sexta-feira, 14 de maio de 2010

TENHO UM "AMIGO", CHAMADO MUSEU...!

Tenho um “amigo”, chamado Museu…!

Eu sou assim, parece-me ter alguma facilidade em fazer amigos!
Travei conhecimento com ele, por intermédio do meu irmão, teria eu uns 8 ou 9 anos e ele pouco mais de 60. A partir de então e durante a minha adolescência fomos cimentando a nossa amizade e essa foi tal que ficou para a vida!
Ele abria-me o seu “coração” e eu retribuía-lhe, visitando-o.
Por razões de proximidade, de residência, era um “amigo” privilegiado dos passeios domingueiros, até por ser paredes meias com o “Jardim 9 de Abril”, vulgo “Jardim da Rocha do Conde d’Óbidos”, varanda sobre o Tejo, onde rapazes e meninas, imberbes e não só, aproveitavam para pôr em dia os seus devaneios. Que não haja maus entendimentos! Os tempos eram outros! Eu, claro, não fugia à regra!!!
E, das vezes sem conta que o visitei, é desse tempo que retenho as primeiras emoções de rapazinho temente a Deus, perante “As tentações de Santo Antão”, de Jheronymus Bosch (do qual, anos mais tarde, por puro acaso, viria a conhecer a casa onde viveu, em s’Hertogenbosch, capital da Brabantia do Norte, Holanda) que me deixaram verdadeiramente intrigado e temeroso, assim como o quadro “Inferno” de autor desconhecido. Outras pinturas retinham a minha atenção, tais como: “São Jerónimo”, de Albrecht Durer; “O Martírio de São Sebastião”; “Retrato de D. Sebastião”; os “Painéis de S. Vicente”, julgados da autoria de Nuno Gonçalves; os quadros de Domingos Sequeira e de Vieira Portuense; a “Capela das Albertas”, restos do convento de Santo Alberto, ali implantado e destruído pelo terramoto de 1755; os Biombos Namban; a Custódia de Belém, atribuída a Gil Vicente; o mobiliário indo-português, com os seus maravilhosos contadores; as porcelanas e faianças; as peças de ourivesaria, joalharia e arte sacra; o Presépio dos Marqueses de Belas. Pormenor estranhíssimo, para mim, era o elevado número de obras de arte que ostentavam uma pequena placa onde se dizia algo como, “cedido pela Colecção Gulbenkian”. Anos mais tarde eu viria a entender tal mistério! Mas, havia uma pequena sala onde se encontravam desenhos e gessos de trabalhos de Joaquim Machado de Castro que eram o meu enlevo. Foi uma sua gentileza para comigo quando eu andava na Escola Industrial de Machado de Castro!
Esta minha descrição, está bem de ver, é uma pequena súmula do tesouro que o meu “amigo” Museu Nacional de Arte Antiga, vulgo Museu das Janelas Verdes, em Lisboa, nos vai, a todos, dando a conhecer!

Escrito por João Celorico, do blog Salvaterra e Eu

Se gostou deste texto, vote nele de 28 a 31 de Maio. Aproveite e comente. Quem sabe, é seleccionado para Melhor Comentário!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A IGREJA DE NOSSA SENHORA DA FRESTA

Caros amigos bloguistas, este mês a Aldeia decidiu juntar-se à Blogagem de Maio com um texto sobre um local de culto, situado numa das 12 famosas aldeias históricas de Portugal. Dessa forma, pretende homenagear não só o dia de Nª. Sª. de Fátima, como também dar-vos um cheirinho do que poderão descobrir no evento do dia 10 de Junho, intitulado “Encontro de Bloggers – Lançamento do livro “Aldeias Históricas de Portugal – Guia Turístico”. Trata-se da Igreja de Nª. Sª. Da Fresta, em Trancoso.

