terça-feira, 16 de março de 2010

A BEIRA É TUA, PAI


A Beira é solidez, mulher vergada no campo,
homem fora o dia todo, atrás de rebanho.
Menina no rio lavada, trouxa de roupa à cabeça,
pé descalço no mato, arranhadela.

A Beira é terra bravia pintalgada de giesta
passeio de fim de dia,
cheiro a pinha e eucalipto.
Amora doce, silva que arranha os braços queimados do Sol.
Azeite dourado em lagar, vinho pisado em canção
calça arregaçada, trabalho árduo em brincadeira aliviado.

A Beira é a ovelha tresmalhada, preocupação de pastor, cão leal em palhota de céu de estrelas, penhasco, vereda, caminho de cabra.
É calor abrasador, frio de neve que greta a pele, samarra de pele curtida, contra a intempérie.

A Beira é seara madura, dourada do vento e terra em verde milho semeada.
Horta pequena, alface, couve e batata
Casinhoto de pedra, lareira acesa e queijo acabado de coalhar... ordenha, leite quente e saboroso, cheio de nata a boiar.

A Beira é recordação de infância, momentos partilhados, alguns sofridos, alguns zangados.
Mas hoje, e sempre a Beira é tua, Pai.

Escrito por Catarina Price Galvão, do blog (Once)

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domingo, 14 de março de 2010

"ALDEIA ONDE NASCEU O MEU PAI."


Escrever algo sobre a aldeia onde o meu pai nasceu não é difícil, pois é das aldeias mais bonitas de Portugal, é a minha aldeia. Mas antes quero falar do maravilhoso ser que era o meu Pai de nome Arlindo Santa Cruz. Nasceu a 17 de Março de 1932, um dos mais novos de sete irmãos. Homem de estatura baixa, lindos olhos azuis, amigo de todos. Para o meu pai tudo estava bem, de um coração do tamanho do mundo, estava sempre pronto a ajudar o próximo, um grande pai.

O meu pai morreu muito novo, mas deixou-me muitas mensagens (valores) que ainda hoje regem a minha vida, uma delas tem a ver com o dia em que saiu de casa para honrar um compromisso e não mais voltou. No dia anterior tinha se comprometido após muita existência por parte de o antigo patrão em o ir desenrascar e acabar umas janelas que só ele sabia fazer, pois era um excelente marceneiro. No dia seguinte, acordou muito doente e a minha mãe disse-lhe:
-Arlindo não vás trabalhar, estás tão doente! Nós cá nos arranjamos sem esse dinheiro.
Ele respondeu: - Mulher, eu comprometi-me e já o meu pai dizia que vale mais a palavra que o dinheiro e eu quero honrar o meu compromisso. Foi ao nosso quarto despediu-se dos filhos e prometeu trazer (chaços) rebuçados. Morreu nesse dia, atropelado por uma mota ao regressar do trabalho.

O meu pai, rumou a Lisboa nos anos 40 para trabalhar numa carpintaria no alto de S. João: “CARPINTARIA MELÃO”. Entretanto, como gostava da minha mãe regressou a aldeia para casar. Mais tarde a minha mãe e a minha irmã mais velha vieram ter com meu pai a Lisboa, mas um ano depois regressaram novamente à aldeia. Foi trabalhar para a oficina que se mudou de Lisboa para Góis e ali viveu até dia 30 de Setembro de 1976 dia em que faleceu. Tiveram 6 filhos, quatro rapazes e duas raparigas.

Falar da aldeia de Cortecega, é dizer que é uma aldeia pequenina, situada no interior de Portugal a 4 km da linda vila de Gois, seu concelho, a 40 km da Cidade dos (Doutores) Coimbra, seu Distrito. Tem o privilégio de estar rodeada de vales e montes verdejantes, casas de Xisto, pintadas de branco, amarelo e azul, ruas e caminhos limpos. O Rio Ceira passa a seus pés com suas águas límpidas e cintilantes.
Recebe bem quem a visita, agora com poucos habitantes. Mas, já teve muita gente, chegou a haver um grupo folclórico com cerca de 30 elementos todos desta aldeia, éramos todos família, porque todos os irmãos/ãs do meu pai casaram com irmãos/ãs da minha mãe, outros casaram com pessoas da terra, assim, mais tarde os seus descendentes era quase tudo família. (…)


Escrito por Eugénia Santa Cruz, do blog Cortecega – Notícias da Minha Terra
A versão completa deste texto encontra-se no respectivo blog.

