quinta-feira, 10 de setembro de 2009

O néctar do Alentejo que me caiu no goto …

Imagem retirada da internet

Estávamos no ano de 2002, em Setembro, num dos primeiros sábados do mês. Fomos convidados para um casamento de uma grande amiga do e no Entroncamento: a Xana Roxo.


Estou acompanhado da minha esposa que, não bebe muito vinho, apenas o faz socialmente e em certas ocasiões. De resto prefere o vinho caseiro de seus pais …
No restaurante, acabam de servir as entradas: salgados diversos, de onde prefiro os pastéis de bacalhau caseirinhos … nada melhor para os acompanhar do que um bom vinho branco e fresco. O que é que me serviram? Um famoso “Porta da Ravessa Branco de 2001”. Já bebi um “Porta da Ravessa Tinto” de 2000 e gostei muito. Era forte, encorpado, de cor rubi e com um paladar a frutos vermelhos silvestres. Naturalmente que o bebi a acompanhar um bom lombo de porco assado, com batatas e salada mista. Gostei tanto que agora no casamento dos meus amigos não hesitei em provar o vinho da mesma casa mas branco.
Foi um verdadeiro sumo de uva, maravilhosamente fresco e perfumado. Fiquei de tal forma encantado que, comecei a caracterizar o dito vinho em voz alta para todos os que me rodeavam. Lembro-me de ter dito algo do género: “uma boa lágrima que marca o carácter do vinho. Cor branca ,ligeiramente dourada. Aroma frutado, com reminiscências de pêra e de maçã. É um vinho redondo! Agradável e leve que acompanha bem pratos de peixe.”
Para meu espanto o noivo estava com uma garrafa na mão a ler o rótulo enquanto eu falava. Quando eu terminei ele disse: “acertaste em cheio! Ou será que já tinhas lido o rótulo?”
A verdade é que foi a primeira vez que provei “Porta da Ravessa Branco de 2001” e fiquei deliciado com o mesmo!
Como já gostava da versão de tinto, tornei-me um fã a partir daí, de “Porta da Ravessa”. Atrás desse, posteriormente tenho degustado e bebido outros vinhos do Alentejo, como o “Borba”.
A partir daí, tenho sempre uma preferência, pelos vinhos do Alentejo …
Escrito por Mestre
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Dou-me bem com ele

Antunes Ferreira

Uma confidência: comecei a pisar uvas no lagar da minha tia-avó Etelvina, tinha eu oito anitos. No Vale de Santarém, onde a augusta Senhora era a segunda pessoa mais importante, além de… solteira. Até aos 82, quando faleceu. E dizia-se – eu ainda não entendia de tais coisas, mas ouvia – que era virgem, por razão de um desgosto de amor na sua juventude. Vidas.

O meu pai era do Cartaxo, mas podia ter nascido em Almeirim, na Chamusca, em Santarém, na Póvoa da Isente, ou em Vila Chã de Ourique, já que o meu avô era comerciante de vinhos. O que quer dizer que a inclinação para a boa pinga vem-me acompanhando pela vida fora desde a… mais tenra idade. Alto e pára o baile: não sou um bebedor militante, mas sei apreciar o vinho. Néctar de que gosto, sem chegar à embriaguez. Resumindo linearmente: não me embebedo; dou-me bem com o vinho.

No DN onde fui chefe da Redacção, criei um suplemento semanal intitulado prosaicamente «Jornal dos Vinhos», cuja alma mater foi o meu camarada de trabalho José Estêvão Santos Jorge, que organizava os «Jantares Vinícolas» com imenso sucesso. Eu acolitava-o com imenso prazer, não só pela companhia – de uma forma geral excelentes cidadãos, apreciadores e conhecedores – mas também pela qualidade dos néctares apresentados e… consumidos.

Posso, pois, dizer que os vinhos e as vinhas fizeram parte da minha vida, pois a Dona Etelvina Ferreira era proprietária de ambos. Hoje, sou mais vinhos, as videiras só de passagem, quando circulo nas estradas. A vida é assim: tem-se aquilo que se pode ter. E como a trabalhar não se enriquece – não tenho vides, nem adegas, nem rótulos, nem sequer rolhas. Mas, palavra que gostava de ter. Por puro prazer.

Escrito por Antunes Ferreira, do blogue A minha travessa do Ferreira
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Vinho do Caxias, Brasil

PARTICIPANDO DA BLOGAGEM COLETIVA PROMOVIDA PELA SUSANA DO BLOG. Aldeia da Minha Vida .


