terça-feira, 30 de junho de 2009

Comunicação dos resultados da Blogagem Colectiva "Aldeia da minha vida"

Caros participantes, leitores, eleitores e amigos da Blogagem :

A Olho de Turista quer agradecer a vossa entusiástica e grande participação nesta primeira Blogagem Colectiva. A nossa expectativa em relação à vossa participação e visita a este blogue foi uma grande surpresa e superou as nossas estimativas. Durante esta blogagem visitaram-nos, em média 1500 pessoas por dia.

Agradecemos a oferta do fantástico prémio à Pousada de Monsanto.
Queremos igualmente agradecer a outras entidades que apoiaram e abraçaram esta iniciativa:

- ao Sr. Presidente da Associação das Aldeias Históricas e Presidente da Câmara Municipal de Arganil, Sr. Eng. Ricardo Alves, e à sua Assistente, a Srª Drª Carmo Neves;
-ao Sr. Heriberto e à Srª D. Cláudia, da Pousada de Monsanto;
-à Rádio Mangualde, ao Programa Burn-a hora dos Motards e ao Sr. Fernando Santos ;
- às restantes entidades que divulgaram esta blogagem a nível institucional, como Câmaras Municipais, Bibliotecas, I.P.J, Instituições de Ensino Superior e outras;
-aos amigos bloguistas que divulgaram nas suas comunidades virtuais e colocaram os links para o nosso Livro Virtual da Blogagem;
-outras entidades e pessoas diversas que tornaram esta iniciativa num sucesso!

Agora vamos ao que mais interessa a todos:
As participações mais votadas pelos leitores do Livro Virtual são:
  1. Jorge Reis, com "Ouguela" : 90 votos
  2. Hermínia Coelho, com "S. Pedro do Sul": 47 votos
  3. Natália Nuno, com "Lapas": 35 votos
  4. Cristina Casanova, com "Gafanhão": 31 Votos
Os quatro elementos do júri são:
  • P´la Pousada de Monsanto : Srª D. Cláudia
  • P´la Associação das Aldeias Históricas de Portugal: Srª Dª Carmo Neves
  • P´la Olho de Turista: Srª Zulmira Falhas e Sr. Dr. Serafim Faro
O Júri seleccionou as seguintes participações:
A ponderação dos votos do júri (51%) e dos votantes (49%) indica como claro vencedor:

Jorge Reis, que escreveu sobre Ouguela.


Quem ganhou com esta blogagem foi ... o nosso querido Portugal. Graças a cada um de vós agora conhecemos parte do país profundo, as suas aldeias, gentes, tradições, cultura, património, paisagens e outros itens.

Hoje sabemos um pouco mais de nós mesmos, graças a todos vós.

Em nome da Organização, felicito a todos os participantes e agradeço profundamente a vossa contribuição.


O vencedor pode levar este selo, como recordação...







E os participantes, se quiserem pode levar este selo que segue :

Convido-os a participar na próxima Blogagem, sobre "Férias na minha Terra", onde teremos 2 prémios: um para o melhor artigo ou post e outro para o melhor comentário. Para saber mais, leia o post que se segue.

Bem haja por nos ler, nos seguir, nos comentar, divulgar e participar!

Desejo-lhe, desde já os maiores sucessos nesta aventura de descobrir Portugal e outros locais do mundo.


A Gerência da Olho de Turista,

Serafim Faro


Ps: Aproveito a convidá-lo a escutar amanhã, dia 1 de Julho entre as 21 e as 23 horas,a Rádio Mangualde, que fará uma entrevista em directo à Olho de Turista, a propósito da Blogagem de Julho: "Férias na miha Terra". Para acompanhar a entrevista poderá faze-lo ouvindo na frequência 107.1 FM ou via Internet: http://www.radiomangualde.com/ .

Blogagem Colectiva de Julho: "Férias na Minha terra"

Estamos em pleno Verão e já pensamos ansiosamente nas férias... quem não gosta de ter as suas férias?
Aquelas férias, para descansar, mudar de ares, passear, acampar, refrescar nas lindas praias fluviais, rever e visitar amigos, ... enfim o tempo convida a fazer tudo, especialmente nas férias.
Lanço-vos um desafio:
Escreva, em 10 linhas, qual a sua terra eleita (de qualquer ponto do país, seja ela aldeia, vila ou cidade) onde passa habitualmente as suas férias de Verão em Portugal (no caso dos amigos brasileiros, poderão falar da sua terra no Brasil) e a razão da sua escolha, acompanhada, é claro, por uma fotografia do lugar.

Como participar:
1) Envie por e-mail (aminhaldeia@sapo.pt) :
-a sua inscrição, com o link do blogue (caso tenha blogue) que pretende publicar, bem como o texto e imagem até às 24 horas do dia 7 de Julho.


2) No dia 10 os textos dos participantes estarão publicados aqui e em simultâneo nos respectivos blogues dos participantes, que tiverem blogue. O textos serão submetidos a votos de 10 a 28 de Julho, cuja votação será efectuada numa caixa de votação, que será apresentada na barra lateral deste blogue.


Atenção: nesta blogagem temos uma novidade:
Haverá um prémio para o melhor post ( texto e fotografia ) e outro para o melhor comentário efectuado neste blogue a propósito das postagens que iremos publicar durante esta blogagem dedicada às férias na nossa terra.
O melhor artigo (texto e foto) será obtido pelosvotos dos leitores (49% da votação) e do Júri (51%). O melhor comentário será seleccionado pelo júri, cuja constituição será anunciada na próxima segunda feira ( dia 6 de Julho), bem como os prémios em jogo.
Por isso:
- vote no melhor texto e convide os seus amigos a votar em si (cole o selo ”vote em mim”no caso de ter blogue);
- faça comentários criativos e convide os seus amigos a participar também.
             De que está à espera? Inscreva-se já!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Encerramento da votação

Caros leitores, participantes e eleitores,

Quero agradecer a vossa entusiástica participação, nesta primeira Blogagem Colectiva "Aldeia da Minha Vida", que procurou dar a conhecer algumas das nossas aldeias portuguesas.

A partir de agora declaro encerrado o período de votação, sendo que qualquer intenção de voto efectuado, a partir deste momento, não será considerado.

No dia 30 de Junho, às 17 horas da tarde, será publicada a decisão do júri , nomeado para esta Blogagem.


Até lá, uma boa semana!

Susana Falhas

domingo, 21 de junho de 2009

Minha Música, Nosso momento!


Nade, autora do blogue "Orgulho de ser" lançou o desafio de fazer uma blogagem colectiva: "Minha música, meu momento”, a propósito do Dia da Música.


Pessoalmente tenho alguns momentos da minha vida que se traduzem em músicas marcantes no momento. Mas não vou revelar quais…são demasiado pessoais para serem postados aqui, neste blogue de blogagens colectivas, especiais das nossas aldeias portuguesas.
Se a Nade não levar a mal, faço uma pequena adaptação, tornando "A minha música, nosso momento": porque nada melhor que uma pequena homenagem a todas as aldeias que estão contempladas neste blogue da “Aldeia da Minha Vida”:

Deixo a sugestão da Música "Como é linda a minha aldeia" de Roberto Leal, um transmontano que canta sobre a sua aldeia e que assenta bem nas nossas aldeias, tão queridas por todos nós e que faço questão de a partilhar com todos os leitores que passarem por aqui (para ouvir a música, clique no link "Como é linda a minha aldeia", presente no slide-show) :







Gostou da música? E das nossas aldeias? Convido-o a espreitar e saber um pouco mais da aldeia da vida de cada participante postada aqui nos dias 9 e 10 de Junho. E se realmente gostou deste livro, desafio-o a votar no texto que gostou mais.


Conto consigo para ajudar o júri ( que tarefa tão difícil!...) a escolher o melhor conjunto de texto e imagens, cujo resultado sairá no próximo dia 30 de Junho.

Cada post é como uma música, tal é a beleza de cada aldeia e a emoção de quem escreveu, desde uma simples carta a um amigo espanhol, a nostálgicas descrições de vivências ...


Venha descobrir cada uma dessas músicas!

***** ***** *****

Aproveito para anunciar que, no próximo mês de Julho, de 10 a 31 haverá uma nova blogagem colectiva com o seguinte tema: "As férias na minha Terra".



Escreva, em 10 linhas, qual a sua terra eleita onde passa habitualmente as suas férias de Verão em Portugal ( no caso dos amigos brasileiros, o local será obviamente no Brasil) e a razão da sua escolha, acompanhada, é claro, por uma fotografia do lugar.