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UM OLHAR VIAJANTE

(Recuperação da Capela de Anteporta)

"Aldeia do meu Pai, Mãe e Minha, Anteporta, assim se chama, é uma pequena e rústica aldeia no concelho e freguesia de Rio Maior, distrito de Santarém onde habitam pessoas com muitas histórias para contar.

O rio Maior, que atravessa a cidade de Rio Maior dando-lhe nome, percorre também esta aldeia onde se situava nos tempos antigos uma porta de água que ajudava a controlar as dádivas vindas da natureza. Situando-se antes da porta de água, dia nasceu o seu nome: Anteporta.

Terra de homens e mulheres do campo. Destaca-se a Capela de Santo António, restaurada no passado ano de 2008 com todo o esforço da população para não perder este bem que acima de crenças religiosas, é um lugar de todos. Tal como a sua fonte pública e a sua associação recreativa que juntamente com os vários fontenários espalhados por ela fornecem alguns dos seus serviços mais essenciais.

Mas a verdade é que embora muitíssimo bem localizada, tal como muitas outras aldeias de Portugal, esta está a ficar cada vez mais desertificada, onde os jovens não se estabelecem e a população envelhecida também não permite muita evolução. Contudo ainda hoje sempre que se sai á rua, podemos ouvir um saudoso “Bom Dia” pela população vizinha. Porque com todos os seus contras, também existem os seus prós!"

Escrito por Tânia F.P. Barreira, do blog OlharViajante

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sexta-feira, 12 de março de 2010

A REALIDADE DE ALGUNS PAIS

(Imagem retirada da Internet)

A história que vou contar tem personagens reais e os Pais estão presentes.
Ei-la: uns camponeses pobres saíram da aldeia e rumaram à região da Grande Lisboa à procura de trabalho que lhes melhorasse o presente e garantisse o futuro.

Instalados numa barraca simples dos arredores da capital, chegaram a arrepender-se por terem trocado o casebre de granito e telhas por umas paredes de esferovite cobertas de plástico. Mas a esperança é a última a morrer, assim aprenderam com os simples da aldeia. E começaram a sonhar que um dia poderiam ter uma vivenda com flores e uma garagem para o carro… Vamos ao trabalho que a nossa vida tem de dar uma volta.
Por sugestão de uns vizinhos, ela começou a trabalhar a dias e ele em serviços de limpeza. Eram fortes e saudáveis. Podiam trabalhar o dobro das horas daqueles que nasceram embalados pela moleza da cidade. E trabalharam, trabalharam e pouparam, que os vizinhos pobres ficaram admirados com eles e iam comentando: estes montanheses, a trabalhar e a poupar assim, qualquer dia saem daqui. E saíram. Foram viver para uma casa decente, com água, esgotos e electricidade. O sorriso voltou aos seus rostos e a ideia de um dia ter uma vivenda não lhes saiu da cabeça. Com algumas poupanças amealhadas, compraram um lote de terreno onde ainda pastavam as cabras e as ovelhas. Este, ficou intacto e imutável durante algum tempo. A conta no banco foi crescendo e quando, passados anos, puderam realizar o seu sonho, começaram a fazer muros em volta, a plantar árvores e roseiras. A seguir, nasce a vivenda dos seus sonhos. Tinha acabado de fazer anos uma filha, fruto do amor do casal. Foi uma festa bonita. Como era filha única, pensaram: e se puséssemos a casa em nome da nossa filha para ela não vir a ter problemas depois de nós morrermos… Assim fizeram; a jovem passava a ter aquilo que os pais nunca tiveram na vida, a não ser o sonho.

