segunda-feira, 28 de junho de 2010

BLOGAGEM DE JULHO


Quem nunca provou a melancia do Ladoeiro? A cereja do Fundão? A castanha de Sernancelhe? A Maçã Bravo Esmolfe de Penalva do Castelo? Ou ainda Laranja do Algarve? Só quem já experimentou, sabe como são deliciosas. De Norte a Sul de Portugal, não há aldeia, vila, cidade que não seja conhecida pela sua fruta. Todos têm uma princesa, uma rainha ou um rei frutícola. E vocês, amigos bloguistas? Pois, eis o tema da Blogagem de Julho: “A Fruta da minha Região”.

Este mês de Verão, sabe sempre bem algo saudável e nenhum de nós dispensa trincar uma boa fatia de melão ou uma ameixa coradinha. Daí, o blog da Aldeia decidiu lançar-vos este desafio de descreverem “a Fruta da vossa Região”.

A partir deste mês, as blogagens têm novidades: Vale tudo! Participar com um texto de 25 linhas e 1 foto já não é obrigatório, podem ser criativos e originais à vontade com imagens, vídeos, cartazes, poemas, apresentações de festivais, receitas… (Cuidado! Nada de demasiado extenso!) Dêem asas à vossa imaginação, mostrando assim o que a vossa terra tem de melhor!
Ah, vejam  aqui só um exemplo do que podem enviar para o mail: aminhaldeia@sapo.pt (de preferência até dia 8):

E mais, quem quiser, pode ajudar-nos a “promover” os cantinhos portugueses através desta blogagem. Como? É simples: divulgando-a junto dos amigos, por mail, via blog ou ainda pelas redes sociais como o Facebook, o Hi5, Twitter… E claro, postando também nos vossos blogs, juntamente com o selinho.

Ah! Ao longo da blogagem, teremos igualmente jogos e desafios para vocês. Mistério!

No final, daremos sempre um miminho ao Melhor Comentário e Bloguista. Este mês, há um mimo especial para o primeiro premiado. Prepare-se para se deliciar…

Ficamos então a aguardar que nos enviem toneladas de “fruta”, no bom sentido, é claro!


Nota Importante: Entretanto, não se esqueçam de comentar os textos da Blogagem de Junho. Os participantes merecem!

domingo, 27 de junho de 2010

CORTECEGA, “UMA ALDEIA EM MOVIMENTO”


Fui convidada para estar presente no primeiro encontro de blogger a realizar no dia 10/6/2010 em Trancoso. Este convite foi uma surpresa para mim, pois, quando criei este espapaço em 2008 a minha intenção era falar um pouco da minha aldeia e das actividades ali realizadas ao longo do ano.
Embora este evento se realiza-se a mais de 390 Km da minha residência nada me podia impedir, aceitei a agarrei esta oportunidade para vos poder falar e mostrar o quanto é lindo o sítio onde nasci e as maravilhas da Natureza que o rodeiam.
Mas tudo isto não seria possível sem a ajuda do meu marido e filhas e amigos. A todos muito obrigada.
Origem, localização e vida
Existe uma divertida história antiga acerca da origem do nome da aldeia. Conta-se que a aldeia se chamava apenas ‘Corte’. Mas uma vez, há muito tempo, um residente da aldeia deslocou-se para o mercado de Góis para aí comprar uma suína. No regresso a casa, reparou que a suína era cega. Assim o aldeão disse para o animal:”Caminha para Corte, cega!” Conta a história, que daí em diante, a aldeia ficou conhecida como Cortecega.
Situada no coração de Portugal, é uma pequena aldeia do concelho de Góis, Distrito de Coimbra (cidade dos Doutores), região Centro e sub-região do Pinhal Interior Norte. Fica a 4 km da vila de Góis e a 45 km da cidade de Coimbra. Tem o privilégio de estar rodeada por vales e montes verdejantes e é constituída por uma mistura encantadora de velhas e novas casas, umas ainda de xisto, outras pintadas de branco, amarelo e azul. A Rua Principal desce ziguezagueando para uma velha praça por entre edifícios de xisto.

Ainda que a aldeia tenha poucos habitantes (11residentes permanentes) apresenta um ambiente activo e com a dinâmica própria do mundo rural. As pessoas tratam das suas tarefas diárias e param para conversar uns com os outros. Os habitantes são, na sua maioria, idosos pensionistas, mas que praticam agricultura de subsistência ou agricultura familiar, cuidam dos animais e ainda cozem a broa no forno de lenha. Rara é a família que não tem uma parcela de terra ocupada por batatas, alfaces, couves de diversos tipos, feijão (seco e verde), milho, trigo, árvores de fruto: cerejeiras, macieiras, pereiras, videiras... Muitas famílias fazem também criação de animais: ovelhas, cabras, galinhas, abelhas, resultando daí inúmeros benefícios, por exemplo, carne, mel leite, ovos, bem como a produção de estrume que é um excelente fertilizante dos terrenos agrícolas.
Há uma capela no meio da aldeia, dedicada à Nossa Senhora das Neves e a antiga ‘Eira do Povo’ que depois de restaurada é agora a área das festas verão. Recebe vem quem a visita, agora com poucos habitantes. Mas, já teve muita gente, chegou a haver um grupo folclórico com cerca de 30 elementos todos desta aldeia, percorrendo o país representando assim as suas tradições. Éramos e somos todos uma família.

