domingo, 28 de fevereiro de 2010

“ONDE CRESCEU O MEU PAI…” – Blogagem de Março


Pai, uma pequena palavra de três letras tem tanto significado e tanto peso. Todos temos um. De alguma forma, ele é importante para nós. É sempre essencial fortalecer os laços familiares e o respeito mútuo por aqueles que nos deram a vida e nos criaram.

Em 1910, nos Estados Unidos, Sonora, uma jovem adulta quis dedicar mais do que uma homenagem singela ao seu pai, veterano da Guerra Civil. Este homem tinha criado 6 filhos sozinho, tendo a esposa falecido no parto do último. Orgulhosa de seu pai ao vê-lo superar diariamente todas as dificuldades sem a ajuda de ninguém, enviou uma petição à Associação Ministerial de Spokane, (Washington, USA). E conseguiu o seu intuito: o primeiro Dia do Pai nascia a 19 de Junho de 1910, aniversário do pai de Sonora. A ideia espalhou-se, mas a data das celebrações variam em todo o Mundo.

Nos Países da América Latina e na maioria da Europa, é comemorado em Junho. Na Austrália, é em Setembro, e na Rússia, em Fevereiro. Na Itália e em Portugal, a festividade acontece a 19 de Março, dia de São José.

Daí, a Aldeia considerou que todos nós poderíamos prestar tributo aos nossos pais e surgiu o tema da Blogagem de Março: “Onde cresceu o meu Pai…”. Como sabem o intuito deste blog é realçar o que de melhor há nas terras de cada um de nós. Por isso, gostaríamos que os textos se centrassem na terra natal paterna (ou onde terão morado ou gostado de viver). No entanto, caso se desviem um pouco do assunto e o homenageiam de outra forma (a que preferirem), as meninas da Aldeia não o irão excluir. Estejam então à vontade para gritar bem alto: Feliz Dia do Pai!

P.S.: Tal como professoras, aqui ditamos o trabalho de casa – Prenda do Dia do Pai: um texto com um máximo de 25 linhas, uma foto, o link do blog e o título, a enviar até ao dia 8 de Março, para aminhaldeia@sapo.pt!

Entretanto, estamos na recta final da votação da Blogagem de Fevereiro! Aguardam-se surpresas… Comentem e Votem!

CÉGADA (NUM PAÍS, BEM PRÓXIMO DE SI…)

(Cegada / Foto retirada de http://carnaval.sesimbra.pt)

Num Carnaval, despudorado,
lá vai no corso, imponente,
um tal figurão, mascarado
de país, com cara de gente!

Ai, Carnaval! Carnaval!
Do destempero e da folia
e em que nada parece mal,
como já dantes se dizia!

Ai, Carnaval! Carnaval!
Dos maus tratos e pedofilia,
dos casos mortos em tribunal,
de violência e da Casa Pia!

Ai, Carnaval! Carnaval!
De tantos “amigos” do Vara
e desta “sucata” infernal
que faz a vida tão cara!

Ai, Carnaval! Carnaval!
Duma vida de triste sorte,
e onde nada parece mal
aos “amigos” do Freeport!

Ai, Carnaval! Carnaval!
De vergonha nem um pingo,
onde um mero aluno, “normal”,
faz seus exames ao Domingo!

Ai, Carnaval! Carnaval!
Onde o país está primeiro!
Onde qualquer um, afinal,
pode dizer-se engenheiro!

Ai, Carnaval! Carnaval!
A triste conclusão eu chego.
Um maior nível intelectual
só qualifica o desemprego!

Ai, Carnaval! Carnaval!
De escutas por todo o lado,
que nada valem, por sinal,
mesmo no Apito Dourado!

Ai, Carnaval! Carnaval!
Dum TGV e dum aeroporto,
neste país, “fenomenal”,
que, vivo, parece morto!

Ai, Carnaval! Carnaval!
Quem nos goza é quem diz
que este nosso Portugal
ainda há-de ser um país!

Ai, Carnaval! Carnaval!
A “coisa”, aqui, está preta!
Eles fizeram de Portugal
um país? Sim! Da treta!