Entretanto, a filha era já uma jovem senhora e os Pais estavam mais velhos e cansados. Como já tinham casa, emprego e umas magras poupanças para irem à festa da «Terra», disseram à menina dos olhos deles: nós vamos à aldeia e voltamos na terça-feira. Tens tudo o que te faz falta no frigorífico e dinheiro no lugar do costume. E partiram felizes. No domingo, a procissão saiu à rua, como era habitual, e à noite dançaram no arraial. Na segunda-feira, com saudades da filha, voltaram um dia antes do combinado.
A viagem correu bem mas ao chegarem a casa encontraram uma surpresa: ao entrarem no quarto da sua prendada menina, encontraram-na deitada, nos lençóis de linho, abraçada ao namorado, despida e desgrenhada. O coração da mãe ficou mais negro do que as vestes do luto das viúvas; e o do Pai, mais gelado do que as pistas de gelo da Serra da Estrela. Uma desilusão total, mas o pior ainda estava para vir. (…)

Escrito por Artur Monteiro do Couto, do blog Beleza Serrana
A versão completa do texto encontra-se no respectivo blog.

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A ALDEIA DO MEU PAI

(À esquerda, em Viseu com o meu pai, na década de 80. À direita, estava no pátio, com a paisagem do campo)

O meu pai, Jacinto nasceu em 1933 em Corvos à Nogueira, Freguesia de Santos Evos, concelho de Viseu. Veio para Lisboa tinha nem sabia ao certo que idade...teria 14, 15 anos, a sua infância foi passada a caminhar kms até chegar ás minas de volfrâmio onde trabalhava o meu avô, para lhe dar o almoço, minas essas das quais ninguém sonhava que eram para armamento de guerra...assim se mantinha as pessoas na ignorância. Nos tempos livres guardava ovelhas e uma vez ficou preso no meio de um nevão, perdeu-se não sabia regressar a casa, até que se refugiou dentro de uma casa de animais á espera que o nevão parasse. Fez o exame da 4a classe, e passado pouco tempo saiu da sua terra em busca de melhores oportunidades na capital.

A aldeia desenvolveu muito ao longo dos anos, recordo-me de quando era pequena a estrada que nos levava até lá era em pedra batida, mais tarde foi alcatroada. É uma aldeia que tem registo de património desde o séc. XVII, como por exemplo:
Casa do Cerrado – casa solarenga, com capela datada de 1689, dedicada a Nª Sra. do Pilar.
Casa do Eirado – a construção remonta ao séc. XVII.
Igreja Nª Sra. de Lurdes, inaugurada em 1989.
Fonte do Laranjal actualmente encontra-se soterrada, mas as suas águas eram consideradas medicinais.

O caminho que se faz até lá chegar para quem venha de Viseu, terá de seguir a recta do caçador, e virar numa estrada que diz: Bairro da Amizade, e seguir sempre em frente até chegar a Corvos. Além do seu património, tem uma beleza natural a destacar, pois fica localizada num vale, onde passa um rio pelo meio, agora até há caminhos sinalizados pedestres pelo meio do campo e das matas adjacentes à aldeia.

O meu pai sempre teve orgulho na sua aldeia, pois tinha lá a sua família e sempre gostou de lá pelo bom ambiente que é a qualidade de vida que Corvos oferece...o último ano que ele lá esteve foi em 2006. E cada vez que eu vá para lá, cada canto da sua aldeia, me faz recordar dele. Sei que o meu partiu com a sua aldeia no coração e eu de uma maneira ou de outra também a tenho guardada no meu.

Escrito por Fátima Santos,

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quarta-feira, 10 de março de 2010

EM FRENTE AO MAR... ASSIM CRESCEU O MEU PAI

(o meu pai, minha mãe, irmã, avó materna e eu)

Para ser exacta, não lembro se o meu pai nasceu em casa, num quarto onde pais e filhos eram brindados por uma aurora com cânticos e baladas do mar, se nalgum outro local com assistência de parteira ou outro ajudante com curso superior. Estou mais inclinada para o primeiro pensamento: naquele tempo (02/12/1929) os dias eram, forçosamente, muito diferentes do que se apresentam na actualidade regional e nestes pedaços de terra rodeada de águas que bailam com a tonalidade reflectida de tons variáveis consoante há negrume, cinzentos ou claridade azulada de frescura.

