quarta-feira, 10 de junho de 2009

A minha aldeia: Tourigo

Por essa regosfera, há muitas iniciativas. E porque não participar numa delas sobre a "Aldeia da minha Vida" no dia de Portugal?
Foi o que fizemos!

Nome: Confraria do Rego


Texto sobre a "A Aldeia da minha vida":



Tourigo: Aldeia aninhada na encosta do Caramulo, tem nome da casta-magna do Dão (touriga) e foi até passagem de militares nas invasões francesas. De pequena se torna grande, porque variada e rica. Para além dos moínhos, da beleza natural que lhe é característica e alguns vestígios arqueológicos, destaca-se o Rego do Esporão, património cultural que tem por base uma levada de água de abastecimento ao regadio do povo que, durante várias gerações, tem fertilizado as propriedades dos beneficiários e seus descendentes. Sobre esta levada, existem registos que datam, pelo menos, de 1720. Trata-se de uma escritura de partilha da água por vários agricultores, com a anotação dos dias, horas e minutos a que cada um pertence e que deve constituir um dos mais preciosos manuscritos no género em todo o país. O manuscrito foi considerado por um Magistrado como um documento legal e perfeitíssimo que regula a partilha da água do conhecido rego do esporão há 266 anos.


"Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,"
Tenho-a para mim como secreto aconchego,
Quando dela condenso os cheiros, as cores, os risos, o Rego...
Todos num verso
E olho-a como um amante sente uma mulher!
**dois primeiros versos de Fernando Pessoa
Tourigo, aldeia que cativa!
Escrito por Confraria rego

Tourigo/ Distrito de Viseu

Para comentar, vá ao blogue de origem http://confrariadorego.blogspot.com/

Para votar este post, deixe aqui o seu voto na caixa de comentários.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Em primeiro lugar, sejam bem vindos todos os participantes e leitores a esta Blogagem Colectiva da Aldeia da Minha Vida!

Peço desculpa pela demora das postagens dos textos, que se deveu a problemas técnicos do servidor ( a net às vezes prega-nos destas partidas...). Mas o que importa é que já está resolvido o problema e prometo ir a todos espreitar e comentar as vossas postagens.

A nossa equipa, que está a organizar esta blogagem, faz questão de dar o seu contributo:

- Heriberto Vera- Aldeia de Monsanto ( Pousada de Monsanto, que oferece um fim-de- semana em Monsanto, de sexta a domingo para duas pessoas com pequeno almoço incluído);

- Susana Falhas - Aldeia de Longroiva ( Sócia da Olho de Turista, Lda)

- Paulo - Caldas de S. Gemil ( Sócio-gerente da Olho de Turista, Lda)

- Zulmira Falhas - Pestana ( Sócia da Olho de Turista, Lda)

Os textos publicados aqui hoje são também de pessoas que não possuem blogue e que quiseram participar nesta iniciativa, a fim de concorrer ao belíssimo prémio:

- João valente - Vila Maior

-Maria Graça- Vila de Caria

- Elsio Faro- Mundão

- Cristina Casanova - aldeia da Gafanhão


Na barra lateral, encontra-se a lista dos participantes e respectivos links para visitarem e conhecerem os seus textos.

Participem e deixem os vossos comentários !

Nós agradecemos!

Atenção, um pequeno esclarecimento!

Hoje, dia 9 não é dia de votação! Podem deixar à vontade os comentários que quiserem e a quem entenderem, aqui, e/ou nos blogues dos participantes.

A votação só se inicia dia 10 (amanhã) e terminará dia 28 de Junho aqui, neste blogue. Deste modo, amanhã estarão postados aqui todos os textos dos participantes para serem alvo de votação.

Os votos serão efectuados no espaço dos comentários, presente no respectivo texto e participante; que Será Postado AMANHÃ!

Para mais Informações, por favor, CONSULTE Aqui a sua postagem sobre a Blogagem, ou deixe um Comentário.

Monsanto para Heriberto, um sevilhano



Heriberto Vera é um cidadão espanhol, de Sevilha, que escolheu a aldeia de Monsanto para trabalhar e morar. Recentemente tomou posse da Pousada de Monsanto, conhecida por “Divinus Monsanto”, na qualidade de gerente do estabelecimento.

Para além de patrocinar esta iniciativa da Blogagem Colectiva
"Aldeia da Minha Vida", com a oferta do prémio de um fim-de-semana na sua Pousada para duas pessoas, Heriberto faz questão de participar com o seu testemunho sobre a sua aldeia de eleição, numa entrevista promovida pela Olho de Turista, em Maio deste ano.

É obvio que este texto não será alvo de votação, mas quem quiser fazer comentários, pode fazê-lo .