(Igreja de Nª. Sª. da Fresta, em Trancoso. Foto da autoria de Dias dos Reis)

Perto do Castelo de Trancoso, mais propriamente da Porta do “Olhinho do Sol”, entrevê uma paisagem lindíssima. A cerca de 800 metros, vislumbra o cemitério da cidade e ao seu lado: a bela Igreja de Nª. Sª. da Fresta. Reconstruída em 1953, podemos apreciar a sua arquitec¬tura (séc. XII) de estilo românico ogival/gótico, patente nas portas laterais, no arco do transepto e nas frestas. Na porta norte, uma cruz patriarcal (generalizada no séc. XII pelos Cavaleiros do Santo Sepulcro) chama a atenção. A frontaria, a torre sineira e o coro são outras 3 componentes de relevo (acrescentados a quando da reconstrução no séc. XVIII). As cachorradas também são originais, sem falar da impressionante capela-mor com o seu sublime altar. Esta ermida possui uma bonita história:

A Lenda da Ermitoa Iberusa Leoa
Decorria o ano de 711, os árabes conquistavam a Península pela primeira vez. Em Trancoso, a vida seguia o seu rumo… Os habitantes eram há alguns anos devotos da Senhora do Sepulcro. Entretanto, em 985, os mouros invadem esta bela aldeia histórica. Assustado, o povo esconde a imagem da santa numa fresta da sua igreja, camuflando-a bem com tijolo. Ao entrar no templo, os invasores não desconfiam de nada. Em 1033, sob o domínio de Fernando Magno, os trancosenses respiram de alívio e libertam Nª. Sª. do seu esconderijo. A partir daquele instante, apelidaram-na de Nª. Sª. da Fresta e o culto aumentou. Naquela altura, uma donzela chamada Iberusa Leoa venerava fervorosamente a padroeira, dedicando-lhe todo o seu tempo. Mas o emir de Badajoz estava à espreita. Após conquistar Leiria, captura a bela moça. A jovem reza, prometeu total devoção à Santa para proteger a sua virgindade e honra. Em 1131, D. Afonso Henriques retoma Trancoso. Ao assistir a uma missa na Igreja da Senhora da Fresta, fica boquiaberta ao ver à sua frente: Iberusa Leoa, sã e salva pela Virgem. Junto dela, estavam os soldados do soberano árabe, amarrados e atónitos com o sucedido.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

UMA VISITA SINGULAR AO MUSEU DOS COCHES


Anuindo ao pedido da princesa, Belém – Museu dos Coches.

Disfarço o riso quando a vejo tirar o bloco de apontamentos e a caneta da pequena sacola a tiracolo e atentamente percorrer os quadros dos nossos Ilustres Antepassados, apontando datas, detalhes, ficando por vezes parada a olhar porque daquele Rei, Rainha ou Princesa já falou nas aulas mas ainda não lhe sabia os contornos.

O ambiente do museu, já centenário, e o sussurro dos visitantes, maioritariamente estrangeiros, a meia-luz que dificilmente passa naquele labirinto de tons dourados e bordeaux, contribui para a aura de antiguidade, quase mistério, como se de repente tivéssemos sido todos transportados para, por exemplo: 1640! Mummy! A restauração da independência face aos “Filipes”, sabes por quem?

D. João IV, o Restaurador, respondi-lhe, deixando-a "furiosa".

Passa por nós uma funcionária do Museu, parando dois passos à frente e observando a conversa. Mira a princesa de apontamento em punho como se fosse desaparecer a preciosa informação a que estava a ter acesso e sorrindo, começa a acompanhar-nos o passo lento, relatando algumas particularidades que não estão no livro de História, numa verdadeira visita guiada aos detalhes de uma raiz que é nossa, deixando a minha filha encantada e tão absorta que o bloco voltou à sacola.

Tudo o que ali está exposto tem uma história, um uso, um autor e um utilizador, e é fácil, pelo ambiente recriado, imaginar os Infantes nas pequenas cadeiras com rodas inventadas em Itália, ou a Rainha acenando ao seu povo em agradável passeio na liteira ornada a vermelho e dourado.

Cada coche serviu um propósito, sendo o eleito o denominado “da Troca das Princesas” com direito a novo apontamento no precioso bloco dada a originalidade da situação. As pequenas caleches de passeio fizeram as delícias da miúda que, sem esforço, se imagina ali. O Coche dos Meninos da Palhavã pelo objectivo com que foi construído fê-la rir, perante o olhar ajuizado da nossa Guia. De facto, hoje em dia, como entender que os filhos Bastardos do Rei teriam um coche próprio e diferente dos outros?