Os ilhéus e ilhoas sempre nasceram em berços de harmonia com a natureza e com o mar numa balada de afecto pela vinda de mais um ser para frutificar descendência suficiente para continuar o seu "eu" fortemente enraizado por costumes e tradições, diferentes consoante o local de nascimento e/ou o valor que se dá às coisas com um toque de crença em algo superior a nós. Na mitologia romana, Neptuno é o deus do mar e, na freguesia de Santo Amaro, esse deus é a brisa que domina a potência gigantesca de aromas inconfundíveis. Santo Amaro é o padroeiro que apazigua alguma revolta espumante em dias de tempestade.

O meu pai cresceu à beira-mar, na freguesia marítima, de homens do mar, de construtores de barcos e lanchas, do estaleiro onde saíram tábuas talhadas com amor e suor marinheiro. Saudade é a palavra-chave que se mantém de geração em geração junto de lembranças e histórias passadas de boca em boca para que os mais novos não esqueçam o valor dos antepassados.

Lembro que meu pai contava que, às vezes, dava mergulhos profundos no mar que, constantemente ouvia, no seu canto pautado de vida, e que aguentava algum tempo nas suas profundezas, ora por prazer ora por necessidade, e que as pessoas interrogavam-se, entre si, se algo lhe havia sucedido para não voltar à superfície... e, passado um bocado, lá vinha ele fora de água, feliz pelo feito quase impossível de imitar, sobretudo para quem não domina esse grande charco de água temperada do sal que abriga os peixes, algas, moluscos, crustáceos, corais e o fascínio do abismo de uma beleza natural extraordinária. É assim o paraíso marítimo onde alguns tem a sorte de nascer e outros têm o azar de naufragar. O seu fim não foi no mar mas, acredito, que a sua alma o canta para sempre. (Aos nove anos do seu último adeus)

Escrito por Rosa Silva, do blog “Azoriana”

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A ALDEIA ENCANTADA DO MEU PAI.

(Casa da Mãe-Velha - 1953)

Meu pai nasceu no Enxertado, uma aldeia pequenina e tão remota que para chegar nela só em lombo de burro! Passou sua infância entre o Enxertado e Felgueiras, onde também morou. No Inverno a água congelava, e ficava impossível ir à escola com o caminho tão coberto de neve. Mas o rio que por lá passava tinha águas tão cristalinas que dava para se enxergar o fundo! ...E a linda Serra da Estrela ficava perto.

Na foto, a casa da Mãe-Velha, em 1953. Essas e outras histórias, fui ouvindo de meu pai que, homem sensível e saudoso, gostava de relembrar sua infância em terras portuguesas. Quando meu pai tinha 11 anos, meu avô veio com a família tentar a sorte no Brasil. Aos 25 anos meu pai voltou, à passeio, a sua terra e lá encontrou as mesmas emoções que o acompanharam por toda a sua vida. A casa de sua avó – carinhosamente chamada de Mãe Velha - de pedra como tantas outras existentes nas aldeias de Portugal, lá estava, tão pequenina que agora precisava abaixar-se para passar pela porta. Mas ela não era enorme? E a árvore que ele avistava, pertinho da janela do quarto em que dormia, e onde os passarinhos vinham cantar para alegrá-lo? E as frutas maravilhosas, colhidas no pé, saborosas e doces como não existiam em nenhum outro lugar?

Nessa ocasião, já adulto, meu pai pode reconhecer as belezas de sua terra natal, recordando os dias difíceis, porém felizes, vividos naquele cantinho das montanhas. Em 1968, já com 66 anos, meu pai visitou pela última vez sua aldeia, levando minha mãe para conhecer aquele lugar encantado que ele guardava no coração. Agora já não era preciso subir no lombo do burro, pois existiam estradas e carros para chegar até lá!

Nunca visitei a terra do meu pai, mas suas palavras ficaram eternamente marcadas em minha memória. Sinto um carinho imenso por esse lugar que não conheço pessoalmente, mas que também faz parte da minha vida. Meu pai, como consta em seus documentos: António Guedes de Mello, natural de Eirado do Enxertado, Freguesia de Resende, Concelho de Resende, Distrito de Viseu.