Associação Desportiva e Cultural de Cortecega
A par desta dinâmica muito própria, nesta aldeia foi criada a Associação Desportiva e Cultural de Cortecega cuja constituição data de 22 de Outubro de 1996. Sem fins lucrativos, ela tem cerca de 130 associados. Foi criada para promover o convívio social da população residente e visitante e é dinamizada por um povo muito empreendedor e com um profundo espírito de associativismo. Foi no dia 19 de Julho de 1998 que colocámos a 1.ª pedra daquele que, naquela altura se sonhava que viesse a ser o nosso Centro de Convívio, onde nos pudéssemos reunir para conviver e ali desenvolver actividades recreativas e desportivas, à semelhança do que víamos noutras aldeias. A seguir, fundamos uma hospedaria no 1.º piso.


Neste momento, a associação conta com: uma sala para mais ou menos 200 pessoas, uma cozinha, despensa, Bar, escritório, WC e mais duas divisões para arrumos. A hospedaria tem: 6 quartos com 2 e 3 camas cada, todas com WC privativo, uma cozinha (com um frigorifico um microondas e mesa), uma sala (com televisão mesa e sofás), casa das máquinas, casas de banho para deficientes etc.… Já reúne as condições necessárias para ali se poder passar umas pequenas férias. No exterior: podemos ver algumas mesas e cadeiras, Hoje já podemos contar com a sombra das árvores ali plantadas.
A enorme Casa do Convívio situa-se na Estrada Principal, à entrada da aldeia, abre aos fins-de-semana. Nestas instalações fazem-se também, com marcação antecipada, almoços e jantares para o máximo de 200 pessoas. Ao longo do ano são realizados vários convívios. Os mais relevantes são:

• Festas em honra de N. S. das Neves no primeiro fim-de-semana de Agosto
• Almoço da Amizade em Março/Abril,
• Concentração dos Motards em Agosto (participação de cerca de 20 mil motards)
• Encontro de concertinas, Almoço das vindimas em Outubro
• Passagem de ano entre outros.
• Jogos tradicionais: Torneio de tiros aos pratos
• Passeios todo-o-terreno.

A união e o empenho caracterizam estas gentes (em que eu própria me incluo) que, desde sempre, procuraram reunir esforços em prol do desenvolvimento social e económico da sua Região e, ao longo dos anos têm sido e continuam a ser impulsionadores de um maior bem-estar, de melhor qualidade de vida das populações e do meio a que pertencem.

É interessante recordar que…
Outrora (finais dos anos 70, inícios dos anos 80), a pavimentação das ruas da aldeia, o saneamento básico, a electrificação das habitações e das ruas foram trabalhos árduos realizados de forma mais célere, graças ao empenho e persistência de algumas das pessoas que actualmente constituem a Associação Desportiva e Cultural de Cortecega.
Há cerca de 20 anos atrás, havia um moinho, a cerca de 2km de Cortecega, junto ao Rio Ceira, num lugar chamado Javiel. As mulheres costumavam carregar o milho em cestas por cima da cabeça para moer no moinho. Depois deixou de funcionar e hoje está em ruínas, no entanto outro foram reconstruídos, sendo hoje um ponto de referência do passado.

Lenda “A Buraca dos Mouros”
No monte acima da aldeia existe uma mina chamada “A Buraca dos Mouros”. Um conto tradicional diz, que no passado tinham vindo os Mouros para a aldeia e os habitantes tentaram fugir. No entanto, os Mouros capturaram um homem, penduraram-no numa figueira e espetaram-no com garfos de ferro. Entretanto, uma mulher com os seus dois filhos fugiu, descendo pelo carreiro que leva ao rio até a “Lapa da Fonte”, escondendo-se por baixo deste espécie de gruta. Os Mouros tinham observado a fuga e procuravam a mulher e os filhos. Eles chegaram a estar mesmo por cima da “Lapa da Fonte” mas a mulher e as suas crianças mantiveram silêncio. E só muito mais tarde, já era de noite, quando ela tinha a certeza que os Mouros tinham ido embora, ela deixou o esconderijo e regressou acompanhada pelos filhos para a aldeia. O local encontrava-se deserta porque todos os habitantes tinham fugido e os Mouros tinham ido embora. Estavam os três salvos. No dia seguinte, os habitantes regressaram.