Entrevista a Heriberto

OT (Olho de Turista): O que faz um espanhol vir para Portugal, mais concretamente a Monsanto?

H (Heriberto): Estava a trabalhar em Espanha numa empresa de Gestão e um dia vi um anúncio a oferecer um posto de trabalho em Monsanto. Enviei o meu currúculo, fui seleccionado e vim para cá. Comecei a trabalhar aqui ( Pousada) a 14 de Julho de 2008.

Quando cheguei a Monsanto, depois de dar uma volta, o primeiro impulso, foi pegar no meu carro e voltar para Sevilha. Pensei:”O que faz um espanhol, de uma grande cidade, como Sevilha numa aldeia portuguesa, perdida no espaço e no tempo?” Contudo, após a primeira noite que passeei e dormi em Monsanto, fiquei “enfeitiçado”. Fiquei “enamorado” de Monsanto. Viver em Monsanto é fantástico. As casas e as ruas são feitas de pedra. Há muitas pessoas com muita sabedoria popular, com muitos anos e que conservam parte dos costumes e da cultura de Monsanto. Isto na maioria das populações está perdido e aqui está vivo. As pessoas são muito simpáticas e muito solícitas. Estão sempre prontas para ajudar e contar histórias de Monsanto. Agora só saio de Monsanto quando, um dia falecer. Para mim, Monsanto já está entranhado na minha pele. Se vocês ficassem aqui uma semana também ficariam encantados com Monsanto. Além disso, é muito tranquilo.

Há uma relação muito boa e mútua entre a população e a Pousada. Uma não consegue viver sem a outra. Por isso estou tranquilo, quanto ao futuro da Pousada.

Entrei como funcionário em 2008 e a partir de Abril deste ano, passei a gerir a Pousada.

Como novo gerente, tenho objectivos para cumprir no prazo de dois anos, que incidem especialmente no melhoramento da qualidade de prestação do serviço aos nossos clientes.

O lema da pousada é: ser simpático e prestável ao cliente, aos turistas e a todos que nos visitam. Procuramos que se sintam em casa. Não quero que o cliente seja o turista do quarto 103, mas sim o senhor “António Oliveira”. Criamos uma relação de amizade e de cumplicidade com cada cliente. Há clientes que me telefonam, antes de virem de novo, para que eu os ajude a encontrar lojas típicas, ou de lembranças, etc. Um serviço personalizado, como o nosso é difícil de encontrar, inclusive nas rejeições que confeccionamos, temos o cuidado de saber as preferências do cliente. Queremos que o cliente se sinta confortável , tenha o prazer de apreciar a nossa pousada e vontade de regressar. Queremos que se sintam em sua casa.


OT: Há pouco falou de serviço. O que entende por serviço?

H: O serviço resume-se a esta frase: “ Quero que o cliente, ao entrar pela nossa porta se sinta como se estivesse em sua casa”. Queremos que o cliente se sinta cómodo, confortável e a seu gosto e esqueça os seu problemas e preocupações enquanto está aqui.
Nós hoteleiros somos vendedores de ilusões. Quando vamos de férias ou de fim de semana compramos uma ideia e uma imagem do local para onde vamos. Contudo como vamos explicar à priori as sensações de conforto e de bem estar que o cliente vai sentir aqui?
Queremos que o cliente se sinta bem e isso transmite-se aqui no decurso da estadia. Ele vai sair daqui e dizer: estive em Monsanto e adorei! É um local fantástico e estive numa Pousada de sonho! São super amáveis. Se necessito de algo, eles procuram logo satisfazer-me. Quero que cada cliente seja meu vendedor de sonhos e de ilusões e desta terra também.

OT: em termos de projectos para o futuro há alguma coisa que gostaria de fazer nos próximos anos?

H: Há vários projectos para a Pousada e para Monsanto. Uns promovidos pela Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e pelo Turismo de Portugal, outros por minha conta. Pretendemos arranjar fisicamente a Pousada, com algumas obras para a melhorar.
Também gostaria de ministrar alguma formação especializada aos meus colaboradores. Aprender deve ser uma constante. Nós tentamos aprender com cada cliente, porém há que ter também uma formação de base, para que possam satisfazer os clientes.

O projecto que tenho é crescer em termos de serviço e qualidade servidos ao cliente, já que não posso crescer fisicamente, dados os limites do edifício.
Por fim o meu projecto final é ter amigos que nos queiram vir visitar em sua Casa.

Este é o meu projecto de fundo


.



Para Reservas e Informações: Telefone:
277 314 071 /277 314 471
_______


Escrito por Susana
Monsanto/Idanha-a- Nova/ Castelo Branco


Aldeia da minha vida: Longroiva

Nasci na cidade da Guarda, pois era para lá que enviavam as mães parturientes para terem os seus filhos. Quase toda a minha vida vivi na actual cidade de Mêda, onde cresci , até que parti para estudar e depois para trabalhar.

