sexta-feira, 9 de abril de 2010

AGENDA DA BLOGAGEM DE ABRIL


A partir de amanhã, a Aldeia inicia a sua viagem pascal pelos quatro cantos do País. Todos os amigos deste blog quiseram ajudar-nos nessa jornada. Partimos, então, juntos, nesta quadra, indo de porta em porta, recebendo demonstrações de afecto e trocando experiências culturais e memórias de outrora. Feliz Páscoa!

10 de Abril
Rosa Silva
Sindarin

12 de Abril
Catarina Price Galvão
Liliana Rito

14 de Abril
Artur Monteiro do Couto
Sandra Andrade

16 de Abril
Eugénia Santa Cruz
Alcinda Leal
.
18 de Abril
Flora Maria
Pascoalita

20 de Abril
Urbelino Ferreira

Desejos de uma Páscoa Feliz!!!

Nota Importante:
Tenham a amabilidade de colocar o Selo da Blogagem de Abril nos vossos blogues com o respectivo link da Aldeia. Assim, os vossos amigos poderão ver e comentar. Além da votação de 28 a 30 de Abril, a quantidade e qualidade de comentários também contam para a eleição do Melhor Texto. Não hesite, Comente!

quinta-feira, 1 de abril de 2010

PARABÉNS AOS VENCEDORES DA BLOGAGEM DE MARÇO

E terminou o mês de Março... Os nossos pais só podem sentir orgulho e emoção ao ter lido estes magníficos relatos sobre as suas terras. A Blogagem de Março permitiu-nos observar cantinhos paternos de Portugal e do Mundo. Todos escreveram com o espírito e coração, comovendo intensamente a Aldeia. As descrições das raízes e memórias dos nossos pais deixaram saudades em nós. Com os sentimentos à flor da pele, vamos aos tão aguardados comunicados:

Desta vez, foi difícil. Ninguém desempatava. O júri estava dividido e tomou uma decisão inédita. Impressionado, pronunciou-se.

Os/As vencedores/as do Prémio de Melhor Bloguista são:

João Celorico, do blog Salvaterra e Eu

e

Sandra Andrade, do blog Interação de Amigos

Estes meninos estão sempre presentes, acompanhando as blogagens, os participantes, visitando amigos e bloguistas… Enfim, mantêm vivo o espírito da Blogosfera. Com poemas ou opiniões vincadas e sinceras, ele traz entusiasmo e espalha gargalhadas. Com comentários longos e sentidos, ela distribui abraços puros, selos amigos e palavras de carinho. A engraçada surpresa que temos para eles é:. um bonito lenço clássico para cada um.

Agora, cá vamos ao vencedor do Prémio de Melhor Comentário. Quem escreveu este comentário?

Flora
De todas as coisas,textos,poesias,mensagens que leio na internet,os que mais me chamam atenção são de descendentes de portugueses.São pessoas que falam com o coração,do amor ao próximo,do amor à família,do apêgo pelo país,enfim de tudo ao que se refere ao sentimentalismo. Vc é uma descendente de portuguêses e eu sou neta. Pessoas com um sentimento tão puro...seu texto me fez lembrar a aldeia que um dia ao visitar Portugal,minha irmã mais velha nos disse:casinhas simples ,feitas de tijolos iguais aos da foto que vc se referiu. Imagino a alegria do seu pai ao retornar ao país de sua origem,depois de tanto tempo,emoções vividas tão intensamente..fico imaginando a alegria dele,amiga Flora. Parabéns por descrever com tanta emoção essa passagem da vida do seu pai,que muito me emocionou...
Beijos carinhosos...
Sonia Novaes (no texto da bloguista Flora Maria)
Foi: Sónia Novaes, do blog Cantos e Encantos

Esta menina do Brasil derreteu o coração do jurado. Deu A devida surpresa que lhe enviaremos é bem portuguesa: dois lençinhos de fábrico luso.

