exaustão.

Chamem-me... antiga ;)

E tenham um Bom Carnaval!

Escrito por Catarina Price Galvão, do blog Once

Se gostou deste texto, vote nele de 24 a 28 de Fevereiro. Aproveite e comente. Quem sabe, é seleccionada para Melhor Comentário!



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O MEU NATAL


.. era um tempo mágico
.. as últimas semanas do mês de Novembro eram tempos mágicos!
Da despensa da avó saíam como que por milagre uma série de pequenas cestas de verga. Cestas com um cheio característico. O cheiro do Natal.
E todos os anos, por esta altura, ela esforçava-se por decifrar de onde vinha aquele brilho, aquela neve assim que as cestas eram colocadas no chão da cozinha.
Convenientemente embrulhadas em papel pardo ou de jornal, as pequenas figuras de gesso, pintadas à mão, preparavam-se para tomar os seus lugares no presépio forrado a musgo apanhado no quintal. Um presépio decorado com pinhas, folhas amarelas secas dentro dos livros, uma prata amachucada e depois alisada que fazia de rio, pequenas ovelhas, pastores, meninos e meninas de prendas na mão, os Reis Magos, camelos e vacas e burros e ovelhas e a “casa” do Menino Jesus.
Era com um cuidado ensinado e ensaiado e quase de respiração suspensa que se desembrulhava a pequena manjedoura, o Menino e seus Pais, aquela vaca e aquele burro que tinham honras de, com o seu bafo quente, aquecerem a figura do pequeno bebé envolto num pano branco.

Era um fim-de-semana de alegria antecipada, a decoração da casa levava um dia inteiro, com estrelas brilhantes feitas de papel e fitas de todas as cores a pender das portas. Na entrada principal uma grande coroa feita por ela com a ajuda da avó em pequenas e delicadas folhas verdes, pintalgada de vermelho e branco, dava as Boas-Festas aos visitantes. A vela acendia-se perto do presépio e assim ficava até à noite do dia 24 de Dezembro por altura do nascimento do Menino. Não havia Pai Natal, a expressão era-lhe então desconhecida. As compras eram feitas em conjunto, grandes sacos e papel de embrulho para que em casa, uns dias antes do grande dia, serem todas embrulhadas com etiquetas personalizadas. Os desenhos no papel pardo de sua autoria e a avó comprava grandes rolos de ráfia para fazer laços e prender os embrulhos cuidadosamente. Avolumavam-se junto à árvore de Natal e ela sabia de cor para quem era cada um deles.
Eram tempos diferentes, sem dúvida.
A alegria da surpresa só ultrapassada pelo pequeno-almoço copioso com direito a plum-pudding no dia 25 de Dezembro, quando, ainda meio estremunhada e de camisa de noite às avessas, chegava à sala e via as suas próprias prendas por abrir. Tempos em que tudo tinha o cheiro da castanha assada, das filhós a fritar, das fatias douradas carregadas de açúcar, do bacalhau que até se comia com gosto na consoada, e dos tachos ao lume, carregados de couve e batata, a gotejar perante o “desespero” alegre da avó. … tempo de férias e de celebração.
Tempo da Missa do Galo à meia-noite em ponto, casacos grossos, cachecóis e gorros de lã, e o beijinho no pé do bebé que tinha acabado de nascer para salvar os homens dos homens.Tempo de Natal.

Escrito por Catarina Price Galvão, do blogue Once

Se gostou deste texto, vote nele simbolicamente de 28 a 31 de Dezembro.

sábado, 10 de outubro de 2009

Come-se bem em Monsanto "Aldeia Mais Portuguesa" Aldeia Tão Portuguesa!



O cabrito assa demoradamente no forno. O cheiro a gordura estaladiça invade o ar a quem tem a ousadia de entrar na cozinha. Descascam-se batatas pequenas de pele lisa e amarelada, as melhores para assar. Prepara-se o molho, uma pasta apetitosa, bem temperada, que vai cobrir o bicho que continua, lentamente, a assar no forno de lenha.
A Beatriz grita ao marido por lenha. A garotada ri-se e vai ajudar a escolher os troncos mais pequenos e redondos, cortados a preceito e de propósito para que caibam na pequena fornalha.
Rasgam-se as alfaces em pedaços toscos, a cebola em tiras finas, lágrimas escorrem-lhe pelas rugas “olha-me esta que é danada!”.
A mesa é posta com desvelo. Retira-se da pesada arca, a toalha de linho branco, imaculado “bordada pela sua bisavó menina” diz-me a Beatriz todos os anos, os guardanapos são de pano a condizer. Copos de pé alto voltados para baixo, talheres em profusão, o pão casqueiro em lasca fina no cesto forrado com outro bordado.
Assa o cabrito lentamente e saímos todos de casa, bem agasalhados que na Beira o frio é de rocha feito, a caminho da Igreja para a Missa de Graças.
Batem os pés dos homens no adro, como que a espantar o frio, entram mulheres e crianças na Igreja acolhedora, antiga, tectos altos e Figuras Santas que nos impressionam. As janelas de vitral espalham a ténue claridade em cores que alegram as almas.
Assa ainda o cabrito. Devagar. As pequenas cestas do “Pão por Deus” estão prontas, à espera da criançada que vai correr a Vila ainda antes do almoço. Bolos de mel, torrões e pasteis de abóbora encavalitam-se na cesta da mais nova que já não pode com o peso. Há gargalhadas no ar frio que aquecem os corações dos mais velhos “venha cá menina que não lhe dei inda o meu”!