É com prazer que participo, pela primeira vez, da Blogagem Coletiva do Aldeia da Minha Vida!

Escrito por Flora Maria, do blog Flora da Serra – Raízes da Mantiqueira

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terça-feira, 9 de março de 2010

AGENDA DA BLOGAGEM DE MARÇO

(Imagem retirada da Internet)

A partir de amanhã, a Aldeia inicia a sua homenagem a todos os Pais. Todos os amigos deste blog quiseram ajudar-nos nessa comemoração. Assim oferecemos aos nossos pais um singelo presente, divulgando e descobrindo ao mesmo tempo, as terras onde nasceram, cresceram e viveram. Feliz Dia do Pai!

10 de Março
Flora Maria
Rosa Silva

12 de Março
Fátima Santos
Artur Monteiro Couto

14 de Março
Tânia F.P. Barreira
Eugénia Santa Cruz

16 de Março
Catarina Price Galvão
Sandra Andrade

18 de Março
Ana Paula Palma
Acácio Moreira

20 de Março
Fernanda Ferreira
Lourdes Martinho

22 de Março
C. Moreira
João Celorico

24 de Março
Liliana Rito
Ka
*
Feliz Dia do Pai!!!

Nota Importante:
Tenham a amabilidade de colocar o Selo da Blogagem de Março nos vossos blogues com o respectivo link da Aldeia. Assim, os vossos amigos poderão ver e comentar. Além da votação de 28 a 31 de Março, a quantidade e qualidade de comentários também contam para a eleição do Melhor Texto. Não hesite, Comente!

quinta-feira, 4 de março de 2010

MENSAGEM DE AGRADECIMENTO DE ROSA SILVA

(Angra do Heroísmo: Imagem retirada da Internet pelo blog da Aldeia)


No calor da votação, sinto que a ilha Terceira é a vencedora pelo seu Carnaval que, além da beleza e originalidade, ganha aplausos por movimentar os ilhéus de uma ilha inteira, e mais recentemente, outros locais do mundo através da possibilidade de ser visto pela Internet. Os emigrantes terceirenses, com a balada da saudade nos seus corações, aguardam os três dias do Carnaval da Terceira, porque sabem que, aqui, todos (ou quase), desde o mais novo até àquele que ainda tem pernas boas para dançar os passos da coreografia, ou para ser o porta-voz eloquente de uma Dança ou Bailinho, ainda permanece e permanecerá uma alegria diferente, um festejo que merece os maiores louvores, sobretudo por parte de quem vive esta festa da arte popular em cima dos palcos dos Salões das Sociedades Filarmónicas da ilha Terceira, ou nos lares da terceira idade, ou, ainda, em locais que prendem a atenção dos assistentes que não arredam pé dos lugares para assistir ao seu Carnaval favorito.

Um louvor às costureiras,
Aos cantores e bailarinos,
Aos músicos e às carreiras
Que transportam tantos hinos.

Quanto a mim, e porque a escrevi, esta será a quadra que melhor traduz a minha participação na Blogagem de Fevereiro a convite da Lena. Ganhou o aplauso às costureiras que fazem milhares e belos trajes carnavalescos durante meses a fio, ganharam os cantores e bailarinos que levam meses a ensaiar num convívio alegre, risonho e de camaradagem, ganharam os músicos que também estudam as pautas e as sabem de cor, os condutores das carreiras e dos carros pessoais, que em três dias não tem descanso e transportam verdadeiros hinos de alegria, felicidade e que originam gargalhadas, fazendo esquecer as calamidades da vida no resto dos dias do ano.

Beijos e abraços a todos!

Rosa Silva, do blog "Azoriana"

PARABÉNS AOS VENCEDORES DA BLOGAGEM DE FEVEREIRO

E terminou o Carnaval... Acabou-se a folia, mas não a diversão. Pois na Aldeia, tudo é feito com peso e medida, sem excessos, garantindo assim a alegria e o divertimento de todos. Este mês, os jurados bem se tentaram disfarçar e fugir a decisão. Mas as meninas da Aldeia conseguiram descobri-los e não tiveram escapatória. Ficaram de castigo: um dia inteiro numa sala. A Blogagem de Fevereiro permitiu-nos observar um desfile de Carnaval por Portugal e pelo Mundo, num ambiente amigável e de muito fair-play. Tudo no quentinho das nossas casas, sem essa chata da chuva, essa desmancha-prazeres!

