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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

FORTALEZA MASCULINA, CARNAVAL E PURPURINA

(Imagem ilustrativa do Jornal Extra)

Em Fortaleza, cidade onde vivi metade da vida, em todo Carnaval a cena se repete: os homens adultos, alguns já de meia idade e bigodes fartos, apresentam-se vestidos a carater - blusas rendadas, saias curtas, meias-calças coloridas, maquiagem caprichada e perucas extravagantes - absolutamente prontos para... jogar futebol.

Pouco antes da partida, eles/elas ignoram completamente o esquema tático do adversário, mais preocupados com os perfumes e lencinhos nas bolsas cor-de-rosa. Alguns contam com torcidas organizadas e lançam gritos de guerra como: "Pelos poderes de Gisele!". A Bündchen, é claro.

Os atletas se cumprimentam com beijinhos antes do jogo, cordialmente mostrando recortes de jornal dos artistas de cinema e TV, mas rapidamente se desentendem. "Larga que ele é meu!" - assim começa a disputa, ainda fora do campo.

Todos a postos, o juiz inicia a partida. Os times se lançam em direção à bola, de saltos altos. Há sempre muitos, muitos tornozelos torcidos. De repente alguém grita, desesperadamente: "Aaaaiiii!!!! Quebrei minha unha!" e os jogadores fazem um círculo em volta, cada qual com seu respectivo kit de manicure, para consertar o estrago.

Quanto aos gols? Bom, talvez eles até existam, mas tudo acaba rapidamente quando alguém coloca para tocar os primeiros acordes de I will survive.
Moral da história, no carnaval, nem o sagrado futebol escapa com dignidade.

Escrito por Ana Claudia Pantoja, do blog Café das Ilusões

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sábado, 19 de dezembro de 2009

A FESTA DA NEVE EM SPRAY - O Natal da minha Terra - Brasil



Sim, existe Natal no outro lado da borda do mar. Um Natal estranho e desconfortável.

Cinco séculos depois de nos ensinarem sobre o ouro, o incenso e a mirra, parece que ainda não sabemos muito bem o que fazer com eles. Fica esse gosto estranho na boca de quem espera fruta no lugar de hóstia.

Faz um calor desgraçado nos dezembros brasileiros, mas as lojas se esmeram na decoração baseada em neve artificial e nas renas que jamais teremos por estas bandas. Os pais se endividam com presentes que os filhos nem vão gostar tanto assim e os sapatos (novos) das moças são sempre mais desconfortáveis que o necessário.

Nossos pinheiros de Natal são de um plástico frágil, que os ventos mais fortes derrubam sem esforço. As canções são traduções literais e mal feitas de uma Hollywood distante.

No Brasil de imensa variedade de credos, também há a terrível inevitabilidade do Natal, sua onipresença irrespirável, quer você seja cristão ou judeu, candomblicista ou hindu. Ignorar a data? Impossível, o Natal vai te achar mesmo assim.

Claro, existem as crianças que ainda escrevem cartas singelas e tentam flagrar o Papai Noel caminhando na ponta dos pés. Há os que vão no frio e no escuro doar um prato de sopa aos famintos e as preces dos que pedem com fé. Porém mesmo eles estão fadados a enfrentar o pior do Natal - a obrigação de estar feliz.

Não interessa se há um lugar vazio na mesa (que a morte vai deixar vago para sempre), as reticências dos solitários ou os rancores das famílias magoadas. No Natal, há que se sorrir. Felicidade agendada, com dia, hora e local pré-estabelecidos e inapeláveis.

Mas se um dia, por um milagre inesperado, o Natal puder ser refeito, eis minha proposta: sejamos mais lisos, mais francos e naturais. Se há alguma coisa que os trópicos têm a ensinar ao resto do mundo é esta cara lavada, bonita sem maquiagem, marcante sem afetações. Quem sabe assim podemos trocar o Natal das árvores de plástico por um mais simples, menos absolutista e mais espontâneo. Talvez um de verdade.

Escrito por Ana Claudia Pantoja, do blog Café das Ilusões

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