sexta-feira, 18 de junho de 2010

A MINHA ALDEIA E O VALE DE CEIRA


Antes de mais o meu especial agradecimento a todos os que se esforçaram e trabalharam para tornar possível este evento. Por vezes, é nos sítios menos propícios que fazemos novas amizades e adquirimos novos conhecimentos. A vida traz-nos muitas vezes boas oportunidades, que desperdiçamos. Eu decidi agarrar esta para vos poder mostrar aqui o quanto é lindo o sítio onde nasci e as maravilhas da Natureza que o rodeiam.

A verdade é tão simples quanto esta, não é preciso ir até aos confins da Terra para descobrir paisagens maravilhosas e em estado (quase) puro e também não é preciso enfrentar riscos impensáveis para poder gozar de uns belos dias de descanso em comunhão com a Natureza, num desses paraísos exóticos do Mundo. Aqui mesmo nas aldeias da Beira Serra, encontramos esses paraísos: um património incalculável de paisagens, de Flora e Fauna extraordinárias, rios maravilhosos que nos oferecem aprazíveis praias fluviais com águas puras e cristalinas que nos convidam de imediato a desfrutar deste bem que a Natureza por aqui ainda nos oferece. O rio Ceira tem realmente praias fantásticas, para além de ser muito procurado para outros tipos de desporto, como a canoagem. 


Se o cheiro a marésia é o mais "assediado" no Verãi, não tem ainda assim um estatuto indestronável. Casos há em que os grãos de areia são passíveis de causar "urticária" ou simplesmente, por questões lógicas associadas à deslocação, se torna complicado ir até às praias ditas convencionais. E porque Portugal não é só costa, o Interior do país é pródigo em fantásticas redes fluviais. Porque não optar antes por dar um mergulho no rio em dias de calor? Aliás, as praias fluviais permitem até outro tipo de actividade, quer de índole mais familiar, quer de cariz radical. Por exemplo,  possibilita fazer agradáveis piqueniques. Tudo isto vocês podem vir partilhar connosco.

Venha conhecer o Concelho de Góis. Vamos dar uma breve passagem por Carvalhal - Góis e o Vale do Ceira. Vamos deixar que as imagens falem por mim...

Acácio Moreiro, do blog A minha aldeia - Carvalhal do Sapo
no Encontro de Bloggers de 10/06

quinta-feira, 17 de junho de 2010

SE AO MENOS EU PUDESSE...


Ai, se eu pudesse…
Trocaria num ápice a cidade pelo campo…
Trocaria a correria e a vida agitada, pela paz e pelo sossego…
Trocaria o ar poluído, pela inalação do ar puro e vivificante da intocada natureza…
Trocaria o barulho dos automóveis, pelo alegre chilrear de tanta espécie diferente de aves…
Trocaria o ar sisudo das pessoas, por um largo e sincero sorriso dos habitantes da vila…
Trocaria a desumanização das gentes da cidade, pela solidariedade e amabilidade dos Salvaterrenhos…

Trocaria o liso passeio, pelo piso incerto da calçada romana…
Trocaria a água engarrafada pela pureza da água da Fonte da Ribeira…
Trocaria a praia super lotada, pela margem do rio Erges…
Trocaria o vislumbrar de tanto edifício de betão, pelos montes e vales a perder de vista…
Trocaria o pão cheio de conservantes, pelo pão tradicional…
Trocaria a ida segura a uma frutaria, pelo apanhar e picar das amoras…
Trocaria os legumes e frutas sem sabor, que se estragam em poucos dias, pelo doce e saudável sabor de uma fruta apanhada de colher…

Trocaria o perigo para uma criança, de brincar nas ruas, pela liberdade de brincar pelos campos…
Trocaria as noites a ver televisão, pelas noites a ver as estrelas…
Trocaria o relógio, pelo sino a cantar as horas na Torre do Relógio…
Trocaria o despertar assustado ao som do ruidoso despertador, pelo despertar ao som do cantar de um galo…

Trocaria o Sol a nascer escondido atrás de um prédio, pela beleza de se ir mostrando no horizonte…
Trocaria a falta de tempo, pelo tempo que no campo dá para tudo…
Assim é a vila de minha vida… Tudo isto e muito mais…
Trocaria minha vida na cidade, pela vida em Salvaterra…

Ai, se ao menos eu pudesse…

Escrito por Cristina R., do blog Uma aldeia perdida por entre montes

quarta-feira, 16 de junho de 2010

SALVATERRA DO EXTREMO


SALVATERRA DO EXTREMO

Plantada em alto monte/ donde a vista é tamanha/ olhando bem, defronte/ se veem terras de Espanha.

Orgulhosa do seu passado/ heróica diligente e altaneira/ sua função, cá deste lado/ manter, de Portugal, a fronteira.

E o Erges que, antigamente/ fazia aos dois povos negaça/ é quem, no presente/ os une e os abraça.

Quem chega tem, à entrada/ como surpresa primeira/ a nossa “volta da estrada”/ a subir, numa ladeira.