Escrito por Eugénia Santa Cruz, do blog Cortecega - Notícias da minha Terra
No Encontro de Bloggers do dia 10/06

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O CINEMA DOCUMENTAL COMO FORMA DE DIVULGAR AS REGIÕES DO INTERIOR


É de todos sabido que as novas tecnologias da comunicação são um veículo fácil e não muito caro de divulgação das nossas terras, das nossas gentes e das nossas culturas, histórias e tradições. Em 2001, ainda o uso da internet estava a dar os primeiros passos no geral em Portugal e em particular no interior do País, criei um jornal na minha aldeia, Torroselo, Concelho de Seia, o qual baptizei de jornal “Torre do Selo”. Provavelmente foi dos poucos jornais que inicialmente começou na internet e posteriormente passou à edição em formato de papel, pois normalmente acontece o contrário. Este jornal era então a fonte de informação onde os nascidos e criados naquela aldeia agora a residirem em vários pontos do País e no estrangeiro nomeadamente a grande comunidade lusa nos Estados Unidos da América, mais propriamente em Newark, podiam ir beber as noticias da sua terra natal, o que ia acontecendo nas instituições locais, quem se casava, quem se baptizava, quem falecia, entre outras tantas noticias que de outra forma não as conseguiam saber a tempo e horas, o que causava algum distanciamento por parte destes torroselenses em relação à vida da terra que os viu nascer.
Do ponto de vista informativo foi um progresso para a minha aldeia, mas não só. Este projecto cresceu, as pessoas começaram a participar através do fórum e do envio de e-mails também a darem conta das festas e da vida de certas pessoas nessas comunidades. Na aldeia as pessoas mais idosas perguntavam-me pelos filhos, se tinham escrito para mim, se estavam bem, inclusivamente começaram a pedir moradas de outras pessoas e outras curiosidades. Passei a ser o “correio” da aldeia.
No entanto em 2001 a internet ainda não era tão utilizada como é hoje em dia. Pode dizer-se que 1 em cada 50 pessoas utilizavam a internet, hoje é ao contrário. Comecei então a receber o feedback de muita gente que me incentivou a criar o jornal “Torre do Selo” em formato de papel, até porque estava a acontecer uma situação caricata para época, ou seja, estávamos num ponto em que os emigrantes sabiam mais noticias da aldeia que propriamente os que lá moravam. Então criou-se o jornal em formato de papel ligado ao então Centro Social e Paroquial de Torroselo que mais tarde veio dar origem à Associação de Beneficência Social de Torroselo. Passados estes 9 anos da sua criação, o jornal continua firme a cumprir com o seu papel de informação mas também de aproximação entre todos os torroselenses estejam a residir onde estiverem.

Esta pequena introdução serve para dizer que todos nós temos sede de informação, sede de saber e sede de conhecer. É inato a qualquer ser humano. Este género de projectos contribui para a divulgação das nossas terras, das nossas gentes e das nossas culturas. Ainda que sejam duas ou três páginas de papel as pessoas lêem e colaboram com os seus artigos e com as suas noticias.

Hoje em dia a necessidade que tenho em intervir e divulgar as nossas gentes beirãs levou-me a produzir um documentário. Esse documentário levou 10 meses a realizar e permitiu-me ir ao fundo da questão de como vivem e viveram os nossos moleiros e moleiras que noutras épocas com os seus moinhos contribuíam para o fornecimento de farinha para as pessoas fazerem o pão do dia-a-dia, assim como para moerem cereais para os seus animais. O interior do país sempre viveu muito da agricultura. As vinhas, o azeite, a batata, os cereais sempre foram produzidos em grande escala na nossa região, no entanto neste caso dos moleiros esta arte está em vias de extinção. Existem centenas de moinhos abandonados pelo tempo, cobertos de silvas, destruídos, em toda a Serra da Estrela. Normalmente situam-se junto a ribeiras e rios onde as paisagens que podemos avistar são lindíssimas. Do ponto de vista turístico, este filme pretende chamar a atenção para a recuperação destes moinhos numa altura em que há cada vez mais adeptos do turismo de natureza. Esta é uma riqueza que temos e que não estamos a aproveitar. Estes moinhos sendo recuperados pelas autarquias ou até por particulares, podem ser transformados para restauração, para habitações de turismo rural, para museus, enfim para uma panóplia de situações que cativem quem nos visita.


“Os Últimos Moinhos”, nome que dei ao filme, já foi visto em mais de 7 salas de cinema de norte a sul do país e por mais de um milhar de pessoas. Também já passou em bibliotecas e museus, estando previsto passar em diversas entidades de ensino como forma de dar a conhecer às nossas crianças e aos nossos jovens alunos o que era esta profissão e o que era aproveitar de forma correcta os recursos ambientais, neste caso os eólicos e os hídricos.