Ai, Carnaval! Carnaval!
Desde o Algarve ao Minho.
Para onde irás, Portugal,
se seguires este caminho?

Ai, Carnaval! Carnaval!
Cá por mim, na minha ideia,
neste bem nosso Portugal,
só se salva a nossa Aldeia!

E se tudo isto é verdade,
e só o digo, no Carnaval,
de que serve a liberdade?

Ai, Portugal! Portugal!
Termino, pois, com carinho,
meus versos de Carnaval.
Não vás por esse caminho!
Ai, Portugal! Portugal!!!

Escrito por João Celorico, do blog Salvaterra e Eu
 
Estes versos foram escritos num âmbito de camaradagem, extra-concurso.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

FORTALEZA MASCULINA, CARNAVAL E PURPURINA

(Imagem ilustrativa do Jornal Extra)

Em Fortaleza, cidade onde vivi metade da vida, em todo Carnaval a cena se repete: os homens adultos, alguns já de meia idade e bigodes fartos, apresentam-se vestidos a carater - blusas rendadas, saias curtas, meias-calças coloridas, maquiagem caprichada e perucas extravagantes - absolutamente prontos para... jogar futebol.

Pouco antes da partida, eles/elas ignoram completamente o esquema tático do adversário, mais preocupados com os perfumes e lencinhos nas bolsas cor-de-rosa. Alguns contam com torcidas organizadas e lançam gritos de guerra como: "Pelos poderes de Gisele!". A Bündchen, é claro.

Os atletas se cumprimentam com beijinhos antes do jogo, cordialmente mostrando recortes de jornal dos artistas de cinema e TV, mas rapidamente se desentendem. "Larga que ele é meu!" - assim começa a disputa, ainda fora do campo.

Todos a postos, o juiz inicia a partida. Os times se lançam em direção à bola, de saltos altos. Há sempre muitos, muitos tornozelos torcidos. De repente alguém grita, desesperadamente: "Aaaaiiii!!!! Quebrei minha unha!" e os jogadores fazem um círculo em volta, cada qual com seu respectivo kit de manicure, para consertar o estrago.

Quanto aos gols? Bom, talvez eles até existam, mas tudo acaba rapidamente quando alguém coloca para tocar os primeiros acordes de I will survive.
Moral da história, no carnaval, nem o sagrado futebol escapa com dignidade.

Escrito por Ana Claudia Pantoja, do blog Café das Ilusões

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MEMÓRIAS DO CARNAVAL


As minhas primeiras memórias do Carnaval foram passadas em Lisboa. E não foram muito agradáveis. Nasci e fui criada numa época em que as meninas não tinham a liberdade que têm nos nossos dias e assistia às brincadeiras e aos desfiles de mascarados a partir da minha janela. Com outras meninas atirávamos serpentinas duma janela para a outra e as ruas ficavam assim enfeitadas, mais alegres e coloridas. No entanto, logo apareciam grupos de rapazes que, com sacos de serradura, as rebentavam e gozavam connosco.

Se por acaso saíamos à rua éramos de novo o alvo preferido deles. Corriam atrás de nós, de bisnaga em punho, encharcando-nos e atirando-nos farinha. Outras vezes enfiavam-nos papelinhos na boca ou atiravam-nos estalinhos e bichas de rabiar às pernas. Isto para não falar nas garrafinhas de mau cheiro, que partiam e inundavam a rua com um odor insuportável.

Algumas das minhas vizinhas participavam com a família em “assaltos”, que eram bailes onde iam devidamente mascaradas. Eram princesas, fadas, minhotas, ciganas, saloias, e tudo o que a imaginação e carteira dos pais podia comprar. E depois, aquela pequenita que passava junto à minha janela vestida de espanhola... O que eu gostava daquele vestido vermelho à bolinhas, das castanholas, da mantilha e do leque que ela orgulhosamente abanava.
E eu, filha de pessoas humildes não tinha possibilidades para comprar ou alugar um fato de Carnaval, quanto mais ir a festas...