Caso tenha vontade de participar na blogagem agendada para Julho, pode inscrever-se, mandando um e-mail para : aminhaldeia@sapo.pt ou deixando aqui um comentário, com a sua intenção e levando o selo, (para quem tenha blogue).

No dia 30 de Junho, adiantaremos mais pormenores.


Até lá, Feliz Dia da Música!

domingo, 14 de junho de 2009

Um lugar especial

A TERTÚLIA VIRTUAL criado por Jorge Pinheiro (Expresso da Linha) e Eduardo P.L. ( Varal de Ideias), reúne na sua CENTRAL DE RELACIONAMENTO, onde vários amigos postam um tema todo o dia 15 de cada mês.
Desta vez, a proposta é a seguinte:
“Há um lugar especial. Todos o temos. Um ambiente. Uma sensação de sermos nós próprios. Sem artifícios. Descontraídos. Alheios ao quotidiano. Sozinhos connosco próprios. Onde é esse lugar?”


O meu lugar preferido:

Um lugar só é especial, quando deixa de ser exclusivamente meu
e passa a ser também teu e vosso.

Nesse lugar podemos…
Expressar…debater… opinar…ler… e enfim comunicar
perspectivas, experiências, ideias sobre um lugar, que não é só meu.

Com as palavras ...
despertamos emoções, nostalgias
e as razões de aquele, que é o meu e o teu lugar.
Com as imagens cativamos, inspiramos,
desenterramos memórias que pensavamos esquecidas.

De imediato descobrimos o nosso lugar, deveras deslumbrante!

Aquele em que fazemos dele um ponto de encontro no café da esquina… numa esplanada com vista para o mar azulado e calmo, ou para o rio, depois de um dia quente, de regresso do trabalho atribulado e rotineiro, numa conversa agradável entre amigos em volta de uma mesa, sintonizados num computador à redescoberta da sua linda aldeia perdida no nosso querido Portugal.

Agora diz-me lá que lugar será este?

Deixo aos Tertulianos, aos habituais leitores e especialmente a todos os que nos visitam pela primeira vez, o prazer de descobrirem o lugar preferido dos participantes deste blogue.

E quem sabe…possa de entre os Posts seguintes escolher um para si!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A lista das Aldeias




Caros Participantes e Leitores,


Hoje, 10 de Junho é Dia de Portugal, das comunidades de Língua Oficial Portuguesa e Dia de Camões.



Para comemorar este dia, a Olho de Turista Lda, proprietária do blogue das Aldeias Históricas de Portugal está a dinamizar a Blogagem Colectiva sobre a "Aldeia da Minha Vida", com o patrocínio da Pousada de Monsanto, que oferece um fim-de-semana para duas pessoas, de sexta a domingo em regime de alojamento e pequeno-almoço incluído.

Pretendemos com esta Blogagem promover o património do nosso país, bem escondido pelas aldeias de Portugal, algumas das quais condenadas ao esquecimento . Vamos sacudir a nossa memória, contrariar esse esquecimento e mostrar a todos, os belos recantos portugueses merecedores da atenção dos portugueses e do mundo.


Tenho o enorme prazer de anunciar todas as aldeias da Vida de cada participante da Blogagem Colectiva "Aldeia da Minha Vida".

Anunciadas com muito amor e carinho, carregadas de emoções, de vivências memoráveis e irrepetíveis, eis as nossas lindas aldeias, de uma ponta à outra do nosso querido País, para que pelo menos hoje consigam brilhar mais forte do que nunca!


Braga
- Esposende (Esposende)

Bragança
- Brunhoso (Mogadouro)
- Chacim (Macedo de Cavaleiros)
- Nuzedo de Baixo (Vinhais)
- Vilaranda (Valpaços)

Castelo Branco
- Caria (Belmonte)
- Soalheira (Fundão)
- St. Estevão (Sertã)

- Aldeia de Stª Margarida

- Monsanto (Idanha-a- Nova)
- Salvaterra do Extremo (Idanha-a- Nova)

Faro
-Chinicato (Lagos)

Guarda
- Castelo Rodrigo (Figueira Castelo Rodrigo)
- Pestana (Mêda)
- Longroiva (Mêda)
- Sortelha (Sabugal)
- Vila Maior (Sabugal)
- Cidadelhe (Pinhel)
- Cabeça (Seia)
- Sabugueiro (Seia)
- Figueiró da Granja (Guarda)

Ilha da Madeira
- Porto Moniz (Porto Moniz)

Leiria
- Aldeia do Pó (Bombarral)

Lisboa
- Vimeiro (Lourinhã)
- Cascais (Cascais)

Portalegre
- Ouguela (Campo Maior)
- Ouguela (Campo Maior)

Santarém
- Águas Santas (Torres Novas)
- Lapas (Torres Novas)

Vila Real
- Sapiãos (Boticas)
- Vidago (Chaves)

Viseu
- Aldeia da Pena (São Pedro do Sul)
- São Pedro do Sul (São Pedro do Sul)
- São Pedro do Sul ( São Pedro do Sul)
- Caldas de S. Gemil (Tondela)
- Tourigo (Tondela)
- Gafanhão (Castro Daire)
- Mundão (Viseu)

Queremos ainda acrescentar hoje, dia 11 de Junho o que ainda ficou por dizer:

Em nome da Olho de Turista , da Pousada de Monsanto e da Associação do Desenvolvimento Turístico das Aldeias Históricas de Portugal, na qualidade de Júri desta Blogagem, agradecemos a si participante e leitor deste blogue as simpáticas palavras, comentários e a entusiasmante participação que está a fazer e certamente continuará a ter até ao fim deste mês!

Este Blogue e Livro Virtual continuará depois dessa data on-line, pelo que poderá sempre vir e recomendá-lo aos seus amigos e conhecidos, para poderem ler o Post ou texto da sua aldeia ou o que gostou mais.

Esta é uma oportunidade única para conhecermos o nosso país mais profundo lendo os Posts de todos os participantes e, simultaneamente, trocando impressões, experiências e ideias.

Agradeço também aos participantes por abraçarem esta Blogagem e darem o seu contributo. Sem si nada disso seria possível!

E a si , que nos visita, convido a deliciar-se, calmamente com a leitura de todos os textos presentes neste blogue postados dia 9 e 10 de Junho.

Pedimos desculpas pelas pequenas alterações, relativamente ao funcionamento de votação, que foram feitas ontem de manhã (dia 10 de Junho) em virtude de determinadas situações imprevistas. São alterações a pensar nos participantes e leitores do blogue para que o melhor texto e imagens se destaquem por mérito próprio, e não por actos menos correctos.

Pedimos que sejam o mais transparentes possível, na hora da votação, pois pode prejudicar, e muito os participantes que estão a concorrer ao prémio (um fim- de -semana em Monsanto).

No caso de ter alguma dúvida, questão, ou de se aperceber de alguma atitude menos correcta face ao passatempo, agradecemos que entre em contacto connosco, basta para isso nos deixar um comentário neste Post ou texto.

Lamentamos o atraso na publicação de alguns Posts mas, dadas as circunstâncias e o facto de ter sido a 1ª Blogagem colectiva que organizámos, procurámos ter o melhor desempenho possível.

Convidamo-lo desde já a seguir de perto este Blogue e os outros que também são animados por nós e cujos links ou hiperligações se encontram na nossa barra lateral.

Um grande abraço para todos e votos de boa Blogagem, que apenas terminará dia 30 de Junho!

Monsanto para Heriberto, um sevilhano


Heriberto Vera é um cidadão espanhol, de Sevilha, que escolheu a aldeia de Monsanto para trabalhar e morar. Recentemente tomou posse da Pousada de Monsanto, conhecida por “Divinus Monsanto”, na qualidade de gerente do estabelecimento.Para além de patrocinar esta iniciativa da Blogagem Colectiva"Aldeia da Minha Vida", com a oferta do prémio de um fim-de-semana na sua Pousada para duas pessoas, Heriberto faz questão de participar com o seu testemunho sobre a sua aldeia de eleição, numa entrevista promovida pela Olho de Turista, em Maio deste ano.É obvio que este texto não será alvo de votação, mas quem quiser fazer comentários, pode fazê-lo .


Entrevista a Heriberto

OT (Olho de Turista): O que faz um espanhol vir para Portugal, mais concretamente a Monsanto?

H (Heriberto): Estava a trabalhar em Espanha numa empresa de Gestão e um dia vi um anúncio a oferecer um posto de trabalho em Monsanto. Enviei o meu currúculo, fui seleccionado e vim para cá. Comecei a trabalhar aqui ( Pousada) a 14 de Julho de 2008.