Nesta minha intervenção decidi falar sobre o filme porque está a ser uma experiência fascinante do ponto de vista da divulgação dos moinhos na região da Serra da Estrela que, de outra forma não cativava tanta curiosidade. A importância do cinema documental actualmente para divulgação das nossas gentes, das nossas terras e das nossas culturas é hoje fundamental para cativar o interesse desta “nova” sociedade, a sociedade da informação, a sociedade do turismo ambiental, a sociedade dos novos descobrimentos.

Para terem uma ideia, o filme foi seleccionado de entre mais de 600 participações de todo o mundo, para o Festival de Cinema Ambiental, Cine´Eco, realizado em 2009, tendo recebido uma menção honrosa por parte do júri da Lusofonia. A partir daí desdobrei-me em entrevistas para várias rádios das quais destaco a Radio Renascença e a Antena 1, vários jornais distritais e nacionais. Passou um pequeno trailler na RTPn no programa Fotograma e está hoje aqui presente neste evento em Trancoso organizado pela empresa Olho de Turista. Vai estar presente em Julho no 1.º Festival de música popular em Arraiolos que tem como tema a importância dos moinhos na economia local e vai estar no festival internacional de filmes de turismo em Odemira no próximo mês de Outubro.

Por falta de financiamento para a legendagem em inglês não esteve presente no festival de cinema ambiental em Riga, Letónia, apesar de ter contactado as autarquias retratadas no filme para contribuírem com algum apoio para esse fim, as quais não responderam.

Portanto nestas “coisas” da defesa dos nossos valores, das nossas culturas e das nossas regiões penso que funciona tudo ainda muito à base da carolice de cada um de nós, porque, apesar do Sr. Presidente da República no seu discurso do 25 de Abril ter apelado a um maior investimento na cultura, parece que algumas autarquias e alguns autarcas não estão ainda muito sensibilizados para essa necessidade.

Seja através do cinema, através dos blogues na internet ou de outra forma, a cultura como veículo de difusão das nossas terras trás turismo e com o turismo vem o investimento tão necessário para as nossas regiões.

Mais uma vez saúdo esta grande iniciativa da empresa “Olho de Turista” e agradeço o facto de me terem convidado.

Bem-haja a todos.

Escrito por Luís Silva, do blog Oceano de Palavras
No Encontro de Bloggers do dia 10/06

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Capeia Arraiana participa no Encontro de Bloggers

O Capeia Arraiana foi convidado – e aceitou reconhecido – para estar presente neste 1.º Encontro de Bloggers em Trancoso. Este artigo que está a ser editado, em directo, durante a nossa participação enquanto oradores é um resumo da história deste espaço de informação, debate de ideias e defesa das tradições da região raiana do Sabugal e das terras beirãs do distrito da Guarda.


Este espaço interactivo nasceu em Dezembro de 2006, do sonho de dois sabugalenses radicados em Lisboa. O amor às terras de origem, impeliu-nos na aventura de criar em ambiente multimédia, através da internet, um espaço de informação e de debate acerca do concelho do Sabugal e da sua região envolvente.
Movia-nos o gosto pelas nossas terras, pelo povo humilde o corajoso que as habita e espírito de serviço. Éramos independentes e livres, condições de partida essencial para o lançamento de um projecto desta natureza.

Idealizámos assim o Blogue Capeia Arraiana, em homenagem à maior e mais genuína tradição das terras raianas do concelho do Sabugal. Capeia Arraiana é uma tourada de raiz popular em que o toiro é desafiado numa praça improvisada com recurso ao um enorme triângulo de madeira, a que pegam entre 20 a 30 rapazes. Definimos uma estrutura para o espaço, estabelecemos categorias, adoptamos um Estatuto Editorial, procurámos colaborações e avançámos na aventura. Para que nada falhasse estabelecemos um objectivo: inserir todos os dias um novo post, para que o blogue ganhasse vida e cativasse o interesse dos leitores. Depressa se verificou que o espaço chamou a atenção de muita gente, sobretudo sabugalenses, nomeadamente os que estão radicados pelos quatro cantos do mundo. À carência de notícias e de assuntos para publicar, sucedeu-se a dificuldade de seleccionar o que tinha maior interesse, tal o manancial de noticias e de pedidos de publicação e de divulgação que nos chegaravam.

Procurámos opinadores, fizemos entrevistas, elaborámos reportagens, anunciámos e cobrimos eventos. Tornámo-nos, sem falsas modéstias, num autêntico órgão de comunicação regional, bem aceite pelo público-alvo, atendendo às imensas reacções positivas que recebemos.