Cheiro a batatas assadas, salada bem temperada de fio de azeite grosso, amarelo.
Cheiro a lareira acesa e a bola de azeite, peganhenta, deliciosa.
“Para a mesa Meninos, para a mesa!”

Cheiros da minha infância. Tão perto .. tão longe.

Escrito por Catarina Price Galvão, do blogue Once

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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Monsanto : Festa de Santa Cruz

Foto cedida pela Olho de Turista (2009)
O castelo está ligado à tradição da principal celebração de Monsanto: a Festa da Santa Cruz.


Originalmente uma tradição profana ligada ao ciclo da Primavera, foi cristianizada e associada ao lendário cerco do castelo, segundo algumas versões pelas tropas do pretor Lúcio Emílio Paulo em fins do século II a.C., segundo outras a um ataque dos mouros por volta de 1230, ou até posteriormente durante as lutas com Castela.

Em qualquer hipótese, os inimigos sitiantes procuraram vencer pela fome os defensores do castelo. A tradição refere que o cerco se prolongava já por sete longos anos, quando intramuros restavam apenas uma vitela magra e um alqueire de trigo. Uma das mulheres sugeriu então um estratagema desesperado para iludir o inimigo: alimentaram a vitela com o último trigo, lançando-a com alarde por sobre os muros do castelo, na direcção dos sitiantes.

Despedaçando-se contra as rochas, do ventre da vitela espalhou-se o trigo, abundantemente. Com essa manobra, o inimigo entendeu que os defensores ainda se encontravam milagrosamente providos de alimento, protegidos pela providência divina, levantando o cerco e se retirando da região.

O episódio é atribuído a um dia 3 de Maio (dia da Santa Cruz), razão pela qual nesta data, anualmente, as mulheres do povoado se vestem com as suas melhores roupas e, ao som de adufes e canções populares, agitando marafonas (bonecas coloridas com armação em cruz), algumas com potes caiados de branco, decorados e cheios de flores à cabeça, partem da povoação em direcção ao castelo. No interior do castelo, do alto das muralhas, os potes brancos, simbolizando a vitela, são lançados em direcção ao exterior, revivendo simbolicamente o episódio da salvação da vila.”

Recordo-me de me vestir igualmente de branco, ainda sem saber porquê, de tentar tocar o adufe que a Beatriz criteriosamente nos ensinava, e com o cabelo cheio de flores, miraculosamente equilibradas partir de manhã cedo em direcção ao castelo.

Subida íngreme, muito íngreme, vista de cortar a respiração.

Lá em cima no meio do nada, entre ruínas do que outrora tinha sido o “palco da salvação” assistir comovida à missa do dia e ouvir os cantares em vozes que não voltei a escutar, som que se propaga pela planície logo abaixo e que, jura quem de lá o escuta, se consegue ouvir a quilómetros de distância.

Parte das minhas raízes que acarinho. Pedaços de História. Bem hajam.

Texto escrito por Catarina, do blogue Once
Festas e Tradições de Monsanto, Idanha-a-Nova, Castelo Branco

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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Odeceixe, um lugar especial da Catarina

Odeceixe, local eleito, sempre a relembrar outros tempos em que as férias eram imensas, um mês inteiro à beira mar, com direito a ver tudo o que havia para ver, explorar, por vezes em risco, as enormes rochas que saem do mar, tomar banho nas piscinas naturais entre escarpas, joelhos arranhados e conchas espetadas nos pés, consequências próprias de quem invade, sem licença, a Natureza.

Tempo para fazer amizades, que passam de um ano para o outro, daquelas que não desesperam na espera tal a certeza do reencontro.
É isso que procuro hoje, sempre que lá regresso. Odeceixe – terra de Férias!

Escrito por Catarina, do blogue Once.
Odeceixe - 1ª praia Algarvia - Concelho de Aljezur, Distrito de Faro.