Vista Parcial de Longroiva

Mas é da aldeia de Longroiva onde encontro mais afinidades, pela sua História, pela qual me apaixonei . Em cada dia que passa, não pára de me surpreender, com as descobertas feitas na região, cuja passagem humana remonta desde os tempos da Idade do Ferro, passando pelos tempos romanos, seguidos dos tempos da emergência da nacionalidade portuguesa. Foi com os Templários que esta terra teve o seu papel fulcral na defesa portuguesa, contra mouros e castelhanos. No entanto, pouco resta daquilo que foi outrora, senão a torre de menagem e a Igreja Matriz que continuam intactos, ao longo de 8 séculos de História. Esta parece ter ficado cada vez mais esquecida e desvalorizada, a cada geração que passa.

Da aldeia tenho algumas pequenas histórias para contar, pois foi o elo de ligação entre a família dos meus avós paternos e maternos. Longroiva é uma freguesia, onde fazem parte pequenas quintas e lugares como a Pestana, terra da minha mãe, e a Quinta dos Falhas, terra do meu pai. Foi em Longroiva que os meus avós e os meus pais se casaram e nós (eu e a minha irmã) fomos baptizadas pelo Padre António, que já faleceu há alguns anos.


Foi na Escola Primária de Longroiva onde os meus tios aprenderam as primeiras letras e números, assim como eu estive, desde a segunda à quarta-classe, enquanto a minha mãe leccionava, noutra sala ao lado. Os primeiros companheiros tive-os nessa escola, como a Raquel ou o Jean Louis, a Luísa, a Sónia, que na maioria deles perdi o contacto. Já foi uma escola cheia de miúdos, com as duas salas e um Jardim de Infância. Hoje está fechada, por falta deles…
A minha Escola Primária



Momentos festivos, como o Natal, o Ano Novo, a Páscoa ou a Festa da Nossa Senhora do Torrão em Setembro (anual: 7, 8 e 9 de Setembro) eram vividos intensamente pela família, que aproveitava esses dias para se encontrarem. Dessas festas, vêm à memória momentos das tradições: não me esquece a forma como as senhoras cantavam os cânticos na Igreja, que não deixava ninguém indiferente...pois entravam e ficavam bem impregnadas no ouvido…mesmo que não quiséssemos… como aquela em que o pastor coloca um rebanho de ovelhas a correrem em volta da capela vezes sem conta; aquelas bandas da fanfarra que passavam pelas ruas a tocar e os foguetes a arrebentar, logo de manhã, para acordar o povo ou aquele meu tio Eurico que, com aquela voz capaz de ser audível bem longe dali, aproveitava para ajudar os mordomos da festa na arrematação das prendas, enquanto bebia o seu sagrado vinho tinto.
Termas de Longroiva: instalações a inaugurar brevemente

Longroiva é uma região importante pelo facto de ter as Termas de Longroiva, especialista em tratamentos para os ossos e de pertencer à Região Demarcada do Douro.
Vale da Veiga
É no Vale da Veiga que começa a região do famoso Vinho do Porto, onde os meus avós foram produtores e os meus pais continuam a actividade. Infelizmente o Vale da Veiga parece ter os seus dias contados…o governo pretende destruir o que de melhor existe nesta região para aí construir a famosa IP2. Quando isso acontecer, grande parte da produção vinícola de Longroiva ficará irremediavelmente perdida.
É triste sabermos que, neste momento, não é só o património construído, o único ameaçado de esquecimento e de desvalorização, o património paisagístico que compõe a região pela sua beleza ímpar protagonizada pelas Videiras, Oliveiras e Amendoeiras, enfrenta também este problema. É um problema que irá contribuir para que a desertificação tenha um impacto ainda maior e mais negativo para esta região.
Esperemos que até lá ainda haja tempo para voltar atrás para repensar nas estratégias que possam beneficiar as populações, e não prejudicá-las. Para que os jovens que escolheram ficar a viver e apostar na sua terra não se sintam traídos.
Esses jovens, como eu escolheram ficar, com muita coragem.
Com muita coragem eu resolvi sair.
De lá levo recordações, mas espero um dia voltar, para fazer aí a minha vida com a minha família, que entretanto formei.

Até lá ficam apenas a intenção e as recordações.

Escrito por Susana Falhas*
Longroiva/ Mêda/ Guarda
______
*Sócia da Olho de Turista Lda
Não se preocupem , que eu não vou concorrer ao prémio!
Não podia deixar de participar e dar a conhecer a todos a minha aldeia.