Quando cheguei a Monsanto, depois de dar uma volta, o primeiro impulso, foi pegar no meu carro e voltar para Sevilha. Pensei:”O que faz um espanhol, de uma grande cidade, como Sevilha numa aldeia portuguesa, perdida no espaço e no tempo?” Contudo, após a primeira noite que passeei e dormi em Monsanto, fiquei “enfeitiçado”. Fiquei “enamorado” de Monsanto. Viver em Monsanto é fantástico. As casas e as ruas são feitas de pedra. Há muitas pessoas com muita sabedoria popular, com muitos anos e que conservam parte dos costumes e da cultura de Monsanto. Isto na maioria das populações está perdido e aqui está vivo. As pessoas são muito simpáticas e muito solícitas. Estão sempre prontas para ajudar e contar histórias de Monsanto. Agora só saio de Monsanto quando, um dia falecer. Para mim, Monsanto já está entranhado na minha pele. Se vocês ficassem aqui uma semana também ficariam encantados com Monsanto. Além disso, é muito tranquilo.

Há uma relação muito boa e mútua entre a população e a Pousada.
Uma não consegue viver sem a outra. Por isso estou tranquilo, quanto ao futuro da Pousada.

Entrei como funcionário em 2008 e a partir de Abril deste ano, passei a gerir a Pousada.
Como novo gerente, tenho objectivos para cumprir no prazo de dois anos, que incidem especialmente no melhoramento da qualidade de prestação do serviço aos nossos clientes.

O lema da pousada é: ser simpático e prestável ao cliente, aos turistas e a todos que nos visitam. Procuramos que se sintam em casa. Não quero que o cliente seja o turista do quarto 103, mas sim o senhor “António Oliveira”. Criamos uma relação de amizade e de cumplicidade com cada cliente. Há clientes que me telefonam, antes de virem de novo, para que eu os ajude a encontrar lojas típicas, ou de lembranças, etc. Um serviço personalizado, como o nosso é difícil de encontrar, inclusive nas rejeições que confeccionamos, temos o cuidado de saber as preferências do cliente. Queremos que o cliente se sinta confortável , tenha o prazer de apreciar a nossa pousada e vontade de regressar. Queremos que se sintam em sua casa.

OT: Há pouco falou de serviço. O que entende por serviço?

H: O serviço resume-se a esta frase: “ Quero que o cliente, ao entrar pela nossa porta se sinta como se estivesse em sua casa”. Queremos que o cliente se sinta cómodo, confortável e a seu gosto e esqueça os seu problemas e preocupações enquanto está aqui.Nós hoteleiros somos vendedores de ilusões. Quando vamos de férias ou de fim de semana compramos uma ideia e uma imagem do local para onde vamos. Contudo como vamos explicar à priori as sensações de conforto e de bem estar que o cliente vai sentir aqui?Queremos que o cliente se sinta bem e isso transmite-se aqui no decurso da estadia. Ele vai sair daqui e dizer: estive em Monsanto e adorei! É um local fantástico e estive numa Pousada de sonho! São super amáveis. Se necessito de algo, eles procuram logo satisfazer-me. Quero que cada cliente seja meu vendedor de sonhos e de ilusões e desta terra também.

OT: Em termos de projectos para o futuro há alguma coisa que gostaria de fazer nos próximos anos?

H: Há vários projectos para a Pousada e para Monsanto. Uns promovidos pela Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e pelo Turismo de Portugal, outros por minha conta. Pretendemos arranjar fisicamente a Pousada, com algumas obras para a melhorar.Também gostaria de ministrar alguma formação especializada aos meus colaboradores. Aprender deve ser uma constante. Nós tentamos aprender com cada cliente, porém há que ter também uma formação de base, para que possam satisfazer os clientes.

O projecto que tenho é crescer em termos de serviço e qualidade servidos ao cliente, já que não posso crescer fisicamente, dados os limites do edifício.Por fim o meu projecto final é ter amigos que nos queiram vir visitar em sua Casa.
Este é o meu projecto de fundo





.






Para reservas e informações,
Telefone: 277 314 071
E-mail: pousadamonsanto@hotmail.com

Escrito por Susana Falhas

Figueiró de Granja


Esta é a aldeia onde eu cresci!
Embora viesse eu de uma cidade, esta foi a aldeia onde me construi.
Onde ganhei valores fortíssimos …
E todos estes me fazem reger a vida de forma diferente!
Figueiró da Granja, aldeia minha…
Aqui cresci e me tornei mulher!
E durante algum tempo até abandonei, mas…
Voltei!

É provável que em algum momento todos nós nos sintamos presos a determinados sítios, mas acabamos sempre por voltar!
Esta aldeia, onde na paz de espírito do Castro de Santiago, nos perdemos a ver o pôr-do-sol.
Onde os costumes e tradições ainda se sentem.
Aqui, sou simplesmente eu!
Respiro todo o ar da alma deste sitio, onde me perco em cada beco, em cada paisagem!


Escrito por : Aida Caixinha
Figueiró de Granja/ Guarda
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Vilaranda

A aldeia da minha vida, é uma pequena aldeia em Trás-os-Montes, no concelho de Valpaços chamada Vilaranda. Vilaranda é uma pequena aldeia situada numa encosta que neste momento tem apenas cerca de 20 habitantes, devido à imigração, mas em tempos foi uma aldeia cheia de gente jovem que davam alegria e animavam toda a população.
A minha História resume-se aos Domingos da parte de tarde em que eu ia visitar os meus avôs, mas na realidade eu chegava à aldeia, cumprimentava-os e pouco tempo depois já estava a correr para ir ter com os meus amigos para jogar à bola e outros jogos que fosse possível jogar enquanto um desses meus amigos tinha que levar os animais para o pasto.
Foram momentos da minha vida que eu nunca mais vou esquecer, os nossos campos de futebol eram no meio de lameiros em que tínhamos que desviar as ovelhas para poder jogar com a nossa bola velha, eram momentos em que nada importava a não ser a nossa amizade e a simplicidade e pureza daquele lugar.
O Natal, era uma das alturas mais esperadas do ano, não por causa das prendas, porque isso não importava naquela altura, mas porque depois da meia noite, fazíamos uma fogueira grande e divertia-mo-nos ali todos, ouvíamos as histórias sábias dos mais velhos até de madrugada. Eram tempos bonitos, sem preocupações, mas tempos em que tudo era mais saudável, tudo era puro e na realidade, não havia idades, nem estatutos sociais, era apenas amizade e divertimento.
Esta é a minha aldeia que está a ficar desertificada, mas é uma aldeia fantástica que me marcou para toda a vida e que na sua essência tem tudo o que é de melhor, não pessoas importantes,nem pessoas bonitas ou feias, apenas um sentimento de pureza das pessoas em que a coisa mais importante era a amizade e a entre-ajuda.
Vilaranda é a minha aldeia, a aldeia da minha vida.

Escrito por Patrick

Vilaranda/Valpaços/ Bragança

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Castelo Rodrigo

© João Menéres
Vista geral de Castelo Rodrigo, numa perspectiva semelhante à do desenho de Duarte d'Armas.


CASTELO RODRIGO


Se não sou beirão, o que me leva a eleger uma aldeia localizada na Beira Alta, bem perto da raia, como A ALDEIA DA MINHA VIDA ?Apenas fui conduzido por um misto de recordações e de sensações e sentimentos mais recentes...Por ali, o meu filho mais velho, então com 5 anos, andou de burro pela primeira vez.Terá sido esta circunstância?Quem sabe...O que é certo é que, desde então, e sempre que se proporciona, lá estou eu em Castelo Rodrigo!Quando lá fui pela primeira vez, encontrava-se num estado de abandono que até as pedras choravam tímidamente.Eram ruínas ao lado de ruínas e sobre ruínasHoje, esse panorama é completamente diferente.Tudo recuperado e restaurado e beneficiando de tudo que a um sítio destes se exige.Imaginem como foi garbosa e altaneira, encontrando-se a sua origem num castro que foi sucessivamente ocupado por diferentes povos, até que os reis de Leão, Fernando II e Afonso IX ordenaram o seu povoamento.Consideramos que são eles os seus fundadores.Esse povoamento teve, como principal objectivo, evitar que os portugueses, conquistadores das terras de sul do Douro, também desta terra se apossassem.O nome de Castelo Rodrigo talvez se deva ao facto do Conde Rodrigo Gonzalez Girón ter sido o primeiro responsável directo e prático do seu povoamento.Até então a sua designação era Civitas Augusta.Em 1297, é cedido à coroa portuguesa em consequência da assinatura do Tratado de Alcanizes.E, se Castelo Rodrigo recebera o seu primeiro foral de Afonso IX (rei de Leão), o nosso D.Dinis (o Lavrador) atribuiu-lhe novo foral.