Acolhidas à saída, por um sol brilhante que nos transporta de novo à realidade, fazendo piscar os olhos, deixámos no sossego da penumbra séculos de história, figuras graves retidas em telas, e um beijo repenicado à Ana Paula, pela sua amabilidade, conhecimento e disposição.

Se há por aqui quem faz o que gosta, ali há, sem dúvida alguma, quem gosta muito do que faz.

Obrigada!

Escrito por Catarina Price Galvão, do blog (Once)

Se gostou deste texto, vote nele de 28 a 31 de Maio. Aproveite e comente. Quem sabe, é seleccionado para Melhor Comentário!



O MONTE E A BASÍLICA DE STA. LUZIA


“Vi a Ana no Castelo?”, exclamam os populares. Quem chega a Viana do Castelo, vê-a logo bela e imponente do alto do seu monte. É a Basílica de Santa Luzia. A 3 km. do centro, a pé, de funicular ou de carro, suba até ao topo do Monte de Santa Luzia para descobrir uma vista deslumbrante e o ícone da cidade.

A basílica foi construída no início do século XX, tendo como modelo o Sacré Coeur de Montmartre, em Paris. Ex-libris vianense, é visita obrigatória pela sua beleza pela extraordinária paisagem sobre o estuário do rio Lima, a cidade e o mar.

Se chegou até aqui, suba mais um pouco, até ao zimbório interior. No topo, tem uma pequena varanda de onde terá uma visão desconcertante de toda a região. Em dias claros ou soalheiros, vê-se Ponte de Lima, Póvoa de Varzim e o Monte de Santa Tecla já em Espanha.

Junto à igreja, encontra a Pousada do Monte de Santa Luzia, um local privilegiado onde pernoitar. Quiçá em Agosto, mês da famosa festa de Nossa Senhora da Agonia. Assim, aproveite para assistir a uma semana de festejos ímpares: a procissão da Santa ao mar e nas ruas da Ribeira, o cortejo etnográfico, a festa do traje, os bombos e os divertidos cabeçudos… Eis a bela Santa Luzia na sua Viana do Castelo!

Escrito por Deolinda Viana,

Se gostou deste texto, vote nele de 28 a 31 de Maio. Aproveite e comente. Quem sabe, é seleccionado para Melhor Comentário!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A TORRE DO MEU CONTO DE FADAS

(Imagem retirada da Internet)

Se fosse um princesa, escolhia a Torre de Belém como aposento com vista para o mar. É um dos monumentos mais expressivos da cidade de Lisboa. Banhada pelo rio Tejo, era a rainha da outrora praia de Belém. A praia extinguiu-se, mas esta soberana predomina sendo o ex-libris português.

Daí ter sido uma das eleitas das sete maravilhas de Portugal, a 7 de Julho de 2007 e antes em 1983, classificada pela UNESCO, como Património Mundial. Nela, reside o mundo: características islâmicas, orientais e portuguesas (manuelinas).

Este emblema nacional reflete Portugal em todo o seu esplendor: Brasão de armas de Portugal, cruzes da Ordem de Cristo nas janelas de baluarte, marcas do fim da tradição medieval das torres de menagem… A sua decoração exterior é de tirar o fôlego, tão minuciosa e delicada: adornos de cordas e esculturas de pedra, galerias abertas, torres de vigia de estilo mouriscado, ameias em formato de escudo ornamentadas com esferas armilares, elementos naturalistas referentes às navegações (um rinoceronte). Debaixo do terraço, o interior gótico serviu como armaria e prisão. Por fim, os cinco pavimentos da torre quadrangular, de tradição medieval contêm: a Sala do Governador (1º pav.), a Sala dos Reis (2º pav.), a Sala de Audiências (3º pav.), a Capela (4º pav.) e o Terraço da Torre (5º pav.).