A aldeia de Caldas de São Gemil.

Era uma vez dois irmãos e um amigo. Poderia começar assim caso se tratasse de uma história infantil, daquelas que todos ouvimos na nossa infância. Até porque vamos viajar no tempo até à minha infância, mas não. Vou começar de uma forma diferente.

Paulo de 14 anos tem um irmão chamado Elsio com 10 anos e meio. De segunda a sexta moram na cidade de Viseu, num bairro bonito e jovem, o Bairro do Serrado. Estamos em 1986. Já passaram uns anos desde então. Vamos regular a dimensão temporal, para esse ano.
Aos fins-de-semana, os nossos personagens vão para casa dos avós maternos, em Lageosa do Dão, concelho de Tondela e distrito de Viseu.

Lá têm vários amigos mas, de entre eles destaca-se o Tonito que, tem neste momento 12 anos. Tonito é vizinho dos avós. A sua família é grande e muito simpática. As duas famílias dam-se muito bem, desde sempre.

Estamos no Verão. mais concretamente em Julho. Por lá está sempre muito calor e os nossos amigos aproveitam o tempo das férias grandes da escola para estarem mais tempo juntos. Sempre inventam algo para se divertir e para passar o tempo. Basta uma bicicleta a cada um e vontade de circular com ela para que os nossos amigos se divirtam. Afinal de contas a freguesia é tão grande e eles têm sempre caminhos, ruelas, vinhas, pinhais e terrenos que ainda não conhecem e que estão mesmo ali à mão de serem descobertos.

Naquele dia, Paulo tem uma ideia: e que tal irmos às Caldas de S. Gemil ao Rio para nos banharmos e nadarmos?
A ideia foi aceite por unanimidade. Bastou apenas dizer à mãe que se ia dar uma volta de bicicleta. Não se podia dizer para onde iam, caso contrário ninguém autorizava, assim, sem ir primeiro alguém adulto com eles.

De Lageosa, desde o Bairro Novo a Caldas de S. Gemil, são assim sem exagero, uns 6 quilómetros. Para lá é tudo a descer, faz-se muito bem. Convém ter os travões afinados, caso contrário pode-se ir parar dentro da vinha de algum vizinho …
A descida é fabulosa, a paisagem é deslumbrante. Passa-se por pinhais e vinhas à beira do Rio Dão. O ar é perfumado pelas rosas bravas e pelas outras plantas que encontram.
Finalmente S. Gemil está á vista. É lá que costumam ir aos domingos com os pais para se refrescarem nas águas cristalinas do Rio Dão. Costumam encontrar por lá amigos e vizinhos e até mesmo a conhecer outros miúdos que estão emigrados.

Naquele dia, o primeiro em que vão pelo seu pé, resolvem inventar o banho de bicicleta! O que é isso? Está de certeza a perguntar-se. Pois bem, eu explico. Desde a estrada até ao rio há uma ladeira inclinada que termina na praia fluvial das Caldas das Termas de S. Gemil. Esta praia está coberta de areia mas, como é grossa e tem muito cascalho, permite que as bicicletas desçam por lá sem problemas e sem parar …

Claro que já viu o filme: os nossos amigos entram a uma grande velocidade dentro do Rio Dão em cima das suas bicicletas! É uma sensação única! Cheia de adrenalina! Não há nada como aquela aventura … ao sentir a bicicleta parar, então lançam-se para a água mergulhando.
Foi assim que começou o primeiro dia das férias grandes em que mais se divertiram os 3 amigos e sempre na Freguesia de Lageosa do Dão.

Escrito por Paulo

Caldas de São Gemil (Lageosa do Dão) / Tondela / Viseu

Pestana, a aldeia da minha vida

Vista parcial da Pestana

A minha aldeia chama-se Pestana. Situa-se no cimo de um cabeço de um monte, com as casinhas dispostas em duas ruas: a rua principal e a rua de baixo. É uma aldeia pequenina, um pequeno lugar, que pertence à freguesia de Longroiva, concelho de Mêda e distrito de Guarda. Com pouco mais de uma dezena de habitantes, nada se compara aos tempos dos anos sessenta, em que a escola estava repleta de crianças.

As pessoas pouco possuíam, mas todos tinham a sua casa e uma pequena horta, onde retiravam o sustento para a família. Todos eram solidários. Partilhavam os primeiros legumes, frutas da época e até o pão. Tinham um forno comunitário, a lenha, onde coziam sempre o pão, de centeio e trigo, e a bola espalmada. Esta como cozia rapidamente, era a primeira a ser retirada do forno para ser repartida, ainda bem quentinha entre os presentes. Muitos eram os que acorriam ao forno, quando pairava no ar o cheiro a pão acabado de fazer, para comerem com satisfação. Era costume fazer um pão para a avó, outro para a velhinha mais pobre da terra e havia sempre pão reservado para a Senhora Professora. Fui criada nesta terra, com mais quatro irmãos e muitas vezes era a encarregada de levar uma cestinha na mão com produtos da horta para uma velhinha, que não tinha família.