Fonte : Livro das Fortalezas, de Duarte d' Armas


A representação de Castelo Rodrigo que mostramos é a desenhada por Duarte d' Armas, por ordem de D.Dinis.D.Manuel I manda reconstruir o castelo, concede-lhe novo foral e faz a doação ao seu filho D.Duarte.Quando os Reis Católicos (D.Fernando e D.Isabel), em 1492, expulsaram os judeus que não quiseram converter-se ao catolicismo, Castelo Rodrigo foi uma das portas por onde se acolheram várias das 15.000 famílias que vieram para Portugal.Não se admire, por isso, ao deparar-se com a Rua da Sinagoga ou com o Poço Cisterna, um misto de árabe e gótico, com 13 metros de fundo, assinalados numa pedra à face da rua..Não vou contar a lenda do fidalgo que de Ofa, filha de um judeu muito rico, se apaixonou, nem vou contar a lenda que à ribeira de Aguiar deu nome. Nem tão pouco a da Batalha da Salgadela, pois uma visita a Castelo Rodrigo constituirá o melhor cenário para se conhecer e respirar estas lendas e também a Igreja Rocamadour, cujo interior contém paineis pintados e no teto 20 caixotões também pintados.


© João Menéres
Um aspecto das ruínas do Palácio de Cristóvão de Moura


É preciso olhar para uns exemplares de janelas manuelinas, admirar o Pelourinho e as ruínas de Cristóvão da Moura e saber porque foi incendiado pela fúria popular.Actualmente, largos trechos da muralha, treze torreões e três portas ( a do Sol, a de Alverca e a da Traição) podem ser admiradas - e de noite também, graças ao sistema de iluminação instalado e que recorta e permite ter uma visão a quilómetros de distancia de todo o notável conjunto fortificado.Se escolherem um dia de semana para visitar Castelo Rodrigo, vão poder percorrer as ruas tranquilas e quase se vão imaginar como em recuados tempos estivessem (mas a salvo de ataques de soldados e de canhões...).



Boa Viagem !
Nome : Castelo Rodrigo
Concelho : Figueira de Castelo Rodrigo
Distrito : Guarda
Altitude : ± 800 metros
Coordenadas : N 40º 52' 36 "
O 6º 57' 52"

Indicações eventualmente úteis:
Alojamento : Casa da Cisterna ( 7 quartos)
casadacisterna@casadacisterna.com
Hospedaria do Convento (11 quartos)
geral@hospedariadoconvento.pt


Escrito por João Meneres
Castelo Rodrigo/ Figueira de Castelo Rodrigo/ Guarda

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A minha aldeia sou eu


Eu não tenho aldeia. A minha aldeia sou eu. Trago dentro de mim todas as aldeias. Aldeias que são. Aldeias que foram. Aldeias que nunca serão. Eu sou a minha aldeia. Aldeias são ideais. Paraísos perdidos. Bucólicas passagens do tempo. Saudosos espaços ancestrais. Eu não tenho aldeia. Olho os prédios que crescem nas cearas. As estradas que cortaram vinhedos. Olho os campos que já não são. Oliveiras seculares que fugiram de horror. Pomares frondosos que perderam a Primavera. Malmequeres bravios que deixaram a alma na beira da estrada. Papoilas cercadas no alcatrão corrosivo. Eu sou a minha aldeia. Uma aldeia que resiste a tudo. Já não existo nela. É ela que existe em mim. A minha aldeia mora dentro de mim. É o futuro e o passado. Ontem vida. Hoje deserto. Amanhã ideia. A minha aldeia são todas. E eu sou todas e nenhuma. Todas elas vivem em mim. Porque nenhuma são todas. E todas elas existem nas pedras escorregadias das margens do caminho. Nos pés descalços que me percorrem nas noites de insónia. Nos telhados beirados que as andorinhas teimam em visitar. Nas vielas estreitas e tortuosas que sobem até ao largo da igreja. Nos estendais brancos pendentes nas sacadas de granito. Nos chocalhos dos rebanhos que retornam plácidos ao estábulo vicinal. Nos excrementos das cabras que se escondem na palha sazonal. No ladrar longínquo dos cães ecoando no silêncio morno da tarde. Nos galos matinais que despertam o dia na loja dos fundos. No murmurejar límpido da água chamando pelos cântaros quebrados. Nas crianças que brincam risonhas naquele Verão que não aconteceu. Nas casas velhas em que velhos aguardam as noites tristes que o tempo corrompe. Nas panelas tripeças no lume frio da madrugada geada. Cheiros que se entornam da vida para sempre. Recordações perenes de saudade eterna. Aldeias são ideais. Eu não tenho aldeia. A minha aldeia sou eu!
Escrito por: Jorge Pinheiro

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Água Formosa




Não existe uma aldeia da minha vida como lugar das minhas raízes e das minhas recordações. Tão pouco encontro nos lugares que descubro como viajante, uma aldeia com que me identifique e onde deseje repousar da minha turbulência urbana. Nasci e devo morrer cidatina embora a Aldeia seja a minha vida enquanto cultura e lugar solidário.
É essa atracção pelo porto de abrigo em que somos reconhecidos pelo nome, notados pela ausência e partilhados no silêncio dos afectos que me atrai e identifica.

E quando assim penso encontro um oásis nas minhas recordações. Encontro a Aldeia da Minha Vida nesta travessia nómada dos passos em que os rostos se me cruzam e confundem e me obrigam cansando de tanta expectativa normativa. E foi nesta fuga, em procura espaço e de contemplação, que fui ter a Água Formosa.

Era um dia de Inverno com muito sol, algures no Inverno passado, em que testava os olhos e o novo carro pelo concelho de Vila de Rei.

Atraída pela placa turística fui dar a um lugar único no mundo. Uma aldeia de xisto, incrustada na encosta dos montes, em que o marulhar das águas nos transporta para lugares incomuns nas nossas viagens pela sedução da paz e da combinação do Homem com uma natureza que existe de forma tranquila e hospitaleira.
Aproximei-me mais sem reparar que não havia retorno. Quando dei por mim tinha o carro atravessado numa pequena ponte donde seria quase impossível retirá-lo e nem vivalma se via. E, ainda que alguém viesse, que poderia uma pessoa simples e de muitos anos fazer contra a imprudência de uma louca cidatina?

Saio do carro e vejo que a manobra que fiz para o retirar acaba por comprometer decisivamente a sua saída. Do marulhar das águas e saltitando de pedra em pedra, surge um velho habitante com umas tábuas. Não sabia conduzir mas talvez as tábuas ajudassem…

Da outra casa vem uma senhora de lenço e avental trazendo na mão um caderno com o número do telefone dos bombeiros. E, neste calor da manhã fria, uma divinal ajuda se acrescenta. Um homem novo e ágil propõe-me retirar o carro se eu corresse o risco de alguma amolgadela.

Acedi e após muitas manobras o carro foi recuperado. O meu salvador era policia e trabalhava, tal como sua mulher, em Torres Novas tendo escolhido para viver aquele espaço de forte identidade. Naquele dia tinha ficado em casa por ter o filho doente. Ao vir à janela apercebeu-se que um visitante incauto precisava de ajuda. E não hesitou embora a tarefa não fosse fácil. A cultura de Aldeia faz milagres. Une as pessoas onde a pressão humana as separa.

Água Formosa, a 10 Km do Centro Geodésico de Portugal, tornou-se assim a Aldeia da Minha Vida. Não só pela beleza do lugar mas pelo reencontro com uma cultura que nos aproxima da vida onde a paz e a meditação ditam novas dimensões ao tempo e aos olhares longe do bulício e das competitividades doentias, em que as pessoas se digladiam em palcos de consumo, sem tempo para o amor ou simplesmente para olhar as estrelas que, nestes lugares, brilham tão próximas dos nossos pensamentos.



Escrito por Lídia
Água Formosa/ Torres Novas/ Santarém
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Ouguela

Sempre fui um "menino da cidade".Não tenho nenhuma Aldeia da Minha Vida.Quando tinha 12 anos e vim com meus pais de férias a Portugal (eu vivia então em Angola) e meu Pai perguntou-me:- Entãoque queres conhecer ?Respondi:- Monumentos !E passámos as férias, praticamente todas, a percorrer o país.O património histórico cultural português foi, desde sempre, um dos meus grandes interesses. Daí o facto de ter aderido a esta Blogagem Colectiva. Parabéns, Susana, pela iniciativa.


Aqui segue a minha modesta colaboração:

Ouguela é uma povoação da freguesia de São João Baptista, no concelho de Campo Maior, a 10 km da sede de concelho. Conta com cerca de 60 habitantes. Situada num monte escarpado, a 270 m de altitude, conserva intramuros casas dos sécs. XVII e XVIII.