TRAZENDO O TEMA Vinhos e vindimas.
PENA QUE O TEMPO É CURTO E O ESPAÇO TAMBÉM!!!
RESUMINDO VAMOS ENTÃO...
ENTÃO VENHA COMIGO NESTA VIAGEM...

Não vou falar do Vinho de Portugal, vou falar do Vinho do caxias, do qual fui conhecer.


Fica no Rio Grande do Sul
Bem, não sou uma amante dos vinhos.


Mas, experimento. Até tomo lá de vez enquanto alguns goles, ou uma taça.

Quando adolescente, nas festinhas bebia uns golezinhos e passava muito mal. Até mesmo em casa com meus pais. Sempre passava mal e acabava chorando muito, ou rindo muito.

Por que??? Porque passava mal.

Não posso beber nada que contém álccol.



"Para os amantes e/ou profissionais, saber apreciar e saborear um bom copo de vinho, envolve um jogo de sensibildade gustativa, um prazer, que passa por um ritual, à descoberta de sabores e aromas frutados, que quase parece uma entrada ao Paraíso, pela boca".

Concordo com esta explicação. Mas não posso me exceder muito.

Por isso não sou uma amante.

Meu marido ama Vinhos. Conhece muito.

Existem vários tipos de vinhos: são Tintos, Brancos, Rosés, Verdes e Espumantes.

Sei que tomado com moderação, são benéfico a saúde. Tenho um compadre, que toma todo os dias antes do almoço um cálice de vinho.

Diz, que é para manter a Saúde do Corpo.

Vamos então brindar este encontro com uma bela taça de vinho.
imagem retirada de http://www.osvigaristas.com.br/

CAXIAS DO SUL. CONHEÇA UM POUQUINHO DESTA B ELEZA DO RS. clicando aqui


Texto escrito por Sandra, do Blogue Uma Interacção de amigos.
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Barca Velha




O Vinho, especialmente o «generoso» ou «fino» como é chamado na região Duriense, e mais conhecido por «do Porto» ou ainda mundialmente por «Port Wine», será um dos temas que abordarei com regularidade neste Blogue. Tinha já pensado fazê-lo, era um projecto em estudo para outro dos meus Blogues, mas porque não aqui??? Só espero conseguir que se apaixonem pelo tema e o vivam tão intensamente quanto eu.

Começo por explicar porquê o Barca Velha como primeira opção. Não sendo um vinho do Porto, é contudo um vinho da região demarcada do Douro, região pródiga para a produção de vinhos de altíssima qualidade. Este vinho é indubitavelmente o melhor vinho de mesa do país, reconhecido mundialmente como tal, ocupando sempre um lugar cimeiro na cotação mundial dos “Wine Experts”.

Gostaria que soubessem antes de mais, que tive a imensa honra de trabalhar na Empresa que o produz, mas muito especialmente de ter tido o privilégio de ter contactado de perto e aprendido a amar o vinho, com o célebre criador do primeiro Barca Velha, que foi lançado no mercado em 1952, o Sr. Fernando Nicolau de Almeida, figura emblemática da A.A. Ferreira, um ser único, um perfeito gentleman. Lembro-me que inventava perguntas para poder ir ao laboratório ouvi-lo explicar-mas, a linguagem do vinho só por si é lindíssima, ouvir ou ler a descrição de um vinho é uma coisa do outro mundo, mas não há ninguém capaz de o fazer como ele, ninguém mesmo.
Apesar de ser o Sr. Director Técnico, de ter verdadeiro “sangue azul” nas veias, ele próprio conduzia o seu lindíssimo Jaguar azul-marinho, sempre rejeitou chauffeurs e foi sempre a pessoa mais carinhosa que conheci na Porto Ferreira. Com ele trabalhava o Sr. Engº. José Maria Soares Franco (de quem falarei seguramente muito noutros textos), que lá ficou após a morte do Sr. Nicolau de Almeida até muito recentemente, o Sr. Eng.º Luis Vieira, bem como mais dois ou três jovens enólogos, dos quais destaco o actual responsável técnico do Barca Velha, o Eng.º Luís Sottomayor, sendo este o terceiro que o Barca Velha tem como “pai” desde que foi criado.
Transcrevo extracto de entrevista ao “terceiro pai do Barca Velha”, quando perguntado se haveriam diferenças no vinho desde a sua criação; “Algumas, mas muito pequenas. Resumidamente, diria que o Sr. Nicolau de Almeida gostava de Barcas Velhas mais robustos, o José Maria Soares Franco privilegiava a harmonia e eu, a elegância.”

