(Imagem ilustrativa do Jornal Extra)
Em Fortaleza, cidade onde vivi metade da vida, em todo Carnaval a cena se repete: os homens adultos, alguns já de meia idade e bigodes fartos, apresentam-se vestidos a carater - blusas rendadas, saias curtas, meias-calças coloridas, maquiagem caprichada e perucas extravagantes - absolutamente prontos para... jogar futebol.
Pouco antes da partida, eles/elas ignoram completamente o esquema tático do adversário, mais preocupados com os perfumes e lencinhos nas bolsas cor-de-rosa. Alguns contam com torcidas organizadas e lançam gritos de guerra como: "Pelos poderes de Gisele!". A Bündchen, é claro.
Os atletas se cumprimentam com beijinhos antes do jogo, cordialmente mostrando recortes de jornal dos artistas de cinema e TV, mas rapidamente se desentendem. "Larga que ele é meu!" - assim começa a disputa, ainda fora do campo.
Todos a postos, o juiz inicia a partida. Os times se lançam em direção à bola, de saltos altos. Há sempre muitos, muitos tornozelos torcidos. De repente alguém grita, desesperadamente: "Aaaaiiii!!!! Quebrei minha unha!" e os jogadores fazem um círculo em volta, cada qual com seu respectivo kit de manicure, para consertar o estrago.
Quanto aos gols? Bom, talvez eles até existam, mas tudo acaba rapidamente quando alguém coloca para tocar os primeiros acordes de I will survive.
Moral da história, no carnaval, nem o sagrado futebol escapa com dignidade.
Escrito por Ana Claudia Pantoja, do blog Café das Ilusões
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