Mas, a partir de certa altura, os meus pais começaram a ir passar as férias do Carnaval à aldeia, onde tudo era diferente. Até no nome. Chamavam-lhe Entrudo.
Como era um meio pequeno, já me deixavam andar pela rua e eu juntava-me com os outros jovens. Vestíamos roupas velhas e púnhamos uma meia na cabeça apenas com dois buracos no local dos olhos, para ninguém nos conhecer. Normalmente, os rapazes vestiam-se de raparigas e vice-versa. Ali eu sentia-me feliz pois não havia princesas, nem fadas, nem ciganas, nem minhotas e nem sequer me lembrava mais da menina vestida de espanhola. Éramos todos igualmente feios, trapalhões, desajeitados, mas divertíamo-nos de igual modo. Percorríamos as ruas da povoação fazendo barulho junto das habitações, abríamos as portas e atirávamos objectos lá para dentro, fazendo uma enorme barulheira tentando assustar as pessoas. No entanto, elas já estavam à espera dos entrudos e riam, batiam palmas e tentavam descobrir quem eram os mascarados. Enfarruscávamos e assustávamos com paus, quem passava por nós, acabando o dia num grande bailarico. Na minha aldeia, hoje quase deserta e envelhecida já não se brinca ao Entrudo. Resta-nos apenas divulgar estas e outras tradições para que não caiam no esquecimento. É isso que fazemos.

Escrito por Lourdes Martinho, do blog O Açor

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

CARNAVAL RURAL – CARETOS DE PODENCE – A TRADIÇÃO E OS TRAJOS


Das variadíssimas manifestações carnavalescas efectuadas de norte a sul do País merece particular referência aquelas que continuam a manter-se fiéis às suas vertentes tradicionalmente ruralistas, quer em função da sua situação geográfica, quer pelo envolvimento das personagens que lhe estão associadas – as populações locais.

Os habitantes desses lugares representam o suporte genuíno de toda uma ritualidade, por vezes complexa, que nada tem a ver com os padrões modernos dos Carnavais com objectivos turísticos, embora, e talvez por isso mesmo, enfermando de pouca ou nenhuma divulgação, nem mesmo, tão-só, a nível do (re)conhecimento da sua tradição. Desse grupo, de algum modo restrito, faz parte o Carnaval de Podence, em terras do Nordeste Transmontano, onde a quadra carnavalesca é festejada de forma a fazer lembrar as suas remotas origens, representadas ali numa encenação vincadamente pagã.

Neste ritual são visíveis as raízes que ligam o Carnaval de Podence às antigas festas dos Romanos, as Lupercais, efectuadas no dia 15 de Fevereiro, segundo uns em louvor de Pã, deus dos rebanhos, da fecundidade e dos pastores ou cabaneiros, enquanto outros sustentam que seriam realizadas em honra de Luperco, também ele deus pastoril da protecção dos rebanhos contra os lobos.

Consideradas das festas mais importantes da antiga Roma, eram particularmente marcadas pelo desfile, nas ruas, de grupos de homens seminus que fustigavam com peles de cabras, imoladas nessa ocasião, as mulheres que encontravam no caminho, num rito punitivo, tendo por intenção torná-las fecundas.

Ritual a perpetuar-se no Domingo e Terça-Feira de Carnaval, graças à actuação dos «Caretos de Podence», quando, pelas ruas, correm atrás das mulheres – principalmente das novas e solteiras – para «chocalhá-las», isto é, para abraçá-las lateralmente e com movimentos rápidos de semi-rotação da cintura fazer com que os chocalhos que transportam à cinta lhes batam repetidamente nas nádegas.

Os «caretos» (rapazes solteiros) constituem-se como as figuras principais da festa, os seres quase fantásticos destes rituais lúdicos e pagãos, transmitidos de pais para filhos, desconhecendo-se, no fundo, a sua verdadeira origem e significado.

Simbolicamente associados, na crença popular, «ao espírito do mal», ou a tudo aquilo que se afigure misterioso – forças sobrenaturais e ocultas, curandeiros, bruxos, poderes diabólicos e ao próprio Satanás – auferem de total impunidade durante esse curto período, apenas dois dias, embora costumem fazer uma aparição no Domingo Magro.