Vamos agora ao vinho em si.

Chama-se Barca Velha por ser produto da Quinta do Vale Meão, no Douro Superior (Pocinho – V.N. Foz Côa). A única Quinta inteiramente implantada por D. Antónia Adelaide Ferreira, (1811 – 1896) a célebre e ilustre “Ferreirinha”. Junto à quinta ancoravam os “rabelos”, que podiam ser maiores ou menores e daí chamarem-se “barcas” ou “barcos”. A mais velha Barca, a que já não transportava pipas rio abaixo até ao entreposto, no cais de Gaia, acabou por dar o nome ao vinho. Em 2000 a produção do Barca Velha passou para a Quinta da Leda, após a aquisição da Ferreirinha pela Sogrape, sendo actualmente a Quinta do Meão pertença do Sr. Dr. Francisco de Olazabal, genro do Sr. Fernando Nicolau de Almeida, de quem seguramente escreverei muitíssimo e dos seus fabulosos vinhos, assim eu vos consiga cativar para este tema.

Este vinho foi criado à imagem e semelhança de um Porto Vintage (mais tarde explicarei melhor, mas que é basicamente o vinho do Porto de eleição) cumprindo-se assim o sonho do Sr. Nicolau de Almeida, o de criar um tinto de mesa que se assemelhasse em tudo ao que um Vintage tem de melhor. Ao ser engarrafado jovem, corpulento, robusto e sem tratamentos, (tal qual um Vintage) fica preparado para evoluir na garrafa e atingir o auge com o tempo e com a idade., fazendo com que seja o único vinho que ousa desafiar o tempo. Todos os outros vinhos, mesmos os actuais grandes tintos do Douro, são comercializados muito jovens, com apenas dois ou três anos. Por seu lado, o Barca Velha só é comercializado oito a nove anos após a vindima, e só nos anos excepcionais e conforme a sua evolução na garrafa é que é declarado como tal ou não, assim o último colocado no mercado é do ano de 2000, e curiosamente o anterior foi 1999, mas é raríssimo acontecerem dois anos consecutivos.

Vamos agora a uma prova de um Barca Velha de 1985.
Esta foi efectuada em Novembro de 2002 por Tiago Teles.

“É sempre um desafio beber um Barca Velha. Este já tinha 17 anos e foi bebido em prova cega. O nariz começou por ser doce, com aromas a marmelo, evoluindo depois para um nariz vinoso. Ligeiro caramelo. A boca é elegante. A acidez é agradável e os aromas equilibram com a boa concentração de sabor. Os taninos estão presentes, mas envolvidos no conjunto, contribuindo para um final moderado/longo.”

Castas: Tinta Roriz, Tinta Amarela, Touriga Nacional e Touriga Francesa

Curiosidade - Na CASA FERREIRINHA existe apenas uma garrafa da primeira colheita do Barca Velha – uma magnum de 1952, cujo valor é, hoje, incalculável.
Curiosidade - Destaque especial para o Barca Velha 2000, que ganhou o prémio de melhor vinho do ano.

http://www.nicolaudealmeida.com/Historias.htm - Não percam as histórias do Sr. Nicolau de Almeida e as imagens.

Escrito por Fernanda Ferreira, do blogue Sempre jovens

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Bebida ingesta


Não haverá certamente ninguém que pelo menos uma vez não tenha participado ou assistido à azáfama das vindimas. Nos meses de Setembro e Outubro, as vinhas enchem-se de gente e em grande animação, as uvas são colhidas e transportadas para os lagares, onde são esmagadas e após fermentação, é recolhido aquele precioso líquido, tão apreciado pelos portugueses e não só.