Pontos altos
Foram para nós momentos inolvidáveis a colaboração na organização e cobertura de alguns eventos levados ao concelho do Sabugal, como a concentração de Porches, a homenagem ao escritor Manuel António Pina ou a realização do primeiro Capítulo da Confraria do Bucho Raiano. Também houve momentos de tensão, em que a gestão do espaço, face às pressões e às reacções perante o que foi publicado se tornou um exercício delicado. O ponto alto dessa tensão no decurso da última campanha eleitoral autárquica, em de Outubro de 2009. A disputa intensa entre as candidaturas levou-nos a ter de equilibrar a publicações de notícias, e a gerir cuidadosamente o espaço dos comentários, procurando estar sempre em cima dos acontecimentos e antecipando alguns dos cenários que se verificaram. O ponto mais alto viveu-se porém recentemente, em 3 de Junho de 2010, com o atingir da meta do primeiro milhão de leitores únicos, de acordo com a contagem do sitemeter. Para assinalarmos o momento realizámos uma iniciativa inédita na região em termos de comunicação: fomos à Assembleia da República, de parceria com a Local Visão Tv da Guarda, e entrevistámos os quatro deputados eleitos pelo distrito.


Espaço de opinião
Procurámos pessoas de diversos quadrantes, mais ou menos ligadas às nossas terras raianas, conseguindo reunir excelentes contributos. Destacamos o nosso amigo António Emídio, que está aqui presente, que todas as terças-feiras publica um interessante e muito apreciado artigo de opinião. Igualmente salientamos a publicação sucessiva de opiniões como as do escritor e pensador Pinharanda Gomes, o historiador Adérito Tavares, os escritores Manuel Leal Freire e Jorge Martins, o advogado Joaquim Valente, o presidente da Assembleia Municipal do Sabugal Ramiro Matos e o vice-presidente da Câmara de Penamacor António Cabanas.

Parcerias
O projecto Capeia Arraiana não teria vingado sem as colaborações e as parcerias que foram estabelecidas. Nelas se destaca a colaboração permanente com a Casa do Castelo, da Natália Bispo, também aqui presente, que nos deu apoio, ajudando-nos a superar as dificuldades advindas da distância. O mesmo dizemos da Local Visão TV da Guarda, com a qual fizemos um debate entre candidatos autárquicos e as entrevistas aos deputados que já referimos. Também obtivemos preciosas colaborações como a da Rádio Caria.

O futuro do projecto
Somos independentes de todos os tipos de poder. Não estamos sujeitos a qualquer controlo limitador da nossa livre iniciativa, não dependemos até hoje de subsídios nem de favores. Seguimos o nosso caminho olhando em frente, procurando servir cada vez melhor o nosso objectivo de informar. Assim iremos continuar, de desafio em desafio, superando obstáculos e contornado todas as dificuldades.

Administração do Capeia Arraiana
José Carlos Lages e Paulo Leitão Batista

sábado, 19 de junho de 2010

Nasci numa casinha simples...

(Imagem de "Micha Pawlitzki")

Nasci numa casinha simples junto ao rio, ladeada de moinhos de águas, campos de cultivo e de pasto e de um pinhal impenetrável.
A minha casa era a última da aldeia. Só por lá passava quem realmente lá queria ir, ou então alguns pescadores aventurosos (que muitas das vezes tinham de fugir do nosso cão, rafeiro, que não lhes dava tréguas) de barbos que abundavam, naquela época, no rio Vizela.

Cresci à solta, completamente livre, desfrutando de uma paisagem deslumbrante de tão brutal que era!
Aprendi a nadar naquele rio de águas ricas e transparentes. Meti os meus pés nus na lama dos campos de milho, desviando a abundante água que chegava, revigorante e fresa, por carreiros de terra que tinham de ser desviados para seguir um novo rumo de pés de milho. Apanhei girinos com colants transparentes da minha mãe, amarrados a um galho robusto de uma qualquer árvore, improvisando, assim, uma cana de pesca. Meti o meu dedo mindinho em ninhos de andorinhas procurando sentir o seu conforto e calor. Descasquei ouriços com botas enlameadas para saborear a doçura de uma castanha acabada de cair do castanheiro. Comi figos deitada debaixo duma velha e faustosa figueira. Apanhei flores amarelas do campo para me enfeitar de colares que rapidamente perdiam a sua vivacidade.

As minhas idas e vinda para a escola faziam-se a pé, sozinha até à casa da minha amiga que morava a cerca de um quilómetro da minha casa, e acompanhada durante mais uns dois quilómetros. Era uma alegria, irmos para a escola de mochila às costas, em plena liberdade. Toda a gente nos conhecia. E, nunca ninguém nos ameaçou ou nos tentou fazer algum mal.