Casas tipicamente beirãs em xisto

Na Pestana há uma casa amarela, onde tenho algumas recordações. A casa era diferente das outras. A maioria das casas era de xisto ou caiadas de branco. Aquela era amarela e pertencia ao meu tio mais abastado. Foi em frente dessa casa que tirei a primeira fotografia com a minha avó Maria da Luz. A foto foi tirada por um primo do Porto, que veio aquele dia à terra, com uma máquina fotográfica. Foi a primeira vez que vi uma, tinha eu uns sete anos de idade.
Ainda me lembro das nossas brincadeiras de criança, em que transformávamos grandes lajes de xisto, de uma antiga pedreira, em autênticos escorregas e com eles rasgávamos a roupa e esfolávamos os joelhos…

Era uma terrinha pequenina, sem água canalizada e sem capelinha. Tínhamos que ir à missa a Longroiva a pé, 5 longos quilómetros! O pior foi quando tivemos que ir lá todos os dias, por causa da Comunhão solene, em Setembro, na Festa em Honra de Nossa Senhora do Torrão… estava muito calor, o que custava mais a caminhada…

A minha aldeia, apesar de não ter monumentos, é a minha terra que gosto muito, onde vou sempre que tenho oportunidade.

Sinto uma grande revolta por não constar no meu Bilhete de Identidade, por não ser uma freguesia, como lugar de naturalidade…

A Pestana não está assinalada no mapa, mas fica para sempre o meu coração.


Texto escrito por Zulmira Falhas

Pestana/ Longroiva / Mêda / Guarda

A Aldeia da Minha vida: Vila Maior

Vila Maior ( foto cedida por Júlio Marques)


«Perdi uma boa parte do dia no quintal. Ao fim da tarde saí. Desci pelo churrião, em direcção ao rio e resolvi subir a um ponto do Arsaio, na outra margem. Aí, frente à nossa aldeia, fica uma encosta íngreme, coberta por lameiros e freixos, que desce a pico sobre uma ravina. Desse lugar vê-se o lado oriental da nossa aldeia, uma série de casas em granito sobre uma escarpa, com telhados em telha velha, de um vermelho já desbotado, diversas amendoeiras e nogueiras a despontarem dos muros dos quintais, aqui e ali, uma chaminé a fumegar, algumas peças de roupa, estendidas a secar. Mais acima a igreja, o cedro do cemitério, a torre de menagem, a ruína da Senhora do Castelo, a torre de menagem.

Tinha ainda umas duas horas de sol, e este foi descendo vagarosamente sobre os campos da correia, na direcção de Porto-de-Ovelha e a luz sobre os telhados e muros foi-se tornando mais amarelecida, mais intensa e dourada. Antes de me sentar, fitei por momentos o Vale da Lapa, até à folha do Côa, as colinas distantes, em primeiro plano os carvalhos do Pombal, e o caminho do Pindelo com profundos sulcos escavados pela água, e depois observei a nossa aldeia, aquele ninho aconchegante onde todos os traços de telhado, todas as empenas, todas as chaminés, me eram familiares. Mesmo por baixo do adro, um telhado, anteriormente de um castanho-escuro, foi agora recuperado e apresentava um tom mais avermelhado. Era a casa do Seixas, com aquele terraço aberto sobre a Travessa das Moreirinhas, onde exibe uma antiga estela funerária. Ainda não me tinha apercebido, mas ele reparou o telhado inteiro no último Verão. Um pouco mais ao lado a casinha do Manuel da Malhada, térrea, sem telhado ainda, mas com antena de televisão. Divorciou-se e já não a concluiu.

Algumas das casas, já têm os telhados arruinados. Todas elas pertenciam a alguém, foram construídas por alguém, alguém que viveu, comeu, dormiu, fez, teve e criou filhos e morreu lá dentro. Mas já há muito as suas chaminés não fumegam. Apenas resistem as árvores nos pequenos quintais, os pequenos prados, as últimas cepas de vinhedo, as últimas cerejeiras, que já ninguém sabe a quem pertencem.

O que os poucos e últimos habitantes vêem nas suas casas e quintais, não consigo eu ver daqui. Que o mosto fermentou e é preciso atestar a pipa, que a latada perdeu toda a rama, que a chaminé não puxa o fumo, a escava-terra mina o cantinho dos alfobres, o porco ceva para a matança, tudo isso eu não consigo ver daqui. Mas aquilo que eu vejo da nossa aldeia, outros não conseguem ver.