Sempre estranhei tanta alegria no trabalho, e como cusca que sou, já em criança questionava os mais velhos sobre o assunto. Teriam as uvas um poder mágico que o simples exalar do seu odor nos deixava estonteados duma felicidade contagiante? Ou seria necessário mastigar primeiro alguns bagos?
- Não, diziam-me. É uma espécie de gozo por antecipação ... o melhor vem depois de beber o seu suco!
Lembro-me de assistir impaciente às vindimas, tendo inclusive tentado dar uma ajuda e de, movida pela impaciência própria duma gaiata que segundo o meu avô nascera com o diabo no corpo, ter confundido o meu dedo mindinho com o pé dum cacho, valendo-me ser excluída da Festa.
Dias depois, eu e a Luisa, minha companheira de brincadeiras, observamos grande azáfama no pátio. O meu avô e os nossos pais, carregavam um enorme pote dourado a que ouvi chamar alambique e percebemos que algo de muito extraordinário se iria passar nessa noite.
Aquilo era fantástico! Escondidas no escuro, víamos os homens em grande algazarra, colocar um copo sob um tubo de onde lentamente escorria um "fio prateado" e um após outro bebiam e riam, riam, riam. Sem hesitar, decidimos provar o milagroso suco!

Esperámos que os homens dormissem e pé ante pé avançámos e, de um só trago, bebemos um copo cheio cada uma. As minhas lembranças do alambique e do tão almejado "líquido prateado" terminam aqui. Só me lembro de acordar com uma forte dor de cabeça, numa cama empestada de vomitado e outros fluídos desagradáveis, com a Luísa ao lado gemendo, em idêntico estado deplorável eheheheh

Escrito por Cusca Endiabrada
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Vinho de Mêda ou sumo de Uva?

imagem retirada da internet

Não bebo muito vinho. Gosto mais de o apreciar com calma e em pequenas quantidades. Procuro sempre descobrir o que está por detrás de cada vinho. É um jogo muito interessante, quase uma “Paciência”, ou melhor um “Solitário”, descobrir as características do vinho. De seguida o que me dá prazer é poder partilhar essas características com outras pessoas e trocar opiniões com elas. Afinal bebo moderadamente, de preferência, às refeições e socialmente ….

Ainda antes de casar comecei a frequentar a casa dos meus sogros, em Mêda, Distrito da Guarda e na Região Demarcada do Douro. Confesso a minha ignorância de então, em termos dos vinhos do Douro, com excepção para o vinho do Porto que claro, está, já conheço desde adolescente.

A primeira vez que bebi vinho tinto produzido pelo Sr. Heroíno Falhas, fiquei espantado: Não me parece vinho. É tão suave. Não é amargo, devido a um estágio demasiadamente longo em pipas de madeira de carvalho. Não parece conter sulfitos nem nenhum aditivo. Trata-se de um verdadeiro sumo de uva!

Até então eu era um aficcionado dos vinhos do Alentejo e do Dão. A partir daí comecei a apreciar e a beber cada vez mais o vinho do meu sogro, caseiro, produzido da forma mais tradicional e absolutamente saboroso, sem igual! Outros vinhos do Douro DOC se seguiram e bebo com gosto.

O vinho tinto do Sr. Heroíno, produzido a partir das castas Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinta Roriz, estagia 6 meses em pipas de carvalho francês e depois é transferido para cubas em inox. Tem uma boa cor vermelho violeta, aroma a frutos maduros e a baunilha. Na boca é redondo com tâminos suaves e um final com alguma classe.
Acompanha bem carne de vaca, caça e queijos. Também já o experimentei com outras carnes e mesmo com peixe assado, dado que é redondo e suave, com muita satisfação.

Para quem quiser experimentar este néctar, verdadeiro sumo de uva, o Sr. Heroíno Falhas, vende ao público, nas suas instalações, em Mêda. O vinho é óptimo e o preço é um convite a levar para si e para os amigos!

Escrito por Paulo Antunes


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Eu e os vinhos


Confesso que não percebo nada de vinhos. E faço já esta declaração, para que me seja perdoado algum disparate ou imprecisão que eu possa cometer. Porque isto dos vinhos é uma ciência exacta, ou pelo menos muito complexa, só para iniciados. Basta ver a expressão e os trejeitos de quem vai a um restaurante, se senta a uma mesa e escolhe um vinho, de uma lista às vezes maior do que o próprio menu. Chega o criado com a garrafa, verte um pouco de vinho no copo e, nesse momento, todo o simples mortal se transforma num verdadeiro enólogo: agita um pouco o copo, cheira, observa o líquido contra a luz, prova um pouco, até dizer finalmente, com ar de entendido, ao pobre criado que espera pacientemente “Pode servir!”