E, caminhando pela estrada/ tem, do lado direito, o Cruzeiro/ desta terra abençoada/ abençoando o forasteiro.

Por fim, quem diria/ qual pintura num quadro/ a Igreja de Santa Maria/ altiva enchendo o Adro.

D. Sancho, o segundo/ lhe deu foral, o primeiro/ e Salvaterra entrou no Mundo/ para um lugar cimeiro.

O rei aos Templários a cedeu/ para que dela cuidassem/ cobrassem algum de seu/ e também a povoassem.

Mas a Ordem do Templo/ não soube, não pôde ou não quis/ e, para servir de exemplo/ lha retirou D. Dinis.

Tem uma Igreja Matriz/ tão vetusta e altaneira/ que, Deus assim o quis/ fosse a Imaculada a padroeira.

Tem, Santa Luzia e Santo António/ mais a Igreja da Misericórdia/ para afastar o Demónio/ e o povo ter concórdia.

Mais abaixo, na Deveza/ a Senhora da Consolação/ onde o povo canta e reza/ espalhando sua devoção.

Devoção antiga é essa/ que acorre o povo todo!/ Assim se cumpre a promessa/ e se serve um lauto Bodo!

São sempre mais de mil/ que da Santa honram o nome/ e onde até, na Guerra Civil/ muito espanhol matou a fome.

O Pelourinho na Praça/ símbolo perfeito e fiel/ representa, para quem passa/ o foral de D. Manuel.

Tem o Calvário e o Cruzeiro/ pedra dura, trabalhada/ junto ao cemitério, o primeiro/ e o outro, logo à entrada.

É assim a minha aldeia/ apesar de vila ser/ em cada pedra uma ideia/ que a não deixa morrer.

Para esta resenha ter fim/ desde o Algarve a Caminha/ tenho que, cá para mim/ a melhor terra é a minha!

Haverá terra maior/ ou alguma mais na berra/ mas para mim, sem favor/ a melhor é Salvaterra!

Escrito por João Celorico, do blog Salvaterra e Eu

terça-feira, 15 de junho de 2010

A MINHA ALDEIA PELO MUNDO REPARTIDA


Nascida há muitas centenas de anos, com berço instalado sobre o prolongamento das rochas altaneiras da Serra do Leiranco, com 1.134 metros de altitude, junto às águas cantantes do Ribeiro do Vale e um jardim de abundantes espécies herbáceas e arbóreas à sua volta, foi crescendo à medida da lentidão dos tempos e da fecundação da espécie humana. O mel e as plantas virtuosas ajudaram à conservação dos viventes, fustigados por violentas intempéries durante os nove meses de Inverno e três de inferno até ao aparecimento da medicina moderna.

Consolidada a espécie, alimentada, sobretudo, pelo leite das cabras e das vacas; pelas couves, batatas, castanhas, pão centeio, carne de porco e pequenos suplementos caseiros, sopraram ventos novos de outras paragens descobertas pelos navegadores e viandantes a pé descalço.

No século XVIII, cheirou a ouro do Brasil e constou que bastava “abanar a árvore das patacas” para regressar rico. A atracção surgiu fortíssima e imparável para alguns. E partiram de saco às costas com umas vestimentas artesanais, feitas nos teares que hoje são monumentos culturais, de gente serrana pobre, entre elas, umas ceroulas de atilhos feitas de linho, carapins de lã de ovelha tricotados pela avó ou pela mãe, aos serões, uns socos tapados nos pés e uma capa de borel às costas.

O jerico, também conhecido por burro, personagem patrono dos burros de duas patas, deu-lhes uma boleia em direcção ao barco que os iria colocar na outra banda do Atlântico.

A dor dos que os viram partir está bem expressa na observação que um emigrante de sucesso, (dono de sete empresas, algumas delas, fábricas que vendem na imensidão do Brasil):

«Tio, eu quero estudar; … para carregar caixotes às costas e cavar nos jardins, não deixava meu pai chorando, escondido no palheiro por não ter coragem de me ver partir.» Estas palavras traduzem uma violência extrema, mas foram-me repetidas pelo próprio, quando já doutor me contou a sua história para uma entrevista a publicar em «A VOZ DE CHAVES».

E os Emigrantes, uns mais cultos, outros mais endinheirados, todos, muito trabalhadores e poupados, repartiram a minha aldeia pelos quatro cantos do Mundo e, com o apoio deles, foram construídos os monumentos mais importantes a partir do século XVIII, até aos nossos dias.

Durante o mês de Agosto, parece que estamos a viver dentro de uma Universidade Poliglota, num encontro alegre e rejuvenescido, interligados pelo sangue vivo que foi passando de geração em geração.

Escrito por Artur Monteiro do Couto, do blog Beleza Serrana

sábado, 12 de junho de 2010

Aldeia da Minha Vida

Era uma manhã de domingo, a uma semana da euforia do Carnaval. Finalmente veio o céu azul e o sol brilhava com toda a força. No ar pairava o cheiro das mimosas e o canto dos pássaros pareciam anunciar uma Primavera antecipada. No mesmo instante, assaltou-me a memória, com vivências de meninice, há muito esquecidas. Senti uma vontade enorme de as reviver novamente, na companhia da minha família. Foi o suficiente para anunciar lá em casa que nesta mesma manhã iríamos procurar um tesouro escondido na terra dos avós.


