(À esquerda, em Viseu com o meu pai, na década de 80. À direita, estava no pátio, com a paisagem do campo)
O meu pai, Jacinto nasceu em 1933 em Corvos à Nogueira, Freguesia de Santos Evos, concelho de Viseu. Veio para Lisboa tinha nem sabia ao certo que idade...teria 14, 15 anos, a sua infância foi passada a caminhar kms até chegar ás minas de volfrâmio onde trabalhava o meu avô, para lhe dar o almoço, minas essas das quais ninguém sonhava que eram para armamento de guerra...assim se mantinha as pessoas na ignorância. Nos tempos livres guardava ovelhas e uma vez ficou preso no meio de um nevão, perdeu-se não sabia regressar a casa, até que se refugiou dentro de uma casa de animais á espera que o nevão parasse. Fez o exame da 4a classe, e passado pouco tempo saiu da sua terra em busca de melhores oportunidades na capital.
A aldeia desenvolveu muito ao longo dos anos, recordo-me de quando era pequena a estrada que nos levava até lá era em pedra batida, mais tarde foi alcatroada. É uma aldeia que tem registo de património desde o séc. XVII, como por exemplo:
Casa do Cerrado – casa solarenga, com capela datada de 1689, dedicada a Nª Sra. do Pilar.
Casa do Eirado – a construção remonta ao séc. XVII.
Igreja Nª Sra. de Lurdes, inaugurada em 1989.
Fonte do Laranjal actualmente encontra-se soterrada, mas as suas águas eram consideradas medicinais.
O caminho que se faz até lá chegar para quem venha de Viseu, terá de seguir a recta do caçador, e virar numa estrada que diz: Bairro da Amizade, e seguir sempre em frente até chegar a Corvos. Além do seu património, tem uma beleza natural a destacar, pois fica localizada num vale, onde passa um rio pelo meio, agora até há caminhos sinalizados pedestres pelo meio do campo e das matas adjacentes à aldeia.
O meu pai sempre teve orgulho na sua aldeia, pois tinha lá a sua família e sempre gostou de lá pelo bom ambiente que é a qualidade de vida que Corvos oferece...o último ano que ele lá esteve foi em 2006. E cada vez que eu vá para lá, cada canto da sua aldeia, me faz recordar dele. Sei que o meu partiu com a sua aldeia no coração e eu de uma maneira ou de outra também a tenho guardada no meu.
Escrito por Fátima Santos,
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