O próprio vocabulário ligado ao vinho é hermético. Há vinhos de grande afinação, ou de personalidade vincada, seja lá isso o que for. Pode dizer-se de um vinho que é agressivo, ou que as arestas foram polidas, ou que tem boa prestação na boca. Pode-se verificar que os taninos ainda estão espigados, ou que a madeira está bem integrada. Fala-se da complexidade aromática e das notas licoradas. E de muitas outras coisas incompreensíveis para um leigo.
Por isso, vou apenas destacar um vinho da região onde habito e de que gosto particularmente: o Moscatel de Setúbal. Não sabia se podia incluí-lo nos vinhos, mas descobri que se integra nos vinhos generosos. Escolhi uma garrafa que tinha em casa e fiz uma busca no Guia de Vinhos do meu marido, porque não quero fazer má figura. Apresentam-no como “carregado na cor, com um aroma muito rico e de grande impacte inicial, trazendo abundantes notas de laranja em farripa e mel, alperce e algum fruto seco. Na boca, ao contrário do que o peso aromático poderia fazer supor, tem uma boa frescura, um corpo de veludo e um final macio e muito longo.”
Não sei avaliar se tem corpo de veludo nem distinguir as notas de laranja em farripa. Mas sei que me sabe muito bem, num copo alto com gelo, servido como aperitivo ou bebido com amigos, na esplanada, numa noite de Verão.
(Referências retiradas de “Vinhos de Portugal” de João Paulo Martins, Ed. Dom Quixote)
Escrito por Teresa, do Blogue Óculos do mundo
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Gastronomia e Vinhos: enogastronomia



Sem dúvida que o vinho e a comida estão intimamente ligados há milhares deanos: O Sr. Vinho é o acompanhante de excelência da Sra. Comida. Casados fazem o “par” ideal. No entanto, como todos os casais, que se tornam um só após o casamento, também têm as suas brigas e os seus momentos brilhantes:nem todos os vinhos serão adequados para todas as comidas,naturalmente.
Gastronomia, por definição,respeita à culinária e às bebidas em geral mas a enogastromonia
junta duas artes e ciências numa só conjugação: a arte de fazer vinhos e a arte fazer comida.


Se quisermos objectivar poderemos dizer que a forma mais visível da enogastronomia será juntar os gastrónomos e os enófilos na apreciação conjunta e na combinação das várias criações das duas artes atrás referidas.

No restaurante, o que é que se escolhe primeiro? Normalmente é a comida e em seguida escolhe-se o vinho. Mas não tem que ser assim. Poderemos escolher um vinho que tenhamos curiosidade em provar e só depois pedir a comida que melhor combine com aquele
vinho. Isto porque as tais brigas atrás referidas poderão ser de tal ordem que ficarão os dois a perder: o bom vinho poderá ser aniquilado pela escolha do prato e vice-versa.


As combinações entre pratos de comida e vinhos não são rígidas pois as regras são apenas básicas.Também a forma como se cozinham os ingredientes condicionama escolha do vinho, não sendo apenas o facto de se tratar de um bacalhau (assado, cozido, com azeite, com puré, etc). O melhor para se combinar é conhecer o mais possível tanto o vinho com acomida e saber que os pratos não são estáticos. “O vinho… afasta as nossas preocupações e fornece-nosnovos motivos para acompanhar as refeições”, pois ele é parte integrante dela.
E o vinho do Dão? Da análise de vários factores intrínsecos aoseu terroir como os solos, os climas,
as castas, etc, os vinhos resultantes são frescos, frutados, de aromas finos e bocas delicadas e
persistentes sendo, por isso, provavelmente, os vinhos mais gastronómicos do mundo!
Não pare de experimentar, pois ao combinar pratos com diferentes vinhos terá dois mundos de surpresasbastante surpreendentes.


Não se esqueça de ter atenção às temperaturas do serviço, dos copos, e, claro, de boa companhia…


Já tentou ver o que diz o dicionário da língua portuguesa sobre enogastronomia?

João Paulo Gouveia – Docente de Viticultura
da Escola Superior Agrária de Viseu
e Grão-mestre da Confraria dos Enófilos do Dão



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Moscatel, feito pelo pai do Zé em 1944

Já várias vezes referi no meu blogue que o meu pai era vinhateiro. Tinha quintas, pessoal, tinha o João Pião que deu motivo ao meu conto sobre o jerico.
Recordo com saudades, a grandiosidade das Adegas, dos lagares, dos toneis, das pipas, dos barris, dos funis de madeira, das prensas de pedra para espremer os engaços, os chapéus dos trabalhadores sujos com o mosto, de uns anos para os outros, por transportarem à cabeça as uvas das camionetas para os lagares e a pisa cadenciada, sem cantares nem concertina (isso eram coisas do Norte), mas em alternativa havia sempre uma anedota mais picante que ás vezes roçava o ordinário.