Agora o/a vencedor/a do Prémio de Melhor Texto com 85votos (60%) e 41 comentários! Falamos de:

Fernanda Ferreira, do blog Sempre Jovens

Esta menina é uma fiel representante da zona Norte do país, mais propriamente do Minho. Tem também uns amigos fabulosos que a acompanham sempre. A Aldeia agradece-lhes a todos a presença e participação, pois animam este blog, assim como todos os outros bloguistas que aderiram a esta blogagem, seja participando, comentando, visitando...
E para celebrar a sua 3ª vitória, temos como prémio: uma belissíma gravata!

P.S.: A Blogagem de Abril está prestes a começar. A Páscoa promete ser recheada ;)
P.S.: Todos os vencedores serão contactados individualmente por e-mail. Pedimos que nos enviem o nome completo e a morada para envio posterior do prémio.




segunda-feira, 29 de março de 2010

APRESENTAÇÃO DA BLOGAGEM DE ABRIL


A Páscoa é um dos mais importantes eventos cristãos. Nessa época, comemora-se a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte por crucificação no dia de Sexta-Feira Santa. Em Portugal, é costume assistir-se a missa, almoçar com a família e esperar pela visita do N. Senhor na Cruz, trazido por um padre ou por sacristães.
No Judaísmo, relembra-se o momento da liberdade dos escravos do Egipto, indo para a Terra Prometida. Os judeus têm um ritual à volta do carneiro. Na tradição pagã e na maioria dos países nórdicos, festeja-se a passagem do Inverno para a Primavera.

Uma prática comum iniciada para divertir a pequenada é: a pintura de ovos cozidos, decorando-os com desenhos e formas. De seguida, os adultos escondem-nos e as crianças procuram-nos alegres. Por vezes, esses ovos são substituídos por uns de chocolate. Supõe-se que esta actividade seja uma alusão a antigos ritos pagãos. A primavera, lebres e ovos pintados com runas eram os símbolos da fertilidade e renovação. Na vertente comercial, a lebre acabou substituída pelo coelho com a versão “Coelho da Páscoa, o que trazes para mim?”. Mas existe uma lenda deverás engraçada: após colorir alguns ovos de galinha, uma mulher pobre decide escondê-los, para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. No momento em que as crianças descobrem a prenda, um coelho passa a correr. Espalha-se, então, a história de que o coelho é que havia deixado os ovos.

Agora perguntarão: “Coelhinho da Páscoa, o que a Aldeia traz para nós?” Ora, uma Blogagem de Abril com o tema: “A Páscoa na minha Aldeia”! Este mês, queremos saber o que costumam fazer nesta quadra e/ou as experiências que tiveram nas vossas terras, vilas ou cidades ou até noutros países…

Nota importante: Dentro do nosso ovo da Páscoa, vamos então escrever um texto com um máximo de 25 linhas, uma foto, o link do blog e o título, a enviar até ao dia 8 de Abril, para aminhaldeia@sapo.pt!

Entretanto, começou ontem a votação da Blogagem de Março! Aguardam-se surpresas… Comentem e Votem!



quarta-feira, 24 de março de 2010

VERÕES DIFERENTES


Chegado o verão fechava-se a casa da foz do Douro e rumava-se de comboio a Barqueiros. Eram quase 3 meses (de princípios de Agosto até ao fim da primeira semana de Outubro) que os esperavam. O ar fresco da maresia era trocado pelo calor das encostas durienses, pela sombra de algumas das árvores onde um fruto acabado de colher tinha um sabor que nunca mais se conseguiu esquecer. A água da mina que ficava ali no quintal ajudava a combater o calor. Eram 8 irmãos e mais alguns primos que enchiam de risos, correrias e brincadeiras toda aquela região. O meu pai, o mais novo de todos foi o que não pôde desfrutar até à idade adulta tais verões, pois a morte do seu pai, meu avô, quando tinha apenas 12 anos, e as vicissitudes próprias destas situações, terminaram na venda da maior parte das propriedades e apenas ficou a casa de família. No entanto as recordações de tão fortes que foram ficaram para sempre e de forma tão viva que nos foram passadas a nós filhas como se aqueles verões tivessem acontecido apenas alguns anos antes. Estive sentada com o meu pai a comer figos da mesma figueira que dava para a janela do seu quarto. Foi lá que percebi finalmente a recusa triste do meu pai a todas as uvas compradas no Porto pois o sabor das diferentes castas (moscatel de hamburgo, moscatel de Jesus, mourisca, rosac e tâmara).