Pelo caminho víamos muita pobreza. Na nossa sala de aulas tínhamos meninos(as) que viviam com muita dificuldade. Tínhamos consciência disso. Mas a escola, já naquela altura era para todos, ninguém ficava impedido de a frequentar. E todos tinham o mesmo tratamento por parte da professora. Todos tivemos castigos e elogios. Estávamos ali para aprender e para cumprir regras.

Assim era a minha aldeia, nos anos 70!

Agora, quando lá volto, só me apetece fugir!
O rio, onde tanto me diverti, é azul, amarelo, vermelho… os peixes desapareceram… as crianças a salpicar na água abalaram…
Os campos de cultivos estão abandonados… o pasto também já não interessa pois também já não existem os animais…
As pessoas estão todas em suas casas ou nos cafés, pois estão desempregadas a receber o subsídio de desempregados….
Os mais novos vão à escola com desdém e muitos deles optaram pelo caminho das drogas…
As fábricas estão abandonadas, com os vidros partidos e as ervas a invadirem muros e calçadas…
Assim tem sido o nosso ‘desenvolvimento’!?

Escrito por CarpedieMaria

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Espreite as Aldeias Históricas...

A MINHA ALDEIA E O VALE DE CEIRA


Antes de mais o meu especial agradecimento a todos os que se esforçaram e trabalharam para tornar possível este evento. Por vezes, é nos sítios menos propícios que fazemos novas amizades e adquirimos novos conhecimentos. A vida traz-nos muitas vezes boas oportunidades, que desperdiçamos. Eu decidi agarrar esta para vos poder mostrar aqui o quanto é lindo o sítio onde nasci e as maravilhas da Natureza que o rodeiam.

A verdade é tão simples quanto esta, não é preciso ir até aos confins da Terra para descobrir paisagens maravilhosas e em estado (quase) puro e também não é preciso enfrentar riscos impensáveis para poder gozar de uns belos dias de descanso em comunhão com a Natureza, num desses paraísos exóticos do Mundo. Aqui mesmo nas aldeias da Beira Serra, encontramos esses paraísos: um património incalculável de paisagens, de Flora e Fauna extraordinárias, rios maravilhosos que nos oferecem aprazíveis praias fluviais com águas puras e cristalinas que nos convidam de imediato a desfrutar deste bem que a Natureza por aqui ainda nos oferece. O rio Ceira tem realmente praias fantásticas, para além de ser muito procurado para outros tipos de desporto, como a canoagem. 


Se o cheiro a marésia é o mais "assediado" no Verãi, não tem ainda assim um estatuto indestronável. Casos há em que os grãos de areia são passíveis de causar "urticária" ou simplesmente, por questões lógicas associadas à deslocação, se torna complicado ir até às praias ditas convencionais. E porque Portugal não é só costa, o Interior do país é pródigo em fantásticas redes fluviais. Porque não optar antes por dar um mergulho no rio em dias de calor? Aliás, as praias fluviais permitem até outro tipo de actividade, quer de índole mais familiar, quer de cariz radical. Por exemplo,  possibilita fazer agradáveis piqueniques. Tudo isto vocês podem vir partilhar connosco.

Venha conhecer o Concelho de Góis. Vamos dar uma breve passagem por Carvalhal - Góis e o Vale do Ceira. Vamos deixar que as imagens falem por mim...

Acácio Moreiro, do blog A minha aldeia - Carvalhal do Sapo
no Encontro de Bloggers de 10/06

quinta-feira, 17 de junho de 2010

SE AO MENOS EU PUDESSE...


Ai, se eu pudesse…
Trocaria num ápice a cidade pelo campo…
Trocaria a correria e a vida agitada, pela paz e pelo sossego…
Trocaria o ar poluído, pela inalação do ar puro e vivificante da intocada natureza…
Trocaria o barulho dos automóveis, pelo alegre chilrear de tanta espécie diferente de aves…
Trocaria o ar sisudo das pessoas, por um largo e sincero sorriso dos habitantes da vila…
Trocaria a desumanização das gentes da cidade, pela solidariedade e amabilidade dos Salvaterrenhos…

Trocaria o liso passeio, pelo piso incerto da calçada romana…
Trocaria a água engarrafada pela pureza da água da Fonte da Ribeira…
Trocaria a praia super lotada, pela margem do rio Erges…
Trocaria o vislumbrar de tanto edifício de betão, pelos montes e vales a perder de vista…
Trocaria o pão cheio de conservantes, pelo pão tradicional…
Trocaria a ida segura a uma frutaria, pelo apanhar e picar das amoras…
Trocaria os legumes e frutas sem sabor, que se estragam em poucos dias, pelo doce e saudável sabor de uma fruta apanhada de colher…

Trocaria o perigo para uma criança, de brincar nas ruas, pela liberdade de brincar pelos campos…
Trocaria as noites a ver televisão, pelas noites a ver as estrelas…
Trocaria o relógio, pelo sino a cantar as horas na Torre do Relógio…
Trocaria o despertar assustado ao som do ruidoso despertador, pelo despertar ao som do cantar de um galo…

