Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Veleda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Veleda. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

CANTAR AS JANEIRAS POR ESSES CONDOMÍNIOS ADENTRO




Tenho que confessar que não há em mim um único osso, músculo ou célula… que me faça não gostar do Natal, das suas envolvências e arredores. Gosto de luzes brilhantes tanto como qualquer invisual; admiro a falsidade de muita gente que se declara solidária apenas na 2ª quinzena do décimo-segundo mês de cada ano; gosto de oferecer peúgas e bibelots inúteis, tanto como qualquer mortal possa gostar e gosto de os receber; gosto de repetir a mesma música irritante durante dias a fio, apenas porque a ouvi numa rua qualquer de qualquer cidade ou vila. Repetida até ao “desespero dos simples”, através de colunas ”fanhosas” colocadas no alto de candeeiros ou em lojas do pequeno comércio que ainda usam “leitores de cartuchos” como aparelhagem e caixas registadoras com manivelas.


Gosto de cantar e canto o melhor que posso num Grupo Coral em que admiro a toda a gente a dedicação enorme e as vozes (todas elas bem melhores do que a minha). Mas a minha experiência com cantorias de “Janeiras” é limitada. Tão limitada que apenas uma única vez participei num tão arriscado evento.
Na freguesia/paróquia onde vivia, o Presidente da Junta, à falta de ideias melhores, decidiu (literalmente) cravar uma série de voluntários para retomar a antiga tradição das “Janeiras” que nunca existira naquela localidade.

De salientar que aquele de todos nós melhor voz apresentava era o Ferreira, mecânico-auto prendado que tocara Tuba numa banda filarmónica da sua terra e que não lia uma nota de pauta melhor do que uma frase com mais que três palavras.
Havia a Tininha, uma empenhada catequista solteiríssima (por razões óbvias à vista e ao ouvido) que não perdia uma ocasião para esganiçar a voz na missa dominical e não entendia mais de música do que “pedir discos” na rádio local.
O Senhor Cabral, capitão reformado que em vez de cantar gritava ordens em forma de palavras com música de fundo mas que tocava acordeão como podia e era abstémio militante.
Depois e sem ensaio algum havia também mais cinco homens, a quem não conheci por se terem embebedado nas duas primeiras casas que nos abriram as portas e nos ofereceram Vinho do Porto. E duas beatas de ocasião que chegaram com adufes nas mãos e as mãos neles.

Chovia que “Deus a dava” e lá fomos todos com uma Tuba, um acordeão, adufes, ferrinhos e fotocópias ensopadas na mão. (…)

Escrito por Rui Veleda, do blog In-Provável
Veja o final da história no respectivo blog.

Se gostou deste texto, vote nele de 28 a 31 de Janeiro. Aproveite e comente. Quem sabe, é seleccionado para Melhor Comentário!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

CASTANHAS E SÃO MARTINHO



Podiam chamar-se cinzentas mas sendo de cor castanha, a falta de imaginação popular optou por lhes chamar “castanhas”.
A castanha é um “aquênio” e procede do Castanheiro europeu (Castanea sativa) que terá cá chegado desde a Ásia Menor, do Cáucaso e dos Balcãs. Daí haver quem ainda hoje diga que as castanhas lhe provocam uma azia Maior e também o facto de serem vendidas aos balcões.
Não se sabe como cá chegou (o castanheiro) ou quem o trouxe mas que está cá, está. É quase como alguns políticos e dirigentes desportivos. Não se sabe de onde vieram mas estão cá.
Não se trata de um fruto mas sim de uma semente que se encontra no interior do “ouriço”, esse sim é o fruto do castanheiro e que “pica” mais do que muitas coisas que por aí anda a “dar pica”.
Antes da chegada da batata era a castanha uma das bases da alimentação, sendo usada e abusada, de muitos modos na alimentação europeia. São muito ricas em hidratos de carbono (sob a forma de amido), potássio, vitaminas C e B6 e possuem algumas acções da GALP, Mota Engil e do BCP o que as enriqueceu noutros tempos mas que com a actual crise bolsista não lhes adianta muito. (????)

S. Martinho

Ao que parece S. Martinho nasceu na Hungria em 316 (+ coisa, - coisa) e era soldado antes de ter enveredado pela carreira de Santo. Chamava-se Martinho, o que significa pequeno Marte por gostar de artes marciais e andar sempre à castanhada.
Durante uma visita a França, que na altura se chamava outra coisa qualquer, encontrou um sem-abrigo e como chovia como le chien qui pisse (por ser em França) cortou a sua capa e deu metade ao pobre homem. Logo ali deu-se o milagre, o mau tempo desapareceu e ficou um dia de Verão e uma bela tarde de Outono.
Na altura os milagres eram mais fáceis e havia mais capas; Hoje em dia, bem precisávamos de um milagre na nossa pobre economia mas apenas os Bancos têm uma capa que os governos lhes fornecem, para não andarem à chuva dos próprios erros! A tradição do vinho e da Água-Pé (Água-Pá para os mais íntimos) parece ser portuguesa e ter dado origem à célebre expressão "Porreiro Pá".

Escrito por Rui Veleda, do Blogue In-Provável
Se gostou deste texto, vote nele de 28 a 30 de Novembro. Aproveite e comente. Quem sabe, é seleccionado para melhor comentário!