Devemos esta grande obra aos arquitectos Francisco de Arruda e Diogo Boitaca. A sua construção teve início em 1514 e fim em 1520. A Torre de Belém foi feita em homenagem a S. Vicente, santo patrono de Lisboa. Este símbolo real é para mim o mais bonito dos monumentos português e merece mais do que uma visita.

Escrito por Liliana Rito

Se gostou deste texto, vote nele de 28 a 31 de Maio. Aproveite e comente. Quem sabe, é seleccionado para Melhor Comentário!

MUSEUS AO AR LIVRE NO BRASIL E EM PORTUGAL

OURO PRETO FOI A PRIMEIRA CIDADE BRASILEIRA E UMA DAS PRIMEIRAS DO MUNDO, A SER DECLARADA PATRIMÓNIO DA HUMANIDADE PELA UNESCO.

Isto orgulha-nos a todos nós – Portugueses e Brasileiros – porque, aliando a riqueza aurífera local à sabedoria dos colonizadores e ao trabalho árduo dos nativos e à inteligência de todos, construiu-se, ali, em OURO PRETO, junto às minas de ouro, o melhor e maior Museu do Brasil e de Portugal.

Os primeiros Mestres d´Arte partiram da Região de Braga e foi ali que iniciaram um dos mais importantes artistas brasileiros de todos os tempos, o célebre “Aleijadinho “, cuja obra impressiona a cidade pela beleza dos seus museus e igrejas. Passear pelas ruas centenárias é como viajar no tempo pela história de Minas Gerais. A Igreja de São Francisco de Assis e outras, o Museu da Inconfidência, do Oratório e a Casa dos Contos são algumas das muitas atracções. Todo o Estado de Minas Gerais tem um reflexo histórico directo de Portugal, tudo muito bem conservado e encantador. Está ali um testemunho vivo de que os Portugueses não estiveram lá só para rapinar o ouro.

MARIANA, primeira cidade de Minas Gerais revela aspectos característicos do Barroco. Essa arquitectura está representada na Praça Minas Gerais, onde estão lado a lado as Igrejas de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora do Carmo. Uma das atracções é o órgão Arp Schnitger, que está na catedral de Nossa Senhora da Assunção. Construído em 1701, na Alemanha, chegou a Mariana em 1753, como presente da Coroa Portuguesa. Hoje, é o único exemplar, dos trinta fabricados, existente fora da Europa.

A Cidade de CONGONHAS guarda um dos mais relevantes conjuntos religiosos do Brasil colonial: o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Ali se destacam as estátuas dos doze apóstolos do escultor “Aleijadinho”, obra que em 1985, recebeu o título de Património da Humanidade, pela Unesco. Aqui está um verdadeiro Centro de Arte.

Há uma relação muito próxima entre Museus brasileiros e portugueses, sob os mais variados pontos de vista, que não vamos enumerar. Direi apenas que o de Arqueologia está instalado no Mosteiro dos Jerónimos, e o museu dos Coches, ricamente construídos e dourados, são um testemunho desse Ouro proveniente do Brasil.

Um jovem estudante de Ouro Preto, Bruno Figueiredo, quando num fim de tarde chuvoso e escuro, teve a gentileza de me acompanhar ao hotel, porque estava perdido, me disse que estava a fazer um “Curso de Museologia e Preservação do Património numa Universidade Norueguesa” porque queria elaborar um projecto de museu invulgar que correspondesse a todas as valências mineiras auríferas, históricas e patrimoniais existentes na sua terra natal. Espero que esse sonho se transforme rapidamente em realidade e que o exemplo dele seja seguido por outros Estados. Será um privilégio para Portugueses e Brasileiros demonstrar aos Estados Modernos que é em paz e fraternidade que se honram as origens e se constrói o futuro. As bombas, guerras e guerrilhas só servem para destruir e alimentar ódios e invejas.

Aqui deixamos um aceno de simpatia a todos os Brasileiros e lhes damos os parabéns pela maneira como preservam os seus Monumentos e se preocupam com o Ambiente. Testemunhei tudo isto há muito pouco tempo.
Visite os Museus e os Monumentos Nacionais. E não se esqueça que muitas das igrejas e capelas das nossas aldeias e cidades foram construídas com o patrocínio de emigrantes residentes ou vindos do Brasil.