Trocaria o Sol a nascer escondido atrás de um prédio, pela beleza de se ir mostrando no horizonte…
Trocaria a falta de tempo, pelo tempo que no campo dá para tudo…
Assim é a vila de minha vida… Tudo isto e muito mais…
Trocaria minha vida na cidade, pela vida em Salvaterra…

Ai, se ao menos eu pudesse…

Escrito por Cristina R., do blog Uma aldeia perdida por entre montes

quarta-feira, 16 de junho de 2010

SALVATERRA DO EXTREMO


SALVATERRA DO EXTREMO

Plantada em alto monte/ donde a vista é tamanha/ olhando bem, defronte/ se veem terras de Espanha.

Orgulhosa do seu passado/ heróica diligente e altaneira/ sua função, cá deste lado/ manter, de Portugal, a fronteira.

E o Erges que, antigamente/ fazia aos dois povos negaça/ é quem, no presente/ os une e os abraça.

Quem chega tem, à entrada/ como surpresa primeira/ a nossa “volta da estrada”/ a subir, numa ladeira.

E, caminhando pela estrada/ tem, do lado direito, o Cruzeiro/ desta terra abençoada/ abençoando o forasteiro.

Por fim, quem diria/ qual pintura num quadro/ a Igreja de Santa Maria/ altiva enchendo o Adro.

D. Sancho, o segundo/ lhe deu foral, o primeiro/ e Salvaterra entrou no Mundo/ para um lugar cimeiro.

O rei aos Templários a cedeu/ para que dela cuidassem/ cobrassem algum de seu/ e também a povoassem.

Mas a Ordem do Templo/ não soube, não pôde ou não quis/ e, para servir de exemplo/ lha retirou D. Dinis.

Tem uma Igreja Matriz/ tão vetusta e altaneira/ que, Deus assim o quis/ fosse a Imaculada a padroeira.

Tem, Santa Luzia e Santo António/ mais a Igreja da Misericórdia/ para afastar o Demónio/ e o povo ter concórdia.

Mais abaixo, na Deveza/ a Senhora da Consolação/ onde o povo canta e reza/ espalhando sua devoção.

Devoção antiga é essa/ que acorre o povo todo!/ Assim se cumpre a promessa/ e se serve um lauto Bodo!

São sempre mais de mil/ que da Santa honram o nome/ e onde até, na Guerra Civil/ muito espanhol matou a fome.

O Pelourinho na Praça/ símbolo perfeito e fiel/ representa, para quem passa/ o foral de D. Manuel.

Tem o Calvário e o Cruzeiro/ pedra dura, trabalhada/ junto ao cemitério, o primeiro/ e o outro, logo à entrada.

É assim a minha aldeia/ apesar de vila ser/ em cada pedra uma ideia/ que a não deixa morrer.

Para esta resenha ter fim/ desde o Algarve a Caminha/ tenho que, cá para mim/ a melhor terra é a minha!

Haverá terra maior/ ou alguma mais na berra/ mas para mim, sem favor/ a melhor é Salvaterra!

Escrito por João Celorico, do blog Salvaterra e Eu

terça-feira, 15 de junho de 2010

A MINHA ALDEIA PELO MUNDO REPARTIDA


Nascida há muitas centenas de anos, com berço instalado sobre o prolongamento das rochas altaneiras da Serra do Leiranco, com 1.134 metros de altitude, junto às águas cantantes do Ribeiro do Vale e um jardim de abundantes espécies herbáceas e arbóreas à sua volta, foi crescendo à medida da lentidão dos tempos e da fecundação da espécie humana. O mel e as plantas virtuosas ajudaram à conservação dos viventes, fustigados por violentas intempéries durante os nove meses de Inverno e três de inferno até ao aparecimento da medicina moderna.

Consolidada a espécie, alimentada, sobretudo, pelo leite das cabras e das vacas; pelas couves, batatas, castanhas, pão centeio, carne de porco e pequenos suplementos caseiros, sopraram ventos novos de outras paragens descobertas pelos navegadores e viandantes a pé descalço.

No século XVIII, cheirou a ouro do Brasil e constou que bastava “abanar a árvore das patacas” para regressar rico. A atracção surgiu fortíssima e imparável para alguns. E partiram de saco às costas com umas vestimentas artesanais, feitas nos teares que hoje são monumentos culturais, de gente serrana pobre, entre elas, umas ceroulas de atilhos feitas de linho, carapins de lã de ovelha tricotados pela avó ou pela mãe, aos serões, uns socos tapados nos pés e uma capa de borel às costas.

O jerico, também conhecido por burro, personagem patrono dos burros de duas patas, deu-lhes uma boleia em direcção ao barco que os iria colocar na outra banda do Atlântico.