As propriedades iam da Aldeia de Vale Penteeiro onde ficava a casa, à quinta principal, Bela Vista tinha uma vista maravilhosa para o Douro que corria lá baixo e onde passava o comboio ainda a carvão, (onde eram feitos os pic-nics de família) onde tinha penedos enormes cobertos de musgo e com um souto de cerca de 30 castanheiros. Noutra encosta havia a Costeira, onde nascia o ribeiro que ia dar à mina de lá de casa, e inúmeras árvores de fruto (cerejeiras, laranjeiras, tangerineiras, pereiras, ameixoeiras, ginjeiras) situada na margem direita do Douro onde o sol incidia directamente.
Ao escrever estas linhas a certa altura liguei ao meu pai para me relembrar quais as castas da uvas e estivemos uma data de tempo ao telefone enquanto recordava uma vez mais a belíssima infância que lá passou...demasiadas memórias para caberem nas linhas propostas para este post :)

Nota: Barqueiros do Douro tem origem no ofício dos seus habitantes que construíam e governavam os barcos Rabelos, que transportavam o vinho até às caves. É em barqueiros que começa a região demarcada do Vinho do Porto.

Nota2 – A foto é retirada da net e é da casa da Quinta da Vista Alegre que pertencia aos meus tios (irmã mais velha do meu pai), embora apareça muitas vezes mencionada de forma errónea como tendo sido construída por Espanhóis. Ela foi comprada posteriormente por eles.

Escrito por Ka, do Blog da Ka

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AVEIRO, A VENEZA DO MEU PAI

(Imagem tirada da Internet)

O meu pai nasceu e viveu toda a sua vida em Aveiro, mais propriamente na Ria onde ele passava grande parte dos seus dias, nos moliceiros. Para ele, era mesmo verdade a designação: Aveiro, a Veneza Portuguesa. Tudo o cativava, passando esse fascínio para os filhos: a Sé Catedral, majestosa entre tantas igrejas, a Quinta da Condessa de Taboeira, actualmente abandonada e em ruínas, a Casa do Major Pessoa, tantas casas e palacetes, capelas e mosteiros.

“Vêem, Aveiro é muito mais do que praia, mar e ria. Temos Arte, História e Cultura”, exclama o meu pai, quando nos levava, a mim e ao meu irmão a passear com a minha mãe. Mesmo assim, quando éramos pequenos, nos queríamos era ir até a Praia da Barra ou da Costa Nova, brincar na areia e molhar os pés. Oh, e a Reserva Natural das Dunas de São Jacinto! Não há lugar natural mais bonito!

Ainda hoje, com a família mais alargada, vamos todos dar esses passeios por terra paterna. Pois, faz-nos bem dar uma escapadela da terra materna (Lisboa), onde vivemos todos actualmente.

Ah, e quando íamos almoçar? Meu pai preferia a Caldeirada de Enguias, claro. A minha mãe descia um pouco o distrito para se deliciar com o Leitão à Bairrada. O meu irmão e eu não queríamos saber de comida, só falávamos em passar já para a sobremesa: os Ovos Moles. Quem nunca provou não sabe o que perde!

Esta é uma pequeníssima homenagem ao meu pai e à sua cidade. Pois, fica ainda muita coisa por dizer. Mas dêem um salto até Aveiro, e de preferência, experimentem o passeio de moliceiro!