Esta simpática aldeia fronteiriça, tendo um grande peso na História de Portugal está hoje em completo abandono, degradando-se dia a dia. É pena, pois o seu castelo é de uma beleza extrema e será uma grande perda o seu desmoronamento.Sofre da desertificação, característica das zonas do interior do país, restando em condomínio dentro do castelo quatro ou cinco casais idosos, aqueles que ainda vão sobrevivendo à custa dos produtos que a terra lhes oferece.







No reinado de D. Dinis, a vila de Ouguela foi tornada portuguesa, pelo Tratado de Alcanizes. Depois do acordo com o rei de Castela, mandou-se reedificar o castelo.Teve foral dado por D. Dinis a 5 de Janeiro de 1298, renovado por D. Manuel em 1 de Junho de 1512, retendo até à reforma administrativa de 1836 o estatuto de vila sede de concelho independente, altura em que foi integrada no vizinho concelho de Campo Maior. Entretanto, dado o seu declínio, cerca de um século depois, em 1941, foi anexada, como mero lugar, à freguesia de São João Baptista.




O seu castelo foi uma das praças-fortes que defendia periodicamente o Alto Alentejo das invasões castelhanas. Foi mandado edificar à roda de 1300, e cercado durante a crise de 1383-85, a Guerra da Restauração (1642 e 1662, tendo desta feita sido ocupado), a Guerra da Sucessão de Espanha (1709) e a Guerra das Laranjas (1801, ano em que foi de novo ocupado).Dentro da muralha, a maioria das casas foram antigos quartéis ou habitações das famílias dos militares. A muralha do castelo apresenta um sistema de baluartes, adaptado às técnicas novas de pirobalística que foram surgindo. A muralha antiga tem revelins, parapeitos, cortinas e avançados ângulos.

No ano de 1475, Ouguela foi atacada pelos castelhanos.O ataque terminou num duelo entre João da Silva, camareiro-mor do príncipe D.João II e alcaide de Ouguela e João Fernandes Galindo, alcaide-mor de Albuquerque, vizinha em Espanha.Em resultado da luta ambos morreram, João Fernandes Galindo logo, e João da Silva aos vinte e oito dias depois, sem que houvesse mais derrame de sangue de ambas as partes.


Outra lenda conta que, estando Ouguela cercada durante uma guerra, não se sabe qual, e não havendo possibilidade de contactar Campo Maior para pedir reforços, uma criança desceu pela figueira que se encontra ainda hoje pegada á muralha do castelo, transportando consigo a Bandeira e uma mensagem escrita. A criança que costumava brincar com um tamborzinho, conseguiu ultrapassar as linhas inimigas sem levantar suspeitas e correu até Campo Maior onde entregou a mensagem no hospital.Esta lenda é hoje conhecida pela lenda do Tamborzinho e julga-se ter tido origem num facto real.




O castelo de Ouguela apresenta-se como um miradouro de eleição com uma paisagem a perder de vista.




O castelo de Ouguela apresenta-se como um miradouro de eleição com uma paisagem a perder de vista.
Dada a existência de poucos recursos, Ouguela torna-se assim um lugar isolado face à relativa proximidade da vila de Campo Maior. Este isolamento/esquecimento por parte das entidades competentes é notório no estado de conservação deste belo exemplar arquitectónico de forma hexagonal irregular, com muralhas de xisto e granito, que, mesmo assim, vale a pena visitar.





Escrito por Jorge Reis

Ouguela/ Campo Maior/ Alentejo

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Cidadelhe, é uma das mais belas aldeias de Portugal

Não sei quem me disse que Cidadelhe era uma aldeia única. Também ainda antes de a visitar li na “Viagem a Portugal”, de José Saramago, obra menor na sua carreira literária, um extenso rol de elogios ao sítio.
Numa tarde invernosa de 2005 parto então em sua demanda. A estrada, que parte de Pinhel, é tortuosa e depois de Azevo, passamos por um amplo descampado de fragões graníticos, sabemos nós de antemão que a existência de tal rocha obrigará o rio Côa a fluir em desfiladeiro, o que é para nós prenuncio de panorama distinto.
E finalmente chego. Decepção. Mas então é isto o “calcanhar do mundo“? Uma aldeia banal, igual a todas as outras comezinhas!
Logo ali em conversa fiquei a saber que Cidadelhe se divide em dois, é o “Povo de Cima”, as Eiras, mais recente, e o “Povo de Baixo”, mais antigo.
A Ermida de São Sebastião
As Eiras têm de interessante a Ermida de São Sebastião, com alpendre, que protege uma pintura maneirista provincial representando o Calvário. Tem no seu interior um São Sebastião patusco, referido por Saramago, com seus enormes “abanos”, e que é uma composição menor de um santeiro de Castelo de Paiva (a senhora Rosário manda dizer ao senhor escritor que ficou desgostosa por este ter brincado com o santinho).





Está quase a chover, mas este viandante intrépido, vai ainda olhar de soslaio a “Aldeia de Baixo” e agora sim, aquieto a frustração de aqui ter vindo.
A Aldeia de Baixo
Diz o nosso Nobel, “a Aldeia é toda pedra. Pedra são as casas, pedra as ruas. Muitas destas moradas estão vazias, há paredes derruídas. Onde viveram pessoas, bravejam ervas.
O viajante maravilha-se diante de algumas padieiras insculpidas ou com baixos-relevos decorativos: uma ave pousada sobre uma cabeça de anjo alada, entre dois animais que podem ser leões, cães ou grifos sem asas, uma árvore cobrindo dois castelos, sobre uma composição esquemáticas de lises e festões”.
A humilde povoação cristalizou no tempo, por toda a banda, abundam artefactos rústicos e arqueológicos que já não existem nas aldeias portuguesas e que um citadino pouco versado em ruralismo não ousa entender e designar. Este conjunto ancestral está em estado de abandono e declínio, mas mesmo assim tem imensa beleza poética.
São as habitações rurais arcaicas, algumas redondas de apelo castrejo, os pombais colocados estrategicamente, as manjedouras (tantas como eu nunca vi), os arados, as charruas, as sepulturas antropomórficas transformadas em lagaretas (uma rara lageada) e que servem as galinhas, é a igreja com belos caixotões hagiológios do século XVII, são as inúmeras marcas de religiosidade… e é o “cidadão”.
A propósito deste voltemos a José Saramago. “O viajante medita no singular amor que liga um povo tão carecido de bens materiais a uma simples pedra, mal talhada, roída pelo tempo, uma tosca figura humana em que já mal distinguimos os braços, e confundem-se os pensamentos, vendo como é tão fácil entender tudo se nos deixarmos ir pelos caminhos essências, esta pedra, este homem, esta paisagem duríssima. «Que se sabe da história do Cidadão?», perguntou o viajante. «Pouco. Foi encontrado não se sabe quando, numas pedras de além» (faz um gesto para a invisível margem do Côa)”.
Eu também encontro o “além”; é um outeiro arredondado, num nível inferior ao “povo de baixo”. É o “Castelo dos Mouros”. Daqui a pouco escurece e chuvisca, tudo em meu redor está triste, não se vivalma. Ficou a promessa para mim mesmo de ir ao “além”.
Voltei a Cidadelhe quando a aldeia reverdece na força da Primavera.
A Aldeia de Baixo é magnífica com esta luz, é habitada, conheço a dona Laura, referida no livro de Saramago, que foi a minha cicerone.
Castelo dos Mouros e o Poio do Gato
Agora chegou a vez de ir ao Castelo dos Mouros. Olho a colina do alto da aldeia sem tempo e sinto-me acometido dessa plenitude de quem olha o oceano da falésia. Antes de partir as senhoras pedem-me que não vá, os homens não podem estar no “Castelo” de noite. Mas ainda tenho mais umas duas horas de Sol, que estranho medo se apossou das minhas amigas?
A viagem dista até ao “além” cerca de 15 minutos, passo por um pombal gigantesco, deambulo por entre carvalhos, sobreiros, azinheiras, carrascos, tomilhos, oregãos, estevas, azedas… A natureza aqui é deslumbrante na sua biodiversidade mediterrânica.






