A Beira é solidez, mulher vergada no campo,
homem fora o dia todo, atrás de rebanho.
Menina no rio lavada, trouxa de roupa à cabeça,
pé descalço no mato, arranhadela.
A Beira é terra bravia pintalgada de giesta
passeio de fim de dia,
cheiro a pinha e eucalipto.
Amora doce, silva que arranha os braços queimados do Sol.
Azeite dourado em lagar, vinho pisado em canção
calça arregaçada, trabalho árduo em brincadeira aliviado.
A Beira é a ovelha tresmalhada, preocupação de pastor, cão leal em palhota de céu de estrelas, penhasco, vereda, caminho de cabra.
É calor abrasador, frio de neve que greta a pele, samarra de pele curtida, contra a intempérie.
É calor abrasador, frio de neve que greta a pele, samarra de pele curtida, contra a intempérie.
A Beira é seara madura, dourada do vento e terra em verde milho semeada.
Horta pequena, alface, couve e batata
Casinhoto de pedra, lareira acesa e queijo acabado de coalhar... ordenha, leite quente e saboroso, cheio de nata a boiar.
A Beira é recordação de infância, momentos partilhados, alguns sofridos, alguns zangados.
Mas hoje, e sempre a Beira é tua, Pai.
Escrito por Catarina Price Galvão, do blog (Once)
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