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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Monsanto, a aldeia da Catarina

Foto cedida por Pedro Pais

As vindimas na Beira eram uma aventura como poucas, grandes cestas de vime que ainda hoje sei entrançar, verdes ou negras do sumo da uva colhida, eram colocadas nos carreiros das videiras para que as mulheres, de lenço negro à cabeça e canto cristalino na voz, cumprissem um trabalho que de pesado se fazia leve. Nós, os garotos da cidade misturados sem diferenças com os garotos da terra, amigos até aos dias de hoje, percorríamos as veredas em equilíbrio tentando ganhar a corrida do cacho mais gordo ou da uva mais doce. Acreditávamos que ajudávamos à lide, sei hoje que atrapalhávamos mais que qualquer outra coisa, ainda escuto as gargalhadas do mulherio trabalhador quando ostentávamos um ar orgulhoso por termos conseguido arrastar um cesto cheio até ao reboque do tractor que subiria até ao lagar. O lagar, com um cheiro adocicado e enjoativo, fazia as delícias da pequenada, aguardávamos na chamada fila indiana que nos deixassem rodar a manivela responsável pela primeira espremidela às uvas que eram atiradas dentro. Manivela responsável por uma ferida feia no nariz quando achei que conseguia, ainda de pouca altura, acompanhar-lhe o impulso. Ao fim do dia homens, mulheres e crianças de calças arregaçadas, abraçados e cantando os cantares da terra, pisavam a uva, sem parar. As unhas vermelhas e as pernas salpicadas de vinho. Gargalhadas noite dentro por cada desistência, nós, os pequenos, os primeiros a desistir, cansados do sono e dos vapores nauseados.Era um outro Setembro. Feito de pão casqueiro e fatia de queijo de cabra com casca, feito de figos e dióspiros em quantidades abissais, da apanha da castanha e da seara dourada e colhida, a aguardar na eira o descasque da espiga. Feito de levantares madrugadores ao relinchar da minha égua, a Estrela, que me acordava cedo na certeza do passeio. Era um Setembro de camisola já vestida por essa altura, calça curta e pé descalço, para apreensão da Mãe que nos inspeccionava no banho à procura da carracita do campo ou de algum lanho feio e a precisar de desinfectante.Era o juntar da lenha que aqueceria o cacau escuro e a água do banho quando regressássemos todos em Dezembro, toros enormes que crepitariam no lar franco e bem estruturado de uma lareira que era o orgulho do Pai. “Nem uma réstia de fumo dentro de casa! Aprendam, meninos, aprendam!”Setembro, que não queríamos acabasse, mesmo desejosos que pudéssemos estar na viagem de regresso à cidade para voltar à escola, aos amigos, ao “que fizeste nas férias?” certos de tanta aventura para contar. De outra tanta para ouvir.
Era o meu Setembro, há anos largos, quando ainda criança, quando ainda adolescente.O meu Setembro em Monsanto, aldeia tão portuguesa, Aldeia mais Portuguesa.
Escrito por Catarina
Monsanto, Idanha-a-Nova / Castelo Branco
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Cidade menina

Cidade menina quantas vezes esquecida pelos que nasceram e cresceram em berços de mar.
Qual não é o espanto, pois deixam um coração vazio, e para sempre guardam o encanto da pequena cidade à beira mar, onde se podem ver as montanhas, e refrescar em pinhal.


O suor do Homem do mar, as mãos calejadas da arte de alimentar a gente. É concelho que guarda esforços passados que são sempre lembrados pelo povo já antigo.
Ouve-se ao longe a preocupação do Forte de S. João Baptista, que não arrisca em deixar para trás a vida.

Amparo de luz e som, que chama... Traz o homem de novo de volta, deixando-o à solta.
Ilumina o caminho, pois cegos estão os homens, e precisam de comer…

Cidade menina, és Terra que proporciona ao povo, o tudo que pode existir, a um passo curto, a uma distância breve. Enriquece a sua gente, com tanto e tão pouco, e não mente quando fala de espaços por preencher, com tanto ainda por crescer…



É Romana a sua raiz, onde o tempo quis que deixasse para trás marcas de formas de vida, peças que se tornaram atracção para todos os que não passam cá em vão.
Banhada de terra por Viana de Castelo, Póvoa do Varzim e Barcelos, é acarinhada por ser fortaleza marítima de riquezas diversas. Onde Braga é distrito, evoluída em dimensão e organização.


Guardam em si a fonte da vida, escondida no brilho do olhar das crianças que ainda brincam em segurança, nesta que é uma pequena cidade, uma aldeia imensa coberta de afirmação, que clama por novos projectos e é certo que esta menina está madura e preparada para inovação e criação de uma nova alvorada.

Que neste dia, Portugal se lembre de Esposende…



Escrito por Catarina Portela
Esposende/ Braga
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