Escrito por Artur Monteiro do Couto, do blog Beleza Serrana

Se gostou deste texto, vote nele de 28 a 31 de Maio. Aproveite e comente. Quem sabe, é seleccionado para Melhor Comentário!

domingo, 9 de maio de 2010

AGENDA DA BLOGAGEM DE MAIO


A partir de amanhã, a Aldeia inicia a sua viagem cultural por museus, monumentos e locais simbólicos do País e do Mundo. Maio, mês das mães, de N. Sra. de Fátima e dos Museus. A Aldeia optou por prestar um tributo aos emblemas culturais, pois são muitas vezes esquecidos e no entanto, preservam importantes memórias de tempos passados. Desejamos a todos um Feliz Dia dos Museus, apreciando os textos desta incrível jornada de arte e cultura! Entre por esta porta, a visita vai começar…

10 de Maio
Artur Monteiro do Couto
Liliana Rito
.
12 de Maio
Deolinda Viana
Catarina Price Galvão

14 de Maio
João Celorico
José da Luz

16 de Maio
Acácio Moreira
Eugénia Santa Cruz

18 de Maio
Júlia Galego
Fernando Zanforlin
.
20 de Maio
Graça Ribeiro
Cristina R.

22 de Maio
Atelier Amie
CarpedieMaria
.
24 de Maio
Sandra Andrade
.
Feliz Dia dos Museus!!!

Nota Importante:
Tenham a amabilidade de colocar o Selo da Blogagem de Maio nos vossos blogues com o respectivo link da Aldeia. Assim, os vossos amigos poderão ver e comentar. Além da votação de 28 a 31 de Maio, a quantidade e qualidade de comentários também contam para a eleição do Melhor Texto. Não hesite, Comente!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

ENCONTRO DE BLOGGERS E LANÇAMENTO DO LIVRO “ALDEIAS HISTÓRICAS DE PORTUGAL – GUIA TURÍSTICO”


Amigos bloguistas, a equipa do blog da Aldeia está em pulgas. Em Junho, o blog da Aldeia festeja o 1º aniversário da primeira blogagem colectiva. Devemos este facto a todos vocês, que mês a mês, participam e dão alento a todas as nossas iniciativas. Daí, decidimos comemorar em grande, organizando um Encontro de Bloggers. Para tal, escolhemos uma data importante: o dia 10 de Junho, Dia de Portugal. Assim, temos não um, mas dois motivos para festejar!

Todavia, na Aldeia da minha vida não fazemos as coisas por menos e acrescentamos mais uma razão para celebrar. Trata-se de algo exclusivo (e revelamos: é o prémio que os vencedores de Abril e os das próximas blogagens irão receber). No intuito de dar valor ao património histórico e cultural português de uma forma refrescante, inovadora e criativa, a Olho de Turista (recente empresa de produção e edição de publicações de informação turística) apresentará no dia 10 de Junho: o primeiro Guia Turístico das Aldeias Históricas de Portugal!!! Esta original obra promove as mais diversas áreas das 12 emblemáticas aldeias: infra-estruturas, recursos turísticos, património, artesanato, produtos típicos, tradições.... Curioso? A partir do dia 10 de Junho, poderá adquiri-lo em diversas bancas lusas.


Entretanto, pode antecipar-se e vir conhecer não só esta novidade literária e cultural, como também toda a equipa da Olho de Turista e Aldeia da Minha Vida. Lançamos então o convite seguinte: Junte-se a nós neste evento especial que decorrerá no Convento dos Frades, na cidade de Trancoso. No programa, constam 3 momentos marcantes: o Encontro de Bloggers (com início às 9h30 da manhã), um almoço-convívio no restaurante “A Cerca” do Hotel Turismo de Trancoso 4* (às 13h00), o lançamento do livro “Aldeias Históricas de Portugal – Guia Turístico” (às 16h00 com conferência de imprensa e inauguração da exposição “Aldeias Históricas de Portugal”) e por fim, um passeio pela bela aldeia histórica de Trancoso. Pelo meio, haverá ofertas de coffee-breaks e degustações de iguarias regionais, de manhã e de tarde.