Ninguém vê o verde característico da figueira que nasceu no corta-águas da ponte, a suavidade do calor a subir nos telhados, por entre as copas das nogueiras, o verde-salsa da casa do Zé da Laura contrastando no cinza granítico dos muros da Mundanha, a branca agulha da torre sineira a furar a imensidão azul do céu, a graça com que o cedro do cemitério interfere com o amrelo-ôcre da torre de menagem.

Ninguém repara como lá em baixo, nas veigas e hortas junto ao rio, o amarelo dourado do entardecer é mais profundo e se distingue perfeitamente da faixa azul das colinas que se erguem lá para as bandas do Carril.


Ninguém percebe, a não ser eu, que é precisamente a esta hora do pôr-do-sol, que a alma das coisas se desprende e o jogo das cores se torna mais vivo e aprimorado, que a qualquer outra hora do dia. »


João Valente

Vila Maior, Concelho de Sabugal, Distrito da Guarda

Caria: a aldeia para toda a vida!



Paisagem da Serra da Estrela, vista de Caria


A aldeia da minha vida, não é da minha vida e não é uma aldeia, pois é, como só a conheci quando tinha perto de 20 anos não é da minha vida e como é uma vila, não é obviamente uma aldeia.

Falo-vos da vila de Caria, no distrito de Castelo Branco, concelho de Belmonte e freguesia de Caria.

Conheci esta vila após seis longas horas de viagem, vinda de Lisboa, em 1992. Tratava-se da terra do meu avô, pai do meu pai, e vinha ver pela primeira vez ver a casa onde tinha vivido o meu bisavô.

Depois continuei a vir a Caria, com o sonho de um dia recuperar essa casa. Em 2001 adquiri por partilha a casa e em 2006 a obra iniciou-se e veio a tornar-se num Turismo no Espaço Rural, com o nome de Passado de Pedra. Afinal, não é a aldeia da minha vida, mas é a aldeia para o resto da minha vida…..

Por vezes perguntam-me a razão do nome escolhido para a casa e sempre respondo que a casa representa o meu Passado e que é feita de boa Pedra.

Bem, mas chega de falar de mim, porque o que me foi pedido foi para falar da minha aldeia.
Etimologicamente Caria é um nome de origem árabe e significa aldeia, vila ou povoação, sendo que os hebreus lhe davam a designação de Quiria ou Alcaria.
Caria é uma povoação muito antiga, tendo-lhe sido atribuído foral por D. Manuel I, em 15 de Dezembro de 1512, sendo portanto nesse tempo um Concelho autónomo.
Em termos de património, para uma vila, Caria é bastante rica e se um dia a vierem visitar não deixem de ver a Casa da Torre que é talvez o edifício mais antigo de Caria, datando de 1322. Foi mandada construir por D. Martinho II, bispo da Guarda e senhor de Caria. O corpo central da casa é constituído por uma torre de origem medieval (séc. XIV), sendo também visíveis vestígios de uma fortaleza.
No entanto, os edifícios mais notáveis da vila de Caria, bem como a maior parte do casario que compõe o seu centro histórico, datam sobretudo do século XVII.

Uma das actividades económicas da vila era a agricultura e existiam grandes casas senhoriais que exploravam a maior parte das propriedades. Desses tempos sobram solares, como é o caso do Solar Quevedo Pessanha com uma magnífica ornamentação exterior, e considerado um dos melhores solares da Beira Baixa.
Janela do Solar Quevedo Pessanha


Caria tem uma bonita Igreja Matriz, de Nossa Senhora da Conceição, edifício reconstruído em 1701 em estilo barroco, onde é de salientar o altar, ricamente ornamentado em talha dourada.



Torre sineira da Igreja de Caria

Em Caria ainda se podem ouvir os passarinhos, os chocalhos das ovelhas, o sino da igreja e a buzina do homem da fruta, ou seja os sons da aldeia, neste caso vila !


Escrito por Graça


Caria, Belmonte, Castelo Branco

Mundão – Aldeia Tipicamente Beirã

A aldeia de Mundão situa-se no Concelho e Distrito de Viseu sendo sede da Junta de Freguesia de Mundão. A cerca de 10 km de Viseu e 13 do Sátão, Mundão está dotada de uma série de infraestruturas importantes ao seu desenvolvimento: Parque Industrial de Mundão que possui variadas industrias e também empresas comerciais, a Escola E B 2,3 de Mundão, a antiga lixeira foi convertida num importante Ecocentro de recolha selectiva , Escola Primária de Mundão,a Igreja Paroquial de Mundão e Centro de Dia para Idosos e um Complexo Multidesportos.