Escrito por Liliana Rito,

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segunda-feira, 22 de março de 2010

A TERRA ONDE O MEU PAI CRESCEU

(Foto de Bruno Carreiro, retirada do Facebook. Uma rua de Salvaterra do Extremo, da rua da Corredoura à Praça. À esquerda pode ver-se, na parede, entre portas, o Poço da Rua, de Cima, a que chamam o Poço em meia-lua)

A terra onde o meu pai cresceu, mas não muito, pois a sua estatura, exterior, era pequena, era uma terra sem electricidade, tinha candeias e candeeiros, sem água ao domicílio, tinha cântaros e bilhas para a irem buscar às fontes, da Ribeira, das Fontaínhas, aos chafarizes, poucos, e aos poços, de Santo António, de São João, da Rua de cima e da Rua de baixo e ao poço Novo, todos parcos de água e nos quais, no Verão, ainda noite, as mulheres atiravam o caldeiro lá para dentro, passavam umas boas horas até encher a cântara, e punham as conversas em dia. Era uma terra de muito trabalho, quando o havia, e de pouco proveito. Onde se passava o dia, e até a noite, por lá, apascentando rebanhos e sofrendo com cada um dos animais, dormindo mal, por aqui e por ali, mal vestidos, em leito de palha, numa qualquer toca ou palheiro mas, só depois do rebanho estar recolhido. E, havia chuva! E, havia frio! E no Verão, que parecia melhor, lá vinham as "malditas" ceifas na sua dureza e com elas as sezões (ou, maleitas) e outros padecimentos. Padecimentos que se tornavam maiores quando atingiam a cachopada. Maus para elas próprias, e aos quais muitas não resistiam (não chegando ao fim do Verão), e para os próprios pais. Mas era uma terra que vivia as suas festas, com grande devoção. Onde se vivia de portas abertas (não havia alarmes, nem empresas de segurança). Normalmente estavam na cravelha mas, quando estas estavam fechadas, era fácil abri-las pois que a chave, deixada num prego por dentro da porta, devido a um orifício suficientemente largo, na parte inferior da porta e que só era tapado com uma pedra para não permitir a entrada de gatos (podiam ir aos chouricitos, claro!), estava acessível a um qualquer.

Era uma terra onde não havia jornais, nem rádio, nem televisão, as notícias corriam de boca em boca e havia pregoeiros. À noite, ao serão, aproveitando a luz bruxuleante duma vela ou até do luar, os pais ainda arranjavam tempo para ensinar, aos filhos, estórias que já os seus pais lhes tinham contado e que são, hoje, grande parte do que deles resta nas nossas memórias.

Escrito por João Celorico, do blog Salvaterra e Eu
A versão completa do texto encontra-se no respectivo blog.

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CARVALHAL DO SAPO - FELIZ DIA DO PAI!

Carvalhal do Sapo

O meu pai chama-se Acácio Moreira e é um recente habitué deste blog que admiro por ter criado laços de pessoas que não se conhecem mas partilham gostos comuns e como é o dia do pai, resolvi presenteá-lo com um gesto simples, a minha participação nesta blogagem.

Onde cresceu o meu pai… uma pergunta que pode ter várias respostas. Podia dizer que nasceu numa aldeia no meio do nada, podia dizer que nasceu numa aldeia das Beiras que ninguém conhece, mas apesar de ambas as opções terem o seu quê de verdade, eu acho que o meu pai nasceu numa aldeia pequena, num sítio pobre em dinheiro mas rico em boa gente, rico em beleza natural, rico em simplicidade… cresceu sem os luxos a que hoje estamos habituados, mas cresceu num sítio de ar puro, a beber água da nascente, a comer os legumes criados no quintal… Ao mesmo tempo cresceu num sítio que lhe ensinou a dar valor às pequenas coisas, num sítio que o ajudou a ser a pessoa que é hoje.. Pai, este texto é apenas para que saibas que provavelmente não o digo muitas vezes mas tenho muito orgulho em ti (e na mãe, mas esse fica para Maio). Sei que apesar da teimosia e de outros defeitos és boa pessoa e tens bom coração, e sei que cada qual é como é mas sinto que a ti o Carvalhal deu a sua quota, e eu tenho orgulho em conhecer as tuas origens e de fazer parte delas. Uma aldeia que pertence a outra época, onde ainda se dá valor ao que realmente importa, onde ainda se respira ar puro, onde se abre a janela de manhã e parece que acordámos no paraíso ao sentirmo-nos rodeados pela beleza da natureza e dos sons do campo…