O pai António, era um homem organizado e quando chegava os últimos dias de Julho pegava na sua pasteleira e ia visitar às Cabanas, povoação do Concelho de Palmela, onde um amigo de longa data era o seu representante na região para lhe dar dicas das propriedades onde as cepas estavam mais compostas e com perspectivas de bons cachos para fazerem vinho.
É que, para a quantidade que necessitava para fazer o precioso liquido, as uvas das suas propriedades não chegavam, tendo por isso de negociar com outros agricultores.
O Zé vivia habituado a tudo aquilo e ano pós ano o ritual repetia-se. Como eu recordo as uvas comprada na Barra Cheia, concelho do Barreiro a uma senhora solteira já a entrar na casa dos 60 anos, mulher do campo, que só uma vez sonhou em namorar, e até esse pretendente, não passava do Stº. Hilário, imaginário que a aguardaria num dos corredores do céu, no sentido de lhe pedir contas pelo facto de não ter arranjado marido para a ajudar nas lidas do campo.
O negócio foi de vulto, e a Senhora, convidada do meu pai, teve honras de embaixadora em representação da Barra Cheia para comer e ficar em nossa casa com a sobrinhita a um fim de semana, depois de receber o valor das arrobas de uvas que a sua quinta tinha produzido.
Já depois de deitadas, não recordo porquê, a mãe Julia teve necessidade de entrar no quatro. Bate, entra e depara com a Dnª Cesaltina com as suas próprias cuecas (tipo clótes) enfiada na cabeça, onde no sitio da “parrachita” aparecia uma mancha amarelada, fruto de uma mijadinha menos controlada. O Zé que tinha sido admoestado para não entrar, mas não fugiu à tentação de dar uma olhadela e como seria de esperar desatei a rir à gargalhada, pois as pernas da peça em causa não deixavam ver as orelhas.
Prometi a mim mesmo não contar a ninguém o que tinha visto, coisa digna de um filme-comédia italiano dos anos 60. Podem calcular que cumpri escrupulosamente e no outro dia não contei a ninguém , mas em conta partida não houve gato nem cão que não ouvisse da minha boca, a historia das cuecas enfiadas na cabeça.
Quantas vezes fui ao Efem Rodrigues, à rua da Prata em Lisboa, buscar as analise que com toda a regularidade o meu pai mandava fazer ao vinho e comprar produtos de correcção de forma a manter inalterável a qualidade do precioso néctar.
E até a mãe Júlia, aproveitada bem a ocasião para fazer um doce de uva, coisa que jamais comi de paladar tão requintado. Nada igual ao que já provei recentemente e adquirido em super mercado.
Em Monsaraz , quando numa extensão da visita que fiz a Alqueva, para apreciar a barragem que originou o maior lago artificial da Europa e que num futuro muito próximo se tornará no maior lago conspurcado do Mundo, tais são as imundices que por
ele flutuam, adquiri um frasco de doce de uva branca, que comprei imediatamente para fazer comparação com o que as minhas glândulas gustativas acusam, fiquei mais uma vez decepcionado.
Em traços gerais, estas são recordações que tenho das azáfamas do Vinho e dos meus tempos de menino.


Escrito por Zé do Cão.

Este texto não está a votos... por ter chegado atrasado. Mas sempre pode deixar um comentário ao nosso amigo aqui..

domingo, 6 de setembro de 2009

Descobre lugares e sensações de Idanha (2ª parte)

A primeira parte do passatempo terminou e vamos desvendar o mistério das fotografias, com excertos de textos de grandes escritores portugueses:
A primeira foto:



"Nunca se sabe em Monsanto
(Que as águias roçam com a asa)
Se a casa nasce da rocha,
Se a rocha nasce da casa."

Cardoso Marta


A segunda foto:


"Assim, de facto o sentimos: remoto e em degredo.
E Monsanto se chama, de pedra é feito.
-Minha pedra coalhada
-Minha nave de pedra."
Fernando Namora


A foto foi tirada , da porta da capela românica de S. Miguel, com o olhar sobre as ruínas da antiga torre do Peão, situadas numa encosta , antes de entrarem no Castelo dos Templários.