A expectativa era tão grande, que os meus pequenitos não paravam de fazer perguntas, durante toda a viagem. “Que tesouro é esse que a mãe nos quer mostrar? Está enterrado, como naquelas histórias que nos contas, dos piratas? A mãe tem algum mapa do tesouro para descobrir onde está?” Eu só lhes dizia: “ Tenham calma! Quando lá chegarmos, vocês vão ser os primeiros descobri-lo. Mas na realidade estava tanto ou mais ansiosa do que eles. À medida que nos aproximávamos do destino e apreciava a beleza das montanhas verdes e floridas, o meu pensamento recuava no tempo. Eram momentos felizes do “faz-de-conta”alheios às preocupações e responsabilidades da vida adulta.

Quando estávamos quase a chegar, um deles pergunta eufórico, apontando da janela :” Ó mãe, aquilo ali em cima é um castelo? Vamos encontrar um tesouro num castelo?” Apenas acenei, com um grande sorriso.

Estacionámos o carro em frente ao café da aldeia. Uma senhora pequenina vestida de preto, da cabeça aos pés, deixava a descoberto um pouco da brancura do cabelo, das mãos e da cara enrugada. Estava sentada ao sol, num banquinho a fazer renda. Saudou-nos, assim que nos viu. Depressa os meus pequenos perguntaram-lhe se tinha ouvido falar de um tesouro. Para o nosso espanto, deu-nos um livro castanho. Disse-nos que bastava seguir as pistas do livro, passo e passo, e encontraríamos o dito tesouro. Quase sem palavras para agradecer, comecei a esfolhear as primeiras páginas. Tínhamos acabado de fazer uma descoberta empolgante: a aldeia, onde nos encontrávamos, fazia parte da Rota das 12 Aldeias Históricas de Portugal. Impacientes para saber mais, todos queriam pegar no livro. Só depois de se acalmarem li em voz alta:

“Em 1994 foram distinguidas 10 aldeias [Almeida, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Piódão e Sortelha], sendo acrescentadas ,em 2003, mais 2 [Belmonte e Trancoso]. A escolha destas aldeias regeu-se pela “diversidade da sua matriz cultural, a riqueza do seu património e a força das suas vivências e tradições singulares (1)”. Visitando uma a uma consegue sentir a emoção do lugar e retirar uma verdadeira lição de História. Nelas encontramos uma parte da alma portuguesa, cujo sentimento patriótico falou mais alto, em vários momentos da História de Portugal. Cada aldeia é, simultaneamente, única e fiel a si própria e ao conjunto das 12 conferindo, assim um conceito de rede. O que as une é seu o ambiente rural, com um cunho tipicamente beirão, pouco corrompido pelos tempos modernos. “

Aqui começa a redescoberta , ou se preferir , a reconquista das nossas raízes, onde praticamente tudo começou há cerca de 800 anos atrás.

Já em casa, o mais velho antes de dormir, sussurrou baixinho , quando lhe dei um beijo de boa noite : … “ mãe, este foi o melhor dia que passei contigo, com o pai e o mano. Amanhã podemos voltar , outra vez?”

quinta-feira, 10 de junho de 2010

LANÇAMENTO DO LIVRO "ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL - GUIA TURÍSTICO"

Aqui, está Sr. Serafim Faro, marido da Susana Falhas e sócio da empresa Olho de Turista, a apresentar o slide-show sobre as 12 Aldeias Históricas de Portugal.



LANÇAMENTO DO LIVRO "ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL - GUIA TURÍSTICO"


Aqui vemos a assistência muito atenta às palavras da Susana Falhas.

LANÇAMENTO DO LIVRO "ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL - GUIA TURÍSTICO"

Exmo. Sr. Dr. Júlio Sarmento, Presidente da Câmara Municipal de Trancoso esteve presente e tivemos a honra de o ouvir discursar sobre esta iniciativa.

ALMOÇO-CONVÍVIO DO ENCONTRO DE BLOGGERS...

E o almoço decorreu assim entre boa disposição
e boa comida!
Para terminar em beleza o Encontro de Bloggers, tivemos uma visita surpresa: o António Galante, representante da vila de Idanha-a-Nova.


Falou-nos das potencialidades e das belezas da região idanhense, na qual estão incluídas duas das doze aldeias históricas de Portugal: Idanha-a-Velha e Monsanto.

E a última, mas não menos importante, bloguista e oradora da manhã: Eugénia Santa Cruz,
do blog Notícias da minha Terra - Cortecega



Ei-la a mostrar-nos todas as vantagens da sua querida aldeia: Cortecega. Esta jovem mulher faz tudo pela sua terra, com orgulho e emoção. Falou sempre com o coração, dedicando no final um poema, à sua amada Cortecega.