Em qualquer lugar em que se encontrem é sempre grande a algazarra que provocam, uma vez que comunicam entre si e com os circunstantes apenas por berros, numa linguagem que ninguém entende. Correm frequentemente atrás de quem calha e dançam e saltam como verdadeiros seres demoníacos, invasores e causadores de toda uma desordem e abuso instaurados a que não é possível, nem se deseja, afinal, pôr termo.

Escrito por Soledade Martinho Costa, do blog Sarrabal

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O CARNAVAL E O SERRAR DA VELHA


Carnaval e Entrudo são palavras com etimologias diferentes mas com significado igual para o período que vai desde o domingo da Septuagésima até à quarta-feira de cinzas.

É com o aparecimento da cultura cristã que o Entrudo nos aparece com celebração ligada ao período de abstinência imposto durante os quarenta dias da Quaresma.

Seja como for o Carnaval ou Entrudo será uma festa cujo significado e vivência estará sempre de acordo com a cultura de cada região. Não deixa também de ser uma festa de liberdade, onde tudo é permitido fazer-se de acordo com as tradições locais. E onde preceitos e bons costumes tendem a ser esquecidos para permanecer durante três dias o quase “vale tudo”. È mesmo um período que goza de muita permissividade e afincada sátira à sociedade em especial aos políticos. O divertimento carnavalesco foi, desde sempre, irreal e utópico mas, do verdadeiro Carnaval já pouco resta. Tem sido substituído por festas imitativas do Carnaval Brasileiro, samba e corpos quase nus.

Na minha aldeia havia a tradição de correr o Entrudo até à aldeia vizinha. Este consistia em levar um boneco feito a preceito com matérias-primas diversas e vestido a rigor com indumentária de cariz carnavalesco. Reunia-se o grupo de guerra sempre bem mascarado, que avançava em direcção à aldeia escolhida para ir deixar o Entrudo, tudo decorria calmamente até conseguir com que o Entrudo (boneco) ficasse dentro da povoação vizinha. Tarefa terminada com sucesso havia que bater em retirada com grande alarido. O que por vezes corria mal dado que havia outro grupo alerta da aldeia oposta esperando os intrusos e entre pedradas e umas pauladas, ganhava quem corria mais rápido. Mas tudo acabava sempre em boa harmonia. Era festa, era Carnaval! Tudo se aceitava. Cumpria-se a tradição.

Outra tradição que nas beiras também fazia parte desta quadra, era o serrar da velha a meio da Quaresma. Era uma tradição exclusivamente feita por solteiros. Todos se apetrechavam, envergando desde os velhos e grandes chocalhos, aos mais inusitados instrumentos arranjados para fazer barulho. O sino da torre da igreja acabava de dar as doze badaladas da meia-noite e eles aí vão. Acompanhados de um cortiço e um pau ou algo que imitasse o barulho de serrar, e entre grande algazarra, chocalhadas e outros instrumentos, paravam à porta da mulher mais idosa da aldeia de preferência que fosse solteirona e entre cantorias indicadas para a ocasião e sempre com alguma malícia vai de serrar no cortiço gritando serrar a velha serrar velha. Claro que muitas vezes terminava com um grande penicada por cima dos intervenientes, já reservada desde umas semanas atrás pois a situação já era prevista e afinal a idade também traz experiência.

Escrito por Acácio Moreira, do blog Carvalhal do Sapo

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

"A MINHA VIDA É UM CARNAVAL"


Há muitas épocas festivas ao longo do ano, mas sinto que há algo de mágico no Carnaval. Talvez seja o facto de durante todo o ano seguir uma rotina; de me sentir preso a uma postura politicamente correcta que não corresponde exactamente à minha personalidade, e de ver nestes dias uma oportunidade para sair da minha pele e encarnar uma figura mítica e poderosa.