Foto nº 1: Igreja Paroquial de Mundão



Foto 2 – Cruzeiro no Largo da Igreja

No limite da Freguesia existe um Centro Hipico e o Cantinho dos Animais Abandonados que alberga cerca de 500 animais entre cães e gatos. Para divulgar os usos, costumes e tradições de Mundão e da Região, existe o Rancho Folclórico de Mundão.
Com cerca de 1700 habitantes e cerca de 15 km2 de área, a aldeia de Mundão é cada vez mais uma aldeia jovem e rejuvenescida tendo em conta o cada vez maior numero de nascimentos.
Historicamente Mundão é descendente de povos latinos. Antigamente escrevia-se “Mondam” como aliás se pode ainda hoje verificar no Cruzeiro que fica situado um pouco antes da Igreja Matriz. Existem também vestígios de uma Anta que se situa perto do actual Estádio de Futebol. Do tempo dos Romanos ficaram vestígios de uma Estrada Romana que ligava a cidade de Viseu a Roma, onde iam dar todos os caminhos, como é do conhecimento geral.
Foi aqui em Mundão que há 15 anos comecei a trabalhar no Parque Industrial de Mundão e que obtive a minha carta de condução no Centro de Exames. A casa onde hoje habito nessa altura era um grande pinhal que depois foi vendido e loteado.
Foto 3 – Paisagem florestal de Mundão

É uma zona muito sossegada e saudável, pois na área circundante às habitações ainda ficou bastante pinhal o que nos permite respirar ar puro e saudável.

Possui um Restaurante Tipico (Restaurante Ilidio o Feirante) com variados pratos típicos da Região: Chanfana, Javali, Bacalhau na Broa, Grelhadas mistas, Arroz de Miscaros e Frango na Pucara. A acompanhar o Conceituado e Premiado Vinho do Dão.
Mundão é atravessada pela EN229 que liga Viseu ao Sátão e a cerca de 5 km tem os nós de ligação à A25 e também à A24. Todos os anos em Agosto e em Dezembro dezenas de emigrantes regressam à Terra Natal que os viu nascer e crescer para estarem com a familia.
Vale a pena viver em Mundão!
Venha conhecer esta aldeia e toda esta lindíssima Região das Beiras.



Escrito por: Elsio Marco Pereira Faro André


Mundão(freguesia)/ Distrito de Viseu

A minha Aldeia: Gafanhão


Só quem conhece o Monte de S.Macário, o Vale do Rio Paiva e a Serra de Montemuro, poderá compreender a paixão por esta terra recôndita de gentes simples que recebem a todos de braços abertos.
Quando entramos na aldeia deparamo-nos com uma paisagem encantadora de vales risonhos entre colinas de curvas brandas, serras verdejantes, as quais todos os anos são visitadas por flocos de neve que transformam a paisagem num imenso manto branco que se confunde com as névoas, fazem parte desta paisagem os castanheiros, os carvalhos e as cerdeiras muito perto daquele ar puro que nos fortalece o corpo e o espírito.
Esta beleza natural aprecia-se ainda na solidão dos penhascos que têm por tapete o vale das margens do rio paiva que, serpenteia, cristalino e puro, rumo ao rio Douro.
Ali ao longo daquelas serras, são-nos oferecidos cenários únicos pela Mãe Natureza que desfila vaidosa e deslumbrante perante os nossos olhos. Naquelas serras temos que seguir por caminhos e trilhos para entendermos e nos encantarmos com todas as cores, cheiros e frescura com que nos deparamos.



Gafanhão além Douro: Sejam bem vindos!






Igreja da freguesia que se mantém ao longo dos anos imponente com a sua Padroeira Nª Srª das Dores. As festas em sua honra realizam-se no primeiro fim de semana de Agosto.



Casa Museu Maria da Fontinha, inaugurada em 1984 com a presença de S Exª o Presidente da República Portuguesa e Ministro da cultura, o Embaixador do Brasil, bem como centenas de Artistas Plásticos e Escritores que por essa altura Pintaram e escreveram a beleza daquela terra.
Em Maio de 2004 foi editado um livro tendo por titulo “para além do rio” escrito pelo Dr. Arménio de Vasconcelos, filho da Terra, que vai buscar ao Penedo da Saudade, a visitar por quem ali passa, a sua inspiração para tão bem dizer a sua terra e suas gentes.

São visíveis os Canastros, onde se guarda o milho semeado e colhido pela gente da aldeia, assim como os lagares de onde sai o mais puro vinho Morangueiro da região.
Os moinhos com centenas de anos por onde passam as águas puras e cristalinas das muitas nascentes de onde se pode beber para matar a sede.
Por altura do Outono o cheiro dos fumeiros de onde saem os enchidos caseiros.
Nesta aldeia onde se leva o gado a pastar, faz-se ainda mel caseiro.