As placas indicam-me o “Centro do Castelo”, a “ Forca dos Lusitanos” e o “Poio do Gato (**)”; é para aqui que me dirijo.
Eis o rio Côa abismal! Estou perante um profundo vale encaixado que atinge os 250 metros a pique. O “rio mágico”, bramidor e enfurecido, peleja contra as ciclópicas escarpas graníticas. Em Santa Comba o granito da lugar ao xisto e então o rio das “pedras mágicas” serena ao lidar com margens menos declivosas devido à maior brandura litológica. É um dos desfiladeiros mais impressivos que vi (e saibam os leitores que sou um geólogo com alguma experiência). Penso, contemplo e não esqueço. Um grifo-dourado voa à minha frente, contrasta com o tom cinza do granito, subitamente, dá duas voltas em círculo fechado e desaparece na curva da rio.
Volto para atrás e ignorando a “Forca dos Lusitanos”, embrenho-me no “Centro do Castelo”- a experiência é excepcional.
É um raro bosquete mediterrâneo; e ao baque dos meus passos, estou à espera de ver surgir por detrás de um “barroco” algum druida celta com a sua foice mágica. É uma miríade de pormenores sensoriais neste túnel de vegetação. É também uma viagem solitária dentro de mim.



São pedras almofadadas, colunas romanas, lintéis, frisos, moinhos… e numa clareira tropeço e descubro a minha primeira gravura rupestre num granito fragmentado; um antropormofo com o seu arco retesado e que poderá ser da Idade do Bronze ou do Ferro. Lembro aos leitores que nos encontramos na extremo sul do Parque Arqueológico do Vale do Côa, classificado como Património Mundial da UNESCO em Dezembro de 1998 e estou próximo das importantes Gravuras e pinturas rupestres da Faia que estão instaladas no fundo do rio Côa.
O “Castro” teve muralha, que ainda existe em alguns panos e foi habitada desde a idade do Bronze (entre XIII a X a c.). Foi também povoado romanizado e fazia parte do território da civitas de Aravos (actual Marialva).
O “Castelo dos Mouros” é um local transcendente e mágico, de grande riqueza arqueológica, paisagística e natural. É a entrada meridional do mais belo museu ao ar livre da Humanidade
Sentimento semelhante, do tipo mistérico, é possível ter, por exemplo em São Pedro de Vir-a-Corça em Monsanto.
Cidadelhe também é Património Mundial da Humanidade
As Gravuras e pinturas Rupestres da Faia datam entre o Paleolítico e a idade do Ferro. Estas são caso único no contexto do vale do Côa, uma vez que, em alguns casos, coexistem motivos gravados com pinturas paleolíticas em suporte granítico. As pinturas estão normalmente resguardadas dos agentes erosivos em cavidades.
Cidadelhe é importante, porque foi aqui que se iniciou a descoberta do “Vale Sagrado”: As gravuras e pinturas da Faia foram identificadas pelas primeira vez por Francisco Sande Lemos quando procedia ao estudo de impacte ambiental encomendado pela EDP, estudo que precederia as obras de construção da barragem para aproveitamento hidroeléctrico do rio Côa. Na sequência das recomendações desse estudo, foi constituído pelo IPPAR o Projecto Arqueológico do Côa, coordenado por Nelson Rebanda, que veio a identificar as primeiras gravuras paleolíticas da Canada do Inferno. Já fui a Cidadelhe várias vezes e nunca pude visitar as gravuras devido a sua inacessibilidade.
Cidadelhe e o Pálio
Cidadelhe tem um pálio famoso, bordado a ouro e seda, em veludo carmesim típico de Veneza, que é carinhosamente guardado numa casa particular, em absoluto segredo e apenas no Domingo de Páscoa, durante a Procissão do Santíssimo, pode sair à rua. É uma das relíquias da terra; talvez eu ainda não mereça a sua contemplação, mas o viajante não entristece, porque Cidadelhe tem muito para reparar, sentir e pensar.


Uma curiosa lenda que existe refere que os homens não podem estar no Castelo dos Mouros depois de anoitecer, porque serão atraídos para infindáveis prazeres sensuais pelas mouras e desaparecerão para sempre. Eu confesso que nunca me aventurei pelos caminhos do castelo dos Mouros de noite porque depois de morto, nem vinha nem horto. Provavelmente na lenda está presente a reminiscência de um qualquer culto pagão.
Sempre que posso vou até a Cidadelhe, com companhia para ser cicerone, ou sozinho para me sentar no Poio do Gato, para olhar para aquela paisagem assombrosa e pensar nos pontos de referência que me moldaram e pensar nos biliões e biliões de acasos que permitem que eu esteja aqui, e pensar nos milhares de homens que habitaram esta remota aldeia do mundo, desde o Paleolítico até a actualidade, nas suas alegrias, dores, projectos, crimes, remorsos, aventuras, religiões, batalhas, e dialogar ainda com os suicidas que se sentam ao meu lado e que ao longo dos séculos aqui desapareceram, eles narram-me as suas angustias e eu tento decifra-lhes o quanto a vida é bela e que o Inferno somos em parte nós.
Cidadelhe tem das mais belas gravuras de Arte rupestre ao ar livre, declaradas Património Mundial da Humanidade; possui um castro riquíssimo em evocações arqueológicas e mágicas; contem um mirante colossal para as escarpas verticais do rio Côa; tem uma pequena aldeia rústica, histórica e literária, como eu nunca vi e imortalizada por Saramago; e tudo isto rodeado por um belíssimo ambiente natural. Infelizmente são raros os portugueses que a conhecem. Cidadelhe e o seu ambiente envolvente, é a par de Marialva, Monsanto, Linhares da Beira, Sortelha e Monsarraz, uma das mais belas aldeias de Portugal. Cidadelhe é a Aldeia da vida- tirando a natal, de quase todos os visitantes que a descobrem e eu como citadino original aceito esta dádiva.


Escrito por Castela
Cidadelhe/ Pinhel/ Guarda

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Chacim - na rota [do coração] da seda


Tinha quinze anos quando me apaixonei por Chacim. E não imaginava que um dia – este – falaria desta aldeia, como sendo a aldeia da minha vida. É. E vou contar-vos porquê.
O melhor das férias grandes era a temporada na casa da tia. O ritual foi sagrado durante alguns anos. Deixar a cidade, naquela altura do ano, foi sempre um caminho com regresso. De carro ou de comboio, Trás-os-Montes era o destino. Naquela altura, era muito, muito longe. Agora, quando faço o IP4 é impossível não sorrir a cada curva cortada ao Marão. Essa estrada alcantilada que me fez vomitar a bílis e perguntar a cada vómito: “ainda falta muito?”. Depois, na adolescência, o comboio da linha do Douro embalava-me a ansiedade de chegar. Dividia o olhar entre a paisagem e um livro. Sentia-me adulta, quando a minha mãe dizia vezes sem conta “juízo, já és uma mulherzinha”. Depois acenava e eu abria a janela para ouvir pela centésima vez “obedece à tia. Porta-te bem.”. À chegada, a minha tia obliterava, sem diminutivos, o que a minha mãe dizia: “olha para ti, estás uma mulher.” E beijava-me e abraçava-me e dizia repetidas vezes “olha para ti, tão grande” E era aí, nesse instante, que eu crescia todos os meus centímetros de Verão.As férias na aldeia onde a minha mãe nasceu foram, durante anos a fio, o mote preferido para as minhas redacções. Da primária ao ciclo. A viragem deu-se da infância para a adolescência, quando em vez das redacções comecei a escrever “querido diário, eu quero ir para Chacim e não sei como convencer a tia”.



As brincadeiras no pátio da escola ou no adro da igreja, a sombra da fonte ou da figueira da casa da tia Ana Maria, o lavar a roupa no ribeiro com as mulheres da aldeia, o partir feijões na soleira da porta dos vizinhos, o correr atrás de galinhas e perus até levantarem voo, o imitar rãs e patos e as mil e uma coisas diferentes que inventava para me entreter, um dia, deixaram de me seduzir. Os miúdos da minha idade escasseavam de ano para ano. Nesse Verão, não havia nenhum. Noutra aldeia, não muito longe dali, viviam umas primas da minha mãe. Certa tarde, eu e a tia fomos visitá-las e eu já não quis vir embora. Conheci a Jacinta e a Balsinha. E fomos todas até à Avenida, ao café do Senhor Avelino, tomar um Sumol. Chacim não era uma aldeia absolutamente quieta como a da minha mãe. Nem no pico do Verão, quando os xistos ardiam ao sol. Chacim tinha miúdos da minha idade na rua. E tinha biblioteca na Casa do Povo. Esse lugar transformista onde nalguns dias havia baile e, noutros, consultas médicas.Convencer a tia a deixar-me ficar um fim-de-semana na casa da prima Otília não foi difícil. Difícil foi ficar mais dias.