O Super-Homem por exemplo, é um personagem invejável: consegue voar; vê através das paredes; tem uma força descomunal, mas não me estou a ver sair à rua com a roupa colada ao corpo, uma capinha vermelha e com as cuecas vestidas por cima das calças. Nem pensar. A não ser que leve óculos para ninguém me conhecer.

Confesso que nunca fui grande fã de máscaras, mas há dois anos tive a brilhante ideia de me mascarar de pirata. É certo que a camisa com folhos não me favorecia muito, mas em contrapartida a perna de pau e o gancho davam-me um ar de guerreiro, alguém que havia lutado em inúmeras batalhas e tinha sobrevivido. Senti-me confiante, diferente. Ao me deixar levar pelo personagem esqueci-me de todos os meus problemas, soltei-me e passei a ser outra pessoa. Mas ao sair de casa constatei que havia piratas por todo o lado. Deixei de ser o pirata guerreiro para ser o pirata coxo/maneta nº25. Se soubesse teria-me mascarado de vampiro, sempre conseguiria andar normalmente.

Não é fácil escolher um fato, por isso dou os meus parabéns às pessoas que todos os anos participam em desfiles e têm de escolher e fazer roupas originais. Eu sempre me dei mal com disfarces e com o Entrudo em geral. Desde o meu fantástico disfarce de Adão (não vou dar pormenores, mas passei frio), até ao traje de abominável homem das neves (em que passei um calor abrasador), todas as minhas máscaras têm sido falhanços e motivo de gozo por parte de toda a gente. Ainda assim é sempre divertido, e inclusivamente estou a pensar em transpor a filosofia carnavalesca para o resto do ano. Este é o meu novo lema: "Carnaval é quando um homem quiser", portanto, que seja todos os dias.

Escrito por "Ets", do blog é Running Snail

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QUEM VOS DISSE QUE ERA ASSIM? O AVÔ.


Em louvor do ilustríssimo Afonso De Albuquerque:

Andamos a desfilar de baldes na mão
Numa terra longínqua desenhada no mapa
Pisamos o chão entre vitórias e derrotas
Atracamos a identidade junto ao Estreito de Malaca.
Ouve-se: olha o balde...
Responde-se: venha ele
E depois... ai! Sente-se.
Os pescadores continuam a lançar a rede
As mulheres continuam a cozinhar o peixe
As crianças brincam ao peão
E dançam ao som do malhão, malhão.
É assim a nossa tradição,
Que resiste de geração em geração.

Somos os portugueses de Malaca, e vivemos do outro lado do mundo, no Oriente. Chamamos ao Carnaval – Intrudu (festival da água) e no dia 14 de Fevereiro vamos sair para as ruas com baldes de água na mão como se vive aqui a tradição. O encharcamento simboliza a última oportunidade que temos para nos divertimos antes da purificação (o período Santo da Quaresma).

Texto e poema elaborado com a Professora : Cátia Bárbara Candeias e os alunos nas aulas de português – Bairro Português de Malaca, do blog Portugueses de Malaca

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sábado, 20 de fevereiro de 2010

CARNAVAL DE 1993

Apesar de não ser fã do Carnaval, adoro uma boa partida e sempre reagi mal às imposições que revelem arrogância e prepotência.

Foi assim interpretada a decisão do 1º Ministro Cavaco Silva, quando no ano de 1993 decidiu não dar tolerância de ponto na Terça Feira de Carnaval, obrigando os funcionários a comparecer ao trabalho (quem não se lembra?)

Tal decisão desencadeou ondas de revolta e manifestações de vária ordem, tendo em mim despertado o meu lado irreverente, levando-me a seguir à risca a máxima popular "é Carnaval, não se leva a mal" eheheh

E a vítima escolhida para as minhas travessuras carnavalescas foi nem mais nem menos que o Director do Departamento onde trabalhava, homem sisudo, com fama de autoritário que não tolerava o menor abuso. Naquele dia viu-se a braços com coisas muito estranhas! Primeiro fora uma chamada do Serviço Informativo dando-lhe os resultados desportivos, depois o Boletim Meteorológico e seguida da empregada da Fábrica de Sacavém pedindo-lhe a medida do cu para que o penico lhe ficasse bem e por fim várias chamadas eróticas, se bem que dessas até tinha gostado e nada tinha a reclamar eheheh. Mas o momento mais excitante ocorreu após uma breve ausência, quando alguém o informou que uma ex-colega de faculdade o aguardava no gabinete.