Para a terceira foto, tirada do miradouro da vila, tomei a liberdade de ir buscar palavras de Miguel Torga transcritas pelo nosso amigo João Celorico, num comentário deixado neste blogue:
"Salvaterra do Extremo, 14 de Outubro de 1979" «Atormentado de todas as maneiras, dei hoje comigo a sossegar a alma neste recanto da pátria, que até no nome é bonito, Cada vez amo mais o Portugal velho, já quase perdido, de ruas aconchegadas, largos domingueiros, pelourinhos severos e torres cristãs, fiel à primitiva decência. Sinto-me nele seguro, idêntico, natural e, sobretudo, fortalecido no meu afã de poeta. As coisas podem ser, como os versos, desafios ao tempo. Basta que estejam certas no espaço e na História
Miguel Torga, Diário, vol. XIII.

*****
Para compor o quadro ...mais umas pinceladas sobre ...




"Estas terras de Idanha, abertas a todas as sensações da Beira, são a reconsntrução inteligível de uma linguagem dispersa. Nelas late o coração inteiro da Raia transfonteiriça:olivais e montados, hortaliças e searas; baldios caldeados pela seca fragância do rosmaninho, a esteva ou a menta; promontórios remontos delimitando o longo da planície (...) e o fragor dos rios que delimitam ou que irrompem: o Erges , o Tejo, com as suas verdes ribeiras, as suas gargantas azuis, os longos espaços de voo, a pureza do ar, a luz não usada... Essa consciencia de ser centro fica plasmada na copla popular:

Ai! Ai!
Subi acima ao castelo
Lá ao longe vi a Espanha
Ai!Ai!
Dei um abraço a Monsanto
E o coração a Idanha. (...)"



in: Dirc. de José Maria Bermejo"A Raia"






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Só quem vai a esses recantos mágicos poderá experimentar as mesmas sensações, com que ficaram esses ilustres escritores.


Agora a segunda parte do passatempo:




O nosso amigo Luís Silva, de Seia, do blogue Oceano das palavras é o realizador de um pequeno filme, intitulado "Os últimos moinhos", que vai ser exibido dia 16 de Setembro na Escola Superior de Educação no Festival de Cinema, que está integrado na Feira Raiana de Idanha a Nova, que irá decorrer de 14 a 16 de Setembro .
Convidamos desde já a abrir o convite que se segue...




Para saber sobre : *o filme "Os últimos moinhos" clique aqui ;
* o Festival de cinema em Idanha a Nova, clique aqui.

Depois de tudo lido e visto, sobre pedaços de terras idanhenses, até dia 10 de setembro, diga-me lá porque vale a pena ir a Idanha- a-Nova?

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Dia 11 de Setembro anunciaremos quem serão os premiados do passatempo das duas semanas que irão à Feira Raiana.

Participe!


Para um contacto mais íntimo com a Natureza, o melhor dos melhores comentários feitos durante as duas semanas (de 31 de Agosto a 10 de Setembro) habilita-se a um passeio diferente, de burro, por terras de Idanha .
E boa sorte!
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Só mais uma coisinha:
Até ao dia 8 de Setembro não se esqueça :
Está em curso a Blogagem colectiva das Festas e Tradições , por isso comente e vote. Está em cusa prémios para o melhor bloguista e o melhor comentário;
Envie o seu texto e foto para a Blogagem Colectiva "Vinhos e Vindimas", que começa dia 10 de Setembro

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Blogagem Colectiva: "Uma experiência marcante em minha vida"

O blogue Vidas Linha da Milla Galvão lançou um desafio à blogosfera para escreveremos sobre "uma experiência marcante em minha vida". Apesar de apelar a algo mais pessoal, não podia deixar de participar, postando aqui na Aldeia da minha Vida, um blogue de todos e para todos , em que cada um dá um pouco de si falando das suas experiências vividas em volta das suas terras. Pois acho que é a minha vez de também contribuir dando um ponco de mim. Aqui vai:

Uma despedida marcante

Uma das experiências mais marcantes para mim foi o dia em que tive de ir embora da terra onde tinha vivido toda a minha vida, desde que nasci, depois de uma dura conversa...

Tinha acabado de fazer dezassete aninhos. Sentia-me uma mulherzita bem corajosa, a estudar longe de casa (a 5 horas de caminho). Estava feliz por saber que no ano que se seguia iria para a faculdade e seria (finalmente) maior. Foi uma feliz coincidência poder regressar nas férias dos finados e festejar com a minha familia e amigos mais chegados. Fomos todos jantar no restaurante da Miquelina para comemorar.