Antes do anúncio oficial com as tais surpresas, queríamos agradecer a todos os participantes a todos os níveis, e em particular: elogiar o bloguista e amigo João Celorico pela sua sempre poética presença, seja em textos ou comentários, enobrece a Aldeia. Ficamos mesmo honradas pela sua amizade porque mantém sempre o espírito de camaradagem e boa disposição entre todos. Também gostaríamos de mandar abraços enormes para o outro lado do Ocidente: Malaca, a Prof. Cátia Candeias, aos seus alunos e a todos os Portugueses de Malaca e do Mundo. Juntos ultrapassamos barreiras e fronteiras, e mais do que isso, unimos pessoas!

Agora vamos ao tão aguardado comunicado:
Desta vez, houve mais unanimidade entre o júri. Ah, e como não falamos do Dia dos Namorados nesse mesmo mês, optamos por oferecer prémios alusivos a essa data. Surpresa!

O/A vencedor/a do Prémio de Melhor Bloguista é:

Eugénia Santa Cruz, do blog Cortecega - Notícias da Minha Terra


Esta menina, ferrenha corteceguence, representa nobremente a sua terra. A merecida surpresa que temos para ela é: o livro “Calor”, de Miguel Ângelo.

Agora, cá vamos ao vencedor do Prémio de Melhor Comentário. Quem escreveu este comentário?

É muito bom poder relembrar junto com você os deliciosos Carnavais da nossa infância! Nosso Carnaval era diferente, sem samba no pé, sem bailes carnavalescos, sem as manifestações exageradas de liberdade. Mas como éramos felizes naqueles dias de folia e brincadeira! Bastava sentir o cheiro da lança-perfume, admirar as lindas fantasias que circulavam pelas ruas, e ouvir os blocos animados que passavam à pé ou de bonde no nosso bairro. Recordar é viver, e viveremos enquanto nossas lembranças tiverem valor. Enquanto continuarmos a contar nossas histórias para os mais jovens que, infelizmente, não conheceram uma forma de vida tão mais calma, pura e romântica.
Feliz Carnaval!

Foi:


Esta menina do continente sul-americano é detentora uma prosa universal. A devida surpresa que lhe enviaremos é bem portuguesa: o livro “O Eros Electrónico”, de Román Gubern.

Agora o/a vencedor/a do Prémio de Melhor Texto com 57 votos (47%) e vários comentários, filha da Ilha dos Açores, mais especificamente da Ilha da Terceira! É:

Rosa Maria Silva, do blog "Azoriana"


Esta menina lutou e luta com unhas e dentes para elevar o nome da sua ilha. E para esta divertida açoriana, temos dois Prémios: o livro “Todos os Homens são iguais…mesmo as Mulheres”, de Isabelle Alonso e “Império de Brandos Costumes”, de António Sala.

Veja acima a bonita mensagem de agradecimento que nos mandou.

P.S.: Todos os vencedores serão contactados individualmente por e-mail. Pedimos que nos enviem o nome completo e a morada para envio posterior do prémio.
P.S.1: Pedimos desculpas pela demora em anunciar os vencedores. Tivemos alguns problemas técnicos estes últimos dias...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

“ONDE CRESCEU O MEU PAI…” – Blogagem de Março


Pai, uma pequena palavra de três letras tem tanto significado e tanto peso. Todos temos um. De alguma forma, ele é importante para nós. É sempre essencial fortalecer os laços familiares e o respeito mútuo por aqueles que nos deram a vida e nos criaram.