Vaidoso, qual Dom Juan, ficou estático, de olhos esbugalhados perante a visão da dama de cabeleira loira, pernas cruzadas que, sentada no cadeirão junto da sua secretária, o aguardava. Quem seria a sensual mulher que tomara a liberdade de entrar assim no seu gabinete?!? Avançou para ela de mão estendida, só depois se apercebendo que a bela loira não passava de um manequim estrategicamente preparado para o fazer cair na armadilha eheheh

A brincadeira podia ter-me saído cara se não tivesse dado corda aos sapatos imediatamente e não fosse o dia seguinte Quarta Feira de cinzas, o primeiro dia da Quaresma que apela à penitência, tolerância e fraternidade, mas posso afirmar que nunca me diverti tanto como nesse Carnaval.

Escrito por Pascoalita

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O CARNAVAL E AS SUAS TRADIÇÕES


O Carnaval é considerado no calendário oficial brasileiro uma das maiores festas populares do mundo, mais animadas e representativas, ou seja um espetáculo a parte. A sua origem já vem dos nossos antepassados, onde as pessoas jogavam uma nas outras, água, ovos, farinha, lança perfume etc. O grande acontecimento acontecia num período anterior a Quaresma e, portanto, tinha um significado ligado à liberdade de expressão. Este sentido de alegria, euforia permanece até os dias de hoje nos blocos de rua. O Carnaval chegou ao Brasil por volta do século XVII e foi influenciado pelas festas carnavalescas que aconteciam na Europa. Em países europeus como Itália e França, o Carnaval ocorria em formas de desfiles urbanos, onde os carnavalescos usavam máscaras e fantasias. Personagens como a colombina, o pierrô e o Rei Momo também foram incorporados ao Carnaval brasileiro, embora sejam de origem europeia.

No Brasil, no final do século XIX, começam a aparecer os primeiros blocos carnavalescos, cordões e os famosos "corsos". Estes últimos, tornaram-se mais populares no começo dos séculos XX. As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades. Está ai a origem dos carros alegóricos, típicos das escolas de samba atuais. E começaram a aparecer os primeiros blocos carnavalescos como os Camisas Listradas organizado pelo compositor baiano Assis Valente, cordões e os famosos "corsos". As pessoas se fantasiavam, decoravam seus carros e, em grupos, desfilavam pelas ruas das cidades.

No século XX, o Carnaval foi crescendo e tornando-se cada vez mais uma festa popular. Esse crescimento ocorreu com a ajuda das marchinhas carnavalescas. As músicas deixavam o Carnaval cada vez mais animado. A primeira escola de samba surgiu no Rio de Janeiro e chamava-se Deixa Falar. Foi criada pelo sambista carioca chamado Ismael Silva. Anos mais tarde a Deixa Falar transformou-se na escola de samba Estácio de Sá. A partir dai o Carnaval de rua começa a ganhar um novo formato. Começam a surgir novas escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo. Organizadas em Ligas de Escolas de Samba, começam os primeiros campeonatos para verificar qual escola de samba era mais bonita e animada. O Carnaval de rua manteve suas tradições originais na região nordeste do Brasil. Em cidades como Recife e Olinda, as pessoas saem as ruas durante o Carnaval no ritmo do frevo e do maracatu, carregando enormes bonecos. Os desfiles de bonecos gigantes, em Recife, são uma das principais atrações desta cidade durante o Carnaval. Na cidade de Salvador, existem os trios elétricos, embalados por músicas dançantes de cantores e grupos típicos da região que cantam e cima dos trios elétrico que surgiram através dos famosos cantores baianos: Osmar e Dodô. Na cidade destacam-se também os blocos negros como o Olodum e o Ileyaê, além dos blocos de rua e do Afoxé Filhos de Gandhi.