É engraçado o valor que se dá aos pormenores quando se cresce, lembro-me de em miúda ficar irritada porque o meu pai me pedia para ir à fonte buscar água fresca para o almoço (e para ir à fonte preferida são cerca de 500 metros a pé), hoje é com gosto que faço quase 600 km para ir buscar água aquela fonte… A vida é feita de pormenores e o meu pai nasceu numa aldeia que nos deixa muitos pormenores para toda a vida! Apesar de todas as dificuldades e dos poucos recursos, cresceste na aldeia certa, a tua aldeia! Feliz dia do Pai!

Escrito por C. Moreira,
Em homenagem ao seu pai e amigo bloguista da Aldeia: Acácio Moreira.

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sábado, 20 de março de 2010

A ALDEIA DO MEU PAI

Sobral Gordo
(Imagem do site do Grupo Etnográfico Raízes de Sobral Gordo em http://sites.google.com/site/raizesdosobralgordo/)


O meu pai é natural duma pequenina povoação chamada Sobral Gordo, pertencente à freguesia de Pomares e ao concelho de Arganil.

Quando o meu pai nasceu, a vida na aldeia era dura. Vivia-se da agricultura em terrenos ganhos às vertentes íngremes da serra do Açor com a construção de socalcos. Transportavam os bens à cabeça ou às costas. Só os mais abastados possuíam uma mula ou um macho para servir de transporte A criação de gado complementava a alimentação e fornecia o estrume para as terras. Muito trabalho era comunitário e em tempo de dificuldade, ajudavam-se uns aos outros.

A aldeia não tinha estrada e, para onde quer que se deslocassem, tinham que o fazer a pé. Não havia saneamento nem electricidade e a água era transportada em cântaros da fonte para casa.

A roupa era lavada na ribeira e a higiene era feita em grandes alguidares com água aquecida em panelas de ferro na lareira. Não havia escola, e uma grande parte da população era analfabeta. Só alguns aprendiam a ler e a escrever, muitas vezes ao serão, com alguém que o soubesse fazer e se dispusesse a ensinar.

Desta forma, muitos dos habitantes da aldeia sentiram-se motivados para partir e uma grande maioria rumou para a região de Lisboa, em busca de trabalho. Alguns tiveram tanto sucesso nos seus empregos que conseguiram o seu próprio negócio.

Durante a primeira metade do século passado, gerou-se em Lisboa um movimento associativo dos naturais das aldeias beirãs, tão abandonadas pelo Poder Central, cujo objectivo era melhorar as condições de vida nas suas povoações. Nasceram Ligas, Uniões, Comissões e Associações de Melhoramentos, que com a sua contribuição, organização de festas e movimentação nos Ministérios em Lisboa, conseguiram iniciar uma nova era. Romperam-se estradas, electrificaram-se as povoações, distribui-se água ao domicílio, construíram-se redes de saneamento, escolas, casas de convívio, ringues desportivos....

A terra do meu pai não foi excepção e hoje possui as infraestruturas básicas das zonas urbanas, com a vantagem de poderem usufruir duma vida pura e saudável.

No entanto a maior parte dos naturais da aldeia acabou por criar raízes também na região metropolitana de Lisboa, mas todas as férias e tempos livres são dedicados à sua aldeia. Para manter mais vivas as tradições criaram um grupo etnográfico e tentam manter na memória os usos e costumes da aldeia que os viu nascer, organizando vários eventos ao longo do ano.

Com a memória do passado podemos, no presente, construir um futuro melhor...

