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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

COLECCIONAR PRESÉPIOS




Cá em casa fazemos colecção de presépios. Que já são bastantes. De acordo com fontes bem informadas e que, além disso, fizeram uma laboriosa e atenta contagem, já são 417 (mais vaca, menos burro). E cinco armários com paredes de vidro, como o PCP. Todos os Natais acrescentamos um que outro ao acervo. E, mesmo durante o ano…Por onde passamos, se vemos algo interessante, é tiro e queda. Se houver euros, cada vez mais caros e raros.

Temo-los dos mais diferentes, das proveniências mais diversas, das dimensões mais variadas e dos estilos e materiais mais interessantes. Até um, peruano, com a Senhora deitada na cama e com o ilustre rebento ao lado. Sentado, atento, reverencial e cuidadoso, está José, o primeiro pai putativo. Da História e do menino.

Este ano, e dado que a data se aproxima a passos cada vez mais largos – curiosamente o Natal consegue calhar sempre a 25 de Dezembro, unanimidade que a Páscoa recusa, como o Mário Soares não aceitou a sindical da Inter – já começámos a pesquisa. E não é que ontem, em pleno centro comercial (não digo o nome por mor da publicidade, apesar do esforço do engenheiro Azevedo) nos deparámos com um de estilo renascentista, colocado estrategicamente em montra apelativa?

Entrámos e vá de apreçar o nascimento. Artesanato puro, em faiança, século XVIII, naturalmente cópia. De marca, londrina, registada nas traseiras da manjedoura, o que é perfeitamente aceitável e justificável. Paguei – quando toca a saldar contas, passo sempre do colectivo nós para o individual eu – com o cartão de débito e saímos com a sacrossanta família, perfeitamente embrulhada e em saco plástico alusivo à época.

Chegados a casa, a nossa anja-da-guarda, a Conceição, a quem mostrámos o conjunto, não se conteve: «É lindo. O chinês lá ao pé de minha casa tem iguais. A oito euros e noventa e nove cêntimos, barato…» Nem digo quanto custou o que adquirimos. E a Conceição, raios a partam, «claro, é made in China». Feliz Natal.

Escrito por Henrique Antunes Ferreira, do blog A Minha Travessa do Ferreira

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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

COM A CAMISA E COM O CASACO



O meu Avô materno era o Senhor Tenente da Guarda Fiscal Braz Antunes. Aos 82 anos usava um bigode retorcido e encerado, tão branco como as suas cãs, e ia ao palio nas procissões. Era de Montalvão e subira a pulso na carreira. Entrara como guarda e, segundo ele, não fora «ajudante de auxiliar de praticante» porque não havia tal posto…
Homem sério, avisado, honesto e ponderado, tinha porém um espírito apurado, uma graça fina como só ele. Sempre que podia aferroava a minha Avó Maria, natural de Aldeia da Ponte. Eram os beirões para aqui, os ratinhos para acolá, um fartote que deixava a mulher muito encrespada.
Um dia contou-nos a estória – naquele tempo ainda era história – de dois irmãos que foram roubar/comer castanhas num ramo da árvore progenitora. A dada altura, dizia o Manuel para o Zé: «Ó Jéi, ê cá comi mais castanhas do ca tu!!!» E o outro, que não, que quem comera mais fora ele. «Ó Jéi ê comi-as ca camicha…» E o Manuel: «Nada, nada, mano. Ê comias co cajaco!!!» Acrescentava o Senhor Tenente que os dois eram nados na Aldeia da Ponte. A Dona Maria imagina-se como ficava.
Lambo-me por castanhas. Foi de minha Mãe que guardei a receita de as cozer, proveniente da Avó. E mãe dela, obviamente. Mas também as adoro assadas, na brasa, a saltar, como canta o Carlos do Carmo. E de pudim das ditas. Só não gosto de apanhar castanha. Faz doer.

Escrito por Henrique Antunes Ferreira, do blogue A Minha Travessa do Ferreira

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