Escrito por Flávia Almas, do blog O Olhar de uma Jornalista


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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

MÁSCARAS


(Imagem de Andreas M. Gross)

Este ano não me vou mascarar! Não me vou disfarçar de vaca, freira ou enfermeira... Este ano vou sair à rua, tal como me apresento o resto do ano. E vou sentir-me bem enquadrada no espírito carnavalesco. Todo o meu desassossego vai desaparecer por uns dias, pois vou assumir a máscara que uso diariamente sem que isso me soe a estranho, ou a desapropriado. Afinal estamos no Carnaval! Que mal tem colocar a máscara mal acorde, para apenas a retirar quando entro no sono profundo? É Carnaval, ninguém leva a mal!

E, já agora, penso. Quantas pessoas, tal como eu, usam diariamente uma máscara invisível, sem que os outros disso se apercebam? Seremos uma percentagem grande ou pequena da população? E afinal, porque não rasgamos a máscara e mostramos ao mundo aquilo que verdadeiramente somos? Porque guardamos segredos se apenas queremos viver de acordo com aquilo que nos vai na alma? Porque teimamos em continuar a assumir papéis que já nada nos dizem?

Pelo que sei, é no Carnaval que nos transformamos naquilo que não somos mas que gostaríamos de ser! E será que, ao longo de todo o ano, ao sermos aquilo que não queremos mas sim aquilo que os outros esperam de nós, não estamos também a usar uma máscara? Não é também esta postura, uma forma de nos mascararmos, tal como o fazemos nas festas carnavalescas?

Escrito por CarpeDiemaria

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PARA A HISTÓRIA DO CARNAVAL EM ESTARREJA – CARNAVAIS TRADICIONAIS


CONTRADANÇA OU DANÇA DOS DITOS
Representação teatral e cómica, conta com um Capitão que preside o julgamento do Bacalhau (por vezes chamado de Entrudo), culpado de mil crimes. Há ainda duas fileiras de participantes individualizados, uns acusando e outros defendendo o Bacalhau. No final este é condenado à morte, momento em que passa a ler o seu testamento, de todo brincalhão.
De notar os trajes das fileiras, munidas com espadas e tendo uns tantos lenços presos à cintura, criando como que uma saia. O Capitão tem vestes militares, e o Bacalhau vestuário folgazão condizente com a sua personalidade. Após o julgamento faz-se uma dança em redor do pau das fitas.
É uma tradição conhecida de Pardilhó, Canelas, Veiros, Murtosa e Bunheiro, assim como dalgumas localidades vizinhas. Ainda se viu há poucos anos na Murtosa, com elementos de Veiros, e por volta dos anos 80 e 90 foi exportada por emigrantes para os Estados Unidos.

CARROÇA DO GALO
Cortejo encenado, em Canelas, com uma pequena carroça enfeitada que carrega um galo e uma galinha. Os participantes, munidos de espadas, acusam uns o galo de variados e crimes, e defendem outros a sua inocência. O testamento do galo tem semelhanças com o do Bacalhau da Contradança.

ENTERRO DO ENTRUDO
Representação de cortejo fúnebre que se faz à meia-noite de terça para quarta-feira. Na frente desta encenação teatral vai um Padre e no caixão o Entrudo, seguindo-se um grupo de folgazões com flores que são couves e alguns outros adereços. Parado o cortejo o Padre lê o testamento do Entrudo, um vasto conjunto de malandrices.

OUTROS CARNAVAIS
Há noutras terras tradições semelhantes a estas ou pelo menos com algum paralelo, além do que o Carnaval do concelho de Estarreja tem mais costumes antigos. As travessuras dos mascarados, as Tarivacas, a Cegada (gozo político nacional), o jogo do pau, as desgarradas ou cantares ao desafio… Muito disto pertence a um velho Carnaval desaparecido ou em vias de extinção. O que dele resta vive principalmente na memória dos mais velhos.

Escrito por Marco Pereira, do blog História de Estarreja e Murtosa
Neste blog, encontra mais informação sobre a História do Carnaval em Estarreja.

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