Escrito por Lourdes Martinho, do blog O Açor

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MINHA TERRA AMADA - TERRA DO MEU PAI



Este meu pequeno texto tem como razão fundamental, apenas e tão só, a de prestar uma singela homenagem à terra do meu muito querido e já falecido pai, actualmente também minha por adopção. Quase sempre com o mesmo título, escrevi vários textos como podem ler e obter mais informação neste, o penúltimo.

Vila Nova de Cerveira tem uma localização invejável, encontra-se a apenas cerca de oito kms de Espanha, dez de Caminha e a uma hora de distância do Porto.
Nesta vila idílica, existe uma enorme variedade de lugares inesquecíveis de beleza singular a visitar. Vejam estas imagens.

A primeira que saliento é o centro da vila em cujo coração se encontra a actual Pousada D.Diniz (neste momento, fechada para obras), situada dentro da fortaleza que foi a antiga vila.
A belíssima Igreja Matriz, o Solar dos Castros onde funciona a Biblioteca Municipal e existem constantes exposições de Arte nas salas contíguas…
O Aquamuseu com o seu lontrário assim como os diversos aquários, mostrando todas as diferentes espécies de peixe ainda abundantes no rio Minho desde a sua nascente até à foz e ainda o Parque de lazer que o envolve.
Destaco ainda a praia fluvial da Lenta muito perto do Inatel, o Convento de Sampaio com os seus jardins frondosos, uma capela singular e o seu museu permanente, onde se expõem obras do pintor/escultor José Rodrigues bem como de outros tantos famosos artistas. Poderão ler mais aqui e ver as belas fotos.
Lá bem no topo da montanha mais alta, o Cervo, símbolo da Vila, assim como a Sra. da Encarnação cujas vistas são esplendorosas e abrangem todas as vilas portuguesas bem como galegas e ainda a Foz do Minho.
O rio reflecte não só a exuberância da sua esplendorosa vegetação, em diferentes tons de verde, mas também raras imagens de espécies migratórias de aves.
Venham conhecer melhor a Vila D'Artes, Terras de Cervaria. A sua fabulosa gastronomia, a simpatia e hospitalidade das suas gentes e ficarão apaixonados tal como eu.

Escrito por Fernanda Ferreira

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sexta-feira, 19 de março de 2010

FELIZ DIA DO PAI ! ! !


A Aldeia da Minha Vida deseja a todos os Pais do Mundo, um: FELIZ DIA DO PAI!

Aproveite esse dia para mimar a figura paterna, de todas as formas, sobretudo dê um abraço ou um gesto carinhoso. No fim-de-semana, se for da Beira Interior, veja aqui o passeio que poderão dar juntos. Reiteramos os nossos votos de saúde e muita Felicidade nesse dia especial, a todos os pais!

O MEU PAI: O FORMOSO MIMOSO


O meu pai tem nome de rei de Portugal, e seguindo isso, seria apelidado de O Formoso. No entanto, nasceu numa família humilde na cidade minhota, mesmo a beira-mar. Em Viana do Castelo, a família Teixeira era conhecida como os Mimosos. Giro, hein? Não entendo bem porquê até hoje, mas o meu pai adora o seu canto vianense, fala com orgulho da presença do estaleiro naval e sempre que passa frente a escola onde andou, repete: “Eu estudei aqui. Eu joguei futebol aqui.”. A minha mãe e eu abanamos a cabeça a rir – “tipo já sabemos, estás gaga” (ihihih) (mas sabemos que ele faz de propósito)

No entanto, teve de deixar os estudos e ir trabalhar para ajudar os pais e as irmãs. Os irmãos tinham a mesma sina. Aos 9 anos, já era empregado numa papelaria vianense. Aos 15, atravessava Portugal, Espanha e parte da França a pé e de comboio até chegar a Paris. A capital francesa era a sua cidade de trabalho e nada mais. Iria para as obras, depois para uma oficina como mecânico/bate-chapas e finalmente teria várias funções numa empresa de renome. Este ano, vai reformar-se juntamente com a minha mãe e finalmente aproveitar a vida!