Nota de extrema importância: O almoço-convívio é buffet e é pago. O preço é de 15€(inscrição até dia 2 de Junho). Inclui a refeição (entradas variadas, sopa, cozido à moda de Trancoso, sortido de sobremesas e bebidas, à descrição), os coffee-breaks e as provas gastronómicas. Haverá serviços de baby-sitting e animação infantil (para crianças a partir dos 3 anos; ambos os serviços são gratuitos). O livro “Aldeias Históricas de Portugal – Guia Turístico” estará à venda no local.

O convite é dirigido a todos os bloguistas. Quem desejar estar presente, basta mandar um mail para aminhaldeia@sapo.pt para lhe enviarmos o formulário de inscrição e o programa detalhado. Faça-o com antecedência, pois tem até ao dia 2 de Junho para se inscrever.

Nota1: Os interessados em pernoitar uma ou mais noites no Hotel Turismo de Trancoso 4*, indique-nos essa informação através do mesmo mail. No formulário, constará as ofertas especiais deste estabelecimento hoteleiro.

terça-feira, 4 de maio de 2010

PARABÉNS AOS VENCEDORES DA BLOGAGEM DE ABRIL


E terminou o mês de Abril... A Páscoa passou a correr. Já descobrimos todos os ovos escondidos e comemos as amêndoas e o folar. A Blogagem de Abril mostrou-nos que algumas tradições de outrora se mantêm e se misturam com outras mais modernas. Tudo se encaixa harmoniosamente e o Homem nunca esquece. Claro, o aspecto religioso foi o mais destacado, mas sobressaiu também a união familiar e o convívio social. Agora, é hora de partir para um ambiente diferente e deixarmo-nos envolver por uma atmosfera cultural. No entanto, antes de entrarmos na Blogagem de Maio, vamos ao anúncio dos vencedores:

Desta vez, o mês de Abril passou rápido entre férias e festejos. As deliberações sucederam-se de forma pacífica. O júri não demorou a tomar decisões e declarou 3 vencedores. Os prémios são iguais para todos. Trata-se de algo muito importante para a Aldeia. Não vamos revelar hoje, deixando apenas pistas aos vencedores. Estes dias, daremos a resposta.
*
O/A vencedor/a do Prémio de Melhor Bloguista é:

Uma participante que adora escrever e prometeu criar um blog brevemente. Para esta doce menina, enviaremos um prémio muito especial. Pista1: é feito de papel...

O vencedor do Prémio de Melhor Comentário é uma pessoa de carácter forte e grande coração. Falamos de Artur Monteiro do Couto e do comentário que escreveu no texto da bloguista Flora Maria:

Querida colega da "ALDEIADAMINHAVIDA..." Flora Maria,
Gostei muito do que aprendi com a doçura do seu texto, expressão de um coração sensível às suas raízes e estima pelos valores tradicionais. Conheço o Rio de Janeiro, Belo Horizonte e outras localidades desse grande País que os Portugueses fizeram, quer em termos geográficos na definição territorial, como na defesa de uma vida saudável e honesta, contra a ladroagem, tendo como líder dessa cultura dos Direitos do Homem, o imortal Padre António Vieira. Tenho lá familiares que partindo do trabalho honesto se sentaram nas Universidades e, alguns deles, se sentam actualmente em lugares de decisão jurídica e outras. Os Transmontanos têm a CTMAD, algures na Tijuca, onde se reúnem e celebram anualmente a festa da Páscoa; Os Directores são originários do meu concelho e, ao mesmo tempo que defendem a cultura portuguesa, defendem a brasileira, num casamento perfeito.