Monumentos a visitar:
• Aldeia da pena, aldeia de xisto com 7 habitantes
• S. Macário, festas no ultimo fim de semana de Julho
• Covas do monte, a aldeia das cabras
• Portal do inferno, passagem para drave, regoufe, fonte de telhe e arouca.
• Nodar, onde se pode banhar no rio
• Parada de Ester, local onde se pode degustar a melhor refeição
• Termas de S. Pedro do sul
• Termas do Carvalhal
• Castro D’Aire

Localização: http://www.mapav.com/viseu/castro_daire/gafanhao/

Gafanhão, Distrito de Viseu

Texto escrito por Cristina Casanova

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A blogagem colectiva começa amanhã!




Amanhã , dia 9 inicia-se a Blogagem Colectiva "Aldeia da Minha Vida" neste blogue.


Para quem está a descobrir o mundo das blogagens, deixo aqui uma nota explicativa sobre o seu funcionamento:

O que é uma blogagem?


É uma palavra muito recente, cuja definição ainda não consta nos Dicionários. Trata-se de um termo utilizado no mundo da Internet para definir uma nova forma de expressar e partilhar ideias e pensamentos através da publicação de textos denominados "posts" que constituem as postagens nos blogues. Quem lê textos nos blogues e deixa comentários sobre os mesmos, está a fazer uma blogagem.


Na Blogagem colectiva...

Unem-se bloguistas e leitores para abordarem sobre o mesmo tema num dia e período pré-determinado para uma troca intensiva de pontos de vista entre eles. Propiciam-se momentos enriquecedores com a partilha de ideias entre pessoas , cujo ponto de encontro dá-se no blogue dinamizador da blogagem, que neste caso é neste blogue(http://www.aldeiadaminhavida.blogspot.com/).


Como é que efectua a troca de ideias, entre blogues?
Através da lista de participantes* ( como pode ver a seguir), é possivel conhecer a partir de amanhã (9 de Junho) todos os textos publicados nos respectivos blogues ( basta clicar sobre o nome de cada um).

Os participantes que não detêm blogue terão os seus textos publicados neste blogue da Aldeia da Minha Vida.

No dia 10 de Junho, estarão postados no blogue "Aldeia da Minha Vida" todos os textos e iniciará o período de votação do melhor post (conjunto de texto e imagens), que terminará dia 28 de Junho.


A votação funcionará da seguinte forma:
- Cada post/texto (e imagem ou imagens) terá o respectivo espaço de comentário. Os leitores, bem como os participantes irão efectuar a sua escolha deixando um comentário no respectivo post , devidamente identificado com o link do seu blogue ou site ( e para o caso de pessoas que não tenham blogue com o nome e e-mail - este não será publicado), a fim de validar a sua votação. Os comentários não identificados, não serão contabilizados.


Atenção: um comentário corresponde a um voto! Só poderá deixar um comentário. Quem fizer mais do que um comentário, apenas será considerado e publicado o primeiro que efectuou, para efeitos de contabilização de votações.


Quem desejar comentar todos os posts, faça-o nos blogues de origem ( cada postagem terá um link ao blogue original); e no caso dos textos sem blogue, faça-o neste blogue (Aldeia da Minha Vida) na postagem correspondente ao dia 9 de Junho.


A avaliação dos leitores terá um peso de 49% e a do Júri de 51% e incidirá sobre o conjunto - texto e imagens ou outro(slides, filme) originais.

O resultado da votação será publicado no Blogue da "Aldeia da Minha Vida" dia 30 de Junho.

E que ganhe o melhor!


Lista de participantes*


Participe, votando no melhor!





quarta-feira, 3 de junho de 2009

Escute a Rádio Mangualde hoje!



Esta noite (3 de Junho), entre as 21 e as 23 horas, a Olho de Turista será entrevistada no programa “Burn “da Rádio Voz de Mangualde.

O tema da entrevista é sobre a Blogagem Colectiva “Aldeia da minha vida” em que Susana Falhas, sócia da empresa Olho de Turista, Lda , está a convocar para os dias 9 e 10 de Junho, a propósito das Comemorações do Dia de Portugal, dia de Camões, bem como das Comunidades Portuguesas no Resto do Mundo.

Quem quiser acompanhar a entrevista na Rádio Voz de Mangualde, poderá faze-lo ouvindo na frequência 107.1 FM ou pela via Internet: http://www.radiomangualde.com/ .

É uma boa oportunidade para saber mais sobre essa blogagem e esclarecer dúvidas, falando connosco em directo (através do telefone da rádio 232 612 363).