Apesar de continuar apaixonado pela sua terra do Minho com as suas praias, os seus pescadores, o seu Monte Sta Luzia e a sua famosa Romaria de Agosto, hoje tem outro amor adoptivo: Viseu. Cá, gosta de ir ao mercado logo pela manhã e brincar com as feirantes. Aprecia caminhar pela longa Avenida da Europa até à rotunda da Fonte Luminosa e beber um cafezinho. Seguir até à Praça do Rossio e ler o jornal, tranquilamente sentado num banquinho. Dá uma volta pela Sé, pelo Fontelo, pela Feira de S. Mateus… São hábitos que já fazem parte do seu coração de emigrante com saudades, não de uma terra, mas de duas… e com sede de conhecer o País inteiro.

P.S.: não vou falar como ele é como pai, porque preencheria o blog até ao ano de 2050 no mínimo! Amo-te muito, papá urso!

Escrito por Helena Teixeira, uma das meninas do blog da Aldeia

Nota: este texto foi apenas escrito num âmbito de camaradagem e homenagem aos pais. Estou proibida de participar oficialmente, “tá mal…” eheheh…

quinta-feira, 18 de março de 2010

ALDEIA ONDE CRESCEU O MEU PAI

Foto: Góis – Fevereiro 2009

Manuel Moreira, nasceu no Carvalhal do Sapo em 26 de Agosto de1921 e faleceu a 31de Dezembro de 2008. É costume comentar que a vida são dois dias, a data do nascimento e a data da morte e vemos esta realidade cada vez que vamos a um cemitério e a prova disto está espelhada em todas as lápides e o seu dizer singelo traduz esta realidade. Nasceu a tantos de tal e faleceu a tantos de tal. A diferença entre estas datas é um interregno da vida, uma imagem que perdurará ou se extinguirá, consoante as acções que podemos fazer em vida e que marcam a nossa passagem por este mundo.

Manuel Moreira, neste seu interregno, foi uma figura que marcou a sua passagem por este mundo na nossa terra, e que ficará para sempre na memória das nossas gentes, foi sempre uma figura marcante, de grande carisma para a era em que viveu, foi um grande exemplo para a sua e futuras gerações. Um símbolo dum mundo que deixou marca e que infelizmente está a desaparecer! Era um homem que fazia da convivência uma devotada arte de partilhar a amizade, O seu grande amor pela família e a amizade pelos amigos era o que de mais importante tinha na sua vida. Teve uma vida difícil, uma juventude vivida em terra inóspita de fracos recursos que tornava a vivência muito dura. E foi na esperança de uma vida melhor que tomou o rumo a Lisboa, onde foi procurar um meio de subsistência melhor que encontrou como moço de armazém, onde se empregou durante toda a sua passagem pela capital.

Contudo as saudades da esposa e do primeiro filho, já nascido, começa a apertar e a angústia da distância a fazer-se sentir… e assim, há que enfrentar a situação! Foi na tentativa de conseguir dar novo rumo à vida dura, aos salários miseráveis, à separação da família pela distância que surge a oportunidade que há algum tempo ecoava o regresso à sua terra. Era uma oportunidade única, dar seguimento a um pequeno estabelecimento de comércio misto aí existente. Ultrapassados alguns percalços pelo meio, os escassos meios para enfrentar as dificuldades que se avizinhavam, foi com a grande força de espírito de que sempre foi portador que tudo se ultrapassou e o seu objectivo conseguido. Mesmo após o seu regresso à terra natal, a vida permaneceu dura mas na companhia da família e podendo contar com o seu apoio, foi mais fácil lidar com a crueza duma luta que afinal nada mais foi que o apanágio de uma vida.

Escrito por Acácio Moreira, do blog A minha Aldeia – Carvalhal do Sapo
Poderá ler mais no respectivo blog.

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