Numa dessas tardes, na sombra contínua dos plátanos da Avenida, li pela primeira vez poemas que ainda hoje sei de cor. Fiz amigos nascidos em Chacim. Mostraram-me caminhos e montes. Levaram-me a fazer regatas de barcos de papel na Ribeira dos Moinhos. Descobri como as amoreiras já tinham sido rainhas e ouvi as primeiras histórias sobre as ruínas da fábrica da seda. À noite, no Pelourinho, enquanto as casas respiravam pelas janelas abertas, as pessoas juntavam-se para contar histórias de encantar. Foi assim que conheci a lenda de Balsamão. Foi numa dessas noites de amora, que soube o porquê do nome da Balsinha. Maria de Balsamão. Em homenagem à Nossa Senhora que, a três quilómetros dali, habita o santuário com o mesmo nome. A primeira vez que o visitei, foi num final de tarde. Um monte com olivais a perder de vista. Então, como hoje, acreditei: o silêncio nasceu ali.

Chacim é uma freguesia do concelho de Macedo de Cavaleiros, mas noutros tempos estas posições administrativas estavam invertidas. Foi elevada a concelho pelo Foral concedido em 1514 por D. Fernão Mendes de Congominho, Senhor de Chaves, protegido do rei D. João I. Nessa altura o país estava dividido em seis grandes comarcas e províncias. A província de Trás-os-Montes aparecia subdividida em quatro corregedorias: Vila Real, Bragança, Miranda e Moncorvo, sendo que era nesta que o concelho de Chacim se integrava. Foi necessário esperar mais de trezentos anos para que se verificasse uma alteração profunda neste quadro. Inspirado pelas correntes liberais da época, Mouzinho da Silveira encetava uma verdadeira revolução administrativa, separando as autoridades administrativa e judiciária. É nesta altura que Portugal adopta a actual fórmula de divisão em distritos, concelhos e freguesias. Chacim resistiu como concelho até 1853, altura em que o “título” passou para Macedo de Cavaleiros.Paralelamente à história factual, das fontes documentadas, as lendas resistem. De memória em memória. Relativamente à toponímia há duas versões: a do cruel rei mouro e a familiar. A família dos Chacins, cujo brasão de armas tem timbrado um javali – chacim - em português arcaico.Ocupado sucessivamente por romanos e árabes, a lenda conta que este território foi resgatado com a batalha de Chacim e o milagre de Balsamão. Durante uma sangrenta batalha entre mouros e cristãos, Nossa Senhora terá aparecido com um bálsamo na mão, curando as feridas e revitalizando os combatentes cristãos. A refrega terá sido travada por causa de um rei mouro que obrigava todas as donzelas a passarem a noite com ele, antes de se casarem! A peleia travada e ganha pelos cristãos pôs fim a esse tributo e, desde então o povo, grato, presta culto à Nossa Senhora. E a chacina nunca mais voltou a ter lugar por aqueles montes.De qualquer das formas, a importância do monte de Caramouro [ou de Balsamão] é incontornável quando se fala desta aldeia. O Santuário de Nossa Senhora de Balsamão, ali edificado, é um templo mariano, dirigido por padres polacos. A História dá conta que em 1733 se iniciou a construção de um hospício, contíguo à ermida, onde, em 1754 se instalou a Congregação de Balsamão. Facto que se fica a dever a Frei Casimiro Wiszynki, padre polaco em missão no nosso país.
Actualmente, apesar de ser um retiro, Balsamão figura ao lado do Solar de Chacim, entre a oferta hoteleira local. Recomendado para quem quer fugir da agitação, o convento acolheu, em 1996, Edgar Morin. O cientista social revelou ter descansado e meditado «neste local privilegiado». Por seu lado, o Solar de Chacim, fica dentro da aldeia. É um palacete convertido ao turismo de habitação. Restaurado e aprazível. Ao pequeno-almoço, entre as iguarias, encontram-se deliciosas compotas caseiras.


Hoje são apenas ruínas da indústria sericícola. Ruínas que testemunham e contam a História. É esta a glória das ruínas. Contar o que já não é visível na sua forma original. Entre 1750 e 1775 Chacim tinha uma fábrica de sedas onde se podia escutar o labor de vinte tornos de torcer, cerca de cinquenta teares de sedas lisas, dois teares de veludo, oito teares de sedas lavradas e dez de toda a variedade de fitas. Na época de maior prosperidade, esta fabrica fora dirigida pelo grande negociante Mestre de Campos, falecido poucos anos antes de 1783. Na época pombalina, incentivava-se a protecção a esta indústria, estendendo-se as plantações de amoreiras a várias comarcas do reino.Depois da crise de 83, no ano de 1786 foram chamados de Turim José Maria Arnaud e seu filho, Caetano Arnaud, piemonteses, conhecedores profundos da manufactura da seda, no seu país. Depois de um período na capital, foram para Chacim, aliciados pelos bons salários. Foram contratados mais operários piemonteses, cuja mestria levou à criação de uma verdadeira escola de fiação da seda, criando fama. Ali se preparavam veludos, glacés, tafetás, cetins e pelúcias de primeira qualidade, impondo-se rapidamente por todo o reino. Em 1791, a fábrica de Chacim, melhor apetrechada e na qual o Estado investira trinta mil cruzados, era uma das melhores do reino. Mas a existência de diversos problemas levou a uma quebra na produção, acentuada pela entrada em desuso da seda. Em 1811 morre Arnaud-Pai e o Governo extingue as duas corporações de fabricantes de sedas. No entanto, Caetano Arnaud permanece em Chacim já com a fábrica quase parada. Dois anos depois, foram dadas instruções para que a Fábrica de Chacim recuperasse o trabalho ou aumentasse os rendimentos. A dada altura chegou-se ao extremo da produção da seda ser insuficiente para o consumo nacional e recorresse às exportações. Por volta de 1821, Chacim conserva ainda o filatório, mas os fundos da companhia tinham desaparecido devido à má administração que os consumia em despesa e ordenados. A trabalhar por conta exclusiva do Estado e a caminhar inexoravelmente para a ruína, a agonia dura até meados da década de quarenta do último século.





Assente na meseta ibérica, aliás como todo o distrito de Bragança, Chacim é feita de terra xistosa, encontrando-se aqui e ali, manchas graníticas, nomeadamente entre as serras de Bornes e de Nogueira. Montanha e planície coexistem num firme contraste, tornando a paisagem surpreendente. Por todo o lado há pequenos cursos de água, regatos e ribeiros. O rio Azibo murmura sempre muito perto, até encontrar o Sabor que por sua vez desagua no Douro. E tenho a impressão de que o Tua, em noites de silêncio absoluto, também se faz ouvir. Em Chacim é a Ribeira dos Moinhos que levanta a voz por entre giestas, tojos, arça e urze. Ao seu clamor, no tempo em que um pequeno aqueduto levava a água à fábrica da seda, respondiam as amoreiras, que entre os séculos XV e XVIII reinavam entre castanheiros, oliveiras, amendoeiras e outra vegetação arbórea. Ainda se encontram amoreiras em Chacim. E há uma particularmente majestosa. Devido ao Real Filatório foram rainhas sem manto, em cada palmo de terra. Hoje são apenas ícones. Provas vivas, de raiz funda de que por ali passa a Rota Europeia da Seda. Hoje, um percurso cultural e histórico; ontem uma indústria florescente.A barragem do Azibo não fica longe dali. Por estas bandas, a praia é fluvial. Tomando a aldeia como base, as viagens ao redor de Chacim são muito diversas. As minhas preferidas são entre Maio e Setembro. Talvez porque o frio seco, dificilmente me arranca à borda da lareira. Pois é sabido que o clima, assim o caracteriza o povo, é de extremos. «Nove meses de inverno e três de inferno».


Chacim é uma aldeia, entre as aldeias de Portugal. No meu coração é a aldeia da minha vida. Uma viagem recorrente e única. Visitando-a, visito-me. Encontrando-a, encontro-me. Não é apenas o património edificado e natural; não é só a paisagem e o clima, a lenda e a história. Eu tenho em Chacim uma geografia de afectos, um património afectivo pintado à mão, no meu coração de seda. Chacim não tem apenas as ruínas da fábrica, os resquícios do bairro operário, a Pontinha, a igreja matriz, o solar, o Pelourinho, a casa do povo, a Avenida.Chacim não tem só as suas gentes, sedas centenárias guardadas nas arcas de madeira, estórias por contar na boca dos anciãos. Montes e amoreiras. Rios e regatos.Chacim tem a festa popular onde dei os primeiros passos de dança. Tem o mês de Agosto mais desejado da minha vida; o arraial mais animado da minha memória. Tem as ruínas da minha paixão adolescente; tem o café onde aprendi a jogar matraquilhos. Chacim tem segredos na soleira da porta da Jacinta, o parapeito da janela mais alta do mundo. O rapaz que me ensinou a jogar ao peão; os plátanos que testemunharam a minha primeira leitura de Chuva Oblíqua. Chacim tem a minha primeira inscrição numa casca de árvore; a minha tristeza do último dia de férias; a minha certeza de que o mundo acabaria, se nunca mais voltasse. Por Chacim passa a rota dos meus sentidos. Do meu sentir o mundo. Em silêncio.

imagens por ordem de edição: bairro operário; ruínas da fábrica da seda [ambas tiradas por mim]; Avenida, Capela do Convento de Balsamão
Dados bibliográficos recolhidos por mim, para um trabalho sobre a seda em Portugal e em Chacim em particular, realizado em 1995

Escrito por Marta
Chacim/ Macedo de Cavaleiros/ Bragança

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Minha terra, minha capital



Que posso dizer acerca da aldeia da minha vida?