Era a rainha da festa. Contava à família a minha experiência da nova vida que levava, há cerca de um mês, desde que tinha começado as aulas, na nova escola. Foi com espanto que, uma voz áspera cortou a minha palavra e tomou conta da festa. O ambiente silencioso conspirou com aquelas palavras severas, secas de carinho e de compreensão e cheias de desconfiança. Sem dó nem piedade, a festa deixou de ser festa. Os olhares incidiam-se sobre mim e julgavam-me em silêncio. Um julgamento absurdo em volta de suposições completamente abstraídas da realidade.

Senti um grande nó na garganta e não consegui proferir nada em minha defesa.
Naqueles minutos de tortura pensava em sair porta fora e chorar, onde ninguém me visse. Mas não o fiz. Cheguei a convencer-me que era apenas um pesadelo, que simplesmente iria desaparecer, assim que abrisse os olhos. Fechei os olhos e voltei a abrir e nada aconteceu. Excepto uma coisa: senti um sussurro no ouvido que segredou-me: "Sossega linda menina! Aquele que te viu crescer, pouco ou nada sabe de ti" .

Depois daquela noite, não lhe dirigi mais a palavra, até apanhar o comboio. Triste e destroçada segui viagem para o meu novo mundo, a cinco horas de distância do mundo dele.


Esta foi a minha primeira grande desilusão que me marcou profundamente.Tive a necessidade de sair da minha terra, não apenas para estudar, mas também para esquecer o que vivi. O tempo foi um bom remédio e depressa voltei a ter aquela ânsia de voltar à minha casa e à minha terra, sempre que se aproximavam as férias. Com orgulho digo que sou da Meda, a aldeia da minha vida, onde faço questão de ir sempre que posso.

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Bem chega de "cenas" tristes!
Quero convidar a todos que chegam aqui pela primeira vez, a propósito desta blogagem, para conhecerem outras blogagens encaixadas nesta. Ou seja, na Aldeia da Minha Vida estão a decorrer três coisas importantes:
  1. Blogagem colectiva "festas e tradições": até dia 8 de Setembro podem ler, comentar e votar os textos presentes aqui. Há prémios para os melhores comentários .Para ler os textos clique aqui.
  2. Passatempo de Idanha a Nova que pode participar até amanhã, dia 5 de Set. clicando aqui.
  3. Estão abertas as inscrições para a nova blogagem colectiva sobre vinhos e vindimas até ao dia 8 de Setembro. Esta irá decorrer de 10 a 30 de Setembro. Para saber mais clique aqui.
E um boa blogagem para todos!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Descobre os lugares e sensações de Idanha:



A Câmara Municipal de Idanha-a-Nova convida-nos a visitar o Concelho , de 14 a 20 de Setembro, a propósito da Festa Raiana, um evento ibérico que une portugueses e espanhóis, alternando o local anualmente, ora no lado de cá , ora no lá de lá da fronteira.


Um evento muito diversificado, para todos os gostos, desde projecção de filmes nacionais e internacionais ao ar livre, entre pedras e fosseis com 600 mil anos; a concertos de bandas de renome nacional e música tradicional; animação medieval; conferências internacionais ( âmbito da Naturtejo), passeios, tauromaquias... enfim uma chuva de cultura e de muita diversão garantida!
Ficou curioso(a) ?
Venha conhecer e participar neste grande evento!
Clique aqui para ver o programa das festas.


Este ano não há desculpa !
A organização da Feira Raiana tem o prazer de o (a) convidar a esta grande festa, oferecendo uma refeição para duas pessoas num Restaurante (a definir) dentro do recinto da mesma , a quem fizer o melhor comentário sobre as fotos que se seguem.

Foto nº 1

Foto nº 2

Foto nº 3
Até dia 5 de Setembro (Sábado), tente adivinhar de que lugares do Concelho de Idanha-a-Nova foram tiradas estas fotos e escreva em poucas palavras , que ideias, sensações elas sugerem .
Haverá novos desafios na segunda parte do passatempo de 5 a 10 de Setembro.
Dia 11 de Setembro anunciaremos quem serão os premiados do passatempo das duas semanas que irão à Feira Raiana.

Participe!

Para um contacto mais íntimo com a Natureza, o melhor dos melhores comentários feitos durante as duas semanas (de 31 de Agosto a 10 de Setembro) habilita-se a um passeio diferente, de burro, por terras de Idanha .

E boa sorte!
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Só mais uma coisinha:
Até ao dia 8 de Setembro não se esqueça :