Em 1910, nos Estados Unidos, Sonora, uma jovem adulta quis dedicar mais do que uma homenagem singela ao seu pai, veterano da Guerra Civil. Este homem tinha criado 6 filhos sozinho, tendo a esposa falecido no parto do último. Orgulhosa de seu pai ao vê-lo superar diariamente todas as dificuldades sem a ajuda de ninguém, enviou uma petição à Associação Ministerial de Spokane, (Washington, USA). E conseguiu o seu intuito: o primeiro Dia do Pai nascia a 19 de Junho de 1910, aniversário do pai de Sonora. A ideia espalhou-se, mas a data das celebrações variam em todo o Mundo.

Nos Países da América Latina e na maioria da Europa, é comemorado em Junho. Na Austrália, é em Setembro, e na Rússia, em Fevereiro. Na Itália e em Portugal, a festividade acontece a 19 de Março, dia de São José.

Daí, a Aldeia considerou que todos nós poderíamos prestar tributo aos nossos pais e surgiu o tema da Blogagem de Março: “Onde cresceu o meu Pai…”. Como sabem o intuito deste blog é realçar o que de melhor há nas terras de cada um de nós. Por isso, gostaríamos que os textos se centrassem na terra natal paterna (ou onde terão morado ou gostado de viver). No entanto, caso se desviem um pouco do assunto e o homenageiam de outra forma (a que preferirem), as meninas da Aldeia não o irão excluir. Estejam então à vontade para gritar bem alto: Feliz Dia do Pai!

P.S.: Tal como professoras, aqui ditamos o trabalho de casa – Prenda do Dia do Pai: um texto com um máximo de 25 linhas, uma foto, o link do blog e o título, a enviar até ao dia 8 de Março, para aminhaldeia@sapo.pt!

Entretanto, estamos na recta final da votação da Blogagem de Fevereiro! Aguardam-se surpresas… Comentem e Votem!

CÉGADA (NUM PAÍS, BEM PRÓXIMO DE SI…)

(Cegada / Foto retirada de http://carnaval.sesimbra.pt)

Num Carnaval, despudorado,
lá vai no corso, imponente,
um tal figurão, mascarado
de país, com cara de gente!

Ai, Carnaval! Carnaval!
Do destempero e da folia
e em que nada parece mal,
como já dantes se dizia!

Ai, Carnaval! Carnaval!
Dos maus tratos e pedofilia,
dos casos mortos em tribunal,
de violência e da Casa Pia!

Ai, Carnaval! Carnaval!
De tantos “amigos” do Vara
e desta “sucata” infernal
que faz a vida tão cara!

Ai, Carnaval! Carnaval!
Duma vida de triste sorte,
e onde nada parece mal
aos “amigos” do Freeport!

Ai, Carnaval! Carnaval!
De vergonha nem um pingo,
onde um mero aluno, “normal”,
faz seus exames ao Domingo!

Ai, Carnaval! Carnaval!
Onde o país está primeiro!
Onde qualquer um, afinal,
pode dizer-se engenheiro!

Ai, Carnaval! Carnaval!
A triste conclusão eu chego.
Um maior nível intelectual
só qualifica o desemprego!

Ai, Carnaval! Carnaval!
De escutas por todo o lado,
que nada valem, por sinal,
mesmo no Apito Dourado!

Ai, Carnaval! Carnaval!
Dum TGV e dum aeroporto,
neste país, “fenomenal”,
que, vivo, parece morto!

Ai, Carnaval! Carnaval!
Quem nos goza é quem diz
que este nosso Portugal
ainda há-de ser um país!

Ai, Carnaval! Carnaval!
A “coisa”, aqui, está preta!
Eles fizeram de Portugal
um país? Sim! Da treta!

Ai, Carnaval! Carnaval!
Desde o Algarve ao Minho.
Para onde irás, Portugal,
se seguires este caminho?

Ai, Carnaval! Carnaval!
Cá por mim, na minha ideia,
neste bem nosso Portugal,
só se salva a nossa Aldeia!

E se tudo isto é verdade,
e só o digo, no Carnaval,
de que serve a liberdade?

Ai, Portugal! Portugal!
Termino, pois, com carinho,
meus versos de Carnaval.
Não vás por esse caminho!
Ai, Portugal! Portugal!!!

Escrito por João Celorico, do blog Salvaterra e Eu
 
Estes versos foram escritos num âmbito de camaradagem, extra-concurso.