Bom, para começar, talvez que nem chega a ser aldeia.
Mero lugar, perdido no meio de pinhais sem fim, nada que o caracterize sobremaneira, a não ser…bem, a não ser o facto de que quem vos escreve lá nasceu. O que já não é pouco.

Para vocências nada representará, evidentemente. Para mim, porém, é todo um mundo em que vi a abençoada luz do dia e onde cresci até aos dezoito meses e, mais tarde, por ter gostado, repeti dos três aos oito anos. A idade das descobertas em que tudo é novidade de arregalar olho.

De então até aos meus 37, perdido que andei por outras lonjuras, jamais lá voltei. Até que, num dia de Agosto de 1978, dois meses depois do nascimento do terceiro filho, que seguia ao colo da mãe, e com as irmãs mais velhas pela mão, dei por mim a passar pelo cruzeiro de ao pé da estrada, a subir a encosta da colina, a olhar lá para o alto, para vislumbrar os contornos da capela e, finalmente, os da casa. A redescobrir, enfim. Apenas por horas brevíssimas, mas suficientes para matar saudades de três décadas e meia a reviver, sempre de muito longe, a minha infância, marcada por duas admiráveis tias.

A que me criou nesse terrível período dos três últimos anos da II Guerra Mundial e nos seguintes, duros como rochas graníticas, agora com mais de 90 anos e a que continuo muito ligado, depois de longas décadas separados, pelos baldões da vida; a outra, muito recentemente falecida, professora exigente, principalmente para com o sobrinho, a quem ensinou a juntar as letras e a ler correntemente, coisa que ele já fazia, aliás, ajudado pela quase analfabeta criada, ao longo das tardes calmas da casa da costura, a poder de perguntas tramadas de catraio ansioso por conhecimento e a respostas custosas da rapariga que, enquanto passava a ferro a roupa das senhoras da casa, a custo lá ia soletrando o mapa de Portugal, com nomes estranhos de terras ainda mais estranhas, de rios, de linhas de caminho de ferro que “o rico menino” à viva força queria saber… e com cinco anos já sabia de fio a pavio, o que causava singular levantamento de sobrolhos e gritinhos de inusitado espanto nas visitas, maravilhadas com tal esperteza em criança de tão tenra idade e tamanha desenvoltura intelectual. Um fenómeno, embora o Entroncamento dali distasse uns bons 60 a 70 quilómetros.

Infelizmente para o fenómeno, com o rodar dos tempos a esperteza foi-se desgastando, a curiosidade fenecendo, talvez levada por outros interesses mais imediatos e mundanos e, agora, seis décadas idas, só resta uma tremenda saudade, que não saudosismo, entenda-se, pois que o caminho faz-se em frente, jamais às arrecuas, e o passado serve para nos dar conhecimento e experiência, bagagem indispensável para que contornemos com perícia as curvas da vida e percorramos as rectas na velocidade adequada, na longa viagem em que nos metemos ao nascer.

Mas isso é outra história, que aqui não colhe, pois que nem teria espaço suficiente para se espraiar.

O que conta nesta oportunidade é que, depois daquele fugaz regresso de 1978, jamais se passaram dez meses sem que lá voltasse, sempre de fugida (infelizmente a casa já não pertence à família…), para recarregar baterias, que só a nossa aldeia está habilitada a fazer, e à luta quotidiana regressar, retemperado, enfim.

É uma aldeia que nem sequer aldeia é, antes simples lugarejo, porque constituída por uma única casa, que era a nossa e onde nasci, geminada com uma capela, onde casaram meus pais e fui baptizado, ermida de Santo Estêvão, no Casal do mesmo nome, da freguesia de Cabeçudo, concelho da Sertã, distrito de Castelo Branco, neste pequeno canteiro à beira mar plantado, ali mesmo rés-vés com a estrada N532, entre a Sertã, terra da valente Celinda, e Cernache do Bonjardim, que foi do não menos valente e virtuoso Nuno Álvares Pereira, precisamente nas coordenadas 39º50’03,71” Norte e 08º08’27,00” Oeste. A casa, evidentemente.


É uma aldeia que nem sequer aldeia é… Mas que é a minha terra, a minha capital.




Quando aceitardes o convite que um dia vos farei para a visitardes, ficareis a amá-la também, quase tanto como eu. Ai de vós que não…

Escrito por: Ruben

Santo Estêvão/Sertã/Castelo Branco
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A minha aldeia


A minha aldeia tem cheiro a terra quente.
Coração de pedra.
Alma de gente..
Escrito por Filomena
Chinicato/Lagos/ Faro
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Ouguela, perdida no Alentejo

Ouguela é daquelas terras onde não se passa, vai-se. Localiza-se a Nordeste da sede do concelho, Campo Maior, muito próxima da fronteira com Espanha.


Ouguela vista de Sudeste, pela estrada que lhe dá acesso


Ao aproximarmo-nos da que já foi vila sede de concelho, a primeira visão que temos é de uma elevação coroada por muralhas de um castelo medieval. Subindo a encosta, em breve se vêem as casas do arrabalde, organizadas em três ruas íngremes com vista para a planura que se estende no sopé do monte, fruto do trabalho de deposição dos dois cursos de água que aqui confluem: a Ribeira de Abrilongo e o Rio Xévora.

Uma das ruas do arrabalde, vendo-se ao fundo, a planície aluvial do Abrilongo-Xévora e elevações já em território espanhol.


Estranha-se quando se entra na povoação: o silêncio é apenas cortado pelo canto das aves que se abrigam nas árvores. Dos cerca de 60 moradores, são raros os que se assomam às portas ou janelas, curiosos para ver os visitantes que se aventuram por estas paragens.

Ouguela vista da parte Norte. A muralha é interrompida pela brancura da igreja. Na encosta, à direita, o arrabalde e um pequeno bairro de casas relativamente novas. Também se vê a antiga escola, actualmente desactivada e convertida em centro de dia.


A igreja resplandece de brancura, pintada recentemente por voluntários devotos de Nossa Senhora da Enxara.
Restam ainda muralhas bem conservadas da antiga fortaleza, defesa de uma fronteira que entretanto perdeu importância estratégica.
Subindo às muralhas e percorrendo o caminho da ronda, desfruta-se de uma paisagem impressionante. Para Sul, uma superfície ondulada ocupada com campos de cultura, dos quais se destaca a geometria dos olivais. Para Norte, as planuras com mosaicos de culturas arvenses e de montado só interrompidas pelas elevações em território espanhol. Na encosta íngreme de uma destas elevações, vigiava a fronteira e Ouguela, qual sentinela, a antiga praça forte de Alburquerque.
No interior, a vila velha, com casas modestas muito ao estilo popular alentejano, mas também algumas que sugerem a condição mais abastada dos seus proprietários.





Um recanto da vila velha




Ocupando um espaço importante, a seguir à porta gótica da fortaleza, as ruínas de uma casa a que chamam do governador, com janelas onde ainda resiste alguma decoração em relevo. No vasto recinto, as aberturas da cisterna e o forno comunitário. O forno ainda é utilizado na Páscoa para os tradicionais assados de borrego.





Forno comunitário



Não posso dizer que é a aldeia da minha vida. É uma aldeia que gosto de visitar mas que está a ser progressivamente abandonada por vontade dos homens. Se nada for feito para contrariar o seu destino, com o passar do tempo será um aglomerado de ruínas que irá caindo no esquecimento e nem mesmo as histórias das vidas de quem lá viveu e das peripécias e dramas dos tempos do contrabando, permanecerão na memória das gentes. Porque há quem não aprecie a preservação das marcas e das histórias do passado, como legado fundamental da identidade cultural de uma comunidade.



Escrito por: Júlia Galego
Ouguela; Campo Maior, Alentejo



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