A dor dos que os viram partir está bem expressa na observação que um emigrante de sucesso, (dono de sete empresas, algumas delas, fábricas que vendem na imensidão do Brasil):

«Tio, eu quero estudar; … para carregar caixotes às costas e cavar nos jardins, não deixava meu pai chorando, escondido no palheiro por não ter coragem de me ver partir.» Estas palavras traduzem uma violência extrema, mas foram-me repetidas pelo próprio, quando já doutor me contou a sua história para uma entrevista a publicar em «A VOZ DE CHAVES».

E os Emigrantes, uns mais cultos, outros mais endinheirados, todos, muito trabalhadores e poupados, repartiram a minha aldeia pelos quatro cantos do Mundo e, com o apoio deles, foram construídos os monumentos mais importantes a partir do século XVIII, até aos nossos dias.

Durante o mês de Agosto, parece que estamos a viver dentro de uma Universidade Poliglota, num encontro alegre e rejuvenescido, interligados pelo sangue vivo que foi passando de geração em geração.

Escrito por Artur Monteiro do Couto, do blog Beleza Serrana

sábado, 12 de junho de 2010

Aldeia da Minha Vida

Era uma manhã de domingo, a uma semana da euforia do Carnaval. Finalmente veio o céu azul e o sol brilhava com toda a força. No ar pairava o cheiro das mimosas e o canto dos pássaros pareciam anunciar uma Primavera antecipada. No mesmo instante, assaltou-me a memória, com vivências de meninice, há muito esquecidas. Senti uma vontade enorme de as reviver novamente, na companhia da minha família. Foi o suficiente para anunciar lá em casa que nesta mesma manhã iríamos procurar um tesouro escondido na terra dos avós.


A expectativa era tão grande, que os meus pequenitos não paravam de fazer perguntas, durante toda a viagem. “Que tesouro é esse que a mãe nos quer mostrar? Está enterrado, como naquelas histórias que nos contas, dos piratas? A mãe tem algum mapa do tesouro para descobrir onde está?” Eu só lhes dizia: “ Tenham calma! Quando lá chegarmos, vocês vão ser os primeiros descobri-lo. Mas na realidade estava tanto ou mais ansiosa do que eles. À medida que nos aproximávamos do destino e apreciava a beleza das montanhas verdes e floridas, o meu pensamento recuava no tempo. Eram momentos felizes do “faz-de-conta”alheios às preocupações e responsabilidades da vida adulta.

Quando estávamos quase a chegar, um deles pergunta eufórico, apontando da janela :” Ó mãe, aquilo ali em cima é um castelo? Vamos encontrar um tesouro num castelo?” Apenas acenei, com um grande sorriso.

Estacionámos o carro em frente ao café da aldeia. Uma senhora pequenina vestida de preto, da cabeça aos pés, deixava a descoberto um pouco da brancura do cabelo, das mãos e da cara enrugada. Estava sentada ao sol, num banquinho a fazer renda. Saudou-nos, assim que nos viu. Depressa os meus pequenos perguntaram-lhe se tinha ouvido falar de um tesouro. Para o nosso espanto, deu-nos um livro castanho. Disse-nos que bastava seguir as pistas do livro, passo e passo, e encontraríamos o dito tesouro. Quase sem palavras para agradecer, comecei a esfolhear as primeiras páginas. Tínhamos acabado de fazer uma descoberta empolgante: a aldeia, onde nos encontrávamos, fazia parte da Rota das 12 Aldeias Históricas de Portugal. Impacientes para saber mais, todos queriam pegar no livro. Só depois de se acalmarem li em voz alta:

“Em 1994 foram distinguidas 10 aldeias [Almeida, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Piódão e Sortelha], sendo acrescentadas ,em 2003, mais 2 [Belmonte e Trancoso]. A escolha destas aldeias regeu-se pela “diversidade da sua matriz cultural, a riqueza do seu património e a força das suas vivências e tradições singulares (1)”. Visitando uma a uma consegue sentir a emoção do lugar e retirar uma verdadeira lição de História. Nelas encontramos uma parte da alma portuguesa, cujo sentimento patriótico falou mais alto, em vários momentos da História de Portugal. Cada aldeia é, simultaneamente, única e fiel a si própria e ao conjunto das 12 conferindo, assim um conceito de rede. O que as une é seu o ambiente rural, com um cunho tipicamente beirão, pouco corrompido pelos tempos modernos. “

Aqui começa a redescoberta , ou se preferir , a reconquista das nossas raízes, onde praticamente tudo começou há cerca de 800 anos atrás.

Já em casa, o mais velho antes de dormir, sussurrou baixinho , quando lhe dei um beijo de boa noite : … “ mãe, este foi o melhor dia que passei contigo, com o pai e o mano. Amanhã podemos voltar , outra vez?”