Parabéns e desejo as maiores felicidades para si, aos seus familiares e todos os luso-descendentes.
Um bom folar, além do tradicional chá ou cafezinho brasileiro, se tiver carne, fica mais apetitoso com um bom vinho português, mesmo que não tenha a classificação de 100 pontos, classificação dada a um com origem em Terras de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Artur Monteiro do Couto, do blog Beleza Serrana

Este grande homem da bela região de Trás-os-Montes receberá um prémio exclusivo. Pista2: para o usar, terá de calçar sapatilhas várias vezes…

Agora o/a vencedor/a do Prémio de Melhor Texto… A votação foi renhida e venceu por 1 pontinho… com 7 votos (33%) e 5 comentários totais, é


Esta querida bloguista brasileira com raízes portuguesas retratou uma Páscoa que nos emocionou a todos. Para celebrar a sua vitória pascal, temos um prémio único e bem português. Pista 3: dar-lhe-á vontade de passar 12 dias em Portugal.

P.S.: A Blogagem de Maio está prestes a começar. Vamos sentir um intenso ambiente cultural, com esta visita virtual a vários museus e outros monumentos portugueses.
P.S.1: Todos os vencedores serão contactados individualmente por e-mail. Pedimos que nos enviem o nome completo e a morada para envio posterior do prémio.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

ESTE MÊS, VAMOS AO MUSEU?


Quem nunca foi a um museu? Há sempre um perto de si: seja numa cidade, numa vila ou numa aldeia. Por isso, este mês, não há desculpas para não comemorar o Dia Internacional dos Museus. Daí, a Blogagem de Maio tem como tema: “Este mês, vamos ao Museu? No entanto, o blog da Aldeia lembrou-se introduzir outra vertente: não só divulgarmos os museus como também os monumentos. Assim, caros amigos, podem entrar, por favor, neste grande museu da Aldeia e deixar os vossos testemunhos sobre os vossos monumentos, museus e locais culturais portugueses, e claro, internacionais. Esperamos que salientem sobretudo os ícones nacionais ou feitos pelo povo luso lá fora. Se eu tivesse de escrever sobre algum, a minha escolha seria difícil. Em Portugal, destacaria com concerteza: a Torre de Belém ou o Castelo S. Jorge (Lisboa) como monumentos e o Museu dos Descobrimentos (Belmonte); e no Mundo: Cristo Redentor (Brasil) e Fortificação de Mascate (Oman). . Como vêem, tantos sítios magníficos podem ser aqui retratados e evidenciados. Vamos a isso!

Nota importante: Para esta celebração cultural, vamos então escrever um texto com um máximo de 25 linhas, uma foto, o link do blog e o título, a enviar até ao dia 8 de Maio, para aminhaldeia@sapo.pt!

Entretanto, começou ontem a votação da Blogagem de Abril! Aguardam-se surpresas… Comentem e Votem!



terça-feira, 20 de abril de 2010

«SEMANA DE PÁSCOA DA MINHA ALDEIA»


Costumes e tradições não ficam alheios ao Tempo. As gerações humanas, na sua ‘evolução’ social, económica e cultural tendem a abandonar uns e outras, para implantarem os seus modernismos. É, foi assim, ao longo dos séculos. De quando em vez, por nostalgia ou cultura de preservação, lá vão aparecendo grupos a recuperarem o passado artístico, cultural, etnográfico, e outros, rememorando os seus antepassados, ora familiares, ora regionais, nacionais e pátrios.

As memórias da semana de Páscoa de Longroiva – a minha aldeia -, ainda denominada Vila de Santa Maria de Longroiva, no registo da Torre do Tombo, são as de um jovem, nas décadas de 60 e 70, do séc. XX. À época, a igreja católica, forte aliada da política do Governo, ainda determinava o pensamento e o comportamento da sociedade rural longroivense, maioritariamente analfabeta e iletrada.

Em geral, cada cidadão cumpria os preceitos religiosos, por crença e devoção: frequência dos actos litúrgicos; jejum de carne, durante a semana, especialmente nas Quinta e Sexta-Feira santas, com excepção dos que pagassem a bula – os de maiores posses (o pobre é sempre o desprotegido, até para a Santa Sé!); luto pela morte de Jesus Cristo.

Às minhas memórias aflora a figura de minha mãe. Vejo-a enlutada e de semblante triste. Saia, meias e sapatos, sempre pretos. Blusa e lenço da cabeça enramalhetados, em cinzento ou azul escuro – alívio de lutos familiares -, eram substituídos pelo preto. A casa, até ao meio-dia de Quinta-Feira, tinha que estar meticulosamente limpa: tarecos, louça, vidros, adornos, mobiliário, tudo desempoeirado e lavado; soalho esfregado com sabão azul, a preceito; paredes caiadas, do interior às de fora; terreiro mondado de ervas daninhas e muros forrados, coloridos e perfumados com ramos de escramboeiro; caminhos e ruas, em redor das casas, varridos e ervas desplantadas – as visitas e a comitiva da visita pascal hauria o cheiro a limpeza e perfume campestre. Quinta e Sexta-Feira eram dois dias de consternação, respeito e luto pela crucificação de Cristo. Minha mãe, entre os meio-dia de Quinta e Sexta, não mexia uma palha: cozinhava antes e apenas aquecia as refeições, e o pente alisava, só, as cãs alvas; as crianças eram proibidas de fazer barulho, nas suas brincadeiras; os terrenos cultivados ficavam de enxada e arado; a aldeia ficava paralisada no tempo e as gentes caminhavam absortas e em silêncio sepulcral. Nada era ábsono da vivência pascal-

Na tarde de Sábado, os jovens iam a casa dos padrinhos de baptismo recolher o folar. Essa prenda da minha madrinha Antonieta, sempre foi um bolo mais saboroso do que os de minha mãe, ainda que tivesse menos ovos. Cada fatia de folar, tão amarela como as gemas de ovo, era acompanhada de um farto pedaço de queijo de ovelha – da Serra – caseiro. A dúzia de folares que minha mãe cozia no forno público, a lenha de giesta e carrasco, durava umas semanas. O Domingo de Páscoa aspergia alegria nos corações das gentes. O povo inteiro assistia à Missa Dominical, com excepção de poucos, que se contavam pelos dedos: Lurdes, Eva, Casimiro, João, Manuel, são os nomes que ainda me lembro. Segunda-Feira era um dia de folga e descanso, para retempero das almas. Homens na Praça, mulheres no Tesinho, jogavam a tradicional e ancestral péla.

Escrito por Urbelino Ferreira
 
Se gostou deste texto, vote nele de 28 a 30 de Abril. Aproveite e comente. Quem sabe, é seleccionado para Melhor Comentário!

domingo, 18 de abril de 2010

O FOLAR DA AVÓ ANA


Da Páscoa da minha infância, na aldeia, de onde saí muito cedo, guardo apenas vagas recordações. Resumem-se a lembranças que envolvem actos religiosos e em que as crianças aproveitavam a pausa escolar para correr pelos campos e desfrutar dos primeiros sinais da Primavera.

Foi já na capital, onde vivi a minha adolescência, que me familiarizei com alguns costumes usuais da quadra e que até ali pouco me diziam ou simplesmente desconhecia, como seja por exemplo a tradição da oferta das amêndoas aos afilhados.

No 2º andar do prédio onde eu habitava, morava uma senhora alentejana, de Ferreira do Alentejo, com duas netas mais novas do que eu, que ao primeiro contacto, me adoptaram e com quem passei excelentes momentos.

A avó Ana era daquelas senhoras, tipicamente alentejanas, que tinha sempre a porta aberta e mais um lugar à mesa e a quem todos recorriam e nos fazia sentir parte da família.

Ainda hoje recordo, com emoção, a primeira vez que a vi colocar sobre a enorme mesa que mantinha sempre aberta na marquise, um tabuleiro contendo 3 douradinhos folares, cada um com seu ovo “semi-escondido”, acabadinhos de sair do forno, um dos quais se destinava à neta emprestada … EU!

O ritual repetiu-se durante alguns anos, tornando-se tão banal que só muito tempo depois, quando a “avó Ana” já não estava entre nós, nos apercebemos, com tristeza, que nenhuma das netas, incluindo eu, aprendera a fazer a receita.

Escrito por Pascoalita,
 
Se gostou deste texto, vote nele de 28 a 30 de Abril. Aproveite e comente. Quem sabe, é seleccionado para Melhor Comentário!